terça-feira, novembro 17, 2009

REVISITAR OUTRAS LUTAS



Escolhi esta canção de Brel, não apenas porque gosto dela, mas também porque na época em que a ouvi pela 1ª vez estava quase tão revoltado com a sociedade como hoje. Na altura eu ainda pensava em mudar o mundo, agora limito-me a alertar quem me rodeia contra uma cáfila que vai refinando as malfeitorias, e se escuda nos alçapões legais que foi plantando durante a passagem pelo poder.

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Fotos do Mundo
Budapest por Vasja2k

Veneza por Vasja2k

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Humor Russo

segunda-feira, novembro 16, 2009

ENTERRAR MAIS ESTA TRAPALHADA

Com estrondo veio a lume a saga do sucateiro que parecia ter os contactos certos para, com algumas dádivas, fazer as suas empresas ganharem concursos e serem escolhidas em negócios lucrativos. Junto com o sucateiro vinham também uns quantos barões e baronetes de empresas públicas ou participadas, e com ligações ao poder o que dava pano para mangas.

Seguem-se muitas novidades, a que chamam fugas do segredo de justiça, e ouve-se falar em cassetes (que antiquados), de sacos de papel presumivelmente com dinheiro dentro (a mala era mais chique), e no final alguém veio dizer que os cidadãos eram todos iguais perante a lei e que por ela eram tratados da mesma maneira (contos de fadas).

Por mim este caso fica encerrado. Eu deixo que pensem que acredito que o sucateiro é o único mau da fita, que ninguém lhe foi abrindo as portas a troco de ninharias, que as conversas de amigos podem ser segredos de Estado e que a repetição constante do mesmo nome em tudo o que é sujeira, não passa de uma cabala urdida por extraterrestres.

Portanto proceda-se ao enterro de mais este caso, e continuemos a acreditar que os detentores do poder um dia venham a declarar por escrito, e com a assinatura reconhecida que prevaricaram e merecem castigo, coisa que a justiça não consegue fazer por razões que eu desconheço e que estranho.





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Caricatura
Andres Segovia by Achille superbi

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Imagem de Outono

sábado, novembro 14, 2009

CURTINHAS

Apoiar a natalidade – O PS manifestou a sua preocupação com a baixa natalidade verificada em Portugal nas últimas décadas, decidindo congelar as prestações sociais, abonos de família, subsídios pré-natais e bolsas de estudo. A nova ministra do Trabalho, Helena André, começa com o pé esquerdo o seu consulado, já que a inflação prevista para 2010 é de 1,3%.

Mudança de camisola – Vieira da Silva que agora é ministro da Economia, decidiu vestir a camisola do patronato e fazer coro com Francisco Van Zeller e Vítor Constâncio, dizendo não ser sustentável subir os salários 1,5%. Como o ataque começou exactamente sobre os salários da função pública, talvez fosse pedagógico aconselhar estes senhores a consultarem atentamente os dados do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística e verificarem com clareza que, pelo menos desde 1999 os aumentos salariais no Estado foram sempre inferiores aos dos contratos colectivos, exceptuando-se 2009, ano em que foram superiores em 0,1%. Curiosamente também podem registar que de 2000 a 2008 os aumentos da função pública foram sempre inferiores à inflação. Pede-se mais seriedade a estes senhores, porque se querem poupar uns cobres basta dizerem que a malta sabe onde se gasta à fratazana.



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Humor de Classes
YURIY KOSOBUKIN

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Fotografia - Outono
Autumn Almost Over by Tailgun2009

sexta-feira, novembro 13, 2009

CORRUPÇÃO

Há coisas que ouvimos mais do que uma vez e que são repetidas sempre que alguns factos se repetem. O pacote Cravinho é um dos exemplos e surge sempre que surgem suspeitas de corrupção em alta escala, envolvendo figuras também elas com posições elevadas nas hierarquias do poder, empresarial e do Estado.

Um dos pontos mais controversos do pacote Cravinho, que já foi admitido como essencial para o combate efectivo à corrupção noutros países democráticos, mas que por cá encontra resistências é sem dúvida o do enriquecimento ilícito e da inversão do ónus da prova nestes casos.

Para vos ser muito sincero, a afirmação de que a inversão do ónus da prova é a violação grosseira dos princípios constitucionais, é uma falácia com que se acena como se isso já não fosse prática corrente noutros casos. Recordem-se de multas de estacionamento, por terem pisado o traço contínuo, por exemplo, e vejam quem é que têm o ónus da prova.

O facto de ter sido precisamente o PS a chumbar o enriquecimento ilícito, vem agora trazer amargos de boca a muita gente e alguns até nem se podem queixar, porque para o cidadão comum o chumbo equivale à defesa de muito malandro que enriquece sem esforço e fica impune, precisamente por ter enriquecido antes de ser apanhado.

Um pacote anti-corrupção? By Mahmoud Mokhtari


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Fotos Nacionais
The Arc by lobices

The T Bridge by lobices

quarta-feira, novembro 11, 2009

PALAVRAS

Sabe-se agora que as escutas entre Sócrates e Vara foram consideradas nulas pelo Supremo Tribunal de Justiça, pensa-se que devido ao facto de Sócrates ser 1º ministro.

É controverso este entendimento, ainda que do ponto de vista formal se possa argumentar com a falta de autorização daquele tribunal superior.

Seja qual for a decisão final, que parece ainda não ter sido ainda tomada, José Sócrates não sai bem da fotografia porque a “conversa com um amigo” poderá ser sempre encarada como um possível negócio ilícito, já que sendo anuladas e destruídas nunca farão prova da sua inocência, a que afinal teria direito de fazer prova usando estas provas agora postas em causa.

Será que alguém depois da anulação destas escutas vai acreditar que as conversas eram apenas inocentes conversas entre amigos?



NOTA: Por lapso meu não ficou claro no último post que nada tenho a opor à discussão das uniões entre pessoas do mesmo sexo, apesar de continuar a pensar que todas as uniões de facto são discriminadas especialmente quanto aos direitos do membro que sobreviva à morte da sua companhia efectiva, isto independentemente do sexo dos dois elementos das uniões de facto.





segunda-feira, novembro 09, 2009

A PROPÓSITO DE LEGITIMIDADES

A propósito das prioridades de agendamento e de discussão de temas nesta nova legislatura foi curioso ouvir da boca de vários políticos, que a Assembleia da República tinha toda a legitimidade para decidir sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, sem o recurso a nenhum referendo, exactamente porque o partido do governo, e não só, tinham o assunto incluído nas suas prioridades expressas nos programas eleitorais.

Não pretendo hoje discutir o tema, mas sim a argumentação utilizada na prioridade dada à sua discussão apesar da conjuntura actual.

A Assembleia da República é composta por eleitos e sempre julguei que era daí que lhe advinha a legitimidade, mas com os políticos e partidos que temos nunca se sabe. Lembrar-se-ão alguns de que estava nos programas da totalidade dos partidos representados no Parlamento na última legislatura, a intenção de realizar um referendo a propósito do Tratado de Lisboa, e depois foi o que se viu.

O esquecimento que afecta demasiado os políticos é também uma das razões que dita a sua falta de credibilidade, e apelar à legitimidade, como foi feito agora, pode avivar as memórias dos portugueses e causar ainda maior descrédito numa classe que já não está no seu lugar por convicção mas por outras razões bem diversas.

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Foto - Cinza e Vermelho
by elektrum

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Humor Variado
Habib Pashazadeh

Hamed Nabaha

Julian Pena-Pai

sexta-feira, novembro 06, 2009

QUADRAS

Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias…

Mesmo que te julguem mouco
Esses que são teus iguais,
Ouve muito e fala pouco:
Nunca darás troco a mais!

Recordar António Aleixo

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Pintura & Cor
NEW ORIGINAL PAINTING by Leonidafremov

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Bonecos no Chiqueiro
Humor Suino by Goraz

Uma maldade sem o conhecimento do W.D.

quinta-feira, novembro 05, 2009

A MINHA INCREDULIDADE

Estando a corrupção na ordem do dia são mais do que muitos os comentários e falatórios que se ouvem por aí e se lêem na imprensa. O comentário que agora começa a ser habitual e dado como verdade adquirida é de que “os portugueses são bastante tolerantes perante a pequena corrupção”.

É fantástico que agentes da Justiça, politólogos e comentadores reputados encham a boca com tamanho disparate, para logo de seguida justificarem o fiasco que é a falta de punição dos grandes corruptores e corrompidos. Já há quem diga até que a complacência do povo faz com que a Justiça não funcione correctamente e os facínoras se sintam cada vez mais impunes.

O povo se pudesse castigar os bandidos que roubam desalmadamente, actuaria severamente e descontroladamente por estar farto de ser roubado. Confundir a tolerância perante a “cunha” e outros tipos menores de corrupçãozinha, que na lei até têm nomes diversos, com o roubo desalmado e o tráfico de influências em altas negociatas é como confundir a árvore com a floresta.

Como costumo ser politicamente incorrecto, apetece-me exagerar um pouco as teorias de Saramago, esperando não ser acusado de ser intelectualmente desonesto, e dizer que se deviam interpretar literalmente algumas passagens bíblicas (Antigo Testamento) e aplicar a Lei de Talião (lex talionis) nestes crimes de alta corrupção.



Imagem de Henrique Monteiro

GripeA por Henrique Monteiro

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Foto - Realismo
Look the eyes por lobices

terça-feira, novembro 03, 2009

VAMOS ENTÃO AOS CUSTOS…

Nos tempos que correm sou pouco sensível aos protestos dos políticos que se reclamam de esquerda e de direita só porque pertencem a este ou àquele partido político. Olhem que nem sequer estou a ser cínico, apenas me baseio no excesso de subordinação à economia de mercado, com todos os defeitos que tem demonstrado, de quase todos os partidos políticos que têm estado envolvidos no poder em Portugal.

O caso BPN com a sua nacionalização recente e a mais do que provável privatização num futuro próximo vem baralhar mais ainda as possíveis diferenças entre a esquerda e a direita portuguesas.

Para os mais confusos fica a alusão a um dos dogmas mais profundos da direita que diz que as nacionalizações (todas) são uma factura pesada que os contribuintes têm que pagar. Como devem saber, mesmo que falemos só da esquerda mais radical, só ouvimos falar de nacionalizações de empresas estratégicas que apresentam lucros substanciais.

Pois bem meus caros, o PS português decidiu nacionalizar o BPN, e só o banco e não a holding que o detinha, quando a falência parecia inevitável. O dinheiro necessário a atender compromissos entrou em quantidades que em muito ultrapassaram o que foi dito aos portugueses à data da nacionalização, e sempre foi afirmado que os avales à banca e que o dinheiro seria restituído com juros.

Passado cerca de um ano ouvimos falar de privatização, ouvimos afirmações dos responsáveis da CGD que não vai perder nada com a injecção de dinheiro no BPN, e ouvimos também o presidente do BPN afirmar com todas as letras que a privatização do banco está à vista e que a nacionalização do BPN vai ter custos significativos para os contribuintes.

Afinal de contas o custo não é o da nacionalização, mas sim o da privatização, porque o que sempre esteve em causa foi nacionalizar os prejuízos e privatizar os lucros. Agora que o passivo está limpo (3,5 mil milhões de euros depois) privatiza-se depressa sem acautelar o dinheiro dos contribuintes? Esquerda ou direita? Escolham se quiserem, porque para mim ficou claro!



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Fotos da Época
Japanese maple tree by wingmar

Golden Autumn by tomsumartin

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Humor Preocupado
Rumen Kostov Dragostinov

Benjasit Tumying

quinta-feira, outubro 29, 2009

POLÍTICA DA BANHADA

Muitas vezes são os factos insólitos e mesmo as bizarrias dos políticos que acabam por denunciar o carácter e o modo de pensar dos ditos.

Quase que apostava que já estão à espera de umas alfinetadas no Vara ou no Penedos, indivíduos que ao que consta pisaram na bola e foram apanhados por uns senhores que decidiram bisbilhotar as suas conversas telefónicas e não só. Pois enganaram-se, porque hoje estou mais virado para a Cidade Luz e para outros personagens.

Consta que um tal de Sarkozy, que por acaso habita o Eliseu (seja lá isso o que for), que ainda há poucos dias pretendia que o seu filho ficasse com um cargo para o qual não teria o mérito necessário, também tinha “autorizado” a instalação de um chuveiro de 250 mil euros no Grand Palais (penso que será uma vivenda).

O tal senhor Sarkozy, que me confidenciaram, usa umas palmilhas ou saltos nos sapatos para ficar quase da altura da esposa que se diz cantora, diz que nem sequer gastou a massa toda que estava autorizado a gastar durante a presidência francesa, e ao que consta não usou uma única vez o tal chuveiro que até fazia massagens e tudo.

Há gente muito miudinha para quem isto mete muita confusão. O pobre homem só quer o bem da família (protegendo o filho), e quem é que prefere massagens dum banal chuveiro quando pode apreciar uma esposa que já foi modelo e não canta em casa, a poucos blocos do Grand Palais, onde também tem certamente um chuveiro e as pantufas com aqueles acrescentos práticos?

Vão tomar banho, seus invejosos!



Imagem retirada da Net



835

quarta-feira, outubro 28, 2009

REFLEXÃO E SAUDADE

Quando entrei neste mundo dos blogues foi pelo prazer de expressar os meus pensamentos, trocar impressões com outros, sentir o pulsar de uma parte da sociedade e divertir-me com a experiência.

O tempo passou, fui-me habituando a observar com mais atenção alguns amigos que escolhi, ou pelos quais fui escolhido, e tudo foi funcionando como esperado.

A idade neste meio não se mede em tempo como o que conhecemos, mas sim por outros factores que são muito pessoais e que variam de indivíduo para indivíduo. Uns chegam, outros partem, alguns regressam com o mesmo aspecto, outros simplesmente reincarnam e mudam de aspecto ou de tipo de abordagem.

O que é inexorável é a passagem do tempo, a partida de muitos amigos e a saudade que vai ficando em cada um de nós, pelos bons momentos que outros nos proporcionaram. Não sei se a minha partida está para breve ou não, mas hoje bateu fundo a nostalgia.

sun саныч


segunda-feira, outubro 26, 2009

POBRE NOBEL

Desde os bancos da escola até aos escolhos da vida, aprendi a analisar as coisas em função da época e das condições em que estas surgiram. Quando o meu interesse pela História se tornou mais evidente e comecei a prestar mais atenção às artes (pintura, escultura, etc.), e aos acontecimentos históricos mais relevantes, comecei a entender que a evolução dos costumes e do pensamento são resultado do que aconteceu e ao mesmo tempo influenciaram tudo o que o homem fez, de bom e de mau.

Recentemente fiquei um pouco espantado com a intenção de alguns sábios que puseram em causa o trabalho do nosso 1º Nobel, Egas Moniz, porque aquilo que parecia à época um avanço real na área da saúde não se veio a confirmar, e a sua prática acabou por revelar-se desastrosa. Lembrei-me da dinamite e calculei logo que a sapiência de gente tão iluminada não se detém perante evidências que só ocorrem a espíritos simples.

Outra admiração, talvez ditada por razões publicitárias, foi a tentativa canhestra de Saramago em interpretar literalmente a Bíblia à luz do pensamento actual, porque isso chamava a atenção do público e da crítica para a sua última obra. Gostava de ouvir o escritor falar da Odisseia e da Ilíada, ou de muitos outros escritos de referência, usando os mesmos critérios literais e interpretativos.



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Fotos - Mãos
tgreen

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(Mau) Humor Noticioso

sexta-feira, outubro 23, 2009

CULTURA

Os últimos acontecimentos nesta terra são simplesmente deprimentes e nem o anúncio da composição do novo executivo nos dá fundadas esperanças de melhorias para os nossos conterrâneos.

Vamos ter uma nova ministra da Cultura, de seu nome Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas, uma pianista com um percurso ainda pequeno, mas não desprezível, na Cultura especificamente nos Açores de onde foi “requisitada”.

Não tenho grandes esperanças de que José Sócrates emende a mão e conceda meios financeiros adequados às necessidades, mas ficamos à espera dos capítulos que se seguem. Para já gostei de ouvir que é impossível fazer mais com menos recursos, quando estes simplesmente quase não existem.



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Sirvam-se!




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Humor e Economês

quarta-feira, outubro 21, 2009

CURTINHAS

Tolerância – Não gosto da escrita de Saramago, nem tão pouco do personagem, mas também não sou crítico literário para que me levem a sério. O que me incomodou nestes dias foi um excerto do seu último livro Caim, e as suas declarações segundo as quais «a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana». Embora não professe qualquer religião registo com desagrado que o escritor continua a mostrar o mesmo tipo de tolerância com que nos tinha brindado quando passou pelo DN após o 25 de Abril. Pela inversa gostei das respostas de representantes de diversas igrejas que valorizaram a liberdade de expressão como valor fundamental e inalienável.

Pobreza – O aumento da pobreza é um facto que já é impossível ignorar. Não é um resultado directo da crise económica como alguns teimam em afirmar, mas sim consequência de um padrão de governação que não regula a distribuição da riqueza, que é responsável pela má distribuição da mesma. As desigualdades desmoralizam a força de trabalho, porque nem sequer o estar empregado é garantia de escapar à pobreza, e a precariedade é uma ameaça constante em quase todos os sectores. Os portugueses cada vez menos acreditam na possibilidade de recuperação da situação de pobreza, o que é um sinal claro de que não confiam na nossa classe política.





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Pinturas
Saturday Market by purplpixi

A branch of the whole by Dragoon-of-Darkness

segunda-feira, outubro 19, 2009

DO SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA

Não há revolta no homem

que se revolta calçado.

O que nele se revolta

é apenas um bocado

que dentro fica agarrado

à tábua da teoria.


Aquilo que nele mente

e parte em filosofia

é porventura a semente

do fruto que nele nasce

e a sede não lhe alivia.


Revolta é ter-se nascido

sem descobrir o sentido

do que nos há-de matar.


Rebeldia é o que põe

na nossa mão um punhal

para vibrar naquela morte

que nos mata devagar.


E só depois de informado

só depois de esclarecido

rebelde nu e deitado

ironia de saber

o que só então se sabe

e não se pode contar.


Natália Correia



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Fotografia Outonal
Belmonte

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Humor Outonal

sexta-feira, outubro 16, 2009

QUALIDADE DE VIDA

Enquanto José Sócrates procura quem esteja disposto a viabilizar o seu programa e o orçamento de estado para 2010, as notícias vão surgindo não só relativamente a casos que são anteriores à campanha eleitoral, como a TVI, o Freeport e os submarinos, mas também sobre o desemprego e a pobreza que se tornam problemas muito graves.

Sobre as polémicas que têm servido de arma de arremesso no combate partidário só digo que a Justiça é que sofre na sua credibilidade, porque os cidadãos já dão como adquirido que ninguém importante vai ser condenado. Já sobre o governo minoritário e o diálogo que enche a boca do indigitado 1º ministro, a coisa pia fininho, porque como eu já tinha previsto só colherá o apoio do CDS de Portas e limitado.

É curioso que o CDS tenha tido um discurso com preocupações sociais, ainda mais vincadas do que as do PS, apenas contrariadas pelo caso do rendimento mínimo, e agora seja precisamente este partido de direita o único a preparar-se para viabilizar o governo. Eu sabia que Sócrates não era de esquerda, mas os factos vêem demonstrar perfeitamente quem é quem.

A miséria aumenta a olhos vistos, e quem conhece o voluntariado pode testemunhar o que digo, mas as medidas sociais permanecem na gaveta, o desemprego alastra, a precariedade aumenta, os salários de miséria abundam, e o código do trabalho ajuda tudo isto. Ter trabalho já não é uma garantia de ficar fora da miséria, pelo contrário, cada vez mais se torna uma realidade para mais portugueses.

A política monetarista, o desequilíbrio cada vez maior entre empregadores e empregados, com um Estado que deixou à muito de ser o fiel da balança para ser apenas uma das partes, vão conduzir este país à ruína, com trabalhadores desmotivados e mais preocupados com a sobrevivência do que com o resto, e ricos cada vez mais ricos e sem necessidade de investir no sector produtivo porque a especulação rende mais e não é taxada.



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Fotografia
Fall by UnaObsesion

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Caricatura


quarta-feira, outubro 14, 2009

COM AMIGOS ASSIM!...

Maitê Proença é uma actriz brasileira que, em tempos, encantava o público masculino português que assistia às novelas vindas do outro lado do Atlântico. Digo isso porque o tempo passa e até as mais cuidadas senhoras vão mostrando no seu rosto (e não só) a passagem dos anos, algumas até com muito charme e elegância.

Falo nesta actriz e refiro-me ao charme e elegância, porque Maitê Proença foi deselegante e muito mal agradecida para com os portugueses que sempre a receberam com carinho e sem comentários ofensivos.

O vídeo que podem ver mais abaixo, não tem qualquer graça, prima pelo mau gosto, roçando mesmo a boçalidade e não abona a favor de nenhuma das pessoas que ali vi, e que certamente têm que cuidar melhor da imagem, já que lidam com o grande público que já se habituou a ter opinião e a criticar livremente, tanto cá como no Brasil.

Talvez Maitê Proença se tenha esquecido de que as ditaduras não são um exclusivo português e que o respeito pelos povos é também o respeito pela sua liberdade e identidade.

Moça, a vulgaridade fica-lhe mal!





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Fotografia e o Cão
Dogs by ahermin

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Humor Pouco Ecológico
R.J. Matson

Bill Schorr

segunda-feira, outubro 12, 2009

SOSSEGOU, MAS PODE CONTINUAR

Depois de vários meses de poluição eleitoral e de promessas a rodos, eis-nos chegados ao fim deste infernal ciclo eleitoral e ao descanso no que respeita à propaganda.

Não fiquei particularmente agradado com os resultados eleitorais, não sou masoquista, mas sou obrigado a aceitar as decisões da maioria, porque não me sinto inclinado a promover uma revolução, pelo menos por agora.

Também não acho que a situação vá melhorar no país, o que não é novidade dada a minha descrença na pessoa do chefe do próximo executivo, mas cá estarei para dizer o que penso quando começar a nova legislatura.

Sossegado, mas pouco!



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Foto - Em Caso de Emergência...
Sitibundo

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Humor Evolucionista

sexta-feira, outubro 09, 2009

SÓ IMAGENS

Quando as notícias andam em redor das eleições, mesmo sabendo-se que na grande maioria dos casos falamos de candidatos que já lá estão há demasiado tempo, é natural que a indiferença seja mais do que notória.

Hoje deixo-vos umas imagens que vi na Reuters e que me chamaram a atenção, e me fizeram sorrir no final de mais um dia.


REUTERS/Jacky Naegelen

REUTERS/Miro Kuzmanovic

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Humor - Verdade Desportiva

quarta-feira, outubro 07, 2009

AMÁLIA

Temos um Museu do Traje, onde se guarda e expõe alguns dos vestidos usados pela diva do fado, e também temos o Panteão Nacional onde repousa para todo o sempre a nossa grande fadista, e os dois equipamentos culturais são da responsabilidade do Ministério da Cultura.

Não pretendo dar nenhuma novidade aos meus leitores, mas sim deixar aqui uma estranheza que me assola, já que as duas exposições sobre Amália Rodrigues, dez anos passados sobre a sua morte, acontecem no Museu da Electricidade e no Museu Berardo.

Talvez não tenha ainda sido muito claro, mas é curioso que a conservação e o depósito seja da responsabilidade do Ministério da Cultura e as exposições (duas) acontecem em instituições que não são da responsabilidade do MC, mesmo que isso não queira dizer que não têm contributos dos cofres do Estado (nós).

Fico agradado com estas exposições, como qualquer português, mas esta margem do Tejo desperta uns certos interesses que se vão tornando tão evidentes que começa a ser difícil ignorar tantas curiosidades e coincidências.





domingo, outubro 04, 2009

HOMENAGEM

Morreu Mercedes Sosa, uma das vozes mais celebradas da América latina. A sua voz e as causas que abraçou merecem ser recordadas.


sexta-feira, outubro 02, 2009

MEU CORPO, QUE MAIS RECEIAS?

-Meu corpo, que mais receias?

-Receio quem não escolhi.


-Na treva que as mãos repelem

os corpos crescem trementes.

Ao toque leve e ligeiro

O corpo torna-se inteiro,

Todos os outros ausentes.


Os olhos no vago

Das luzes brandas e alheias;

Joelhos, dentes e dedos

Se cravam por sobre os medos...

Meu corpo, que mais receias?


-Receio quem não escolhi,

quem pela escolha afastei.

De longe, os corpos que vi

Me lembram quantos perdi

Por este outro que terei.


Jorge de Sena




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Outono
Jannusik