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sexta-feira, fevereiro 16, 2024

SUPREMA HIPOCRISIA

Navalny morreu.

A liberdade de expressão é um dos temas mais esgrimido pelos que se dizem defensores das liberdades, muitas vezes para se vitimizar, ou para atacar os países onde essa liberdade é respeitada. Nunca os vejo a criticar a Rússia, a China, a Venezuela ou o Irão, o que é uma pena.

Na ordem do dia têm estado as manifestações contra os excessos de Israel na sua sanha de vingança, os países ocidentais pelo apoio à Ucrânia e os EUA só porque é esse o seu alvo preferido.

No dia da morte do dissidente russo Navalny não vi um único dos conhecidos amigos de Putin, vir a público condenar o regime de Putin ou sequer lamentar a morte de alguém que estava preso, em condições extremas, apenas por ter exercido o seu direito de expressar o seu pensamento.

Os "grandes defensores das liberdades, dos direitos humanos e da diversidade de pensamento", que se intitulam progressistas ao promoverem as manifestações e passeatas em defesa dos oprimidos, estão silenciosos perante esta morte, mostrando a sua hipocrisia e a sua agenda política. Neste pacote incluo muitos activistas (alguns até meus amigos), bem como muitos políticos nacionais e estrangeiros como o Lula da Silva.


 

quinta-feira, agosto 19, 2021

FUNDAMENTALISMO ALIMENTAR

Não estamos no Afeganistão, mas às vezes parece. À nossa volta começam a surgir fundamentalistas nas mais variadas áreas e sabe-se lá como, vão conseguindo levar água ao seu moinho perante a indiferença quase geral.

As refeições nos refeitórios escolares foram agora alvo desse fundamentalismo, onde sob o pretexto de se “assegurar uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades dos alunos” surgem um sem número de proibições.

Só os mais velhos se recordam do tempo em que as escolas tinham cozinheiras que lá confeccionavam as refeições, que eram uma delícia pois eram idênticas às que se comiam em casa. Isso acabou e transformou-se num negócio para empresa privadas, que naturalmente se estão nas tintas para as necessidades dos petizes, e o Estado como contratante também só está interessado em pagar o mínimo possível, mesmo à custa da qualidade e valor nutricional.

Para além do prejuízo evidente para aqueles que tinham como refeição principal ou mesmo única, a que tomavam na escola, os jovens vão ser empurrados para as pastelarias, supermercados e lojas de comida de plástico que existem por todo o lado.

Será que os nossos governantes comem durante toda a semana comida igual à das cantinas escolares? Será que na Assembleia da República, a casa da Democracia, também se servem refeições iguais às das escolas?


 

quinta-feira, maio 06, 2021

O PODER ECONÓMICO

Desde há décadas que se discute quem realmente detém o poder, se são os políticos se são os que detêm o poder económico. Eu já não tenho qualquer dúvida, o poder político já se rendeu ao poder económico, porque o dinheiro fala mais alto.

O caso da pandemia da Covid 19 é um bom exemplo para se perceber onde está o verdadeiro poder. Depois de muito financiamento, sobretudo público, apareceram vacinas, algumas até com abordagens diferentes ao que era comum, e iniciaram-se campanhas de vacinação.

Os países desenvolvidos tomaram a dianteira, comprando quase tudo o que ia sendo produzido. Os países menos desenvolvidos ficaram sem qualquer possibilidade de entrar no mercado das vacinas (principalmente nas desenvolvidas pelo Ocidente).

Perante a escassez de vacinas as regras do mercado funcionaram por baixo pano, e Israel (por exemplo) conseguia vacinar mais rápido do que todos os grandes blocos, e logo surgiram países produtores de vacinas que proibiram a exportação das mesmas (por exemplo os EUA e a Reino Unido).

Conforme foi passando o tempo e a produção foi aumentando, a vacinação tomou velocidade nos países desenvolvidos, mas nos menos desenvolvidos a escassez continuou a ser uma realidade. A Índia é um caso muito particular dum país onde se fabricam muitas vacinas, mas onde prevaleceu a lógica economicista da necessidade de produção e de exportação, deixando o país numa situação de catástrofe sanitária sem igual.

Agora que os EUA têm boa parte da população vacinada, Biden propôs o levantamento das patentes das vacinas contra a Covid 19, que a maioria dos países e a própria OMS apoiam, mas lá veio a Alemanha e a Suíça, bem como as grandes farmacêuticas, dizer que não, e que isso não alterava a situação.

Todos sabemos que a pandemia não terá um fim sem que a maioria dos povos deste planeta tenham sido vacinados, e que o perigo de demorar nesta tarefa só pode trazer mais perigos, com novas mutações do vírus a ser a possibilidade mais imediata. Nem assim o poder económico parece querer ceder, tal a ganância do ser humano, e tal a fraqueza dos poder político, afinal os que nos representam…


 

Cartoon de Patrick Chappatte

domingo, março 07, 2021

QUAL O LIMITE DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO?

Ontem assisti a um programa chamado Invasões Bárbaras, onde pontuam a moderadora Iryna Shev, Oliver Bonamici, José Milhazes e Helga Saraiva-Stuart, e confesso que fiquei verdadeiramente espantado com as opiniões de Helga Saraiva-Stuart sobre a prisão do rapper espanhol Pablo Hasél que foi condenado a nove meses de prisão por glorificação do terrorismo e críticas à monarquia e à polícia. Já depois desta condenação foi também condenado a mais dois anos e meio de prisão por ameaçar uma testemunha. Nas suas mensagens no Twitter “comparava, por exemplo, o antigo rei Juan Carlos a um patrão da máfia e apelidava as forças de segurança de "merda de mercenários", acusando-os de torturar e assassinar manifestantes e imigrantes.”

As leis dum país democrático são para ser respeitadas, independentemente das nossas opiniões, e a liberdade de expressão não abrange nunca o incitamento ao terrorismo, o incitamento à morte de determinada pessoa, ou às forças da ordem.

Esta senhora que tem muita dificuldade em expressar-se em português, preferindo o inglês, confunde a opinião com o discurso de ódio, que a nossa Constituição também condena trouxe à colação o “Speaker’s Corner” onde, segundo ela se podia dizer o que se quisesse, mas na realidade, e apesar de por lá ter passado Karl Marx, as autoridade britânicas proibiram diversos discursos, e o último terá sido contra a guerra do Iraque, sabe-se bem porquê. Também finge a senhora desconhecer que falar contra a monarquia inglesa é perigoso, e se isso incluir ameaças é crime.

Diz a senhora que se considera de uma minoria, que se alguém começa a dizer vamos começar a enforcar negros num poste, ela não ia gostar, mas gostava de saber o porquê… e não iria condenar a pessoa por isso, ou pedir a sua prisão. Será mesmo?  

Foi curioso verificar que ela foi a única pessoa do painel a ter opiniões desta natureza, e que nenhum a seguiu naquele pensamento irresponsável de defesa duma liberdade individual que, nestes termos, colide com as leis dum país democrático, e com o direito à vida de todos os cidadãos.


 

terça-feira, outubro 06, 2020

A HIPOCRISIA DO PODER

Quando um funcionário duma empresa fica infectado, não tem o mesmo tratamento que um figurão, e os colegas não são todos avisados e testados, uma e outra vez com a maior brevidade. Claro que somos todos iguais, mas não completamente iguais.

Há focos de infecção em Lisboa e no Porto, confina-se o pessoal em casa, mas podem sai para tratar da saúde, fazer as compras essenciais, e, mais importante para ir trabalhar. Que importa que os transportes estejam cheios e que as paragens estejam à pinha, o país não pode parar. Não pode é passear, ir jantar fora ou ir ao futebol.

O Trump fica infectado por andar a negar a evidência, e recebe tratamentos em casa, vai para o hospital e é submetido, não aos tratamentos que recomendava, mas ao que existe de mais avançado e inovador. Quarentena, qual quarentena, sai para dar uma volta ao hospital de carro, volta para casa onde tem o que há de melhor na assistência à saúde, e ainda tem o topete de dizer para que os cidadãos “não tenham medo da doença”. Claro que nem todos têm direito aos mesmos cuidados de saúde, e por vontade do fulano nem deveriam ter direito sequer à protecção na doença.

Claro que somos todos iguais, mas uns são mesmo mais iguais do que os outros…


 

terça-feira, julho 28, 2020

TURISMO E COVID


Com esta pandemia e os riscos de contágio que se conhecem o turismo e as viagens aéreas sofreram imenso, bem como todas as actividades que giram ao seu redor, o que causou algum pânico em empresas e até em Estados.

Depois do susto inicial e com a consciência de que não estávamos a atravessar uma crise passageira, os interesses económicos impuseram a sua lei, e assistiram-se a coisas impensáveis, como a omissão de dados epidemiológicos, anúncios de que tudo estava controlado, ao jogo de influências para se beneficiarem certos destinos, e à utilização de critérios no mínimo questionáveis.

Alguns destinos foram aconselhados, outros desaconselhados, estabeleceram-se quarentenas para quem viesse de certos países, enquanto a União Europeia dizia que as fronteiras deviam estar abertas para todos os países membros sem mencionar nenhuma restrição.

Agora vem aí a segunda vaga, ou quem sabe ainda a continuação da primeira, de Covid, ao mesmo tempo que as economias de cada país levam o seu rombo, e os países emissores de turismo impõem cada vez mais restrições, sobretudo para evitar a saída de nacionais, e os países mais dependentes dos fluxos turísticos esgadanham-se para mostrar que estão melhores do que os seus rivais.

Nada disto devia ser surpreendente pois há muito que sabe que é o poder do dinheiro que manda, e que os políticos se curvam perante os interesses, deixando a saúde e o bem estar das populações para depois…