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segunda-feira, novembro 18, 2019

OS AUMENTOS DE LUXO QUE SE ESPERAM

Chegou o anúncio pomposo da "vontade" de aumentar os salários da Função Pública com base na inflação de 2019 e é ver por todo o lado funcionários a festejar.

Consta que as encomendas de Porsches, Mercedes e BMW's já nem são aceites por não haver produção suficiente para atender aos pedidos já feitos.

Os condomínios de luxo anunciados para toda a zona da Grande Lisboa e Grande Porto já estão vendidos, mesmo aqueles que ainda não foram iniciados.

As agências de viagens estão desesperadamente a lutar por encontrar destinos de sonho para tanta procura.

Desta vez os aumentos não serão percentuais mas sim iguais para juízes e assistentes operacionais, medida que é aplaudida por todos os sindicatos e partidos.
 

quinta-feira, junho 13, 2019

A CRISE DOS BAIXOS SALÁRIOS


Agora fala-se muito na crise demográfica e dos efeitos nefastos que poderá vir a ter na economia nacional, mas de soluções apresentadas não se vê quase nada.

Vimos de quase uma década de empobrecimento de quem vive do seu trabalho, ao mesmo tempo que os ricos foram aumentando a sua riqueza, isto apesar da crise económica que o mundo atravessou. 

Durante este tempo, em Portugal, uma geração com formação superior e com vontade de vencer na vida, porque não encontrava emprego compatível cá dentro, resolveu partir pelo mundo procurando realizar-se profissionalmente e como pessoas.

O desemprego durante a crise económica cresceu, os salários foram esmagados, o que fez proliferar uma classe de empregadores que se aproveitaram o mais que puderam, e que agora estão aflitos para encontrar quem queira trabalhar para eles.

O discurso de se facilitar a imigração vem precisamente de quem pretende manter a política de baixos salários, mas a qualidade e o valor acrescentado que um trabalhador satisfeito é sempre mais compensador a médio ou longo prazo, ainda que as vistas curtas destes empregadores não o possam descortinar.

A economia nacional beneficia com as empresas que pagam salários justos, e só assim seremos verdadeiramente competitivos.


sábado, março 23, 2019

MOBILIDADE E HABITAÇÃO


O Governo tirou da cartola uma medida boa e também eleitoralista, sobre a mobilidade, que ninguém na oposição se atreve a classificar de má decisão.

Esta medida que alivia o esforço das famílias na sua mobilidade sobretudo, para empregos, para as escolas, e para outras necessidades básicas, não beneficia apenas quem trabalha, mas também beneficia os empregadores, pois muita gente já não podia deslocar-se para trabalhar devido aos baixos salários oferecidos.

Pode parecer que esta explicação seja demagógica, mas para além dos baixos salários, existe outra grande dificuldade que se prende com o custo cada vez mais proibitivo para os cidadãos das grandes urbes e seus arredores, que cada vez mais são empurrados para longe do centro das cidades.

Conjugando os novos preços dos passes sociais e a carestia da habitação, fica uma expectativa que é a capacidade dos transportes públicos para responder ao previsível aumento da procura…   



sexta-feira, novembro 23, 2018

PORTUGAL VERSUS CHINA

Por vezes é curioso ver e ouvir o que dizem os nossos empresários, porque isso diz muito sobre a classe empresarial que temos neste pobre país.

O dono da Colunex, Eugénio Santos, afirmou ao Jornal de Negócios: “Andamos embebedados com esta coisa de sermos um país atractivo. Portugal é atractivo porque paga salários de terceiro mundo”. Mais afirmou ainda que na China há costureiras a ganhar mais 30% a 40% mais do que as portuguesas.

Os seus colegas da área dos têxteis, vieram logo dizer que em Portugal as costureiras ganham mais do que na China, mas não acrescentaram em que zonas da China, nem que produtos essas costureiras produzem. Só podemos comparar o que é comparável.

Eugénio Santos denunciou apenas uma parte do problema, porque além dos baixos salários que se praticam em Portugal, temos também muito maus empresários, além de ser um hábito manipularem-se os números para se pagar menos impostos, o que acaba por desvirtuar todos os dados de produtividade que constam das estatísticas oficiais.

Portugal no seu pior...


segunda-feira, novembro 19, 2018

MOTIVOS DE REVOLTA


Depois de uns dias sem se ver ou ouvir uma única notícia sobre a revolta dos franceses perante o aumento dos impostos sobre os combustíveis, eis que se começa a falar do assunto apesar do episódio do poeta amante de touros, das divergências de opinião do governo e da bancada do seu próprio partido, e das greves na justiça.

Terão os portugueses razões para estarem ainda mais revoltados que os franceses? Claro que têm, mas nem sequer estavam informados sobre o que se passava em França, não se percebe bem porquê.

Todos sabem que os portugueses têm salários mais baixos do que os franceses, começando desde logo pelo salário mínimo nacional, mas nem todos sabiam que pagamos a gasolina mais cara do que os gauleses, e os espanhóis, e o mesmo acontece com o gás, especialmente o de bilha, que tem quase o dobro do preço que se pratica para lá da fronteira.

O Governo diz que não tem dinheiro para dar aumentos superiores a 5 euros aos seus funcionários, mas cobra impostos nos combustíveis, superiores aos da maioria dos países europeus. Será que é para investir na saúde, ou na educação? Não, porque esses sectores estão a sofrer com a falta de investimento.

Pagamos como se fossemos ricos, mas temos salários miseráveis, senhor António Costa e senhores dirigentes dos restantes partidos. Devemos revoltar-nos? Evidentemente que sim!



sexta-feira, novembro 25, 2016

O TRABALHO E O DINHEIRO

Uma das coisas que o tempo se encarregou de me ensinar foi o facto de ninguém enriquecer apenas com os proveitos do trabalho honrado. Já sei que me chamaram cínico, talvez porque exista alguém que o conseguiu, mas se virem bem serão bem poucos, e encaixam perfeitamente na classe das honrosas excepções.

É sabido que os portugueses têm trabalhado cada vez mais horas, cada vez mais se acumulam funções, e cada vez mais se penaliza a saúde e a família.

Os salários não esticam e cada vez mais estão desadequados. Quem se pode admirar que existam cerca de metade dos portugueses com falta de dinheiro para honrar os seus compromissos?

Quando falamos de riqueza geralmente referimos o que consta das estatísticas, e portanto à actividade legal e registada para efeitos fiscais, mas estamos a ignorar toda a economia subterrânea, que tem uma grande expressão no nosso país, como é sabido.


A redistribuição da riqueza é mal feita, apesar do que dizem os especialistas, e os políticos, e o resultado está plasmado nos estudos mais actuais em que se constata que há cada vez mais ricos, ao mesmo tempo que há mais gente em sérias dificuldades para levar uma vida decente, mesmo tendo emprego e não tendo hábitos consumistas.


terça-feira, novembro 08, 2016

OPINIÕES SOBRE SALÁRIOS



É curioso ler os comentários e as declarações das pessoas que na comunicação social falam sobre o aumento do salário mínimo, que não hesitam em afirmar que os aumentos pedidos podem ser prejudiciais para as empresas e para o emprego, e os argumentos de maior peso são sempre o da baixa produtividade nacional e o fraco crescimento da economia.

A curiosidade maior é que, os mesmo protagonistas que criticam o aumento do salário mínimo, são os defensores dos altos salários dos administradores da Caixa Geral de Depósitos, alegando neste caso que um bom banqueiro o merece.

Claro que podia exprimir a minha opinião, mas um cartoon também serve. 


terça-feira, outubro 25, 2016

A TRAPALHADA DA CGD

A Caixa Geral de Depósitos é um banco público, e como tal devia estar ao serviço dos portugueses, mas os sucessivos governos têm usado e abusado do banco, e julgam-se "donos", apesar da factura ser sempre paga pelos cidadãos, que por sua vez também apresenta aos seus clientes uma factura pelos cartões de débito, que é a segunda maior do mercado, e que se situa acima da média praticada pelo sector.

É também no banco público que se vão praticar salários "modestos" ao presidente e restantes gestores, que estão fora do que existe para os gestores públicos, acrescidos de prémios e tudo isso acumulável com pensões de outros lados. O ouro do Brasil já se esgotou, mas parece que há quem ainda não o tenha percebido...


sexta-feira, outubro 21, 2016

O MÉRITO E A RESPONSABILIDADE

Todos sabemos que a banca nacional, pública e privada, nos tem custado os olhos da cara, e que a grande maioria (existe uma excepção) dos gestores, continua por aí como se nada se tivesse passado.

A notícia política do dia de ontem foi sobre o salário dos administradores da CGD, que é um banco que necessita do dinheiro dos contribuintes portugueses, mas onde se vão praticar salários (para administradores), em linha com os da banca privada.

Não sei porque é que António Costa acha que é um ordenado justo, até porque o administrador escolhido ganhava bem menos, e também porque os salários dos bancos com ajudas estatais deviam ter o salário cortado em 50%.

É revoltante que o PS e o PSD tenham viabilizado esses salários, e que não tenham tornado públicos os objectivos de gestão impostos, se é que os há. Dois partidos que falam de méritos dos trabalhadores e de produtividade, e não se preocupam em responsabilizar os gestores que escolhem, com salários escandalosos, para empresas públicas, enquanto aprovam o despedimento de trabalhadores que não atinjam os objectivos estipulados, por inadequação à função que desempenham.

O facto do salário ter sido uma exigência do escolhido, que obrigou a alterar uma lei, revolta qualquer cidadão comum, senhor 1º ministro!


Não admira que tantos políticos passem depois por lugares nos conselhos de administração de bancos e outras entidades financeiras…


sábado, outubro 01, 2016

SOU DESALINHADO EM MATÉRIA DE AUMENTOS



Há já diversos anos que me bato contra a política de aumentos de salários em percentagem, porque acho que é um método injusto e até imoral, num país em que as desigualdades são gritantes.

Ouvir sindicatos, organizações patronais, partidos e governos discutirem mais ponto ou menos ponto percentual é constrangedor.

Se todas as organizações envolvidas na Concertação Social tivessem em atenção as desigualdades que já existem, e os montantes totais de qualquer aumento percentual, veriam que aumentos de valor iguais teriam menor impacto financeiro, resultariam em mais trabalhadores motivados e não haveria nenhum aumento das desigualdades sociais.

Já me chamaram comunista por advogar este tipo de solução em tempos de crise, e aumentos percentuais diferenciados, maiores na base e menores nas posições mais altas, em situações normais, mas como se percebe, estou “quase” sozinho nesta posição, que até é socialmente e economicamente mais racional.  


Vislumbre By Palaciano*