domingo, fevereiro 10, 2019

AS RASTAS E A APROPRIAÇÃO CULTURAL


Este mundo anda louco de todo, e parece que quanto mais se fala de globalização, de integração e de tolerância, mais “iluminados” aparecem a proferir os tais discursos que alguns chamam de “politicamente correctos”, mas que não passam de perigosos disparates que acicatam mais o racismo e a intolerância.

Por cá tivemos o caso Jamaica que foi explorado como acção racista por parte da polícia, mesmo havendo dúvidas de como teria começado o incidente. A polícia tem actuado com força desproporcionada em muitas ocasiões em que intervém, mas aqui foi tudo atirado para razões de intolerância de raça.

Agora fala-se no caso da ministra da Cultura da Suécia que foi acusada de apropriação cultural por usar rastas. A direita sueca ficou-se pela crítica de que naquele cargo não deveria ter usado rastas, pois representa a Suécia (?). Já um artista negro afirmou que uma mulher branca, principalmente numa posição de poder, “não deve usar um penteado afro-americano”, especialmente quando jovens negros, nos Estados Unidos, continuam a ser expulsos das escolas por usarem rastas.

Para mim as rastas são uma questão de gosto, como as tatuagens e os piercings, e eu estou à vontade, pois não gosto nem duns nem doutros. Se uma ministra deve usar ou não as rastas, creio que não é da conta de ninguém, pois também temos uma ministra da Cultura que usa um penteado desinteressante, e isso não interfere na sua acção política.

O que é mais estranho é o desconhecimento da origem das rastas, que é muito antiga e atravessa vários continentes, não sendo apropriação cultural coisa nenhuma, e esse argumento num mundo globalizado é um perfeito disparate e revela alguma intolerância, o que não devia ser a primeira intenção do tal artista.

Apetece perguntar a quem devia ser permitido, ou interdito, o uso de rastas?  

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quarta-feira, fevereiro 06, 2019

PRÉ-REFORMA DA TRETA

Anunciar que existem novas regras para os funcionários públicos poderem aceder à pré-reforma desde que tenham pelo menos 55 anos de idade, é uma grande treta e serve apenas para lixar os incautos e satisfazer uns quantos, para quem esta medida é feita à medida.

Todos sabemos que mais de 25% dos funcionários públicos têm mais do que 55 anos de idade, reunindo por isso condições para pedirem a tal pré-reforma, contudo necessitam do acordo dos serviços e, note-se bem, das Finanças.

Recorrendo apenas a um exemplo, nos museus, palácios e monumentos, se todos os trabalhadores com mais de 55 anos pedissem a passagem à pré-reforma, e isso fosse aceite, quase todos os serviços fechavam por falta de pessoal, já que mais de 60% terem mais de 55 anos de idade.

Outro critério mais do que discutível, é o da aceitação por parte das Finanças e dos serviços, que não obedece a regras definidas, podendo assim ser absolutamente discricionário.

No caso da maioria dos funcionários públicos com mais de 55 anos, esta abertura pode ser altamente penalizadora já que os cortes nos rendimentos podem ir até aos 75%.


Creio que esta medida pode ser útil para uns quantos privilegiados, mas para a grande maioria dos funcionários é apenas um engodo, que vai resultar na opinião pública na sensação de que se trata duma benesse dirigida à função pública, o que é um engano.  


sexta-feira, fevereiro 01, 2019

PORTUGAL O PAÍS DAS MARAVILHAS


Depois de se ter passado a crise que vinha de 2009, e com a posse deste governo, o discurso político começou a ser optimista e até muito cor-de-rosa, como se o antes fosse negro e o presente fosse radioso.

O fim da austeridade foi anunciado, a restituição do que tinha sido cortado fez parte da propaganda, e até se falou de aumentos que não eram nada disso como já se percebeu.

Portugal nestes últimos anos viu os rendimentos dos portugueses divergirem claramente do que aconteceu na maioria dos países europeus, apesar dos bons resultados da nossa economia, e isso deita abaixo o discurso do governo.

Muito em breve seremos, nós os portugueses, o quinto país mais pobre da União Europeia, ultrapassados por países como a Estónia, a Lituânia, a Eslováquia, a Eslovénia, a República Checa, Malta e a Letónia.

Esta divergência de rendimentos face à média europeia que se verifica desde 2000 até 2018, e neste espaço de tempo a dívida pública foi aumentando, o que é ainda mais grave e penalizador para quem nos vem “vendendo o país perfeito”.

Leitura recomendada AQUI



terça-feira, janeiro 29, 2019

REPENSAR A GESTÃO DO PATRIMÓNIO


A definição de museu é o de uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite.

É por demais evidente que os nossos museus, palácios e monumentos estão longe de encaixar totalmente na definição da ICOM, por diversas razões, começando pela centralização das decisões, pelo excesso de burocracia instalado, e pela escassez de meios económicos, materiais e humanos.

O maior esforço que se faz nesta altura é o de manter abertos ao público os diferentes serviços, o que mostra até onde chega a indigência em que vivem os nossos museus, palácios e monumentos. A investigação quase que não existe, a comunicação e a informação ao público é na maioria dos casos muito pobre, os serviços educativos só funcionam onde existe muita carolice, sendo algumas vezes entregue a pessoal externo, a formação do pessoal que contacta com o público não existe, e o público não pode disfrutar plenamente do que é o nosso Património.

Tudo está dependente do tipo de gestão, começando pelo topo (actualmente o Ministério da Cultura e DGPC), e depois chega-se aos diversos serviços em que os directores têm as suas responsabilidades mas sem competências delegadas, e tudo para baixo nesta pirâmide se ressente.

Vamos discutir outro tipo de gestão, ou vamos apenas atirar culpas uns aos outros? Estará a tutela preparada para ouvir todos os profissionais dos museus e discutir as opiniões que têm para solucionar os problemas que enfrentam?



domingo, janeiro 27, 2019

QUADRA DE ANTÓNIO ALEIXO

Não sou esperto nem bruto
Nem bem nem mal educado;
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado.


António Aleixo