sexta-feira, dezembro 14, 2018

EÇA E PORTUGAL

Logo que na ordem económica não haja um balanço exacto de forças, de produção, de salários, de trabalhos, de benefícios, de impostos, haverá uma aristocracia financeira, que cresce, reluz, engorda, incha, e ao mesmo tempo uma democracia de produtores que emagrece, definha e dissipa-se nos proletariados. 

Prosas Bárbaras


terça-feira, dezembro 11, 2018

MENOSPREZAR A HISTÓRIA DE PORTUGAL

Está a ser cada vez mais questionada a História de Portugal, não pela descoberta de novos dados, mas apenas porque se entrou numa espiral de julgamentos da nossa História, utilizando parâmetros sociais e morais dos nossos dias.

As nossas descobertas são questionadas por quem prefere salientar os aspectos negativos, em vez dos avanços civilizacionais que originaram. O caso dos Museu das Descobertas e as polémicas associadas são apenas um pequeno exemplo desta tendência.

Para quem lida diariamente com o nosso Património e com o que se diz aos visitantes de museus e monumentos, nacionais ou estrangeiros, já nada consegue surpreender grandemente.

Uma das muitas coisas que me deixava incomodado era ouvir, diante do retrato de D. João V, que o uso de perucas era devido à falta de higiene e à proliferação de piolhos. Esta explicação que até nem é totalmente incorrecta, carece evidentemente dum enquadramento geral dos hábitos higiénicos das cortes europeias ao tempo, e isso ficava sempre por dizer.


Hoje quase não conseguimos imaginar viver sem o banho diário, mas como se percebe, não podemos fazer juízos sobre os hábitos higiénicos em Portugal, sem os enquadrar na época em que viveu o Rei Magnífico, nem segundo o critérios higiénicos de hoje. 

D. João V, o Magnífico

domingo, dezembro 09, 2018

CADA CAVADELA...

Seja a PETA, seja o PAN, ao tencionarem modificar algumas expressões frequentemente por nós utilizadas, apenas porque ao mencionarem animais perpetuam a violência sobre os animais (dizem), estão a ter uma atitude ridícula.

Quando propõem alterar expressões como " mais vale um pássaro na mão que dois a voar" por "mais vale um pássaro a voar do que dois na mão", estão apenas a desvirtuar o sentido da frase. 

Só utilizando alguma dose de humor é que se poderiam alterar este tipo de frases, e não se trata de evoluir, mas sim de actualizar a mensagem...


sexta-feira, dezembro 07, 2018

COLÓNIAS E COLONIZADORES


Podíamos começar pela origem da palavra colónia, que provém do latim, e cujo significado é exactamente o que ainda hoje se usa em política, território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos mais poderosos, ou por representantes dum país a que esse território não pertencia.

Apesar de ser usada uma palavra de origem latina, as colónias já existiam na antiguidade e todos aprendemos na disciplina de História que os fenícios, os gregos, os romanos e os árabes (para mencionar alguns), tiveram colónias espalhadas nas costas do Mediterrânio, e até para além dele.

O colonialismo (estabelecimento de colónias) não surgiu apenas depois do século XV, por via das viagens marítimas portuguesas, como alguns pretendem insinuar, por ignorância ou por agenda política.

O estabelecimento de colónias na antiguidade criou novas rotas de comércio, trouxe desenvolvimento e novos saberes à Europa, alimentou o sentimento de identidade dos povos, que se uniam sob a influência dos colonizadores, e contra eles, acabando por levar ao surgimento do sentimento de nacionalidade e à criação de países, onde antes apenas existiam povos que nem se entendiam entre si. Foi deste caldo de culturas que nasceu Portugal, e não só.

O que se passou depois das viagens marítimas, iniciadas pelos portugueses, não foi na sua essência muito diferente, embora seja hoje transformado num julgamento histórico em que se usam critérios actuais, o que é completamente disparatado.

Na actualidade temos outras formas de colonialismo, mais refinadas e menos óbvias, mas que têm efeitos semelhantes, se não mais perniciosos. Há quem seja subjugado pela força militar, ou pela sua dependência, ou ainda pela fraqueza económica, mas poucos parecem preocupados com esta realidade.

A História não retrocede para podermos alterá-la, e ninguém nos pode garantir que seguindo outros rumos se alcançassem melhores resultados, por isso só nos resta viver e aprender com ela.   


Mediterrâneo no século VI a.C.; Colonização fenícia em amarelo, grega em vermelho, e outras em cinzento.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

OS PROTESTOS INORGÂNICOS

A má qualidade de muitos políticos, tanto no poder como na oposição, tem conduzido as sociedades ocidentais a problemas difíceis, se não impossíveis, de controlar, que têm marcado a política um pouco por todo o lado.

Muitos enchem a boca com os perigos dos populismos que vão surgindo por aí, outros criticando os eleitores por fazerem más escolhas, ou escolhas menos informadas, e os diversos poderes (políticos e económicos) a assobiar para o lado clamando pela repressão, ou boicote dos protestos.

O poder económico não assume culpas pelos maus salários nem pela precariedade, nem o poder político aceita o seu falhanço na redistribuição da riqueza gerada, por inépcia ou poe conluio com o poder económico.

Sem poder recorrer aos políticos, nem aos sindicatos que perderam força e credibilidade, só restam os movimentos cívicos, que pela sua natureza são vulneráveis a infiltrações de extremistas que tornam todos os protestos em tremendas confusões e perturbações da ordem pública.


Os movimentos de protesto inorgânicos são perigosos pela sua vulnerabilidade, mas são o único recurso dos cidadãos que acham que as coisas têm de mudar por serem já insuportáveis.