sábado, janeiro 16, 2021

O CONFINAMENTO POUCO RESPEITADO

O confinamento fofinho que eu critiquei desde o seu início, tem consequências nefastas que derivam da falta de firmeza nas convicções de quem o decretou. Sabemos que tanto o Governo como a Presidência tentaram atirar as responsabilidades sobre os cidadãos, tentando assim ficar livres de responsabilidades, mas isso demonstra o seu divórcio com a realidade do país.
 
A responsabilidade em casos de emergência é do Governo e do Presidente e não dos cidadãos, e é a eles que compete decidir o que se pode e não pode fazer, em mensagens claras e precisas.
 
Agradar a gregos e a troianos é duma irresponsabilidade imensa, e a fuga às responsabilidades é dum cinismo inimaginável.
 
A tentativa de mandar as autoridades punir os mais fracos e deixar por punir os grandes e poderosos, como se pretende (ver as regras das grandes superfícies) é duma cegueira imensa.
 
O Presidente veio agora "meter a pata na poça" ao dizer que é obrigatório usar a máscara nos passeios higiénicos, quando devia ser o primeiro a saber que a regra não é bem essa. A clareza ficou bem ao lado, e isso vai (e aconteceu em Abril) fazer com que a polícia actue perante cidadãos que estavam a fazer o seu passeio higiénico em zonas onde não era necessário o uso da máscara.
 
O que nasce torto tarde ou nunca se endireita.  
 


Porto - Foto: Rui Oliveira/Global Imagens

 

quarta-feira, janeiro 13, 2021

CONFINAR E CRITÉRIOS

A partir da próxima sexta feira Portugal vai, mais uma vez, entrar em confinamento devido à grave situação sanitária que enfrenta devido à pandemia de Covid 19.

A decisão do Governo vem agora tentar inverter uma situação que resulta da abertura inoportuna que permitiu no Natal, que nos levou a tristes recordes de infectados, hospitalizados e mortos.

Costa defendeu-se quanto ao atraso no confinamento, com a necessidade de ouvir os especialistas, mas depois acabou por tomar medidas políticas, como aliás lhe competia.

Na generalidade as medidas são as esperadas, atendendo ao que houve no passado e aquilo que se tem dito nos últimos dias, mas existem decisões muito discutíveis e até incompreensíveis.

O não encerramento das escolas, especialmente dos níveis etários mais altos, é absolutamente incompreensível. A maioria dos especialistas indicaram claramente que quanto mais se confinar, melhores e mais rápidos seriam os resultados, mas Costa ignorou isso. Dizer que “até agora as escolas têm tido um funcionamento exemplar” carece de fundamento científico, e está em absoluta contradição com outra afirmação, também do 1º ministro “quanto mais isolados estivéssemos menos transmitimos. Se todos fizessem isso de forma espontânea não teríamos de estar aqui hoje.”

É discutível que se permitam os serviços religiosos e não se permitam espectáculos culturais, que obedecem às mesmas restrições por parte da DGS, ou que se proíbam os desportos amadores e não os profissionais.

As críticas são legítimas e muitas absolutamente fundadas,  mas como a decisão é política, a responsabilidade também é dos decisores, e não vale a pena tentar desviar as responsabilidade para os portugueses, como tem acontecido.

                                                         Regra é ficar em casa”. António Costa anuncia confinamento geral a partir  de 00h00 de sexta-feira – O Jornal Económico

terça-feira, janeiro 12, 2021

MUSEUS - GRÁTIS É BOM?

A Direcção Geral do Património Cultural veio ontem anunciar que os museus palácios e monumentos sob sua tutela passam a ser gratuitos durante todo o dia aos domingos e feriados, duplicando assim o período da gratuitidade que vigorava.

É habitual dizer-se que quanto mais coisas forem grátis, melhor, mas será que é mesmo assim? Num mundo perfeito talvez fosse assim, mas nós não vivemos num mundo perfeito, e todos pensamos de modo diferente, o que nos faz únicos.

Comecemos por considerar que os melhores museus do mundo, quase todos, têm entradas pagas, e que os palácios com entradas mais caras de Portugal, são os mais visitados. Será que isto desmente a teoria dos que acham que ser grátis é que é bom?

Recordo-me de um dia os responsáveis dum serviço destes ter decidido que o bilhete de entrada devia dar direito a um desdobrável que normalmente servia de guia aos visitantes e, ao final do dia viam-se desdobráveis pelo chão, dentro e fora do serviço. Dá-se mesmo assim tanto valor ao que é gratuito?

Sou sensível ao argumento que todos devíamos ter direito a aceder aos bens culturais, independentemente do tamanh da nossa bolsa, mas curiosamente parece que só o querem aplicar ao Património.Também acho que se devia chegar a quem menos pode, e a quem menos tem acesso ao nosso Património, mas será que para isso basta abrir as portas?

Boa parte dos nossos museus, palácios e monumentos não tem visitas guiadas grátis, a que os portugueses possam aceder, de modo a acrescentar algum conteúdo à visita. Quantos têm uma aplicação acessível através do telemóvel que quase todos temos? Custará assim tanto fornecer Cultura em vez de dar apenas a oportunidade para se tirarem uma selfies com um fundo diferente?

Por último mas não menos verdadeiro, será que já pensaram na DGPC que com esta medida só estão a pedir maiores esforços aos trabalhadores da vigilância, que além de serem escassos são muito mal pagos (pouco acima do SMN), e são discriminados pois ao contrário dos seus colegas com a mesma categoria, são obrigados a trabalhar sábados, domingos, sem receberem mais por isso?

É tão fácil decretar as gratuitidades, mas não vale vir logo de seguida dizer que não têm verbas para fazer a manutenção dos museus, palácios e monumentos, ou para contratar o pessoal necessário, ou ainda para pagar melhor aos funcionários.


 

segunda-feira, janeiro 11, 2021

FAZER E DESFAZER

Parece que vai em frente a ideia peregrina de José Sá Fernandes, no seu papel de novo Marquês, de retirar os brasões, que representam as armas das cidades capitais de distrito portuguesas e das ex-colónias, do jardim da Praça do Império, por considerar já estarem “ultrapassados" e desconfigurados devido à falta de manutenção.
 
Nunca terá passado pela cabeça deste novo tirano municipal, que há quem possa arranjar os ditos brasões, e que eles fazem parte da História de Portugal. Transformar aquilo num relvado talvez seja mais barato, e irá permitir que no Verão sejam muitos os turistas a deitar-se por ali dando uma imagem que deve agradar mais a JSF.
 
O facto dos brasões terem sido acrescentados alguns anos depois de ter sido feita a praça. não invalida que tenham sido lá colocados no V Centenário da morte do Infante D. Henrique, de algum modo ligado aos maior feitos marítimos, que afinal são a razão de ser da praça.
 
Há quem nasça para fazer, e quem nasça para desfazer...




 


quarta-feira, janeiro 06, 2021

VERGONHA

Os Estados Unidos da América foi considerada nos tempos modernos tem sido o de uma Democracia estável e, para muitos, um exemplo e um garante da estabilidade no mundo.

Desde a eleição de Donald Trump os EUA passaram a ser uma caricatura de si mesmos, com um pessoa completamente desequilibrada ao leme. Depois de muitas diatribes que nem quero descrever, eis que perdeu nas urnas nas recentes eleições presidenciais, como reconhecem todas as instituições, mas Trump recusa-se a aceitar, querendo fazer valer a sua opinião.

Hoje a situação vivida no Capitólio foi uma vergonha, com o aval de Trump, dando uma imagem dos EUA que devia envergonhar todos os democratas. 

 

Apoiante de Trump dentro do Capitólio

The Guardian  Photograph: Win McNamee/Getty Images

Seguranças do Capitólio, foto do El País

                               Apoiantes de Trump dentro do Capitólio, foto do El País

 

terça-feira, dezembro 29, 2020

BALANÇO DE 2020

 

Está prestes a terminar o ano de 2020, que para mim não terá sido dos melhores, nem tão pouco dos piores da minha vida.

A saúde teve altos e baixos, pois vinha de recuperar duma operação a uma hérnia do hiato, e logo tive que me preparar para ser operado a uma hérnia umbilical. A operação esteve marcada e os exames foram todos feitos (até o da Covid), mas quando já estava a soro e preparado para a faca, chegou a ordem de suspender a intervenção por terem uma situação demorada em mãos e não haver tempo para me operar. Cerca de 15 dias depois fui chamado à pressa, fiz novo teste à Covid e fui, finalmente, operado e com sucesso, voltando logo de seguida a casa para uma recuperação de 4 semanas.

Na frente laboral as coisas também não foram famosas. Quando estava prestes a regressar ao activo fui informado que só o podia fazer usando a máscara durante as 7 horas de serviço, mesmo sabendo-se que eu tenho, entre outros, problemas respiratórios. Podiam ter-me designado para funções onde isso não fosse obrigatório, mas essa hipótese nem esteve sobre a mesa. A médica de família passo-me a declaração respectiva, e eu encarei a hipótese de voltar ao activo, mas tive umas complicações de saúde e, inesperadamente recebo a notícia de que estava aposentado, dois meses e meio depois de o ter solicitado,

Passei à aposentação mais cedo do que esperava, mas confesso que isso veio na hora certa. Trabalhei mais de 45 anos, desenvolvi as mais variadas profissões, por necessidade nalguns casos, mas sempre com muito empenho. Nos últimos trinta e tal anos trabalhei na área do Património, uma actividade a que me entreguei de corpo e alma, mas nos últimos anos senti que já não valia a pena tentar batalhar por melhorias, porque havia quem não estivesse disposto a sair do marasmo em que alguns serviços se encontram.

Outros desafios se abrem agora para mim. Comecei por colocar as minhas leituras em dia. Pude começar a ver os meus arquivos anárquicos, que posso agora pensar em organizar.

O Natal foi o possível, sem os meus filhos e netos por perto, coisas da Covid, e a passagem de ano também será igual, só com os da casa, mas espero que o 2021 seja melhor do que o anterior, com saúde e dinheiro para os gastos.   

Texto de Luís Conceição