Tolerância – Não gosto da escrita de Saramago, nem tão pouco do personagem, mas também não sou crítico literário para que me levem a sério. O que me incomodou nestes dias foi um excerto do seu último livro Caim, e as suas declarações segundo as quais «a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana». Embora não professe qualquer religião registo com desagrado que o escritor continua a mostrar o mesmo tipo de tolerância com que nos tinha brindado quando passou pelo DN após o 25 de Abril. Pela inversa gostei das respostas de representantes de diversas igrejas que valorizaram a liberdade de expressão como valor fundamental e inalienável.
Pobreza – O aumento da pobreza é um facto que já é impossível ignorar. Não é um resultado directo da crise económica como alguns teimam em afirmar, mas sim consequência de um padrão de governação que não regula a distribuição da riqueza, que é responsável pela má distribuição da mesma. As desigualdades desmoralizam a força de trabalho, porque nem sequer o estar empregado é garantia de escapar à pobreza, e a precariedade é uma ameaça constante em quase todos os sectores. Os portugueses cada vez menos acreditam na possibilidade de recuperação da situação de pobreza, o que é um sinal claro de que não confiam na nossa classe política.


