sexta-feira, outubro 21, 2016

O MÉRITO E A RESPONSABILIDADE

Todos sabemos que a banca nacional, pública e privada, nos tem custado os olhos da cara, e que a grande maioria (existe uma excepção) dos gestores, continua por aí como se nada se tivesse passado.

A notícia política do dia de ontem foi sobre o salário dos administradores da CGD, que é um banco que necessita do dinheiro dos contribuintes portugueses, mas onde se vão praticar salários (para administradores), em linha com os da banca privada.

Não sei porque é que António Costa acha que é um ordenado justo, até porque o administrador escolhido ganhava bem menos, e também porque os salários dos bancos com ajudas estatais deviam ter o salário cortado em 50%.

É revoltante que o PS e o PSD tenham viabilizado esses salários, e que não tenham tornado públicos os objectivos de gestão impostos, se é que os há. Dois partidos que falam de méritos dos trabalhadores e de produtividade, e não se preocupam em responsabilizar os gestores que escolhem, com salários escandalosos, para empresas públicas, enquanto aprovam o despedimento de trabalhadores que não atinjam os objectivos estipulados, por inadequação à função que desempenham.

O facto do salário ter sido uma exigência do escolhido, que obrigou a alterar uma lei, revolta qualquer cidadão comum, senhor 1º ministro!


Não admira que tantos políticos passem depois por lugares nos conselhos de administração de bancos e outras entidades financeiras…


quarta-feira, outubro 19, 2016

A GESTÃO DO PATRIMÓNIO

Achei interessante uma entrevista feita ionline ao empresário Álvaro Covões, a propósito da ideia da criação do Quartel da Cultura, a criar na Calçada da Ajuda no antigo quartel dos Lanceiros.

Embora seja evidente que estamos perante um empresário, que naturalmente vê oportunidades de realizar negócios lucrativos, enquanto eu não encaro a Cultura como fonte de lucro como primeira prioridade, na realidade vejo que existem alguns pontos em comum na opinião que temos quanto à falta de visão na obtenção de receitas, que tanta falta fazem à Cultura, para se afirmar como sector importante na economia nacional.

O espírito de “quintinhas” existente na nossa sociedade, e muito instalado no sector do Património, faz com que cada um defenda o seu quintal e não consiga encarar a colaboração como uma mais-valia. A colecção SEC gerou uma disputa fratricida e uma demissão, os Mirós foram parar ao Porto, e ninguém achou importante programar grandes exposições em diversas cidades com estas colecções, criando assim sinergias, porque apenas importa que fiquem à nossa guarda.

Imagine-se que o Palácio de Mafra celebra em 2017, 300 anos do lançamento da 1ª pedra, e que o Museu dos Coches tem alguns coches da embaixada ao Papa Clemente XI, enviada exactamente por D. João V, e que o Museu Nacional de Arte Antiga comprou recentemente um retrato de D. João V. Será que não é possível encontrar formas de fazer brilhar esta comemoração?

O Palácio da Vila de Sintra tem uma colecção impressionante de azulejos, o Museu Nacional do Azulejo tem azulejos de todo o tipo, e temos fábricas que reproduzem azulejos com os mesmos motivos, segundo as mesmas técnicas ou apenas com funções decorativas. Não será que podiam organizar uma exposição de que todos beneficiassem?

A DGPC e a ATL não podiam organizar encartes com mapas e fotos dos diversos museus e monumentos da grande Lisboa (zona de que falo), para distribuir no aeroporto, nos postos de turismo, em hotéis e rent-a-cars? E que tal fazer sinalética nas estradas com referência aos museus e monumentos?


Cooperação institucional, publicidade e divulgação, modernização da comunicação das instituições com os meios de comunicação social e com as redes sociais e envolvimento de todos, não só das chefias, seria um bom começo para encontrar caminhos para a saída do marasmo em que se vive  


domingo, outubro 16, 2016

COMO COMPENSAR OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS?

Segundo o ministro Centeno neste Orçamento de Estado o governo teve que tomar opções, e fez escolhas políticas, o que deixa a justiça social em algum lado, que não dentro das opções tomadas.

Falando apenas da função pública e da continuação do congelamento salarial, bem como das carreiras, a par do aumento pífio do subsídio de alimentação, que nem sequer cobre a inflação esperada para 2016, temos um grande problema que em nada diferencia este governo do anterior.

É fácil colocar uma pergunta embaraçosa ao 1º ministro e aos líderes da esquerda que suporta o governo: visto que o último aumento salarial foi em 2009, e que até hoje os funcionários públicos já perderam 10% dos seus salários, exactamente por opções políticas, quando o executivo ponderar repor alguma justiça nos seus salários, em que percentagem ponderam aumentar quem foi castigado durante quase uma década?

Não há uma resposta justa que qualquer executivo possa dar, que seja aceite pelos restantes cidadãos, exactamente porque a corda foi demasiado esticada, durante demasiado tempo, e isso foi uma opção política, como diz Centeno, mas profundamente errada, por ser discriminatória. 

Basta recordar o que se passou com o governo de Sócrates, para se ter uma ideia do que mais cedo ou mais tarde terá que suceder, se a geringonça quiser ser alguma vez corajosa e justa com os funcionários públicos.



quinta-feira, outubro 13, 2016

DOIS MÚSICOS

Hoje é o dia destes dois senhores, o primeiro por ter ganho o Nobel da literatura, e o segundo por hoje ser o dia do seu 75º aniversário.

Parabéns!

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quarta-feira, outubro 12, 2016

OS TAXIS E A “UBERIZAÇÃO” DA ECONOMIA

Os taxistas compraram uma guerra que não podem ganhar, não só porque não conseguiram convencer a opinião pública, mas também porque se comportaram muito mal durante o protesto.

A UBER, que é a entidade mais contestada, não passa de uma plataforma tecnológica que proporciona serviços alternativos de transporte de passageiros, mas os verdadeiros prestadores de serviços são os condutores que fazem os transportes, e será que o Estado consegue fiscalizar todos os pagamentos efectuados na plataforma em Portugal? E saberá quanto recebeu cada prestador de serviços?

Estas plataformas subsistem porque há uma grande taxa de desemprego, e porque o mercado de trabalho em Portugal está desregulado, tornando-se fácil o recrutamento e difícil o controlo das receitas geradas pelo negócio.

Os diversos sectores dos serviços estão vulneráveis a plataformas informáticas que proporcionem entregas ao domicílio ou pequenos serviços de apoio ou reparações, que até já existem em pequena escala e proporcionados por grandes empresas fornecedoras de bens ou pequenas empresas de serviços.

Se o desemprego proporciona o surgimento da “uberização” da economia, e a desregulação do trabalho resulta na exploração do factor trabalho e na perda de receitas pela dificuldade em em fiscalizar todos os intervenientes neste tipo de negócios.


Não se trata portanto da inevitabilidade do progresso e da modernidade, mas sim da incompetência dos políticos… 


sexta-feira, outubro 07, 2016

O MATT E AS POLÉMICAS

A inauguração do MAAT suscitou muitas críticas e muitos comentários de todo o tipo, e o consenso não existe, até porque é uma obra encomendada pela EDP, que não é propriamente muito amada por estes dias pelos consumidores nacionais de energia.

A obra terá tido um custo de 20 milhões de euros, e o projecto foi encomendado a uma arquitecta estrangeira (britânica), factos que mereceram os maiores reparos. Se o custo da obra nos atira para o preço da energia, o projecto leva-nos a recordar um projecto da iraniana Zaha Hadid, recentemente falecida.

O facto que mais tem interessado as pessoas do meio tem sido a ausência de conteúdos, que talvez explique o facto das entradas continuarem a ser gratuitas até Março.

Projecto de Zaha Hadid

MAAT

quarta-feira, outubro 05, 2016

MAAT, OBRIGA ENCERRAMENTO DE PONTE PEDONAL

Bastou a inauguração do MAAT, com as habituais entradas grátis, para demonstrar que a linha férrea é uma barreira que dificulta o acesso entre Belém e a zona ribeirinha, porque só existe uma passagem superior para fazer a travessia, desde Alcântara até ao CCB, onde existe um túnel que permite a travessia dos peões.

A passagem superior existente junto ao novo Museu dos Coches, que também dá acesso à estação, mostrou-se pouco segura perante a multidão que a desejou atravessar neste 5 de Outubro. 

Para ser mais rigoroso, recordo que existe uma outra passagem pedonal bem junto à metálica, que ainda não foi concluída, não sei se por falta de dinheiro, se pelas burocracias envolvendo diversas entidades públicas, o que até nem seria de admirar.

Uma vez que as actuais passagens não permitem o atravessamento de pessoas com mobilidade reduzida, porque é que não se termina a passagem anexa ao Museu dos Coches? Não será melhor aproveitar o dinheiro já lá enterrado, e fazer desaparecer aquele tapume que lá está há anos? 


segunda-feira, outubro 03, 2016

A EUROPA HIPÓCRITA

A Europa castigadora que ameaça Portugal a cada dia que passa, dizendo que as regras são para se cumprir, e que quem não as cumpre tem que sofrer as consequências previstas, parece ter dois pesos e duas medidas, dependendo de quem não cumpre.

Os países que não cumprem, ou que não cumpriram as regras a nível de deficit e de superavit, são e foram mais do que muitos, e mesmo agora temos a Alemanha, a França, a Itália, e a Holanda, pelo menos, a não cumprir, para além de Portugal e Espanha, mas nem todos têm o mesmo tratamento.

As regras da União Europeia não se esgotam no campo da economia, e temos regras na liberdade de imprensa e no acolhimento de refugiados, que são quebradas por estados membros, e a Comissão Europeia limita-se a tomar nota dos factos.


A hipocrisia é imensa, é descarada e nem sequer é envergonhada, como se viu com a nova candidata de última hora à ONU. Esta Europa não nos merece qualquer respeito ou consideração.

Gaivota By Palaciano(*)

sábado, outubro 01, 2016

SOU DESALINHADO EM MATÉRIA DE AUMENTOS



Há já diversos anos que me bato contra a política de aumentos de salários em percentagem, porque acho que é um método injusto e até imoral, num país em que as desigualdades são gritantes.

Ouvir sindicatos, organizações patronais, partidos e governos discutirem mais ponto ou menos ponto percentual é constrangedor.

Se todas as organizações envolvidas na Concertação Social tivessem em atenção as desigualdades que já existem, e os montantes totais de qualquer aumento percentual, veriam que aumentos de valor iguais teriam menor impacto financeiro, resultariam em mais trabalhadores motivados e não haveria nenhum aumento das desigualdades sociais.

Já me chamaram comunista por advogar este tipo de solução em tempos de crise, e aumentos percentuais diferenciados, maiores na base e menores nas posições mais altas, em situações normais, mas como se percebe, estou “quase” sozinho nesta posição, que até é socialmente e economicamente mais racional.  


Vislumbre By Palaciano*

quinta-feira, setembro 29, 2016

NÃO HÁ NADA TÃO POUCO KRISTALINO

A Europa que nos prometeram não é certamente esta que ainda torna a vida mais difícil a quem está em dificuldades económicas, nem uma "união" em que quem manda é a Alemanha, directamente ou por interposta pessoa, ou pessoas.

Se esta Europa é uma grande mentira, a ONU também não vai por melhor caminho, e a candidatura da Kristalina Georgieva, com o beneplácito do senhor Junker, e o apoio evidente da senhora Merkel, nesta altura, mostra bem como funcionam estas organizações internacionais.

Tudo se resolve por trás do pano, nos bastidores, atendendo aos interesses dos mais poderosos. A Democracia sai muito maltratada com todas estas manobras...


domingo, setembro 25, 2016

VOLUNTARIADO SIM, MAS SÓ NO ESTADO

O PSD propõe lei que dispensa funcionários públicos que sejam bombeiros durante a época crítica dos incêndios, o que em princípio até nem parece mal, já que a dispensa é facultativa.

É sintomático que o PSD venha com esta proposta, especialmente nos termos em que ela está colocada. O apoio ao voluntariado é louvável, e a consagração na lei da dispensa, em abstracto, é também de louvar.

Nestas coisas da política, e o PSD é um partido político, há sempre um MAS, escondido, e neste caso o MAS é que a obrigação não veicula os privados, onde também trabalham muitos voluntários. Porque é que não são também abrangido nesta proposta? Gostava de conhecer a argumentação desta exclusão, especialmente no interior do país onde não existem bombeiros municipais.


segunda-feira, setembro 19, 2016

A REALIDADE É CRUEL PARA MUITA GENTE



Um estudo que veio a público recentemente mostra que o que vinha a ser dito por muitos economistas e comentadores políticos, sobre quem perdeu mais com as medidas impostas pelo resgate, era mentira, pois quem mais perdeu foi quem tinha rendimentos mais baixos e não a classe média ou a média alta.

Todos os portugueses perderam, é um facto, mas é mais do que evidente que quando se tem pouco qualquer diminuição de rendimentos conduz irremediavelmente à carência de meios de subsistência.

Outra realidade inconveniente para quem defendeu as alterações das leis laborais, tornando-as mais favoráveis aos empregadores e diminuindo os direitos de quem trabalha, é que estamos perante um aumento de casos de stress no trabalho, que para além de custarem caro à Segurança Social, são causados pelas reestruturações das empresas ou da precariedade profissional (72%), carga de trabalho excessiva (66%) e tratamento inaceitável por parte dos empregadores e chefias tais como intimidação ou o assédio (59%).

Não são as esquerdas que estão erradas, porque na sua maioria não são compostas maioritariamente por gente rica, como dizia um comentador, mas são as direitas e os ricos que estão errados, porque desconhecem a realidade e vivem num mundo de fantasia, ou então tentam enganar-nos com mentiras bem urdidas…



quinta-feira, setembro 15, 2016

PORTUGAL, TRABALHO, AMBIENTE E ECONOMIA

Economistas americanos afirmam que três dias de folga por semana ajudariam a salvar o planeta, e lembram o exemplo do estado do Utah, que praticou a semana dos quatro dias, na função pública, durante cerca de três anos com resultados visíveis, e só não continuou com isso porque o sector privado não acompanhou a medida e houve o choque inevitável, entre o sector público e o privado.

Na Suécia a jornada de trabalho foi reduzida das oito para as seis horas semanais, mantendo-se os salários dos trabalhadores, já lá vai um ano, e os resultados são positivos, segundo as autoridades suecas.

Por cá temos o economista João Duque que considera que ”seria uma má ideia para os povos mais desfavorecidos no mundo”, e vai ainda mais longe no seu comentário, “um americano de barriga cheia que está farto de poluição acha bem, mas a parte subdesenvolvida do mundo acha mal” recordando que as pessoas trabalham para “aumentar o seu bem-estar” e que o positivo que se colhe do trabalho é “superior ao negativo gerado pela poluição e desperdício”.

Perante tanta “intelijumência” de tão reputado economista, nem vale a pena recordar que a América é o exemplo acabado dum país capitalista, e que a Suécia é uma das sociedades com menos desigualdades e com mais direitos do mundo. Quanto ao factor ambiental só digo que ninguém quer ficar rico condenando o planeta e a humanidade a um verdadeiro holocausto, que acabará com a nossa espécie. Não posso deixar de salientar que com os avanços das tecnologias a redução do tempo de trabalho será inevitável, porque o desemprego em massa seria insustentável.


Lamento que o senhor professor, e economista, tenha vistas tão curtas, bem como lamento que os nossos ambientalistas sejam tão pouco coerentes com os princípios que dizem defender…


terça-feira, setembro 13, 2016

A ÉTICA E OS CÓDIGOS DE CONDUTA

Ainda há poucos dias discutia-se se membros do governo deviam aceitar “ofertas” durante o seu mandato, e havia quem dissesse que algumas eram “socialmente aceites”, outros contrapunham que simplesmente “não há almoços grátis”, e que portanto os governantes deviam seguir as normas instituídas para os funcionários públicos, que estão proibidos de receber ofertas, ponto final.

Em Portugal temos uns políticos que se julgam “acima dos restantes mortais”, e que portanto devem regular-se por normas especiais, podendo ser punidos apenas politicamente por quem os escolheu, e posteriormente pelos eleitores, caso sejam candidatos a uma qualquer eleição.

O caso mais recente de conduta inapropriada de um político, ainda que não punível legalmente, atingiu Durão Barroso, que viu os seus pares (excepto os dirigentes do PSD), colocarem em causa o seu novo “emprego” na Goldman Sachs.


Não devia ser necessário haver códigos de conduta escritos para se perceber o que não é aconselhável, ou passível de críticas fundamentadas, a políticos no activo ou recém-saídos de cargos importantes em instituições nacionais ou internacionais, mas pelos vistos alguns só entendem proibições, porque a sua ética é mais “elástica” do que a dos outros…

Aves Pousadas By Palaciano*

sábado, setembro 10, 2016

O EXEMPLO



Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida. 

Manuel Bernardes


Sombras By Palaciano

quarta-feira, setembro 07, 2016

CONDECORAÇÕES

As condecorações atribuídas pelos nossos presidentes são sempre discutíveis, e as opiniões dividem-se consoante as ligações que cada um tem, aos poderes económicos e aos partidos políticos, mas o tempo acaba por ser um bom árbitro nestas coisas.

Depois das condecorações de Cavaco Silva, onde constavam uns quantos figurões que eram os expoentes máximos do sucesso na gestão, de grandes empresas e de bancos, que mais tarde deram o berro e se revelaram uns manipuladores de números, temos agora Marcelo que também gosta de ser pródigo nas condecorações.

O cidadão normal continuará a pagar as condecorações e a reverência que os políticos têm pelo poder económico, mesmo que pouco beneficiem com a acção deles...