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terça-feira, março 24, 2026
terça-feira, setembro 28, 2021
PROBLEMAS DE FALTA DE MÃO-DE-OBRA
A economia europeia tem usado e abusado da deslocalização da produção e da precariedade e baixos salários dos trabalhadores, e os resultados começam a ver-se um pouco por todo o lado.
Quase todas as semanas lemos e ouvimos empresários a queixar-se da falta de mão-de-obra para as suas empresas, curiosamente quase sempre nas funções mais mal pagas dessas mesmas empresas.
Sabe-se que são muitas as empresas que recorrem a empresas de trabalho temporário para ocuparem postos de trabalho de que necessitam em permanência. No LinkedIn encontram-se muitas ofertas de emprego, para diversas funções, em que um dos requisitos é o da elegibilidade para programas do IEFP, o que mostra bem o descaramento que existe por parte das empresas na exploração que praticam.
A situação tem tendências para piorar apesar do recurso à imigração que está a ser facilitada pelo governo. Cada vez vai ser mais difícil contratar para funções cujo salário não garante uma vida decente, e os nossos jovens bem como os mais qualificados continuarão a fugir para o exterior.
Quando um qualquer empresário se vier queixar da dificuldade em recrutar, eu acho que lhe deviam perguntar se conseguiria viver com decência com um salário de 700 euros brutos, antes de lhe darem mais tempo de antena ou espaço nos jornais.
quarta-feira, maio 05, 2021
OS NOVOS NEGREIROS
Ainda há poucos dias se discutia o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, porque ele disse que não nos devíamos autoflagelar, nem glorificar, com o nosso passado mas sim olhar para ele com uma visão histórica, aprendendo assim a não cometer os mesmos erros no presente e no futuro.
Houve muito boa gente que o criticou, salientando apenas os factos mais negativos, fazendo deles bandeira duma posição ideológica que sustentam.
A escravatura, a exploração e o racismo que clamavam ao referir-se ao nosso passado, afinal estava mesmo debaixo dos nossos olhos, não em territórios remotos, mas sim cá dentro, minando aquilo que consideramos um Estado Democrático, um Estado de Direito, e numa nação que aboliu a escravatura nos idos do século XVIII.
O passado é já imutável, o que podemos fazer é aprender com ele, e para isso não temos que nos autoflagelar. O que acontece no presente, isso sim, é da nossa responsabilidade enquanto povo, e disso si, devemos manifestar a nossa vergonha, o nosso repúdio e as críticas às entidades com responsabilidades no que acontece.






