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segunda-feira, setembro 26, 2022

A CORRIDA AOS GESTORES DE FORTUNAS

A corrida a gestores de fortunas tem sido intensa nestes últimos dias, à medida que se aproxima a data em que muitos portugueses vão receber quantias "extraordinárias", verdadeiramente substanciais, que o Governo lhes vai atribuir para enfrentar a inflação.
 
Devido aos altos montantes, atribuídos a quem trabalha(e mesmo a quem não trabalha) a dificuldade dos cidadãos em gerir tais montantes levanta problemas que só especialistas conseguirão ajudar a gerir.
 
No caso dos pensionistas o "extra" é o adiantamento de metade das pensões, pelo que fazer a gestão desse montante durante os seguintes 14 meses, é um exercício desafiante mesmo para os melhores profissionais de gestão.


 

quinta-feira, setembro 26, 2019

GERIR MUSEUS É COMPLEXO


Li com bastante atenção uma entrevista da directora dos Jerónimos e da Torre de Belém ao Público de hoje, e devo dizer que em termos gerais até concordo com ela, mas como em tudo, há questões difíceis de implementar.

É sabido que os Jerónimos e a Torre de Belém são os monumentos mais visitados do país, como também se sabia que o Palácio da Pena e o Palácio Nacional de Sintra também eram os palácios mais visitados, e isso não impediu que a sua gestão fosse entregue a uma empresa de direito privado exclusivamente de capitais públicos, a PSML.

Os diferentes governos têm dado pouca atenção à Cultura, e neste caso específico, ao Património, e isso tem sido mais do que evidente quando se olha para o investimento público nesta área. Ao se ter tirado a exploração dos palácios da zona de Sintra da órbita do Ministério da Cultura, as receitas que daí provinham esfumaram-se, e não foram cobertas pelo Orçamento de Estado.

A autonomia de gestão por parte dos directores dos serviços dependentes da DGPC, não existia pura e simplesmente, e agora também não será significativa, pelo que se percebe.

A tentativa de dar um salto em frente por parte de Dalila Rodrigues, sugerindo o aumento dos bilhetes, e o pagamento das entradas na igreja dos Jerónimos é sintomática. Estas medidas são altamente controversas, bem como os descontos para os visitantes nacionais, concorde-se ou não com elas.

O problema das filas continuará a existir enquanto não houver um sistema de reservas eficaz, e se continuar a vender bilhetes no próprio dia sem haver um limite estabelecido de entradas diárias, algo do tipo do que existe em Granada, ou que se prepara para fazer no Prado.

Gostei de ouvir alguém agitar um pouco as águas, apresentar propostas, expor ideias para o futuro. Vai ser muito difícil concretizar tudo isto, mas é de pessoas com iniciativa que precisamos para evoluir…



terça-feira, janeiro 29, 2019

REPENSAR A GESTÃO DO PATRIMÓNIO


A definição de museu é o de uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite.

É por demais evidente que os nossos museus, palácios e monumentos estão longe de encaixar totalmente na definição da ICOM, por diversas razões, começando pela centralização das decisões, pelo excesso de burocracia instalado, e pela escassez de meios económicos, materiais e humanos.

O maior esforço que se faz nesta altura é o de manter abertos ao público os diferentes serviços, o que mostra até onde chega a indigência em que vivem os nossos museus, palácios e monumentos. A investigação quase que não existe, a comunicação e a informação ao público é na maioria dos casos muito pobre, os serviços educativos só funcionam onde existe muita carolice, sendo algumas vezes entregue a pessoal externo, a formação do pessoal que contacta com o público não existe, e o público não pode disfrutar plenamente do que é o nosso Património.

Tudo está dependente do tipo de gestão, começando pelo topo (actualmente o Ministério da Cultura e DGPC), e depois chega-se aos diversos serviços em que os directores têm as suas responsabilidades mas sem competências delegadas, e tudo para baixo nesta pirâmide se ressente.

Vamos discutir outro tipo de gestão, ou vamos apenas atirar culpas uns aos outros? Estará a tutela preparada para ouvir todos os profissionais dos museus e discutir as opiniões que têm para solucionar os problemas que enfrentam?



quinta-feira, novembro 15, 2018

MUSEUS E VIGILANTES

Falando de recursos humanos, um dos maiores problemas dos museus, palácios e monumentos dependentes da DGPC é sem dúvida a falta de pessoal de vigilância, que afinal são os profissionais que asseguram a abertura dos serviços.

Nos últimos dias foi notícia a entrada em funcionamento de máquinas automáticas de venda de ingressos, que entraram precisamente hoje em funcionamento, para o Mosteiro dos Jerónimos e para o Museu de Arqueologia e que se vão estender a outros monumentos muito em breve.

Entre outras vantagens citadas pelos responsáveis estará a redução de filas de espera, o que está por comprovar, e também uma melhor gestão dos recursos humanos, ao libertar funcionários das bilheteiras para outras funções.

No que diz respeito a uma melhor gestão dos recursos humanos libertar um ou dois trabalhadores para outras funções pode parecer um avanço, mas há quem o considere apenas um pequeno remendo, pois muito mais se podia fazer.

Numa pequena pesquisa feita há poucos meses, e com o auxílio dos mapas de pessoal da DGPC, e perguntando discretamente quantos vigilantes tinham alguns serviços, chegou-se à conclusão que cerca de 25% dos Assistentes Técnicos e Assistentes Operacionais admitidos para funções de vigilância, estão a desempenhar outras funções, tão diversas como a de telefonista, secretárias de direcção, serviços educativos, e outras, com o consentimento dos directores.

Com as dificuldades conhecidas para a admissão e fixação de profissionais nas funções de vigilância, não sei se a gestão de recursos humanos é a mais correcta, pois todos os trabalhadores que são desviados das suas funções de vigilância para outras, fazem imensa falta e beneficiam de um horário muito mais favorável, com o descanso aos sábados, domingos e feriados, auferindo salários absolutamente iguais aos que auferem os que trabalham nesses dias, e que são sobrecarregados pela diminuição de efectivos na função de vigilância.


Será que a senhora directora-geral da DGPC sabe disto? E a senhora ministra da Cultura?


quarta-feira, dezembro 27, 2017

MUSEUS, GESTÃO E AUTONOMIA

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, afirmou há pouco tempo que pretende criar condições para uma maior autonomia dos museus, palácios e monumentos, possivelmente com a criação dum instituto público, o que a acontecer já não será nesta legislatura.

O senhor ministro não tem peso político, nem o atrevimento necessário para enfrentar a ditadura do Ministério das Finanças, convencendo o 1ª ministro da necessidade de dar alguma autonomia aos serviços, usando parte das receitas obtidas, responsabilizando, e motivando assim as direcções para uma gestão mais eficiente e a prazo.

O sistema actual em que a simples compra de lâmpadas ou o arranjo de instalações eléctricas ou canalizações, estão sempre dependentes de autorização prévia da DGPC, ainda que sejam coisas elementares e muitas vezes da máxima urgência.

A falta de margem de manobra, e a ausência total de poder de decisão, quando se trata de despesas, mesmo que correntes como as que descrevi, são absolutamente inexplicáveis e causam um desgaste que conduz à desmoralização de quem trabalha nos museus.


A criação da DGPC foi um erro monstruoso de quem desconhecia que já tinha sido tentada uma solução idêntica, o antigo IPPC, que demonstrou ser uma péssima opção. Esperemos que se discuta internamente uma opção mais ágil, envolvendo os trabalhadores, que na realidade são quem ainda vai conseguindo manter em funcionamento os serviços, apesar de todos os constrangimentos.

CARTOONS

Clássico

Modernista

terça-feira, junho 27, 2017

MAIS SOBRE A CULTURA POBRE



Estive a contar os dias dados para o inquérito aos estragos no Convento de Cristo durante o aluguer de espaços para a rodagem de um filme, e parece que o prazo acabou esta 2ª feira, por isso fico, e devem ficar muitos mais, à espera dos resultados que devem ser tornados públicos muito em breve.

Sobre o caso do Mosteiro dos Jerónimos, também relativo a cedências de espaços, e a actividades de empresa privada dentro do próprio monumento, parece que não vamos ter mais notícias, pois o silêncio sobre a notícia do DN foi ensurdecedor.

Vir agora dizer-se que o aluguer de espaços contam pouco (2%), vem dar razão aos que exigem maior selectividade na aceitação dessas actividades, e maior dotação orçamental para o Património, acompanhada de mais responsabilização no cumprimento de objectivos estabelecidos para os responsáveis.

Depois da entrega de monumentos que eram o sustentáculo em receitas próprias do ministério, e refiro-me aos monumentos de Sintra, que como se vê, quando bem geridos são máquinas de fazer dinheiro, restam apenas os Jerónimos e a Torre de Belém, como sustentáculo sólido para gerar receitas próprias superiores aos gastos tidos nesses equipamentos, já que todos os outros são deficitários, uns mais do que outros.

É preciso acabar de vez com a DGPC, um clone do antigo IPPC (que todos apelidaram de monstro), só que com menos percentagem de receitas próprias relativamente aos encargos a suportar.

Já se falhou no eixo Belém/Ajuda, perdendo-se tempo à espera da Câmara de Lisboa, da ATL e da EGEAC, o que só deverá acontecer quando avançarem as obras do Palácio da Ajuda, os Mosteiros de Alcobaça, Batalha e o Convento de Cristo, em conjunto, com as rendas dos espaços cedidos a privados, tinham viabilidade garantida, mas também não há vontade, e o Convento de Mafra, livre dos inquilinos actuais, e com uma unidade hoteleira na actual parte militar, a pagar a sua renda, também teria viabilidade e sustentação para vingar, quem sabe se até com a Tapada às costas.

Não existem falta de ideias, existe é uma vontade de sabotar tudo para se manter este monstro completamente paralisado e ruinoso. Todos conhecem as soluções, que até foram testadas em Sintra, mas a máquina lutará até ao fim para não ter que sair da letargia…

Pobre Cultura!

Leituras recomendadas AQUI e AQUI



quinta-feira, janeiro 05, 2017

CULTURA E GESTÃO

Não vejo nenhuma incompatibilidade entre a Cultura e a economia, por isso acho que a sustentabilidade dos equipamentos culturais é sempre desejável, mesmo que por vezes tenham que se associar alguns equipamentos da mesma área para encontrar sinergias que puxem por todos e racionalizem o investimento.

Esta semana conheceu-se a intenção do CCB de lançar um concurso para construir um hotel de cinco estrelas e outras áreas comerciais, o que nos fez recordar os argumentos de João Soares quando chumbou o plano para o eixo Ajuda/Belém protagonizado por António Lamas, que se sintetizava no facto de “esvaziar o CCB da sua missão primordial”. É curioso como a memória pode ser tão selectiva.

O CCB afinal não é o grande sucesso que “nos vendem”, e mesmo com entradas pagas em 2017 não garante a sua autonomia, tendo que recorrer a rendas (do hotel e das lojas) para ser viável economicamente, o diabo vai ser o investimento necessário para a construção dos dois módulos ainda inexistentes.

Nestas coisas do investimento temos sempre um problema para resolver que é encontrar os parceiros para o negócio, e aqui voltamos à vaca fria, e lá surge o turismo de Lisboa (ATL) e a Câmara de Lisboa (CML), que por acaso já estão envolvidos na solução para o fecho do Palácio Nacional da Ajuda, para não falar num outro negócio ainda pouco falado do antigo quartel dos lanceiros.


Com outra geometria e sem puxar por outros equipamentos culturais menos visitados da zona, estamos perante uma realidade pouco diferente do plano de Lamas, ainda que com menos ambição e sem o aproveitamento de sinergias, mas ainda estamos agora na fase de intenções…


quarta-feira, outubro 19, 2016

A GESTÃO DO PATRIMÓNIO

Achei interessante uma entrevista feita ionline ao empresário Álvaro Covões, a propósito da ideia da criação do Quartel da Cultura, a criar na Calçada da Ajuda no antigo quartel dos Lanceiros.

Embora seja evidente que estamos perante um empresário, que naturalmente vê oportunidades de realizar negócios lucrativos, enquanto eu não encaro a Cultura como fonte de lucro como primeira prioridade, na realidade vejo que existem alguns pontos em comum na opinião que temos quanto à falta de visão na obtenção de receitas, que tanta falta fazem à Cultura, para se afirmar como sector importante na economia nacional.

O espírito de “quintinhas” existente na nossa sociedade, e muito instalado no sector do Património, faz com que cada um defenda o seu quintal e não consiga encarar a colaboração como uma mais-valia. A colecção SEC gerou uma disputa fratricida e uma demissão, os Mirós foram parar ao Porto, e ninguém achou importante programar grandes exposições em diversas cidades com estas colecções, criando assim sinergias, porque apenas importa que fiquem à nossa guarda.

Imagine-se que o Palácio de Mafra celebra em 2017, 300 anos do lançamento da 1ª pedra, e que o Museu dos Coches tem alguns coches da embaixada ao Papa Clemente XI, enviada exactamente por D. João V, e que o Museu Nacional de Arte Antiga comprou recentemente um retrato de D. João V. Será que não é possível encontrar formas de fazer brilhar esta comemoração?

O Palácio da Vila de Sintra tem uma colecção impressionante de azulejos, o Museu Nacional do Azulejo tem azulejos de todo o tipo, e temos fábricas que reproduzem azulejos com os mesmos motivos, segundo as mesmas técnicas ou apenas com funções decorativas. Não será que podiam organizar uma exposição de que todos beneficiassem?

A DGPC e a ATL não podiam organizar encartes com mapas e fotos dos diversos museus e monumentos da grande Lisboa (zona de que falo), para distribuir no aeroporto, nos postos de turismo, em hotéis e rent-a-cars? E que tal fazer sinalética nas estradas com referência aos museus e monumentos?


Cooperação institucional, publicidade e divulgação, modernização da comunicação das instituições com os meios de comunicação social e com as redes sociais e envolvimento de todos, não só das chefias, seria um bom começo para encontrar caminhos para a saída do marasmo em que se vive  


quinta-feira, março 03, 2016

CULTURA SEM RUMO

Na Cultura tem sido a área do Património que tem estado particularmente em foco, quer pela demissão de António Lamas, quer pelo modo como se chegou lá ou pelas razões aduzidas pelo ministro da Cultura.

A troca de Lamas por Elísio Summavielle podia ser entendida como uma mudança exigida por necessidade de se seguir um novo rumo, mas não existe nenhum rumo novo que seja claro, nem se veem vantagens objectivas na mudança de protagonistas, já que Summavielle apresenta um currículo muito pobre onde se notam apenas nomeações políticas e não mérito demonstrado na acção.

Serei suspeito por ter considerado que o projecto de mudança do Museu Nacional de Arqueologia propostos por ES, seria um perfeito disparate, tal como o regresso a uma só estrutura para defesa do Património, para mim apenas um regresso ao passado dum IPPC de má memória.

A acção de António Lamas em Sintra não está isenta de críticas, especialmente porque o Património mais importante dessa zona se tornou demasiadamente caro para ser visitado pelos cidadãos nacionais, mas tirando essa infeliz realidade, a nível de conservação e divulgação da zona e dos seus monumentos, o trabalho está à vista. Há um outro facto que deve ser também considerado, o Estado não colocou na Parques de Sintra um tostão depois da tomada de posse da gestão de António Lamas, e a empresa estava na altura completamente falida. 


Não sei o que é que a Câmara de Lisboa irá fazer, já que o novo presidente do CCB, mostrou vontade de se distanciar dos problemas do eixo Belém/Ajuda, deixando o protagonismo para a CML, mas temo que as actuais capelinhas de interesses continuem a manter o imobilismo que tem sido a regra até hoje. 

quarta-feira, abril 22, 2015

OS VENDILHÕES



De cada vez que olhamos em volta, vemos mais empresas que eram portuguesas, nas mãos de estrangeiros, e muitas delas eram públicas e davam lucros.

Ao ler que o Oceanário vai ser concessionado a privados, e ao ouvir que se pretende concessionar a gestão dos museus e monumentos do eixo Belém/Ajuda, fico arrepiado com tanta asneira e delapidação dos bens públicos.

Já se ouviu da boca dum responsável político que o Estado ganhava em afastar-se de muitos sectores e concessionar a exploração a privados, ou contratualizar os serviços com empresas privadas. O que tem sido norma é que se concessionam coisas lucrativas e se fazem aquisições de serviços quando as coisas dão prejuízo, o que em lado nenhum será um bom negócio.

Cingindo-me apenas ao Oceanário e aos jardins, museus e monumentos do eixo Belém/Ajuda, cuja concessão acho que não beneficia o erário público, pelo contrário, coloco apenas uma pergunta que nunca vi quantificada em lado nenhum: Quanto investiu o Estado na Parques de Sintra Montes da Lua e quanto recebeu nestes anos de existência desta sociedade anónima de capitais públicos e de gestão privada, tão elogiada por muita gente?

Não pondo nunca em causa a gestão que esteja a ser feita ou venha a ser feita nestes casos mencionados, não vejo porque tenham de ter melhores resultados nas mãos de privados do que na esfera pública.


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