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quinta-feira, abril 25, 2019

TRABALHAR FESTEJANDO O 25 DE ABRIL


Hoje foram muitos os que festejaram os 45 anos do 25 de Abril das mais diversas maneiras, quer desfilando, quer assistindo a diversas cerimónias em vários locais, ou pura e simplesmente gozando o dia da melhor maneira possível.

No meio disto tudo houve quem estivesse apenas a trabalhar, porque há sempre quem esteja a trabalhar, mesmo quando se trata de serviços não essenciais, mas que a isso são forçados pelas regras laborais.

Lembrei-me hoje, por diversas vezes, dum político que acha que os políticos não podem ser tratados pior do que cães, porque há cães que são muito bem tratados, e dum palerma que escreve umas colunas de opinião, que se entretém a malhar nos funcionários públicos, como se fossem eles os culpados pelos males do mundo.

O político teve a frase infeliz ao falar sobre os vencimentos dos políticos e da má opinião que os cidadãos têm deles, numa entrevista ao Público de hoje, e o colunista, que por acaso escreve no mesmo jornal, e hoje dizia que a estátua perfeita ao 25 de Abril devia ter Salgueiro Maia dum lado e um homem com a sua enxada, pois a ambos se deve a liberdade que hoje celebramos.

Milhares de pessoas trabalharam neste dia, muitos com salários muito baixos (entre o SMN e os 1.000 euros na sua maioria), e são constantemente enxovalhados quando lutam por não trabalhar aos domingos, ou serem devidamente recompensados por a isso serem obrigados, senhor Ferro Rodrigues. Além desses factores, outros estavam ao serviço a tomar conta das diabruras dos filhos (e amigos) do colunista, senhor João Miguel Tavares, que por estar de visita a um palácio, “os deixou à solta”, como se estivessem num qualquer parque infantil onde se corre e mexe à vontade em tudo o que nos rodeia.

Cada um festeja como pode, pois o sol quando nasce é para todos, não é?



segunda-feira, fevereiro 12, 2018

OS DISCURSOS ENGANOSOS



O governo e quem o apoia, têm vindo a terreiro dizer que a situação dos trabalhadores portugueses tem vindo a melhorar nos últimos dois anos, e que os tempos de austeridade estavam ultrapassados, o que parecia indicar que não só estavam repostos os rendimentos do trabalho, como também já estaríamos em melhor situação do que no início da crise.

A oposição, bastantes comentadores, e as organizações patronais, também encheram a boca com os tais “aumentos generosos dos salários” que podem vir a comprometer a economia nacional. Até parecia que os rendimentos do trabalho tinham aumentado mais do que a economia nacional.  

Afinal um relatório da Comissão Europeia veio deitar um balde de gelo nesta mentira tantas vezes repetida, e nele se afirma sem rodeios que o rendimento bruto das famílias continua a ser inferior ao nível de 2008, o ano do início da crise.



quinta-feira, fevereiro 09, 2017

TRABALHADOR OU COLABORADOR?

Até muito recentemente só se usava a palavra trabalhador quando se pretendia mencionar alguém que trabalhava para alguma entidade, qualquer que fosse, mas nos últimos anos apareceram uns quantos que começaram a usar o termo colaborador, pretendendo que este substitua o de trabalhador.

Não sou um linguista mas é evidente, basta recorrer a um dicionário, que as palavras não são sequer sinónimos, e que não querem dizer a mesma coisa, mas então porque existe esta intenção de substituir o termo trabalhador?

Ouvir explicações dadas por responsáveis de recursos humanos e gestores empresariais, é razão para dar umas gargalhadas, e penso que pela parte dos trabalhadores ninguém se sente incomodado com a palavra trabalhador, pelo que parece que só os empregadores (alguns), preferem o termo colaborador.


A situação acaba por ser engraçada, e já se imaginam frases como “vou a caminho da minha colaboração”, “o senhor diga-me onde colabora”,  “na sua empresa qual é a sua colaboração?”, " vá para o seu posto e colabore". 


sexta-feira, novembro 25, 2016

O TRABALHO E O DINHEIRO

Uma das coisas que o tempo se encarregou de me ensinar foi o facto de ninguém enriquecer apenas com os proveitos do trabalho honrado. Já sei que me chamaram cínico, talvez porque exista alguém que o conseguiu, mas se virem bem serão bem poucos, e encaixam perfeitamente na classe das honrosas excepções.

É sabido que os portugueses têm trabalhado cada vez mais horas, cada vez mais se acumulam funções, e cada vez mais se penaliza a saúde e a família.

Os salários não esticam e cada vez mais estão desadequados. Quem se pode admirar que existam cerca de metade dos portugueses com falta de dinheiro para honrar os seus compromissos?

Quando falamos de riqueza geralmente referimos o que consta das estatísticas, e portanto à actividade legal e registada para efeitos fiscais, mas estamos a ignorar toda a economia subterrânea, que tem uma grande expressão no nosso país, como é sabido.


A redistribuição da riqueza é mal feita, apesar do que dizem os especialistas, e os políticos, e o resultado está plasmado nos estudos mais actuais em que se constata que há cada vez mais ricos, ao mesmo tempo que há mais gente em sérias dificuldades para levar uma vida decente, mesmo tendo emprego e não tendo hábitos consumistas.


quinta-feira, setembro 15, 2016

PORTUGAL, TRABALHO, AMBIENTE E ECONOMIA

Economistas americanos afirmam que três dias de folga por semana ajudariam a salvar o planeta, e lembram o exemplo do estado do Utah, que praticou a semana dos quatro dias, na função pública, durante cerca de três anos com resultados visíveis, e só não continuou com isso porque o sector privado não acompanhou a medida e houve o choque inevitável, entre o sector público e o privado.

Na Suécia a jornada de trabalho foi reduzida das oito para as seis horas semanais, mantendo-se os salários dos trabalhadores, já lá vai um ano, e os resultados são positivos, segundo as autoridades suecas.

Por cá temos o economista João Duque que considera que ”seria uma má ideia para os povos mais desfavorecidos no mundo”, e vai ainda mais longe no seu comentário, “um americano de barriga cheia que está farto de poluição acha bem, mas a parte subdesenvolvida do mundo acha mal” recordando que as pessoas trabalham para “aumentar o seu bem-estar” e que o positivo que se colhe do trabalho é “superior ao negativo gerado pela poluição e desperdício”.

Perante tanta “intelijumência” de tão reputado economista, nem vale a pena recordar que a América é o exemplo acabado dum país capitalista, e que a Suécia é uma das sociedades com menos desigualdades e com mais direitos do mundo. Quanto ao factor ambiental só digo que ninguém quer ficar rico condenando o planeta e a humanidade a um verdadeiro holocausto, que acabará com a nossa espécie. Não posso deixar de salientar que com os avanços das tecnologias a redução do tempo de trabalho será inevitável, porque o desemprego em massa seria insustentável.


Lamento que o senhor professor, e economista, tenha vistas tão curtas, bem como lamento que os nossos ambientalistas sejam tão pouco coerentes com os princípios que dizem defender…


quarta-feira, agosto 03, 2016

A IDADE E O TEMPO DE TRABALHO

Foi feito um estudo sobre os hábitos de trabalho de pessoas com mais de quarenta anos, e chegou-se à conclusão que os melhores resultados de testes ao cérebro tinham sido os daqueles que trabalham apenas 3 dias por semana.

Todos conhecemos o stress e a exaustão que resulta no final do dia de trabalho, e aqueles que já ultrapassaram os 60, como eu, sabem que dificilmente se consegue focar a atenção para outras actividades intelectuais, que estejam para além do trabalho, porque os lapsos de memória e a dificuldade de concentração se tornam evidentes ao fim de vários dias de trabalho.

A experiência de quem tem muitos anos de trabalho é importante, e deve ser bem aproveitada, fazendo o acompanhamento e dando formação aos novos trabalhadores, mas é necessário equilibrar a juventude com a experiência para se atingir a máxima produtividade e um melhor desempenho.


Sei que cada caso é um caso, mas nem todos se limitam a dar uns palpites de vez em quando, passando o resto do tempo em escritórios climatizados a assinar papéis que nunca leram…


sexta-feira, maio 27, 2016

A PALHAÇADA DO PATRONATO

O patronato tem vindo a usar todos os meios ao seu dispor para atacar os direitos e as conquistas dos trabalhadores, tanto do público como do privado, ainda que ataque ora um, ora outro sector, dividindo para reinar. 

O ataque ao sector público resistindo ao regresso às 35 horas semanais, que até já estiveram em vigor até ao desgoverno de Passos Coelho, teve lugar em toda a imprensa escrita, falada e na televisão, dizendo que no privado todos praticam as 40 horas. É mentira, e os que ain da as têm podiam exercer o direito a ter um tratamento igual, mas isso não constava nas colunas de opinião, nos títulos dos joenais, nos debates radiofónicos ou televisivos.

Agora fala-se em compensar a não introdução das 35 horas em alguns sectores da função pública, dando mais dias de férias aos prejudicados. Estará tudo doido? Então se não há pessoal para se praticarem horários de 35 horas, há pessoal suficiente para dar mais dias de férias? Não gozem com o pessoal!

O que dizer da mudança dos feriados para a segunda ou para a sexta, mas só se calharem às quintas ou às terças? Eu pergunto o que é que se fará aos que calham às quartas, aos sábados e aos domingos? É justo fazer-se uma leitura global do conceito, ou não?

Fica também uma pergunta final para os patrões que não concedem dias de folga em possíveis pontes, ou para aqueles que obrigam a marcar um dia de férias nestas pontes, porque sairia mais caro abrir as fábricas apenas por um dia de trabalho: como iriam também gozar uns dias de férias à pála dos trabalhadores?

Será que tudo isto é apenas para "dobrar" a espinha aos trabalhadores e aos sindicatos que os representam?


sexta-feira, abril 15, 2016

REJUVENESCER A FORÇA DE TRABALHO

Em Portugal temos diversos problemas no que diz respeito ao trabalho, à produtividade, às qualificações e ao desemprego.

Em geral os governos e os empresários olham para estes problemas com uma preocupação de muito curto prazo, e pedem ou implementam soluções que visam a poupança imediata, sem qualquer visão do futuro a médio e longo prazo, o que tem sido prejudicial para todos e tem gerado tensões desnecessárias.

O Estado e muitas empresas de grande e média dimensão, têm quadros demasiadamente envelhecidos, sendo mais os que estão em fim de carreira do que os que dão nela os primeiros passos. A experiência é muito importante em todas as actividades, mas a inovação e a necessidade de afirmação das novas gerações é o combustível para a renovação.

Enquanto as grandes empresas estrangeiras preferem facilitar as rescisões voluntárias dos seus funcionários mais velhos e com mais anos de serviço, arcando com os encargos dessas saídas, até à idade de reforma com todos os direitos, por cá dificultam-se e penalizam-se as saídas de pessoas com grandes carreiras contributivas, como se isso fosse benéfico para a Segurança Social.

Encontrar o equilíbrio entre a experiência e a juventude é um processo difícil e controverso, mas ter uma juventude qualificada desempregada, e trabalhadores em fim de carreira, com saúde muitas vezes frágil, quantas vezes já desmotivados e a contar os dias para a reforma, não será a melhor política laboral.


É óbvio que o ónus da mudança não pode ficar apenas para o Estado e para a Segurança Social, porque os próprios empregadores que também são beneficiários desta mudança, também devem contribuir para cobrir os encargos que daí possam advir, na renovação dos seus quadros.

Pode gostar de ler ISTO 

PAWLA KUCZYNSKIEGO was born in Poland in 1976, where she studied at the Academy of Belle Arts in Warsaw. At a young age Pawl developed an interest in the political cartoon format. She has received over ninety awards since her work got noticed due to the strong social content depicted on her cartoons which gives you the sensation of being the work of an old time cartoonist and not of such a young artist. Her themes are still issues that have not yet been resolved in her society and across the world in many countries.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

PRODUTIVIDADE E VISTAS CURTAS

Um dos assuntos que vem sendo discutido em Portugal tem sido o regresso às 35 horas de trabalho na função pública, e tem sido notória a intenção da oposição e do patronato, em voltar os trabalhadores do privado contra os do Estado.

É sabido que os funcionários públicos já tinham tido as 35 horas semanais e que foi o governo de Passos Coelho que fez com que o regresso às 40 horas semanais fosse uma realidade, dizendo que assim se aumentaria a produtividade e se poupariam uns milhares ao erário público. Nunca o conseguiram quantificar nem foi alcançada nenhuma melhoria dos serviços, pelo contrário, mas alguns ficaram iludidos com aquela teoria.

Sempre aqui defendi a diminuição do horário de trabalho para as 25 horas e a dignificação do trabalho, com direitos e com salários decentes, porque a produtividade sempre esteve mais ligada à satisfação dos trabalhadores do que ao tempo de trabalho. Os países com mais produtividade têm menores jornadas de trabalho e melhores salários, ao contrário dos que têm menor produtividade, onde se trabalham mais horas e se praticam menores salários,

Talvez fosse útil a alguns senhores que andam por aí a dizer cobras e lagartos sobre as 35 horas de trabalho na função pública, analisarem bem o que se passa nos países do norte da Europa, sim os mesmos que nos mandam trabalhar mais tempo, antes de proferirem baboseiras.


Aqui vos deixo um link útil, curiosamente dum jornal electrónico de direita.

Emprego


Desemprego

sábado, janeiro 16, 2016

A DEMAGOGIA E A INVEJA

O restabelecimento das 35 horas de trabalho para os funcionários públicos parece estar a incomodar muita gente, uns por ideologia, outros por pura inveja. Os nossos políticos, especialmente os da direita não estão isentos de culpas, sendo mesmo os instigadores deste incómodo.

Os pressupostos que levaram ao aumento do horário de trabalho foi o de incrementar a produtividade e o de reduzir os custos do trabalho, isto em plena crise económica, causada pelo sistema financeiro, como ficou claro para todos.

Não é liquido que seja o número de horas de trabalho que faça aumentar a produtividade, pois os países com maior produtividade têm horários com menos de 40 horas, e a redução dos custos à custa de mais horas de trabalho também nunca foi demonstrado nem contabilizado.

Repor as 35 horas de trabalho na função pública é da mais elementar justiça, e no sector privado tal medida também é recomendável, mas terão que ser os trabalhadores a lutar por esse direito, em vez de se desgastarem a manifestar inveja pelas conquistas da luta dos outros. Juntos temos muito mais força, divididos tudo nos é muito mais difícil.

Botões by Palaciano

domingo, novembro 01, 2015

QUANDO O BASTA É IMPERATIVO

A pressão exercida sobre quem trabalha, quer nos objectivos a atingir, quer no número de horas em disponibilidade absoluta, é cada vez maior, e sempre com cada vez menos recursos, é uma constante dos nossos dias, em todos os sectores de actividade.

O lucro, sempre o lucro, é o objectivo único, sempre presente em todos os serviços e actividades, como se fosse possível aumentar os proventos indefinidamente.

Há limite para tudo, seja para o esforço individual, seja para a produtividade, e ignorar esses limites leva a um retrocesso e consequente perda de produtividade, porque mesmo para a mente há limites, como para a resistência de todos os materiais.

Há muitos factores que são frequentemente esquecidos por quem gere recursos humanos, como a saúde, a realização pessoal, e ausência de preocupações com a satisfação das necessidades básicas, que impedem que se produza mais.


Em português muito simples, há quem cegue com o objectivo de obter mais produtividade, esquecendo-se de que há que saber dar para receber. O equilíbrio é difícil, mas é aí que está a ciência da produtividade! 


sexta-feira, abril 17, 2015

OS DESCARTÁVEIS



De há algum tempo a esta parte o factor trabalho passou a ser desprezado por quem a ele recorre, e pelos governantes deste país.

Começando pelos governantes, basta recordar os nossos, que não têm vergonha em afirmar que os custos do trabalho ainda pesam muito para as empresas, ainda que tenhamos dos salários mais baixos da Europa, impostos sobre os salários ao nível dos praticados nos países mais desenvolvidos, isto logo a seguir a ter aliviado o IMI das empresas, sem mexer no IRS dos trabalhadores.

Falando dos empregadores, temos uma grande quantidade deles que se aproveitam do desemprego crescente para oferecer salários cada vez mais baixos, muitos aproveitam todos os incentivos governamentais para contratar a prazo, descartando-se destes trabalhadores logo que acabam as ajudas ou benefícios fiscais, voltando a contratar outros ao abrigo das mesmas benesses.

Note-se que estes governantes e empresários são os mesmos que há pouco tempo falavam duma cultura de mérito, da falta de mão-de-obra qualificada e de falta de produtividade. Não há um só que consiga demonstrar que este tipo de política de recursos humanos é a mais eficaz para incrementar a produtividade e o aumento da qualidade do que é produzido, mas são estes empresários e gestores, que ganham chorudos prémios de gestão, quem sabe se do tipo dos conseguidos por outros Bavas deste mundo…



quarta-feira, abril 15, 2015

NATALIDADE



Para começo de conversa, temos que Portugal tem a mais baixa taxa de natalidade da Europa, que se resume a 1,3 filhos por mulher em idade fértil, o que comparado com a taxa mínima para a substituição de gerações, que seria de 2,1.

Identificado o problema da baixa natalidade, o que importa agora é, resolver o problema. Claro que os senhores políticos apanharam a onda, e estão a encher a boca de propostas para atacar a baixa natalidade.

Fala-se da reposição dos abonos de família, do aumento de dias de licença parental para os pais, da possibilidade dos pais e dos avós optarem por trabalhar a meio tempo ganhando 60% do salário, blábláblá…

A solução é muito mais simples e não é preciso empregar muita massa cinzenta para resolver a falta de natalidade, basta praticar salários decentes e criar emprego com direitos, que os portugueses resolverão o caso.