Não sou um especialista em
pintura nem tão pouco um admirador da obra de Miró, mas conheço suficientemente
bem o turismo cultural, bem como a aptidão dos portugueses para aderir a
exposições bem concebidas e melhor publicitadas.
Ainda recentemente tivemos em
Portugal exposições no Palácio da Ajuda e no Museu de Arte Antiga que
registaram grande afluência de público, não só nacional como estrangeiro.
Também é um facto que em 2013 o número de visitantes dos nossos museus,
palácios e monumentos registaram subidas interessantes, e receitas também muito
apreciáveis.
Há mercados turísticos que estão
a apresentar crescimentos consistentes, como os países do Leste europeu, a
China, o Brasil, com um interesse bastante acentuado na vertente do turismo
cultural, e o país pode competir em património edificado, em património
paisagístico, mas está bastante limitado na oferta de exposições de arte com
impacto significativo, onde outros países europeus nos batem aos pontos.
Não temos falta de obras de arte
para fazer exposições de nível internacional, mas desprezamos obras que são do
Estado, como os Mirós, e outras que resultam de falências de outras entidades e
que por isso caíram na posse do Estado português.
Não sei se o Estado podia ficar
com todas estas obras, ou se saberia sequer rentabilizar esse património, mas
não é admissível que o não possamos sequer desfrutar em exposições que as
valorizariam, que não seja pensada a sua rentabilização em solo português, ou
em permuta com instituições estrangeiras. A pressa em vender por atacado é
disparatada e os mercados perante tal desespero demonstrado só podem reagir com
ofertas muito abaixo do valor real das obras.
Para finalizar apenas mais uma
deixa, este governo nunca irá gastar um cêntimo do dinheiro da venda destas
colecções na beneficiação de museus ou monumentos nacionais, porque o dinheiro
irá direitinho para a CGD e portanto para a actividade bancária.