quinta-feira, março 13, 2014

OS TEMPORÁRIOS DEFINITIVOS



Passos Coelho vai deixando cair a máscara, e já vai confirmando que os cortes temporários que o seu governo tinha anunciado e que só por serem temporários receberam a aprovação do Tribunal Constitucional, afinal são “para o futuro, não para todo o sempre”, mas com um horizonte de pelo menos 20 anos.

É difícil de engolir que os cortes constantes num Orçamento de Estado, com a palavra de que eram provisórios e irrepetíveis, se possam vir a eternizar pelo menos durante 20 anos. Estou em crer que o TC terá de tomar medidas contra este governo pois as suas recomendações foram simplesmente ignoradas e as promessas não passaram disso mesmo.

O malabarismo com as palavras não muda em nada a opinião da maioria dos portugueses, para quem as promessas deste governo nada valem. Sempre ouvi dizer que é mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo…


quarta-feira, março 12, 2014

CARREIRISMOS

Porque há quem chegue à vida política sem nunca ter passado pelo mercado de trabalho e acabe por chegar a altos cargos do Estado, lembrei-me deste vídeo que alguém me sugeriu há algum tempo.

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A Engomadeira de Almada Negreiros

segunda-feira, março 10, 2014

A JUSTIÇA PORTUGUESA

A Justiça volta a ficar muito mal na fotografia e o Banco de Portugal acompanha a má figura por também ter responsabilidades neste caso.

Para os comentadores da nossa praça, especialmente os das nossas televisões privadas, afinal a reestruturação da Justiça que eles tanto celebraram, não trouxe nada de novo.

Tudo como dantes no quartel de Abrantes...
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sábado, março 08, 2014

A RUA PODE SER A ÚNICA SOLUÇÃO

O descontentamento dos portugueses é mais do que notório e justificado, contudo a sua voz parece não chegar aos ouvidos do poder político, excepto quando existem grandes manifestações populares.

O caso da manifestação das forças de segurança é o exemplo perfeito da falta consideração do poder perante o descontentamento que é comum a todos os sectores da população.


Os sucessivos cortes nos salários e pensões e nos direitos sociais estão a empobrecer quem vive do seu trabalho ou das suas pensões, tendo sido atingido um nível que já é insuportável, e se as coisas não pararem por aqui e o governo não mudar a sua estratégia, a solução que nos resta é a de fazer cair o poder nas ruas, porque todos os outros caminhos já se mostraram ineficazes.

Quando a Democracia é incapaz de oferecer soluções que satisfaçam o povo a Revolução é a única via possível para fazer com que a vontade popular prevaleça. 


quinta-feira, março 06, 2014

A LEI DA SELVA

Quando parece impossível ver este governo descer mais na sua obrigação de defender os cidadãos das arbitrariedades de quem tem uma posição dominante, numa questão como o emprego, eis que eles conseguem surpreender-nos.

O Ministério da Solidariedade Emprego e Segurança Social, reparem bem na sua designação oficial, dirigido por Pedro Mota Soares, aquele rapaz que andava de lambreta, veio admitir em comunicado que quer reduzir as indemnizações por despedimento sem justa causa, aproximando-o das compensações pagas por despedimentos dentro da lei.

É perfeitamente ridículo transformar o que é ilegal ao que o é, sobretudo quando estamos a falar de emprego numa altura em que o desemprego é uma praga com números perfeitamente insustentável. Eu diria que é ainda mais ridículo que quem tem por obrigação defender os mais fracos numa relação contratual, o Estado, opte por beneficiar a parte mais forte dessa relação, o patronato.


No que respeita às leis laborais e à protecção dos direitos laborais estamos ao nível da lei da selva, em que o legal e o ilegal estão ao mesmo nível, e onde a norma é a desregulação completa dos direitos de quem trabalha em favor do livre arbítrio dos patrões.

terça-feira, março 04, 2014

ANEDOTAS POLÍTICAS

Os políticos portugueses não são conhecidos pelo seu sentido de humor, pelo contrário, mas de quando em vez lá dizem coisas que até nos fazem rir.

Bem sei que muitos pensam que é difícil encontrar alguma graça no que os políticos dizem, mas é tudo uma questão de sentido de humor, ou de atenção.

O ministro da economia, quando lhe foi perguntado se estava a calçar produto nacional, perante um auditório português, respondeu que caçava às vezes, que tinha dias, mas na altura não calçava português. Este é o nosso ministro da Economia e tudo se passou na maior feira do calçado a decorrer em Milão.

Outra piada, esta de muito mau gosto, foi a da notícia de que o governo pretende integrar desempregados na função pública, especialmente jovens e desempregados de longa duração, segundo um eixo prioritário de apoiar a criação de emprego através de instrumentos orientados para a integração no mercado de trabalho. Diga-se que este mesmo governo esteve e ainda está a patrocinar a saída de funcionários públicos com o recurso a indemnizações.


Para os nossos governantes, que não deram sequer a tolerância de ponto nesta terça-feira de Carnaval, o mercado de trabalho e a economia são temas carnavalescos com os quais fazem piadas de péssimo gosto, gozando com quem trabalha e com quem está desempregado sem qualquer vergonha na cara.


domingo, março 02, 2014

CARNAVAL

Este Carnaval parece ter sido amaldiçoado no que respeita a condições atmosféricas, e atendendo às posições tomadas por Passos Coelho, já se fala de que ele terá feito algum acordo com o S. Pedro para este manter o mau tempo. Eu fico curioso em saber a reacção do ministro da Economia, porque a verdade é foi investido muito dinheiro nos festejos carnavalescos e se a quadra for um fiasco, a economia local vai ressentir-se, o que nesta ocasião é muito mau...
Coelhadrão

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

TRAMPOLINEIROS

Nos últimos anos temos visto alguns dos políticos que passaram pelo poder passarem para altos cargos em empresas que foram privatizadas, em empresas que têm posições dominantes no mercado, em empresas que fazem grandes negócios com o Estado, e até em instituições internacionais que têm “forçado” alguma da austeridade que nos foi imposta.

Há quem diga que é pela competência que se alcançam aquelas posições, mas também há quem diga que lugares daquela natureza se conseguem com alguns favores ou com obediência cega ao futuro patrão.

Vítor Gaspar é o último exemplo do que foi dito, e se todos se lembram ele também é dos que não gosta de ser chamado político, mesmo tendo passado pelas Finanças, onde foi o bom aluno da troika apesar da sua relutância em o aceitar.


É um facto que não se pode negar, que os políticos que passam pelo governo conseguem alcandorar-se a cargos muitobem remunerados, e que está por provar que seja exclusivamente pela sua competência, porque esta não transparece do seu desempenho em cargos governativos.


quarta-feira, fevereiro 26, 2014

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

DISCUTIR NATALIDADE

Sempre que acontecem grandes reuniões partidárias, como actualmente, os políticos fazem de tudo para dar nas vistas e para marcar os noticiários.

O Marcelo foi ao encontro, o Santana também, foram anunciados os candidatos europeus, tudo para marcar a agenda noticiosa e para ficar um passo à frente dos possíveis adversários na corrida aos postos mais apetecíveis.

A notícia mais curiosa foi dada por Passos Coelho quando anunciou uma equipa multidisciplinar para tratar do problema da natalidade.

Podia fazer humor com a iniciativa aconselhando a oferta do Kama Sutra ilustrado a todos os portugueses com mais de 18 anos, ou a proibição absoluta de venda de preservativos, mas nem vale a pena.


É muito mais efectivo lembrar o primeiro-ministro que medidas como aumentar o horário de trabalho, eliminar feriados, diminuir salários, forçar a precariedade laboral, facilitar os despedimentos e ao mesmo tempo aumentar os impostos, é a receita perfeita para se diminuir a natalidade, e não é necessário consultar nenhuma equipa de génios na matéria porque os portugueses foram muito rápidos a identificar as razões para não entrar em aventuras no campo da natalidade.


sábado, fevereiro 22, 2014

SONHO

Teria passado a vida 
atormentado e sozinho 
se os sonhos me não viessem 
mostrar qual é o caminho 

umas vezes são de noite 
outras em pleno de sol 
com relâmpagos saltados 
ou vagar de caracol 

quem os manda não sei eu 
se o nada que é tudo à vida 
ou se eu os finjo a mim mesmo 
para ser sem que decida. 


Agostinho da Silva


terça-feira, fevereiro 18, 2014

O NADA ABONADO

Aquilo que podia ser apenas um desabafo engraçado, se dito por um qualquer cidadão, transforma-se numa inconveniência quando saído da boca do primeiro-ministro de Portugal.

A frase: "a coisa mudou tanto, que o bacalhau já é quase uma coisa que só pode estar à mesa se gente um bocadinho mais abonada. E o primeiro-ministro não é nada abonado", acaba por ser quase um insulto, porque Passos Coelho é um privilegiado e ao fazer-se de vítima é gozar com a miséria, pois a grande maioria dos portugueses sentir-se-ia bastante cómodo com o seu salário.

Infelizmente há políticos da nossa praça, nas mais altas posições do Estado, que se "choram" respaldados em proventos que em nada comparam com os baixos salários ou a miseráveis pensões da esmagadora maioria dos eleitores.

Haja vergonha...  

Pataniscas

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

A IMAGEM DO PAÍS

Portugal é um país onde os índices de bem-estar têm sofrido uma descida continuada nos últimos anos em resultado das políticas implementadas, que tiveram maior incidência nos cortes dos rendimentos do trabalho, nos cortes nas regalias sociais, nos cortes nas pensões de reforma e no aumento de impostos que atingiram quase todos, mesmo os mais desprotegidos.

Quando ouvimos o primeiro-ministro falar de entendimentos cívicos para dar uma melhor imagem do país no exterior, pensamos logo que só pode estar a gozar a malta. Passos Coelho nunca cultivou uma postura de diálogo nem verdadeiramente procurou consensos com todos os parceiros sociais, como é público.

O primeiro-ministro faz bem em preocupar-se com a imagem do país, mas está redondamente enganado quanto ao que tem falhado nesta matéria. Os nossos emigrantes são respeitados e desejados em todo o mundo, e os turistas que nos visitam saem do país com uma boa imagem geral quer do país, quer do modo como os portugueses os recebem.


A má imagem do país resulta do modo desastroso como os políticos o têm gerido, mais preocupados com a manutenção do poder, com a preocupação de garantir o próprio futuro satisfazendo interesses que mais tarde lhes garantam futuros promissores e bem remunerados. A impunidade de que os maus governantes têm gozado não contribui para a credibilização da política e adensa as suspeitas de que nada mudará enquanto não existir a responsabilização de quem não coloca o interesse público à frente dos próprios interesses e de interesses particulares.  

domingo, fevereiro 16, 2014

JOGAR COM OS NÚMEROS

É bem conhecida a possibilidade de com dados estatísticos absolutamente correctos, se chegar a conclusões completamente erradas, bastando para tanto atribuir a razão de certos números a factores errados.

Portugal terá tido em 2013 um recuo do Produto Interno Bruto da ordem de 1,4%, segundo o INE, e só não se registou um número ainda pior devido ao aumento do consumo interno (conclusão da mesma instituição).

As conclusões são muito discutíveis e parecem ignorar a realidade de outros números do próprio INE. Sabe-se que para o governo e para os seus comentadores de serviço é útil esta conclusão, pois assim conseguem explicar o aumento da despesa do Estado, argumentando com o chumbo do Tribunal Constitucional do corte dos subsídios dos funcionários públicos, mas será que é uma explicação suficiente para o dito crescimento do consumo interno?

É óbvio que não porque o crescimento do consumo dentro de fronteiras foi muito superior ao que podia resultar do tal chumbo, conjugado com outros factores como o aumento das contribuições fiscais, e com a diminuição de postos de trabalho.

Existe uma explicação mais do que evidente, e que consta em números do INE que o governo até tem esgrimido com frequência, que é o aumento registado da actividade turística em 2013. Creio que o INE e o governo não têm entrado com esta variável para chegar às suas conclusões (erradas), por conveniência ou talvez por cegueira, querendo ver resultados que só existem nas suas mentes.

Falar em sinais inequívocos baseados em conclusões precipitadas e erradas, não é útil ao país nem convence os que cada vez mais estão desiludidos com os sucessivos governos deste pobre país. 


quinta-feira, fevereiro 13, 2014

RANCOR

"Perdoar é próprio de almas generosas; guardar rancor é próprio de criaturas duras e cruéis, de gente má e baixa."

Juan Vives


segunda-feira, fevereiro 10, 2014

PAULO PORTAS E AS PROMESSAS

No mesmo dia em que vejo o Paulo Portas a debitar, em Espanha, um discurso em francês, com um sotaque que os meus professores apelidavam de "cagão", li a notícia de que o mesmo Portas, anunciou a criação duma comissão para a revisão do IRS.

A proximidade de eleições faz milagres nos discursos dos nossos políticos, como se sabe, mas a sua palavra está "irrevogavelmente"ao nível de lixo, como a nossa economia. 

O que vale a palavra dos nossos governantes?

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Deixo-vos hoje com a imagem que tenho da nossa política fiscal, sobretudo a que incide sobre os rendimentos do trabalho.


sábado, fevereiro 08, 2014

MIRÓ E AS PATACOADAS

Não sou um especialista em pintura nem tão pouco um admirador da obra de Miró, mas conheço suficientemente bem o turismo cultural, bem como a aptidão dos portugueses para aderir a exposições bem concebidas e melhor publicitadas.

Ainda recentemente tivemos em Portugal exposições no Palácio da Ajuda e no Museu de Arte Antiga que registaram grande afluência de público, não só nacional como estrangeiro. Também é um facto que em 2013 o número de visitantes dos nossos museus, palácios e monumentos registaram subidas interessantes, e receitas também muito apreciáveis.

Há mercados turísticos que estão a apresentar crescimentos consistentes, como os países do Leste europeu, a China, o Brasil, com um interesse bastante acentuado na vertente do turismo cultural, e o país pode competir em património edificado, em património paisagístico, mas está bastante limitado na oferta de exposições de arte com impacto significativo, onde outros países europeus nos batem aos pontos.

Não temos falta de obras de arte para fazer exposições de nível internacional, mas desprezamos obras que são do Estado, como os Mirós, e outras que resultam de falências de outras entidades e que por isso caíram na posse do Estado português.

Não sei se o Estado podia ficar com todas estas obras, ou se saberia sequer rentabilizar esse património, mas não é admissível que o não possamos sequer desfrutar em exposições que as valorizariam, que não seja pensada a sua rentabilização em solo português, ou em permuta com instituições estrangeiras. A pressa em vender por atacado é disparatada e os mercados perante tal desespero demonstrado só podem reagir com ofertas muito abaixo do valor real das obras.


Para finalizar apenas mais uma deixa, este governo nunca irá gastar um cêntimo do dinheiro da venda destas colecções na beneficiação de museus ou monumentos nacionais, porque o dinheiro irá direitinho para a CGD e portanto para a actividade bancária.


quinta-feira, fevereiro 06, 2014

IMPORTAÇÃO INTELIGENTE

As últimas notícias da caserna informam que Putin já conseguiu convencer Passos Coelho a comprar as moderníssimas casas de banho com duas sanitas, que os jornalistas internacionais tanto ridicularizaram.

Talvez o leitor se esteja a questionar da oportunidade desta compra, ou mesmo da sua utilidade, mas isso só demonstra a sua desatenção pois já devia ter entendido que se regista neste momento uma retoma, caracterizada por um aumento da porcaria gerada pela má governação nacional.

Para situações de emergência e de grande aflição, nada como um WC com duas sanitas….

 
Grandes aflições, grandes remédios

terça-feira, fevereiro 04, 2014

SIMPLESMENTE CARICATO

Tudo na novela BPN correu mal para os contribuintes deste país, não só quando se decidiu nacionalizar aquela desgraça, mas também depois na administração do banco e na sua venda por um punhado de euros. A certa altura ficou-se com a impressão de que o sorvedouro de dinheiro tinha acabado, mas o caso da venda da colecção de quadros de Miró veio alertar para a continuação da sangria de dinheiros públicos.

Não bastava o modo desastrado como tem sido gerida a situação criada pela nacionalização do BPN, e temos agora outra trapalhada com 85 obras de Miró, que pertenciam anterior mente ao BPN e que o Estado português colocou à venda em Londres.

O irrelevante Barreto Xavier disse coisas que um secretário de Estado da Cultura nunca deveria sequer pronunciar, como “não é prioridade do Estado português”, a colecção Miró, ou que a culpa da não inventariação da colecção é do governo de Sócrates, ou pior ainda, que os quadros não pertenciam ao Estado, pois eram propriedade de duas entidades gestoras.

Barreto Xavier viria a colocar a cereja no topo do bolo (dos disparates), ao afirmar que “se quisermos ficar com as obras alguém vai ter que as pagar”, quando todos sabemos que os portugueses já pagaram, e bem caro, todo este caso BPN, e ainda continuamos a pagar como se soube pelo recente relatório da UTAU.


Tanta incompetência e tanta falta de respeito pelo Património que era sua obrigação proteger e rentabilizar, Barreto Xavier e Passos Coelho que é oficialmente tem a seu cargo a Cultura, deviam demitir-se, mas isso só acontece com pessoas com princípios, Cultura, e sentido de serviço público. 


domingo, fevereiro 02, 2014

CENTENÁRIO

Passam hoje 100 anos sobre o lançamento do 1º filme de Charlie Chaplin o comediante que preencheu muitas matínés e soirées da minha infância. Existem pormenores interessantes desta estreia começando pelo seu bigodinho que ainda não tinha a sua forma definitiva, o chapéu e os seus sapatos. 

sexta-feira, janeiro 31, 2014

PURA HIPOCRISIA POLÍTICA

É confrangedor ouvir um ministro dizer que “é importante criarmos as condições para que quem saia o faça por vontade e não por necessidade”, ao mesmo tempo que o mesmo governo pretende “densificar” critérios de despedimento sem justa causa.

Poiares Maduro pode ser muito bom, ou julgar que o é, na gestão da comunicação do governo, mas não passa dum propagandista barato da banha da cobra que chega mesmo a ofender quem tem dois dedos de testa.


A agenda governamental está bem clara para todos, e visa facilitar os despedimentos, precarizar o emprego e baixar os salários. Não tem legitimidade para o fazer, pois prejudica muitos para benefício de poucos, por muito que hajam Maduros a fazer propaganda enganosa… 

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Poster de Propaganda

quarta-feira, janeiro 29, 2014

A MÚSICA E O IDEALISMO

Depois da morte recente de Pete Seeger, voltou a falar-se da validade de ser usada a música como arma política, ou da sua simples inutilidade. Para mim discutia-se se valia a pena ser idealista, ou se quiserem, se as utopias estão sempre condenadas ao fracasso.

Num país onde o fado é considerado a canção nacional, muitos gostariam que os idealismos e as utopias se vergassem ao destino, e que não houvesse resistência ao que os mais fortes pretendem impor, mas nem todos aceitam isso.

A música tem marcado as diversas épocas, as tendências do pensamento e até as mudanças políticas, e podia falar do Léo Ferré, do Zeca Afonso, do Live Aid, do Woostock e de muitos outros eventos e cantores que a História registará para sempre.

Pela música e pela mensagem nela contida consegue-se mobilizar, alertar e passa-se a mensagem e isso é algo que não se pode tentar menorizar.

Pete Seeger ficará para sempre na memória de quem seguiu a sua obra, bem ao contrário de muitos que desvalorizam o poder da música como arma política.    

terça-feira, janeiro 28, 2014

FRASE DO DIA

Não poderá a velhice chegar tão depressa que não tenhamos de fazer meio caminho para ir ao seu encontro? De resto, o que é que nos faz velhos? Não é a idade, são as doenças.


Alexandre Dumas


sábado, janeiro 25, 2014

ASSALTO AOS CIDADÃOS

O governo canta vitória por ter alcançado a meta do défice para 2013, parecendo estar-se borrifando para os cidadãos que contribuíram para além das suas possibilidades, através de impostos directos como o IRS e através dos indirectos como o IVA.

A recuperação económica atribuída às empresas é na realidade conseguida com o trabalho dos cidadãos, e sobretudo com os impostos sobre o trabalho que aumentaram para além de tudo o que é razoável. A despesa pública aumentou e não foi por causa dos subsídios que o governo não conseguiu cortar, mas sim por causa do desemprego galopante, resultado das políticas seguidas.


Para o governo parece não existirem limites para os cortes, mas pode ser que acabe por perceber pela pior forma quando é que os cidadãos decidem colocar um fim a tantos desmandos, dando um grande pontapé nos traseiros de políticos que se esqueceram de que deviam servir o povo, e não apenas uns quantos.

Para que conste, esta semana a bolsa portuguesa caiu durante as 5 sessões e os juros da dívida nos mercados subiu em toda as maturidades, o que abona pouco o discurso do governo...  


Devido à minha óptima memória sobre um passado ainda recente, porque já tenho uma provecta idade, resolvi representar o assalto à nossa bolsa usando uma música com um título sugestivo, cantada por umas moças que se lembram também desse passado, em que os palermas eram tratados por palermas, mesmo com "orelhas" ou basófias de "beto"...

quinta-feira, janeiro 23, 2014

CAVACO OFENDIDO

Cavaco Silva pediu expressamente ao Ministério Público, por escrito, que mantivesse o “procedimento criminal” contra o cidadão que o terá ofendido nas cerimónias do 10 de Junho, em Elvas.

Ao considerar as palavras proferidas pelo cidadão Carlos Costal como “ofensivas da honra e dignidadepessoais”, o Presidente, mostrou uma determinação neste caso, bastante diversa da tida em outros casos que envolveram declarações de outros cidadãos, igualmente ofensivas.

É estranho que a Casa Civil da Presidência tenha informado há pouco tempo que “o processo instaurado foi da exclusiva iniciativa do Ministério Público” e que Cavaco não teria apresentado “qualquer queixa”.

Todos os políticos sabem que estão sempre sujeitos a que haja quem com eles discorde e que o manifeste com palavras pouco agradáveis, como acontece com os árbitros, com os polícias, com os jogadores de futebol, etc.


A superioridade que se espera de quem ocupa lugares de topo na política nacional não é visível nesta situação, mas as acções são para quem as pratica!

terça-feira, janeiro 21, 2014

A DESIGUALDADE

O capitalismo selvagem que tem imperado um pouco por todo o mundo tem encontrado terreno propício para singrar, dominando não só o poder económico mas também o poder político que tudo tem feito para defender as grandes fortunas.

Sabe-se que o grupo dos 1% mais ricos do mundo detém 84 biliões de euros e controla mais de metade do património mundial, o que se traduz num nível extremo de concentração de riqueza que ameaça excluir centenas de milhões de pessoas de oportunidades de desenvolvimento.


Portugal é na Europa o país com maiores desigualdades e a crise tem sido um pretexto para políticas que tornam os ricos cada vez mais ricos e os pobres ainda mais pobres. A agenda deste governo é mais do que evidente e se não os fizermos cair, o país e os portugueses vão conhecer dias cada vez mais negros, até à miséria total.


domingo, janeiro 19, 2014

SEMANA DESGRAÇADA DA MAIORIA

A semana que passou foi fértil em asneiras por parte de políticos ligados às juventudes partidárias da coligação governamental.
O CDS deu o seu contributo com a proposta de redução da escolaridade obrigatória e a do PSD, talvez por se sentir ultrapassada pela congénere, atacou com o referendo à coadopção.
Em boa verdade também os mais velhos dos partidos da maioria deram nas vistas, obviamente por maus motivos, pois não souberam o que fazer com a sua consciência quando confrontados com a disciplina de voto, que lhes foi imposta.
São jovens e adultos com estas características que nos (des)governam, pelo que não admira que estejamos tão mal. Se o povo não colocar um ponto final nesta situação, correndo com eles dos lugares do poder, o descalabro pode ser ainda pior...


sábado, janeiro 11, 2014

SERVIÇO PÚBLICO

Ser governante ou ocupar um alto cargo em instituições públicas devia ser encarado como uma prestação de serviço público, onde em primeiro lugar está sempre o interesse dos cidadãos e não os interesses de alguns ou os interesses próprios.

A actividade política em Portugal, tem sido encarada por parte dos cidadãos como uma actividade onde proliferam indivíduos oportunistas, preenchida por pessoas que defendem os grandes interesses e que são capazes de enganar os eleitores para se alcandorarem no poder.

Infelizmente as coisas são mesmo assim, e é pena que apesar das evidências ainda tenhamos tantos portugueses que se deixam enganar sistematicamente, e muitos outros que tenham desistido de alterar as coisas, abstendo-se de votar e de ter participação cívica.

Nos últimos dias as notícias foram notícia diversos políticos do passado bem recente, em que o governo se submeteu a políticas ditadas por credores e instituições externas, sobrecarregando grande parte dos cidadãos com impostos e cortes salariais e de direitos sociais, que estão em vias de entrar para lugares de relevo nas ditas instituições externas.


Sabemos quais as posições defendidas por estes políticos, sempre alinhadas com a troika, e os processos em que estiveram envolvidos, como as privatizações ou as ajudas aos bancos, e vê-los recrutados agora por instituições de algum modo relacionadas com a sua acção, faz-nos pensar sobre os interesses em causa durante os seus mandatos em funções públicas… 

quinta-feira, janeiro 09, 2014

UM SER REVOLTANTE E FALSO

Quanta felicidade dá a grata suavidade das coisas! Como a vida é cintilante e de bela aparência! São as grandes falsificações, as grandes interpretações que sempre nos têm elevado acima da satisfação animal, até chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo lógico, a ruminação do espírito que se contempla ao espelho, a dissecação dos instintos? 



Suponde vós que tudo era reduzido a fórmulas e que a vossa crença era confinada à apreciação de graus de verosimilhança, e que vos era insuportável viver com tais premissas... que fazíeis vós? Ser-vos-ia possível viver com tão má consciência? 




No dia em que o homem sentir como falsidade revoltante a crença na bondade, na justiça e na verdade escondida das coisas, como se ajuizará ele a si mesmo, sendo como é parte fragmentária deste mundo? Como um ser revoltante e falso? 

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'



terça-feira, janeiro 07, 2014

TIVEMOS SORTE

Os portugueses já se habituaram a ser acusados pelos alemães, e sobretudo pela senhora Merkel, de tudo quanto é mau, seja por falta de produtividade, de qualidade ou de juízo quanto a gastos, mesmo quando a Alemanha acaba por lucrar com os nossos problemas.

Acontece que a senhora Merkel agora não nos pode acusar de nada, no que toca à sua queda recente, enquanto esquiava nos Alpes suíços.

Soube-se que a culpa até pode ser da própria chanceler, por ter usado uns esquis com 25 anos, fabricados na antiga RDA. Afinal a senhora tanto poupou que acabou por usar material em más condições, que podem ter sido a causa do acidente, e felizmente sem a intervenção de nenhum “tuga".


Olhem só se os esquis fossem made in Portugal… 
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Livro Interessante


sexta-feira, janeiro 03, 2014

COM TODAS AS LETRAS

Tinha o ano começado tão bem mas logo vieram os do costume estragar o dia dos muitos que ainda fazem por levar este país para a frente.

Primeiro foi Cavaco que deve julgar que nos esquecemos do que o próprio disse sobre os limites dos sacrifícios em anos transactos, publicando sem dúvidas nenhumas um orçamento ainda mais restritivo e penalizador sempre dos mesmos.

Não bastava um, porque logo de seguida veio um ministro anunciar novos cortes para funcionários públicos e aposentados, bem como o aumento dos descontos para a ADSE, como se o que se paga não fosse já suficiente.

Confesso que devo ter usado todos as asneiras conhecidas e todas as letras do abcedário para "elogiar" aqueles incompetentes que nos desgovernam...

       

quarta-feira, janeiro 01, 2014

COMEÇO DE 2014

Nada como começar bem o ano com boa música e uma pintura com cores quentes dum pintor russo com o título de Valsa...