quarta-feira, abril 02, 2014

A FALSA INDIGNAÇÃO



Quando surgiu o Manifesto dos 70 sobre a necessidade de reestruturação da dívida pública foi confrangedor ver a reacção dos governantes e da sua claque de apoio, que só faltou chamar de traidores os signatários do documento.

O contexto em que surgiu o manifesto talvez possa explicar, de certa maneira, ao comportamento destemperado de quem se opunha à reestruturação da dívida, pois o que se dizia então era que esta não era possível de pagar.

Começando pelo princípio, a dívida com os juros ao nível que estão é mesmo impossível de pagar. Segundo, os credores são os mais interessados em que nós a possamos pagar, por isso sabem bem que ou aliviam parte dos encargos ou ficam a ver navios.

Já sei que vão dizer que se não pagarmos as nossas dívidas ficamos sem crédito e isso nos é muito prejudicial, mas isso não implica que procuremos condições que nos permitam crescer para serem satisfeitas as nossas dívidas.

A reestruturação de dívidas é um processo corrente, ao qual nós até já recorremos, e os nossos credores, que também são nossos fornecedores, sabem bem que se os mercados se contraírem, as suas exportações ficam comprometidas, bem como as suas economias.

Note-se que não é apenas Portugal que tem uma dívida pública muito elevada, e que há mais países nessa situação, com mercados muito maiores do que o nosso, e se este tipo de políticas recessivas continuar, também eles atravessarão grandes dificuldades, e aí teremos uma crise mundial, que é o que todos já temem neste momento.

Podem rasgar as vestes os que temem falar em reestruturação da dívida, mas que ela terá de ser feita a curto ou médio prazo, disso não haja a menor dúvida, e quanto mais tardia for, pior para todos, devedores ou credores.   



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domingo, março 30, 2014

ABRIL A CAMINHO

Vou tirar uma semana de férias mas atendendo à situação nacional e ao calendário, deixo-vos aqui músicas que marcaram o mês de Abril...


A música foi, e é, uma arma que já fez cair governos e a ameaça os que ignoram o pulsar do país real do qual está divorciado.

sexta-feira, março 28, 2014

ASNEIRAS RUIDOSAS

Os jogos políticos são por vezes complicados, além de pouco claros, e por vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro, como aconteceu com o caso recente da possibilidade de novo corte nas pensões e nos salários da função pública.

Se foi um isco para ver as reacções, sem se comprometerem, ou se foi apenas um lapso de alguém que acabou por descobrir a careca de governantes que dizem uma coisa e fazem outra, é coisa que pouco importa, já que o que conta são as intenções.

Claro que para os comprometidos tratou-se apenas de ruído, para os defensores oficiais foi manipulação noticiosa e para os mais avisados foi um erro, mas a verdade é só uma: o grupo de trabalho escolhido pelo governo colocou esta hipótese e um membro do governo divulgou-a antes da decisão, pelo que é improvável que o assunto não tenha estado sobre a mesa ou que fosse desconhecido dos governantes.


Dentro de pouco tempo veremos se a saída da troika vai ser um uma nova restauração da nossa independência, como disse Portas, ou será apenas a continuação do pesadelo da colonização económica e política destes pobre país.   

quarta-feira, março 26, 2014

CERTAS PALAVRAS

Certas palavras não podem ser ditas 
em qualquer lugar e hora qualquer. 
Estritamente reservadas 
para companheiros de confiança, 
devem ser sacralmente pronunciadas 
em tom muito especial 
lá onde a polícia dos adultos 
não adivinha nem alcança. 

Entretanto são palavras simples: 
definem 
partes do corpo, movimentos, actos 
do viver que só os grandes se permitem 
e a nós é defendido por sentença 
dos séculos. 

E tudo é proibido. Então, falamos. 


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, março 25, 2014

CADA VEZ MAIS POBRES EM PORTUGAL

Já todos o sentíamos mas agora é oficial que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres aumentou, e também que há cada vez mais lares onde o peixe e a carne já quase não entram por causa das dificuldades económicas.

Há muito tempo já, temos que mesmo os que têm emprego ou auferem pensões sentem grandes dificuldades em sobreviver com os salários e pensões que auferem, não ignorando obviamente os mais desprotegidos que são os desempregados e destes os que já não recebem qualquer subsídio.

Segundo os dados do INE, em Portugal quase metade da população está em risco de pobreza, e que com os anunciados cortes nas despesas sociais este número irá certamente aumentar.

Passos Coelho continua a falar em cortes e desafia os que são contra a sua política a presentarem alternativas, só que parece surdo às alternativas que lhe são sugeridas. Todos sabemos que é fácil cortar em salários, pensões e prestações sociais, que tem sido o caminho trilhado, mas também se sabe quem beneficia de incentivos fiscais, de rendas excessivas, de impostos ridículos sobre lucros fabulosos e até de isenções fiscais.


Não há maior surdo do que aquele que não quer ouvir, mas também tantas vezes o cântaro vai até à fonte que um dia se quebra… 

domingo, março 23, 2014

NÃO ME COMPROMETAM

Apesar de ter uma opinião feita sobre Passos Coelho e companhia sigo com atenção, ainda que algum enjoo, os seus discursos e outras intervenções políticas, tudo porque não gosto de criticar sem conhecimento de causa.

Nos últimos dias o 1º ministro teve pelo menos duas intervenções que dizem muito sobre a hipocrisia do seu discurso mesmo quando fala de assuntos que afectam a grande maioria dos cidadãos.

Primeiro falou da comissão para a reforma do IRS e ficou-se a saber que a dita comissão não se compromete com a baixa desse imposto que afecta especialmente os rendimentos do trabalho e/ou das pessoas singulares.

Poucos dias depois, o mesmo Passos Coelho veio lembrar que a discussão sobre o salário mínimo está prevista mas que não se compromete com o seu aumento.

É difícil entender que se criem comissões para reformar um imposto e esse não se torne mais justo, e é impensável suscitar-se a discussão pública sobre o salário mínimo e não se estar disposto a aumentá-lo.


Um político que ocupa a chefia do governo não pode estar a criar falsas esperanças abrindo discussões sobre assuntos desta natureza e depois vir dizer que não se compromete com nada. A verdadeira política é um comprometimento com o interesse público e um político que o ignora não merece o lugar que ocupa. 

sexta-feira, março 21, 2014

QUE DIA CHATO

Hoje pode dizer-se que tive um dia mau. Acordei cedo e sem grande vontade de ir trabalhar. O tempo estava cinzento e o frio parecia estar de volta.

Chegado ao serviço senti-me esquisito, as palavras ditas por colegas soavam-me nos ouvidos como sussurros vindos de muito longe, e contudo esforcei-me por não me mostrar ausente. As tarefas que me aguardavam eram burocráticas e aborrecidas. O telefone tocou várias vezes mas eram apenas pedidos de emprego, coisa que não abunda.

O almoço foi no lugar do costume e nem estava muito bom, ou pelo menos assim me pareceu. Abri o jornal enquanto esperava pelo café e as notícias eram mais do mesmo.

A tarde correu tão monótona como a manhã e a chegadas da hora da saída foi uma pequena alegria. Saio depois das despedidas e apanho a chuva miudinha...

Que dia aborrecido! Vale-me o sofá e o YouTube para descontrair enquanto vejo uma curta do Chaplin que tem o condão de me arrancar o primeiro sorriso do dia...  

quinta-feira, março 20, 2014

A IRRELEVÂNCIA

Passos Coelho “atirou para consumo doméstico” que o encontro que teve com Merkel foi um “acto de grande soberania”, mas não convenceu ninguém.

Foi bastante claro pelas palavras de Cavaco Silva que Portugal não risca nada no conjunto da Europa nas decisões para o seu próprio futuro. A Alemanha decidirá se a nossa saída do programa de assistência será limpa ou não, e tal como aconteceu com a Irlanda, o mais certo é ser mesmo uma saída limpa porque isso é mais fácil de “vender” aos alemães.

É certo que há possibilidade de haver um programa de assistência, mas só com uma submissão ainda maior e por um período bastante alargado de tempo.


A Europa sabe muito bem que se a Grécia cair, ou se Portugal cair, o que estará em causa será o euro e isso não convém aos países do norte, mas não há coragem para assumir uma posição, assim espera-se que a França e a Itália entrem em dificuldades, para então se tornar inevitável uma nova política económica e monetária que evite a queda do euro.

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Humor


segunda-feira, março 17, 2014

ARTE PERFORMATIVA

Sinceramente, a política nacional enoja-me cada vez mais e começo a considerar que o discurso do poder não passa de um vómito.

Aquilo que para muitos de nós são vómitos para outros serão “arte performativa”, como diria Lady Gaga.

Ao contrário da excêntrica cantora, para mim o vómito não passa de algo nojento, que nos deve incomodar.


Eu não votei em quem está no poder, mas acho que alguns masoquistas o fizeram, e esses sim, estão a permitir que os políticos que nos (des)governam pratiquem essa” arte performativa” e lhes vomitem na cara…

AVISO
Não veja este vídeo se tem um estômago fraco...

quinta-feira, março 13, 2014

OS TEMPORÁRIOS DEFINITIVOS



Passos Coelho vai deixando cair a máscara, e já vai confirmando que os cortes temporários que o seu governo tinha anunciado e que só por serem temporários receberam a aprovação do Tribunal Constitucional, afinal são “para o futuro, não para todo o sempre”, mas com um horizonte de pelo menos 20 anos.

É difícil de engolir que os cortes constantes num Orçamento de Estado, com a palavra de que eram provisórios e irrepetíveis, se possam vir a eternizar pelo menos durante 20 anos. Estou em crer que o TC terá de tomar medidas contra este governo pois as suas recomendações foram simplesmente ignoradas e as promessas não passaram disso mesmo.

O malabarismo com as palavras não muda em nada a opinião da maioria dos portugueses, para quem as promessas deste governo nada valem. Sempre ouvi dizer que é mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo…


quarta-feira, março 12, 2014

CARREIRISMOS

Porque há quem chegue à vida política sem nunca ter passado pelo mercado de trabalho e acabe por chegar a altos cargos do Estado, lembrei-me deste vídeo que alguém me sugeriu há algum tempo.

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A Engomadeira de Almada Negreiros

segunda-feira, março 10, 2014

A JUSTIÇA PORTUGUESA

A Justiça volta a ficar muito mal na fotografia e o Banco de Portugal acompanha a má figura por também ter responsabilidades neste caso.

Para os comentadores da nossa praça, especialmente os das nossas televisões privadas, afinal a reestruturação da Justiça que eles tanto celebraram, não trouxe nada de novo.

Tudo como dantes no quartel de Abrantes...
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sábado, março 08, 2014

A RUA PODE SER A ÚNICA SOLUÇÃO

O descontentamento dos portugueses é mais do que notório e justificado, contudo a sua voz parece não chegar aos ouvidos do poder político, excepto quando existem grandes manifestações populares.

O caso da manifestação das forças de segurança é o exemplo perfeito da falta consideração do poder perante o descontentamento que é comum a todos os sectores da população.


Os sucessivos cortes nos salários e pensões e nos direitos sociais estão a empobrecer quem vive do seu trabalho ou das suas pensões, tendo sido atingido um nível que já é insuportável, e se as coisas não pararem por aqui e o governo não mudar a sua estratégia, a solução que nos resta é a de fazer cair o poder nas ruas, porque todos os outros caminhos já se mostraram ineficazes.

Quando a Democracia é incapaz de oferecer soluções que satisfaçam o povo a Revolução é a única via possível para fazer com que a vontade popular prevaleça. 


quinta-feira, março 06, 2014

A LEI DA SELVA

Quando parece impossível ver este governo descer mais na sua obrigação de defender os cidadãos das arbitrariedades de quem tem uma posição dominante, numa questão como o emprego, eis que eles conseguem surpreender-nos.

O Ministério da Solidariedade Emprego e Segurança Social, reparem bem na sua designação oficial, dirigido por Pedro Mota Soares, aquele rapaz que andava de lambreta, veio admitir em comunicado que quer reduzir as indemnizações por despedimento sem justa causa, aproximando-o das compensações pagas por despedimentos dentro da lei.

É perfeitamente ridículo transformar o que é ilegal ao que o é, sobretudo quando estamos a falar de emprego numa altura em que o desemprego é uma praga com números perfeitamente insustentável. Eu diria que é ainda mais ridículo que quem tem por obrigação defender os mais fracos numa relação contratual, o Estado, opte por beneficiar a parte mais forte dessa relação, o patronato.


No que respeita às leis laborais e à protecção dos direitos laborais estamos ao nível da lei da selva, em que o legal e o ilegal estão ao mesmo nível, e onde a norma é a desregulação completa dos direitos de quem trabalha em favor do livre arbítrio dos patrões.

terça-feira, março 04, 2014

ANEDOTAS POLÍTICAS

Os políticos portugueses não são conhecidos pelo seu sentido de humor, pelo contrário, mas de quando em vez lá dizem coisas que até nos fazem rir.

Bem sei que muitos pensam que é difícil encontrar alguma graça no que os políticos dizem, mas é tudo uma questão de sentido de humor, ou de atenção.

O ministro da economia, quando lhe foi perguntado se estava a calçar produto nacional, perante um auditório português, respondeu que caçava às vezes, que tinha dias, mas na altura não calçava português. Este é o nosso ministro da Economia e tudo se passou na maior feira do calçado a decorrer em Milão.

Outra piada, esta de muito mau gosto, foi a da notícia de que o governo pretende integrar desempregados na função pública, especialmente jovens e desempregados de longa duração, segundo um eixo prioritário de apoiar a criação de emprego através de instrumentos orientados para a integração no mercado de trabalho. Diga-se que este mesmo governo esteve e ainda está a patrocinar a saída de funcionários públicos com o recurso a indemnizações.


Para os nossos governantes, que não deram sequer a tolerância de ponto nesta terça-feira de Carnaval, o mercado de trabalho e a economia são temas carnavalescos com os quais fazem piadas de péssimo gosto, gozando com quem trabalha e com quem está desempregado sem qualquer vergonha na cara.


domingo, março 02, 2014

CARNAVAL

Este Carnaval parece ter sido amaldiçoado no que respeita a condições atmosféricas, e atendendo às posições tomadas por Passos Coelho, já se fala de que ele terá feito algum acordo com o S. Pedro para este manter o mau tempo. Eu fico curioso em saber a reacção do ministro da Economia, porque a verdade é foi investido muito dinheiro nos festejos carnavalescos e se a quadra for um fiasco, a economia local vai ressentir-se, o que nesta ocasião é muito mau...
Coelhadrão

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

TRAMPOLINEIROS

Nos últimos anos temos visto alguns dos políticos que passaram pelo poder passarem para altos cargos em empresas que foram privatizadas, em empresas que têm posições dominantes no mercado, em empresas que fazem grandes negócios com o Estado, e até em instituições internacionais que têm “forçado” alguma da austeridade que nos foi imposta.

Há quem diga que é pela competência que se alcançam aquelas posições, mas também há quem diga que lugares daquela natureza se conseguem com alguns favores ou com obediência cega ao futuro patrão.

Vítor Gaspar é o último exemplo do que foi dito, e se todos se lembram ele também é dos que não gosta de ser chamado político, mesmo tendo passado pelas Finanças, onde foi o bom aluno da troika apesar da sua relutância em o aceitar.


É um facto que não se pode negar, que os políticos que passam pelo governo conseguem alcandorar-se a cargos muitobem remunerados, e que está por provar que seja exclusivamente pela sua competência, porque esta não transparece do seu desempenho em cargos governativos.


quarta-feira, fevereiro 26, 2014

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

DISCUTIR NATALIDADE

Sempre que acontecem grandes reuniões partidárias, como actualmente, os políticos fazem de tudo para dar nas vistas e para marcar os noticiários.

O Marcelo foi ao encontro, o Santana também, foram anunciados os candidatos europeus, tudo para marcar a agenda noticiosa e para ficar um passo à frente dos possíveis adversários na corrida aos postos mais apetecíveis.

A notícia mais curiosa foi dada por Passos Coelho quando anunciou uma equipa multidisciplinar para tratar do problema da natalidade.

Podia fazer humor com a iniciativa aconselhando a oferta do Kama Sutra ilustrado a todos os portugueses com mais de 18 anos, ou a proibição absoluta de venda de preservativos, mas nem vale a pena.


É muito mais efectivo lembrar o primeiro-ministro que medidas como aumentar o horário de trabalho, eliminar feriados, diminuir salários, forçar a precariedade laboral, facilitar os despedimentos e ao mesmo tempo aumentar os impostos, é a receita perfeita para se diminuir a natalidade, e não é necessário consultar nenhuma equipa de génios na matéria porque os portugueses foram muito rápidos a identificar as razões para não entrar em aventuras no campo da natalidade.


sábado, fevereiro 22, 2014

SONHO

Teria passado a vida 
atormentado e sozinho 
se os sonhos me não viessem 
mostrar qual é o caminho 

umas vezes são de noite 
outras em pleno de sol 
com relâmpagos saltados 
ou vagar de caracol 

quem os manda não sei eu 
se o nada que é tudo à vida 
ou se eu os finjo a mim mesmo 
para ser sem que decida. 


Agostinho da Silva


terça-feira, fevereiro 18, 2014

O NADA ABONADO

Aquilo que podia ser apenas um desabafo engraçado, se dito por um qualquer cidadão, transforma-se numa inconveniência quando saído da boca do primeiro-ministro de Portugal.

A frase: "a coisa mudou tanto, que o bacalhau já é quase uma coisa que só pode estar à mesa se gente um bocadinho mais abonada. E o primeiro-ministro não é nada abonado", acaba por ser quase um insulto, porque Passos Coelho é um privilegiado e ao fazer-se de vítima é gozar com a miséria, pois a grande maioria dos portugueses sentir-se-ia bastante cómodo com o seu salário.

Infelizmente há políticos da nossa praça, nas mais altas posições do Estado, que se "choram" respaldados em proventos que em nada comparam com os baixos salários ou a miseráveis pensões da esmagadora maioria dos eleitores.

Haja vergonha...  

Pataniscas

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

A IMAGEM DO PAÍS

Portugal é um país onde os índices de bem-estar têm sofrido uma descida continuada nos últimos anos em resultado das políticas implementadas, que tiveram maior incidência nos cortes dos rendimentos do trabalho, nos cortes nas regalias sociais, nos cortes nas pensões de reforma e no aumento de impostos que atingiram quase todos, mesmo os mais desprotegidos.

Quando ouvimos o primeiro-ministro falar de entendimentos cívicos para dar uma melhor imagem do país no exterior, pensamos logo que só pode estar a gozar a malta. Passos Coelho nunca cultivou uma postura de diálogo nem verdadeiramente procurou consensos com todos os parceiros sociais, como é público.

O primeiro-ministro faz bem em preocupar-se com a imagem do país, mas está redondamente enganado quanto ao que tem falhado nesta matéria. Os nossos emigrantes são respeitados e desejados em todo o mundo, e os turistas que nos visitam saem do país com uma boa imagem geral quer do país, quer do modo como os portugueses os recebem.


A má imagem do país resulta do modo desastroso como os políticos o têm gerido, mais preocupados com a manutenção do poder, com a preocupação de garantir o próprio futuro satisfazendo interesses que mais tarde lhes garantam futuros promissores e bem remunerados. A impunidade de que os maus governantes têm gozado não contribui para a credibilização da política e adensa as suspeitas de que nada mudará enquanto não existir a responsabilização de quem não coloca o interesse público à frente dos próprios interesses e de interesses particulares.  

domingo, fevereiro 16, 2014

JOGAR COM OS NÚMEROS

É bem conhecida a possibilidade de com dados estatísticos absolutamente correctos, se chegar a conclusões completamente erradas, bastando para tanto atribuir a razão de certos números a factores errados.

Portugal terá tido em 2013 um recuo do Produto Interno Bruto da ordem de 1,4%, segundo o INE, e só não se registou um número ainda pior devido ao aumento do consumo interno (conclusão da mesma instituição).

As conclusões são muito discutíveis e parecem ignorar a realidade de outros números do próprio INE. Sabe-se que para o governo e para os seus comentadores de serviço é útil esta conclusão, pois assim conseguem explicar o aumento da despesa do Estado, argumentando com o chumbo do Tribunal Constitucional do corte dos subsídios dos funcionários públicos, mas será que é uma explicação suficiente para o dito crescimento do consumo interno?

É óbvio que não porque o crescimento do consumo dentro de fronteiras foi muito superior ao que podia resultar do tal chumbo, conjugado com outros factores como o aumento das contribuições fiscais, e com a diminuição de postos de trabalho.

Existe uma explicação mais do que evidente, e que consta em números do INE que o governo até tem esgrimido com frequência, que é o aumento registado da actividade turística em 2013. Creio que o INE e o governo não têm entrado com esta variável para chegar às suas conclusões (erradas), por conveniência ou talvez por cegueira, querendo ver resultados que só existem nas suas mentes.

Falar em sinais inequívocos baseados em conclusões precipitadas e erradas, não é útil ao país nem convence os que cada vez mais estão desiludidos com os sucessivos governos deste pobre país. 


quinta-feira, fevereiro 13, 2014

RANCOR

"Perdoar é próprio de almas generosas; guardar rancor é próprio de criaturas duras e cruéis, de gente má e baixa."

Juan Vives


segunda-feira, fevereiro 10, 2014

PAULO PORTAS E AS PROMESSAS

No mesmo dia em que vejo o Paulo Portas a debitar, em Espanha, um discurso em francês, com um sotaque que os meus professores apelidavam de "cagão", li a notícia de que o mesmo Portas, anunciou a criação duma comissão para a revisão do IRS.

A proximidade de eleições faz milagres nos discursos dos nossos políticos, como se sabe, mas a sua palavra está "irrevogavelmente"ao nível de lixo, como a nossa economia. 

O que vale a palavra dos nossos governantes?

-*-

Deixo-vos hoje com a imagem que tenho da nossa política fiscal, sobretudo a que incide sobre os rendimentos do trabalho.


sábado, fevereiro 08, 2014

MIRÓ E AS PATACOADAS

Não sou um especialista em pintura nem tão pouco um admirador da obra de Miró, mas conheço suficientemente bem o turismo cultural, bem como a aptidão dos portugueses para aderir a exposições bem concebidas e melhor publicitadas.

Ainda recentemente tivemos em Portugal exposições no Palácio da Ajuda e no Museu de Arte Antiga que registaram grande afluência de público, não só nacional como estrangeiro. Também é um facto que em 2013 o número de visitantes dos nossos museus, palácios e monumentos registaram subidas interessantes, e receitas também muito apreciáveis.

Há mercados turísticos que estão a apresentar crescimentos consistentes, como os países do Leste europeu, a China, o Brasil, com um interesse bastante acentuado na vertente do turismo cultural, e o país pode competir em património edificado, em património paisagístico, mas está bastante limitado na oferta de exposições de arte com impacto significativo, onde outros países europeus nos batem aos pontos.

Não temos falta de obras de arte para fazer exposições de nível internacional, mas desprezamos obras que são do Estado, como os Mirós, e outras que resultam de falências de outras entidades e que por isso caíram na posse do Estado português.

Não sei se o Estado podia ficar com todas estas obras, ou se saberia sequer rentabilizar esse património, mas não é admissível que o não possamos sequer desfrutar em exposições que as valorizariam, que não seja pensada a sua rentabilização em solo português, ou em permuta com instituições estrangeiras. A pressa em vender por atacado é disparatada e os mercados perante tal desespero demonstrado só podem reagir com ofertas muito abaixo do valor real das obras.


Para finalizar apenas mais uma deixa, este governo nunca irá gastar um cêntimo do dinheiro da venda destas colecções na beneficiação de museus ou monumentos nacionais, porque o dinheiro irá direitinho para a CGD e portanto para a actividade bancária.


quinta-feira, fevereiro 06, 2014

IMPORTAÇÃO INTELIGENTE

As últimas notícias da caserna informam que Putin já conseguiu convencer Passos Coelho a comprar as moderníssimas casas de banho com duas sanitas, que os jornalistas internacionais tanto ridicularizaram.

Talvez o leitor se esteja a questionar da oportunidade desta compra, ou mesmo da sua utilidade, mas isso só demonstra a sua desatenção pois já devia ter entendido que se regista neste momento uma retoma, caracterizada por um aumento da porcaria gerada pela má governação nacional.

Para situações de emergência e de grande aflição, nada como um WC com duas sanitas….

 
Grandes aflições, grandes remédios

terça-feira, fevereiro 04, 2014

SIMPLESMENTE CARICATO

Tudo na novela BPN correu mal para os contribuintes deste país, não só quando se decidiu nacionalizar aquela desgraça, mas também depois na administração do banco e na sua venda por um punhado de euros. A certa altura ficou-se com a impressão de que o sorvedouro de dinheiro tinha acabado, mas o caso da venda da colecção de quadros de Miró veio alertar para a continuação da sangria de dinheiros públicos.

Não bastava o modo desastrado como tem sido gerida a situação criada pela nacionalização do BPN, e temos agora outra trapalhada com 85 obras de Miró, que pertenciam anterior mente ao BPN e que o Estado português colocou à venda em Londres.

O irrelevante Barreto Xavier disse coisas que um secretário de Estado da Cultura nunca deveria sequer pronunciar, como “não é prioridade do Estado português”, a colecção Miró, ou que a culpa da não inventariação da colecção é do governo de Sócrates, ou pior ainda, que os quadros não pertenciam ao Estado, pois eram propriedade de duas entidades gestoras.

Barreto Xavier viria a colocar a cereja no topo do bolo (dos disparates), ao afirmar que “se quisermos ficar com as obras alguém vai ter que as pagar”, quando todos sabemos que os portugueses já pagaram, e bem caro, todo este caso BPN, e ainda continuamos a pagar como se soube pelo recente relatório da UTAU.


Tanta incompetência e tanta falta de respeito pelo Património que era sua obrigação proteger e rentabilizar, Barreto Xavier e Passos Coelho que é oficialmente tem a seu cargo a Cultura, deviam demitir-se, mas isso só acontece com pessoas com princípios, Cultura, e sentido de serviço público. 


domingo, fevereiro 02, 2014

CENTENÁRIO

Passam hoje 100 anos sobre o lançamento do 1º filme de Charlie Chaplin o comediante que preencheu muitas matínés e soirées da minha infância. Existem pormenores interessantes desta estreia começando pelo seu bigodinho que ainda não tinha a sua forma definitiva, o chapéu e os seus sapatos.