Os comerciantes que revendem as
garrafas de gás são, em princípio, pessoas honestas e honradas, é evidente, mas
por causa duma medida do governo, discutível como muitas outras, deitou a
perder muita da consideração que os consumidores neles deviam depositar.
Decidiu o executivo que os
comerciantes deviam descontar o valor do gás não consumido, quando se devolvem
as garrafas, efectuando assim a pesagem das ditas, para se calcular o que não
foi consumido pelo cliente.
A Associação Nacional de
Revendedores de Combustíveis (ANAREC), que os representa, veio a público
anunciar a apresentação de uma providência cautelar, porque a medida pode vir a
causar mortes.
A explicação da ANAREC parte do
princípio da má-fé dos consumidores, pois hipoteticamente estes poderiam querer
colocar outro tipo de líquido nas garrafas, em vez do gás, para daí obterem
vantagem. O argumento da má-fé dos consumidores cai muito mal, porque não me
recordo de ouvir por parte dos consumidores vozes a exigir pesar a botijas
entregues como cheias, e muito menos ouvi um só sugerir que os revendedores
poderiam acrescentar peso às garrafas, para poderem vender menos gás pelo mesmo
preço, podendo assim obter lucros indevidos.
Atenção que o feitiço bem pode voltar-se contra o feiticeiro...
