quinta-feira, outubro 27, 2011

RAZÕES DA INDIGNAÇÃO

Nos últimos meses têm surgido diversos movimentos cívicos, em diferentes países, sem conotações políticas ou partidárias, que têm denunciado as crescentes injustiças e a má distribuição da riqueza dos países.

Este fenómeno surge porque os povos cada vez acreditam menos nas classes políticas instituídas, que já demonstraram a sua incapacidade para resolver as crescentes assimetrias sociais.

Conhecemos todos a animosidade de alguns comentadores políticos contra estes movimentos cívicos, dizendo que não apresentam propostas para alterar o status quo. Sabemos bem a que grupos estão ligados estes comentadores, e sabemos que não são isentos por razões óbvias.

Uma notícia a que eles não podem, nem querem aludir, é a do estudo elaborado por um gabinete do Congresso americano, que diz preto no branco que os mais ricos, nos EUA, quase triplicaram os rendimentos entre 1979 e 2007 (os tais 1%), cerca de 60por cento da população viu os seus rendimentos crescerem 40%, enquanto 20 por cento só viram os seus rendimentos aumentar 18% neste período.

Lá como cá, a distribuição da riqueza é cada vez mais desigual, o que demonstra que o modelo económico é injusto e que os políticos não cumprem o seu dever que é o de assegurar a justa redistribuição da riqueza.

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Foto Abelhuda


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Humor - Economia Europeia

quarta-feira, outubro 26, 2011

ANDAR PARA TRÁS

A vida dos portugueses está verdadeiramente a andar para trás, e as depressões aumentam a cada dia que passa porque não se vislumbram boas notícias nos tempos mais próximos.

A cada comunicação do ministro das finanças ou do 1º ministro aumenta a angústia do povo, que sofre mais um corte nos salários, nas pensões sociais ou nos direitos adquiridos.

Numa das últimas comunicações de Passos Coelho, ele anunciava que temos que ficar mais pobres a curto prazo, e todos nós pensamos que isso já vem a acontecer há alguns anos e infelizmente estamos cada vez mais afundados enquanto país.

Para ajudar à depressão também vamos atrasar os relógios no próximo domingo, o que significa que vamos entrar no horário de Inverno, que se anuncia mais cinzento do que habitualmente, e mais difícil de suportar por quem já atingiu o limite dos sacrifícios razoáveis e aceitáveis.

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Pobreza de Humor

terça-feira, outubro 25, 2011

BRINCANDO COM NÚMEROS

Eu recomendo a muita gente que leia a proposta de Orçamento de Estado antes de começar a opinar sobre muitas coisas, porque talvez assim percebam a razão porque contesto muitas das medidas lá previstas.

Quando eu critico os cortes dos subsídios de férias e de Natal a pensionistas e a funcionários públicos, refiro-me a razões constitucionais, de equidade e de bom senso. Isto não quer dizer que não existam outras, que irão ser utilizadas pelo Governo num futuro próximo, e que agravarão os ainda mais os sacrifícios, como seja a enorme diminuição da receita do IRS dos anos de 2012 e 2013.

É claro que já se sabe que o executivo se “esqueceu” neste documento de proposta de Orçamento de Estado, de adequar as tabelas deste imposto aos cortes propostos, a menos que também queiram brincar com o dinheiro dos funcionários públicos e dos pensionistas, durante mais uns meses.

Outra coisa que parece ter passado ao lado de muita gente é o facto de este Governo só poupar nos salários, e estamos a falar em valores que rondam em termos globais os 15%, nas prestações sociais uns 11%, e no investimento. Saliente-se que os consumos intermédios (os tais onde Passos Coelho dizia ir cortar) aumentam, e também aumentam os subsídios à actividade económica (uns 15%).

Os números são lixados, porque espelham claramente a demagogia do discurso eleitoral, e até o actual, do executivo. As mentiras ditas antes das eleições continuam em catadupa, e apesar da cumplicidade de alguma imprensa e de muitos comentadores, começam a ficar cada vez mais evidentes para todos os que se dão ao trabalho de se manter razoavelmente informados.

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Humor Recessivo



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Foto - Outono

segunda-feira, outubro 24, 2011

NACIONALIZAÇÃO

O 1º ministro acabou a semana de modo deplorável, fazendo declarações além fronteiras que nos parecem incoerentes, sobre a recapitalização da banca nacional.

O recurso da banca ao fundo de resgate de 12 mil milhões de euros já está previsto há algum tempo mas nunca existiu nenhuma previsão que se assemelhasse a qualquer nacionalização dos bancos. Não se compreende que Passos Coelho tenha invocado esta figura, quando quis sossegar os banqueiros nacionais.

Incompreensível também foi a declaração de que caso a banca venha a recorrer ao tal fundo de resgate, o Estado será um “accionista passivo” ou “silencioso” como alguma imprensa veio a veicular. Não existem accionistas de referência, ou com algum peso, que se eximam de exercer os seus direitos, qualquer pessoa o sabe, e abdicar disso é uma tolice que é inimaginável no mundo dos negócios.

PS: Numa conversa de café, ouvi esta teoria interessante: Passos Coelho utilizou o termo “nacionalização” ao referir-se à banca que tivesse que recorrer aos 12 mil milhões, porque se lembrou que tinha acabado de nacionalizar os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos. É uma boa reflexão que aqui vos deixo, também.

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Foto - Flor Solitária


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Humor e Hierarquia

domingo, outubro 23, 2011

PALAVRAS PARA QUÊ?

Costumo dizer por aqui que temos políticos de muito má qualidade, que fazem com que a política seja desprestigiada e até encarada com alguma repulsa.

Para simplificar temos o actual ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que até parece não fazer não fazer parte do actual executivo, que corta que se farta, dizendo que os cortes são inevitáveis.

É público que Miguel Macedo recebe cerca de 1400 euros mensais por subsídio de alojamento, apesar de ter um apartamento seu em Lisboa, onde reside durante toda a semana. Não será ilegal, dizem-me, mas tanto quanto sei não será ilegal ter direito ao subsídio de férias e ao de Natal, mas o senhor ministro Vítor Gaspar, decidiu cortar os dois durante dois anos aos funcionários públicos.

Lembrei-me também de outro personagem que passou pela política e que gosta de mandar uns palpites sobre economia, Mira Amaral, que resolveu decretar a falência do patrão Estado, para justificar os cortes dos subsídios dos funcionários públicos, mas que não se exime de receber uma subvenção vitalícia, que acumula com outros rendimentos das actividades que mantém, coisa que nenhum funcionário pode fazer.

Palavras para quê? São artistas portugueses…


sexta-feira, outubro 21, 2011

O QUE SE OUVE

Há mais de um ano que andamos a dizer que as políticas que estão a ser utilizadas são de carácter recessivo e que só nos conduzem cada vez mais para o fundo do poço, onde já está a Grécia. Já era verdade quando se criticavam os PEC’s, e é cada vez mais verdade com o cumprimento das medidas impostas pela troika.

Agora já ouvimos da boca de responsáveis do PS, do Presidente da República, e até de Manuela Ferreira Leite os mesmos receios. Por alguma razão que me escapa, só falta ouvir da boca deles que é imperioso renegociar a dívida, alargando os prazos, porque são demasiado curtos, e talvez até pedindo algum dinheiro para promover o crescimento, que é uma falha deste tipo de programas.

Claro que temos os chamados duros, que falam em coesão nacional, quando defendem cortes selectivos a certos grupos profissionais, e a pensionistas, mesmo quando falamos de pessoas com rendimentos de 500 ou 600 euros. Esgadanham-se na defesa do executivo, sem darem eles próprios o exemplo e sem se preocuparem com a legalidade e com a justiça social.

Deviam estar todos muito preocupados com o desemprego, não com colocarem lá fora as sedes dos seus negócios, e com a sua contribuição nesta altura difícil, e não com a dos outros, que podem menos do que eles. Há muita gente a precisar de ajuda, e não será com cortes salariais e mais desemprego que poderemos manter as ajudas sociais, e o apoio solidário e familiar que vai atenuando as necessidades de cada vez mais gente.

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Fotografia Artística


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Humor Adaptativo

quarta-feira, outubro 19, 2011

CAMINHOS INVERSOS

É demasiado frequente falar-se deste mundo globalizado para se justificar os problemas que nos atingem, mas poucas vezes nos detemos a analisar as diferenças e até mesmo os contrastes, que nos deviam fazer meditar.

Um dos títulos que fixei nos últimos dias, era referente à China, e dizia textualmente, “o caminho é longo até os chineses conseguirem um salário decente”. Constatava uma organização não governamental que as condições laborais na China ainda são más, mas que coisas começam a mudar, mas muito devagar.

Por cá as coisas não são similares, sabemos bem, mas para sermos sinceros teríamos que reconhecer que a frase podia ser colocada ao contrário para ter-mos um retrato muito real. Vejamos então, “o caminho é curto até os portugueses conseguirem um salário indecente”.

Isto das disparidades por vezes pode parecer simplista, mas aproxima-se demasiado da realidade, convenhamos!


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Humor Negro
Redistribuição

Escravatura

terça-feira, outubro 18, 2011

DEMAGOGIA POLÍTICA

Todos ouvimos declarações de Passos Coelho afirmando que os funcionários públicos ganhavam mais do que os trabalhadores do sector privado, e serviu-se o 1º ministro de dados estatísticos, ou seja de médias para justificar as suas afirmações.

As afirmações do 1º ministro são intelectualmente desonestas, porque comparou coisas que não têm comparação porque são absolutamente diversas. A demagogia não devia ser uma arma de um chefe de governo, porque é uma arma de dois bicos.

Repare-se que não cabe na cabeça de ninguém comparar os vencimentos dos membros do Governo e da Assembleia da República com os vencimentos do supermercado da esquina, ou de um a fábrica de sapatos, porque são universos diferentes, e não comparáveis.

O que Passos Coelho não disse e já se sabe com alguma certeza, é que as medidas relacionadas com os cortes dos subsídio de féria e de Natal, aos funcionários públicos e aposentados, é que quem aufira 655 euros brutos mensais, fica sem um dos subsídios, e que um outro que receba 755 euros mensais, só receberá 30% de cada subsídio, ou seja 227 euros nas férias e outro tanto pelo Natal.

Para Passos Coelho estes salários de 655 ou de 755 euros são elevados, e por isso devem ser diminuídos e aproximar-se dos salários das entidades privadas (?). Não sabemos se o senhor ministro pensa limitar todos os trabalhadores, do público e do privado, aos 485 euros do ordenado mínimo, mas se é essa a sua intenção, então diga-o claramente e não ande a tentar manipular os dados para justificar o injustificável.

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Humor Negro
Malta, sou rico porque sou funcionário público!

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Foto - Parzinho

domingo, outubro 16, 2011

D. AFONSO V

O rei D. Afonso V, o décimo terceiro rei de Portugal, tem a sua vida ligada ao Paço de Sintra, onde nasceu a 15 de Janeiro de 1432, e onde veio a falecer a 28 de Agosto de 1481. O seu corpo foi depois levado para o Mosteiro da Batalha onde hoje podemos ver o seu túmulo na Capela do Fundador.

O seu reinado ficou marcado por diversos marcos históricos como a Batalha de Alfarrobeira, um episódio trágico em que morreu o seu tio D. Pedro, ou a Batalha de Toro que sendo-lhe desfavorável acabou por destruir o seu sonho peninsular.

Apesar de ter passado muito tempo fora de Portugal, fazendo sucessivas incursões no norte de África, na sua corte brilharam alguns nomes importantes como Azurara, Mateus Pisano, Fernão Lopes, entre outros.

A D. Afonso V veio a suceder o seu filho D. João II, que ainda em vida do pai tomou as rédeas do poder, quando ele abdicou em 1477, mas só viria a ser rei após a morte do pai em 1481, sendo aclamado em Sintra.

Colaboração do Palaciano

Imagem de Milly Possoz (Baseada no desenho de Duarte de Armas)

Imagem do Palácio de Sintra ainda em tempos da monarquia

Pormenor de uma Tapeçaria de Pastrana com o rodízio, símbolo usado por D. Afonso V

Claustro de D. Afonso V, Mosteiro da Batalha

sábado, outubro 15, 2011

NÃO TÊM DESCULPA

Ao ler num título da imprensa que Passos Coelho acha que não tem que pedir desculpas aos portugueses, confesso que me apeteceu dizer um grande palavrão.

Os políticos têm a tendência de se julgarem acima das leis que vigoram para os cidadãos comuns, e vão construindo defesas legais que os tornam em inimputáveis, e a única vulnerabilidade a que estão sujeitos tem sido o voto.

Com a aproximação do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que é já no próximo dia 17, importa questionar os senhores governantes, actuais e os anteriores, sobre a sua responsabilidade na actual situação de Portugal, onde o risco de pobreza é cada vez mais elevado. Será que nenhum se acha responsável pela situação?

Para que conste, aqui ficam uns excertos do relatório “The World We Want”, que bem podia servir de alerta a uma classe política que não se mostra à altura das suas responsabilidades:

“O espaço democrático está a ser restringido com a entrada em vigor de leis que progressivamente ameaçam os direitos civis e políticos”, mas “as insurreições democráticas em todo o mundo estão a abrir caminho para a autodeterminação dos povos”, para além do facto de que “as pessoas estão fartas da pobreza e de alimentar ditadores”. Estas frases aplicam-se não só aos países do norte de África, como alguns pensam, mas também se aplicam ao mundo ocidental onde as sociedades se começam a rebelar contra a asfixia causada pelo capitalismo selvagem e insaciável que conduz cada vez mais gente à pobreza e à miséria.

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Foto - Branca


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Humor e Inevitabilidade

sexta-feira, outubro 14, 2011

CONFUSÃO NA CULTURA

Estalou a bernarda na audição de Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, quando ele disse que o anterior executivo assinou um protocolo que afinal era ilegal, o que mereceu um pedido de defesa da honra por parte da deputada Gabriela Canavilhas, a anterior ministra da Cultura, em funções nessa altura.

A dúvida maior residia na data do conhecimento da ilegalidade e a data da assinatura do protocolo com a Sociedade Portuguesa de Autores para a constituição da associação privada Portugal Music Export.

A ilegalidade prender-se-ia com o facto de o Estado não poder fazer parte de uma associação privada, mesmo que de interesse público. Claro que é uma questão menor que se prende com o estatuto de associação, que bem podia ser alterado, porque afinal há outras fórmulas já existentes de organismos ditos públicos, porque de capitais públicos, mas que se regem pelo direito privado, como acontece nos Parques de Sintra – Monte da Lua, referida na mesma audição.

O secretário de Estado da Cultura enalteceu a acção da PS-ML, mas nunca referiu o facto de se tratar de uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos que se rege pelo direito privado, o que é muito importante quando se fala numa cedência de tutela, ainda que se desconheçam pormenores desse protocolo, mesmo depois desta audição.

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Humor - Museus


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Foto - Cultura
Museu do Prado

quinta-feira, outubro 13, 2011

A IRRESPONSABILIDADE

As situações mais ou menos caricatas com que somos brindados sempre que há uma mudança de governo, já deviam ter tido consequências, mas parece que os nossos políticos preferem que as coisas se mantenham assim, não vão ser eles os primeiros a sofrer a merecida punição.

O caso do aeroporto de Beja é simplesmente escandaloso, porque não existe nenhuma relação entre o enormes custos e a sua utilização, o que demonstra que não houve nenhum estudo realista e responsável antes do início da obra.

Nas estradas temos o caso das Scut com parcerias ruinosas para o Estado, e sem alternativas para os contribuintes que as vão pagar por duas vias, pelos impostos e por cada utilização, o que não era o propósito inicial.

Na Cultura temos, por exemplo a Fundação Berardo, cuja colecção está aberta ao público com entradas gratuitas todos os dias, e que entre 2007 e 2009 recebeu 27 milhões, enquanto os museus, palácios e monumentos administrados pelo próprio Estado, com entradas pagas, estavam na penúria e sem a conservação necessária.

Os responsáveis por situações destas andam por aí, alguns na política activa, outros estão em funções públicas, no Estado ou em empresas públicas, e outros em empresas com as quais interagiram enquanto governantes. Todos sem nunca serem chamados à justiça por má gestão dos dinheiros públicos e sem a admoestação política que mereciam.

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Foto Rosada


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Humor à Pinóquio

terça-feira, outubro 11, 2011

ENGANARAM-NOS

Tenho discordado de algumas das opiniões conhecidas, nos últimos tempos, por António Barreto, mas acabei de ler uma opinião sua com a qual concordo inteiramente.

Segundo o sociólogo, ter-se-á escondido informação e mesmo enganado a opinião pública no passado recente, dizendo-se que o país tinha uma situação financeira confortável, que permitia até pensar-se em grandes projectos, e repentinamente somos confrontados com uma possível bancarrota.

António Barreto admite que existam algumas causas externas que tenham de algum modo precipitado as coisas, mas como eu, acha que isso não justifica uma situação desta gravidade, que aliás não afecta outros países do mesmo espaço, pelo menos com tanta gravidade.

Os adjectivos utilizados por António Barreto para caracterizar os nossos responsáveis ficam-se por irresponsáveis, imprevidentes e complacentes, mas eu acrescentaria pelo menos mais alguns, como mentirosos e negligentes.

Concluo dizendo que algo vai mesmo muito mal quando alguns políticos são contra a ideia de escrutinar a sério as contas públicas, por razões de imagem externa, quando o permitem à troika que apenas está interessada em reaver o dinheiro emprestado. Quase que me apetece usar as palavras de um secretário de Estado deste governo, “não percebo o receio” da avaliação independente.

Notícia relacionada

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Foto Florida


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Humor e Artistas

segunda-feira, outubro 10, 2011

A PERSPECTIVA DAS COISAS

Num país onde as boas exposições temporárias são cada vez mais escassas, é com muita expectativa que se aguarda a exposição que a Fundação Calouste Gulbenkian se prepara para oferecer proximamente, cujo tema é a natureza-morta na Europa.

Já tinha havido uma outra exposição sobre este mesmo tema mas agora, esta segunda parte, será dedicada à modernidade do século XIX e às alterações fundamentais ocorridas na primeira metade do século XX.

Poderão ser vista obras de grandes mestres como, Cézanne, Monet e Matisse, o que é um privilégio atendendo à oferta paupérrima que os museus nacionais têm tido nos últimos anos, o que nos coloca cada vez mais longe do circuito internacional das grandes exposições.

Outra agradável surpresa é que o preço das entradas é de apenas 5 euros, ou 6 euros com direito a audioguia, o que é também uma pechincha, tendo em conta os preços dos outros museus.

Saiba mais AQUI



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Humor Artístico
Natureza Morta

Apreciador

domingo, outubro 09, 2011

RAZÕES DO FALHANÇO (CONT.)

Quando falo do excesso da carga fiscal sobre os particulares e sobre as empresas, falo da média e não do esforço exigido em particular aos diferentes extractos da sociedade, porque quando fazemos essa diferenciação os dados variam muito.

Quando entramos neste tipo de análise é comum rotularem-nos de esquerdistas radicais, porque costuma ser esse o método mais eficaz para nos tentarem desacreditar, mas os factos estão aí e não foram conseguidos por nenhum bando de radicais, mas sim por uma instituição ligada à auditoria e consultoria fiscal.

Segundo a Deloitte Portugal é brando a tributar os rendimentos mais elevados. Pois é, os que têm rendimentos mais elevados em Portugal são menos tributados do que os seus pares dos países europeus, bem ao contrário dos que auferem rendimentos mais baixos que descontam muito mais do que a maioria dos restantes europeus.

A discrepância mantém-se no que respeita às empresas, consoante a sua dimensão.

Para chegarmos à constatação de que a carga fiscal é uma das desvantagens do país, temos que referir que há quem pague demasiado para o nível de rendimentos que tem, e são exactamente os que menos têm, e os que pagam muito pouco relativamente ao muito que ganham.

Porque não nos esquecemos da tal “ética social” com que nos presentearam, mesmo correndo o risco de sermos chamados esquerdistas radicais, dizemos que a carga fiscal em Portugal é extremamente injusta e que os governantes são os responsáveis por essa injustiça.

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Foto Florida


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Humor e Crise

sexta-feira, outubro 07, 2011

RAZÕES DO FALHANÇO

Desde há muito que ando a clamar que as medidas impostas pela troika e aceites pelos três partidos nacionais (PS, PSD e CDS), não podiam ser eficazes, e creio que não estava sozinho.

Os 3 países que estavam em risco e que recorreram a planos de recuperação, Grécia, Irlanda e Portugal, tinham antecedentes e realidades diversas, mas foi-lhes receitada a mesma coisa. A Grécia habituada a driblar as regras desde sempre limitou-se a aceitar, Portugal com a sua mania de ser bom aluno fez o mesmo, já a Irlanda tendo consciência das suas reais potencialidades e vantagens competitivas, não se dobrou no que achou ser-lhe prejudicial e fez valer a sua soberania.

O grande factor de competitividade da Irlanda está precisamente na carga fiscal, que é muito mais baixa do que a nossa, refiro-me a empresas e particulares, e isso está a servir para o relançamento económico que contrasta com a recessão que Portugal e a Grécia estão a atravessar e que vai continuar, se não mesmo piorar.

Será que é muito difícil chegar a estas conclusões, ou será que os nossos governantes preferem mesmo que se perca o resto de soberania que nos resta e desejem entregar a governação às instituições internacionais por manifesta incapacidade?

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Foto ao Anoitecer


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Humor - Falar demais

quinta-feira, outubro 06, 2011

UM DIA DE MEMÓRIAS

No aniversário da sua morte seria injusto não recordar um nome grande do fado e de Portugal. Penso que é o mínimo que posso fazer num dia em que também se lamenta a morte dum homem cuja obra eu admiro.






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Hoje morreu um visionário que sempre gostou do que fazia, e fazia bem, que conseguiu ter sucesso numa área de forte competição. Ficará para a história como um visionário e como homem de gosto apurado.

OS POLÍTICOS

Deixo-vos hoje com dois textos sobre a política e sobre os políticos, sobretudo os nacionais. Os textos são de duas pessoas da Cultura e retratam aspectos e áreas diferentes, mas estão actuais e dão-nos uma visão bem verdadeira do que temos ainda hoje.

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Política de Interesse

Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.



Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)


A Cultura não se Enquadra na Totalidade Política

A cultura nunca poderá ser um factor estratégico de mudança. Se é estratégia, não é cultura. Faz-se apelo à cultura como estratégia de mudança, tentando resolver a condição perturbadora do homem culto, munido de culpabilidade inconsciente, ou simplesmente isento da culpabilidade pelo sofrimento. Isso não é possível. A cultura não se enquadra na totalidade política. Há um grave mal-entendido quanto a isso. A cultura não significa o conforto da neutralidade, a irónica graduação da expectativa, a ginástica do não-compomisso. Significa um enraizamento em si mesmo, que conserva no homem a faculdade de julgar. Não é contrária à acção, mas é condição necessária para que a acção seja serena e útil, e não impaciente e desordenada. Não se trata de racismo espiritual; não se trata da pretensão de existir à parte da história política do mundo. É a intenção absolutamente necessária de ser livre, face aos acontecimentos, qualquer que seja a lógica que os liga. A cultura é o que identifica um povo com a sua finalidade.


Agustina Bessa-Luís, in 'Dicionário Imperfeito'



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Caricatura - Político

quarta-feira, outubro 05, 2011

ÉTICA SOCIAL?

Os nossos políticos conseguem por vezes ir além do razoável chegando mesmo a ser ridículos nas suas afirmações.

Não deve ser fácil tentar encontrar alguma ética ou sequer justiça social quando os números estão primeiro que as pessoas, mas há quem caia nesse erro e acabe por meter os pés pelas mãos.

Segundo a TSF, o secretário de Estado da Segurança Social durante uma conferência organizada por aquela rádio, com o tema “Serviço Nacional de Saúde: Custos e Benefícios”, veio afirmar que os cortes no sector vão ser feitos com «ética social».

Marco António Costa começou logo mal ao falar de despesas em apoios sociais, mas quando falou de ajustes, é que borrou logo a pintura toda.

Não existe qualquer ética social quando um governo está refém dum documento assinado com entidades internacionais, cujo interesse único é o lucro e a manutenção dos problemas económicos e especulativos o mais longe possível das suas fronteiras. Em todo o documento assinado com a troika não se encontra uma única linha que revele uma pitada que seja de «ética social», por muito que Marco António Costa nos tente convencer.

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Fotografia e Profundidade
Descendo até ao fundo

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Humor
Pobre pode ser sábio