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segunda-feira, fevereiro 08, 2021

MEMÓRIAS E CURIOSIDADES

Muitas vezes fazemos juízos de valor da História tendo por base o que conhecemos hoje e segundo a moralidade e pensamento dos nossos dias. É errado e distorce muitas vezes a realidade.
Procurando a origem de determinados termos utilizados, e em que contexto apareceram, dei com esta preciosidade:

"A administração colonial moçambicana procurou, por diversos meios e em várias ocasiões, intervir e cercear a actuação destas elites, na Zambézia, delimitando as dimensões das suas fazendas, forçando ao pagamento dos foros estabelecidos, ou pressionando os casamentos entre prazeiras, supostamente brancas, e mozungos. Convém relembrar que o termo mozungo incorporou, ao longo dos tempos, várias acepções. Se com Manuel Barreto (1667) o vocábulo designava os portugueses, que eram, genericamente considerados, de «senhores», um século depois , o termo, não só considerava os portugueses, mas, também, todos os que se vestiam e se exibiam como eles: mozungo, escrevia Francisco de Mello e Castro, em 1753, «era o nome que tínhamos entre a cafreria não só os Portuguezes, porque a esses os destiguem por Mozungos da Manga, que hé da Corte, o que aludem a todo o Reyno de Portugal, mas também aos mais vassallos que andão vestidos ainda que sejão pretos»7, ou, ainda, como lembrava o memorialista Pinto de Miranda, por volta de 1766, Mozungos são os «patrícios, filhos de alguns portugueses e naturais de Goa feitos em negras. São a maior parte da cor dos cabouclos do Brazil, e outros puramente negros»."

In Representações de África e dos Africanos na História e Cultura séculos XV a XXI de J. Damião Rodrigues e Casimiro Rodrigues.


https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/68/Capelo_and_Ivens.jpg

Capelo e Ivens

sexta-feira, novembro 27, 2020

PUBLICIDADE ANTIGA EM MOÇAMBIQUE

Consultando um arquivo de imagens que uns amigos me fizeram chegar, encontrei algumas imagens de publicidade que eram muito comuns na minha terra quando eu era um adolescente...






 

quarta-feira, abril 15, 2020

MAFRA - FOTOS ANTIGAS

Aqui ficam 4 fotos antigas do Palácio Nacional de Mafra, todas elas descarregadas da Internet, que nos dão uma noção do tipo de decoração existente, bastante mais despojada do que aquela que hoje podemos ver.
Sala da Guarda

Capela do Campo Santo

sábado, agosto 03, 2019

TIRADO DO BAÚ

Este livro é anterior ao meu nascimento, e naturalmente não o usei, contudo está na família e é um testemunho do ensino do antanho. 

Talvez alguém tenha memória do mesmo, por isso aqui ficam umas fotografias...


quinta-feira, novembro 30, 2017

PARTIDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL



Passados 210 anos sobre a partida para o Brasil, da realeza portuguesa, importa referir uma exposição que decorre no Museu dos Coches sobre o acontecimento histórico.

Muito se disse sobre o assunto, uns dizendo que foium acto de cobardia, outros preferem recordar que sem esta fuga Portugal deixaria de ser uma nação independente. Nunca saberemos porque a vida não se faz de “ses”.

Talvez seja uma boa oportunidade para citar Oliveira Martins que dizia:

“A onda da invasão varria diante de si o enxame dos parasitas imundos, desembargadores e repentistas, peraltas e sécias, frades e freiras, monsenhores e cadastrados.

Tudo isso, a monte, embarcava, ao romper do dia, no cais de Belém.
Parecia o levantar de uma feira e a mobília de uma barraca suja de saltimbancos falidos: porque o príncipe, para abarrotar o bolso com louras peças de ouro, seu enlevo, ficara a dever a todos os credores, deixando a tropa, os empregos, os criados, por pagar.

Desabava tudo a pedaços; e só agora, finalmente, o terramoto começado pela natureza, continuado pelo marquês de Pombal, se tornava um facto consumado. Os cortesãos corriam pela meia-noite as ruas, ofegantes, batendo às lojas, para comprarem o necessário; as mulheres entrouxavam a roupa e os pós, as banhas, o gesso com que caiavam a cara, o carmim com que pintavam os beiços, as perucas e rabichos, os sapatos e fivelas, toda a frandulagem do vestuário.

(…) O príncipe regente e o infante de Espanha chegaram ao cais na carruagem, sós: ninguém dava por eles; cada qual cuidava de si, e tratava de escapar.

Dois soldados da polícia levaram-nos ao colo para o escaler.

Depois veio noutro coche a princesa Carlota Joaquina, com os filhos.

E por fim a rainha (D. Maria I), de Queluz, a galope. Parecia que o juízo lhe voltava com a crise. Mais devagar!, gritava ao cocheiro; diria que fugimos!

A sua loucura proferia com juízo brados de desespero, altos gritos de raiva, estorcendo-se, debatendo-se às punhadas, com os olhos vermelhos de sangue, a boca cheia de espuma.
O protesto da louca era o único vislumbre de vida. O brio, a força, a dignidade portuguesa acabavam assim nos lábios ardentes de uma rainha doida!
.
Tudo o mais era vergonha calada, passiva inépcia, confessada fraqueza.

O príncipe decidira que o embarque se fizesse de noite, por ter a consciência da vergonha da sua fuga; mas a notícia transpirou, e o cais de Belém encheu-se de povo, que apupava os ministros, os desembargadores, toda essa ralé de ineptos figurões de lodo.

E – tanto podem as ideias! – chorava ainda pelo príncipe, que nada lho merecia. D. João também soluçava, e tremiam-lhe muito as pernas que o povo de rastos abraçava.

A esquadra recebera 15 000 pessoas, e valores consideráveis, em dinheiro e alfaias.

Levantou ferro na manhã de 29, pairando em frente da barra até o dia seguinte, às sete horas, que foi quando Junot entrou em Lisboa. Os navios largaram o pano, na volta do mar, e fizeram proa a sudoeste, caminho do Brasil.”



domingo, março 19, 2017

A DERROCADA NOS JERÓNIMOS

"Um triste acontecimento commoveu ha poucos dias Lisboa e o resto do paiz. Abateu o corpo central da nova galeria em construcção junto ao magnifico templo dos Jeronymos, e que constituindo a frente da Casa Pia, estava a ponto de concluir-se depois de longos annos de trabalhos e de muitos capitaes dispendidos, devendo então, com o monumento que recorda os nossos feitos passados, constituir um todo harmonico, especimen d'essa architectura maravilhosa que hoje asignala a gloriosa epocha de D. Manuel I, d'onde tirou o nome.

O desmoronamento teve logar no dia 18 de dezembro pelas 9 horas da manhã, e do altivo torreão que já se elevava aos ares perto talvez de trinta metros, apenas resta hoje de pé, quasi intacto felizmente, o corpo inferior, como a nossa gravura o representa, salvando-se a varanda gothica, de admiravel desenho, e o portico ligeiramente damnificado. Poucos dias antes fôra collocada no nicho superior á primeira varanda, uma magnifica estatua da Caridade, cinzelada pelo distincto esculptor Simões de Almeida, e essa mesma teve a cabeça decepada.

N'este desastre houve sobretudo a lamentar a morte de oito vidas. Oito dos trabalhadores que lidavam na obra, não podendo fugir a tempo, foram colhidos pela derrocada, ficando soterrados n'aquella pesada mole de areia e de cantaria...Lamenta-se que, depois de oito vidas de pobres trabalhadores, se hajam perdido com o desastre centenas de contos de réis, quando era talvez melhor ter deixado de os empregar de semelhante fôrma. Em todo o caso o que seria hoje um absurdo maior era reedificar o torreão derrocado pelo plano primitivo. Não pode ser: é preciso que a opinião dos homens competentes intervenha e que o edificio levantado ao lado dos Jeronymos mostre ao menos que no nosso tempo ainda se comprehende a harmonia architectonica d'aquelle magnifico templo."

in O Ocidente : revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, N.º 25 ( 1 Jan. 1879) 


Gravura anterior à derrocada

Gravura depois da derrocada

Fotografia depois da derrocada

sábado, março 26, 2016

MEMÓRIAS FOTOGRÁFICAS

Não conhecia esta imagem do Mosteiro da Batalha, mas como é curiosa resolvi partilhar  a foto com os meus leitores.


Nas minhas viagens ao passado, em imagens, deparei-me com imagens de peças de museu, como estas que estão em exposição no Museu dos Coches, o novo, que é mais conhecido como garagem frigorífica de coches antigos.




quarta-feira, janeiro 07, 2015

PORTAS QUANDO NÃO ESTAVA NO PODER

Que Passos Coelho disse uma coisa antes de ser eleito e fez o seu contrário depois de eleito, todos se lembram, porque tudo aconteceu num curto espaço de tempo, mas temos outros políticos que jogam com esquecimento dos eleitores, pois o povo costuma ter a memória curta.

Paulo Portas é talvez um dos políticos da velha guarda que mais tem jogado com o esquecimento, e que tem sabido gerir os seus silêncios e as suas palavras, mas felizmente há registos que não mentem, e que convém recordar aos mais desmemoriados.

Aqui ficam quase 9 minutos duma entrevista de Herma josé a paulo Portas no programa Parabéns da RTP, onde ele diz que não quer ser político, que Cavaco era mau governante, que a sua política seguidista em relação à Europa, era culpada pelo aumento do desemprego, que a falta de investimento matava a economia, que deixou de ter preocupações sociaias, que era insensível e incapaz de inflectir as políticas económicas, etc...

Ouçam que vale a pena, e poderão aquilatar sobre a qualidade dos políticos que temos, infelizmente porque há quem neles vote.

quinta-feira, outubro 06, 2011

UM DIA DE MEMÓRIAS

No aniversário da sua morte seria injusto não recordar um nome grande do fado e de Portugal. Penso que é o mínimo que posso fazer num dia em que também se lamenta a morte dum homem cuja obra eu admiro.






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Hoje morreu um visionário que sempre gostou do que fazia, e fazia bem, que conseguiu ter sucesso numa área de forte competição. Ficará para a história como um visionário e como homem de gosto apurado.