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domingo, setembro 20, 2026

A REALIDADE DESMENTE MONTENEGRO

Montenegro tentou há dias fazer passar esta frase "Portugal está melhor, e os portugueses estão melhor", contudo os factos encarregam-se de o desmentir.
 
As nossa crianças não têm creches públicas (nem privadas) para os receber ( cerca 100 mil crianças aguardam vaga), as escolas não têm capacidades para receber os alunos e as turmas têm que ser aumentadas para disfarçar as falhas, os hospitais encerram serviços por falta de recursos humanos, os tempos de espera aumentam mesmo depois do fim do Verão, a habitação atingiu valores estratosféricos, os salários estão cada vez mais desvalorizados perante os preços da alimentação e dos combustíveis, os jovens cada vez mais abandonam o país à procura de um futuro melhor.
 
Medidas como o Volta, que até podiam ser consideradas inócuas, acabam por trazer ao de cima a miséria existente, com cenas tristes de gente a mergulhar em contentores de lixo para recolher garrafas e latas para receber 10 cêntimos por peça. 
 
Se o dr. Montenegro acha que os portugueses estão melhor apesar de tudo isto, então ele não vive neste país.  
 
  


 

quinta-feira, janeiro 27, 2022

COVID E CONFUSÃO

Está instalada a confusão total sobre a situação em que estamos relativamente à Covid, e cada um diz a sua coisa e falo de "especialistas", uns que já disseram tudo e o seu contrário e outros que vão aparecendo a debitar agora conselhos e preocupações.
 
Desde o começo da pandemia opiniões de toda a natureza têm vindo a público, mas ficou claro para todos que estamos perante uma situação uma situação nova e que se vai aprendendo à medida do saber que se vai consolidando com o passar do tempo.
 
Neste últimos dois dias ouviu-se dizer que Portugal já está em endemia, outros que dizem que ainda não atingimos o pico da pandemia, os que dizem que estamos prestes a alcançar a imunidade de grupo e outros que dizem que não se pode falar em imunidade de grupo porque o vírus vai continuar a ser uma preocupação, sendo que alguns dizem que é pouco provável virmos a ter novas variantes e outros que dizem que temos que monitorizar bem a possibilidade do surgimento de novas variantes.
 
A realidade de hoje é que ainda estamos a ver aumentar as infecções e o número de mortes, pelo que todas as cautelas são recomendáveis.   


 

quarta-feira, junho 30, 2021

O OPTIMISMO IRRITANTE

Hoje os números da Covid atingiram uma grandeza que já não se via desde o passado mês de Fevereiro, com quase 2.400 infectados nas últimas 24 horas, e com um aumento de internados e da corridas às urgências hospitalares.

Sabemos que estamos perante uma nova estirpe do vírus, mas também sabemos que no futuro mais próximo (pelo menos dois anos), as novas estirpes vão ser uma constante, apesar da vacinação nos países mais ricos.
 
O Presidente cometeu uma gafe quando disse que com ele o estado de emergência não mais seria decretado, e depois ficou sem recuo, mesmo quando o Governo tomou medidas claramente inconstitucionais, sobre as quais nem se pronunciou. Agora Marcelo subiu a parada com o discurso de cautela com os alarmismos, centrando-se apenas nas poucas mortes e omitindo os efeitos que já se começam a sentir mesmo depois de ultrapassada a infecção por este vírus.
 
Recordam-se dele dizer que o 1º ministro era um optimista irritante; agora parece que isso era transmissível... 


 

sábado, abril 24, 2021

A UTOPIA E A REALIDADE

Estamos a comemorar o 25 de Abril, mas cada um comemora à sua maneira e valoriza o que lhe agradou e nem sempre isso foi igual para todos, tal a diversidade que compões a Liberdade.

O que se passou em 74 e o que se seguiu nos anos quentes, mudou o país e mudou as pessoas, para uns foi o que esperavam, para outros significou vidas destruídas, novos recomeços desilusões, ilusões, até que a realidade se veio a impor.

As cantigas de Abril tinham o seu cunho de insatisfação, desejo de mudança, aspiração dum mundo melhor, mas rapidamente o cariz político partidário começou a ficar evidente. O poder popular começou a evidenciar a ganância de uns a vontade de dominar de outros, as facções iam-se extremando e criaram-se os redutos políticos.

A normalidade das instituições foi tomando forma, e a utopia começou a fenecer perante a realidade que se foi impondo, primeiro timidamente e depois com toda a força. Os desejos de igualdade de direitos, de justiça social, de melhor repartição da riqueza foram sendo esmagados pelo que antes se chamava, capitalismo.

A Liberdade não é um dado adquirido e tem de ser cultivada a cada dia, com a participação cívica de todos. As nossas opiniões podem ser diversas, mas são importantes na procura duma vida melhor. Os políticos e os partidos não podem andar em roda livre, podem e devem ser escrutinados por todos, e temos nas nossas mãos o poder de os derrubar, e não é só nas eleições, mas sim com a nossa participação, apoiando, repudiando ou comentando livremente a actualidade.

Frase – “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.”

Leon Tolstoi  


 

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

PORTUGAL O PAÍS DAS MARAVILHAS


Depois de se ter passado a crise que vinha de 2009, e com a posse deste governo, o discurso político começou a ser optimista e até muito cor-de-rosa, como se o antes fosse negro e o presente fosse radioso.

O fim da austeridade foi anunciado, a restituição do que tinha sido cortado fez parte da propaganda, e até se falou de aumentos que não eram nada disso como já se percebeu.

Portugal nestes últimos anos viu os rendimentos dos portugueses divergirem claramente do que aconteceu na maioria dos países europeus, apesar dos bons resultados da nossa economia, e isso deita abaixo o discurso do governo.

Muito em breve seremos, nós os portugueses, o quinto país mais pobre da União Europeia, ultrapassados por países como a Estónia, a Lituânia, a Eslováquia, a Eslovénia, a República Checa, Malta e a Letónia.

Esta divergência de rendimentos face à média europeia que se verifica desde 2000 até 2018, e neste espaço de tempo a dívida pública foi aumentando, o que é ainda mais grave e penalizador para quem nos vem “vendendo o país perfeito”.

Leitura recomendada AQUI



sexta-feira, dezembro 07, 2018

COLÓNIAS E COLONIZADORES


Podíamos começar pela origem da palavra colónia, que provém do latim, e cujo significado é exactamente o que ainda hoje se usa em política, território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos mais poderosos, ou por representantes dum país a que esse território não pertencia.

Apesar de ser usada uma palavra de origem latina, as colónias já existiam na antiguidade e todos aprendemos na disciplina de História que os fenícios, os gregos, os romanos e os árabes (para mencionar alguns), tiveram colónias espalhadas nas costas do Mediterrânio, e até para além dele.

O colonialismo (estabelecimento de colónias) não surgiu apenas depois do século XV, por via das viagens marítimas portuguesas, como alguns pretendem insinuar, por ignorância ou por agenda política.

O estabelecimento de colónias na antiguidade criou novas rotas de comércio, trouxe desenvolvimento e novos saberes à Europa, alimentou o sentimento de identidade dos povos, que se uniam sob a influência dos colonizadores, e contra eles, acabando por levar ao surgimento do sentimento de nacionalidade e à criação de países, onde antes apenas existiam povos que nem se entendiam entre si. Foi deste caldo de culturas que nasceu Portugal, e não só.

O que se passou depois das viagens marítimas, iniciadas pelos portugueses, não foi na sua essência muito diferente, embora seja hoje transformado num julgamento histórico em que se usam critérios actuais, o que é completamente disparatado.

Na actualidade temos outras formas de colonialismo, mais refinadas e menos óbvias, mas que têm efeitos semelhantes, se não mais perniciosos. Há quem seja subjugado pela força militar, ou pela sua dependência, ou ainda pela fraqueza económica, mas poucos parecem preocupados com esta realidade.

A História não retrocede para podermos alterá-la, e ninguém nos pode garantir que seguindo outros rumos se alcançassem melhores resultados, por isso só nos resta viver e aprender com ela.   


Mediterrâneo no século VI a.C.; Colonização fenícia em amarelo, grega em vermelho, e outras em cinzento.

sábado, setembro 08, 2018

OUTRA VEZ A SEGURANÇA NOS MUSEUS E MONUMENTOS


Desta vez foi o semanário Expresso que fez sair um artigo em que se aborda o assunto, e onde se podem ler afirmações de diversas personalidades da área, que manifestam os seus receios, e onde se lê que a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), garante que todos os museus, palácios e monumentos sob sua tutela “estão dotados de meios de combate a incêndio, plano de evacuação e saídas de emergência”.

Não vou tecer grandes comentários sobre a falta de segurança destes serviços, porque os jornalistas podiam ter perguntado a quem lá trabalha (e não a quem manda), o que se passa na realidade, e podiam assim ter prestado um verdadeiro serviço público.

Uma vez que a DGPC diz que decorrem as inspecções periódicas (qual periodicidade?) para “verificação da adequação dos planos de segurança, através de vistorias dos bombeiros”, talvez seja de sugerir à imprensa, e especialmente ao Expresso, que questione a DGPC sobre o resultado das verificações dentro de uns dois meses, e verifique os certificados respectivos, ou contacte os bombeiros da área dos serviços para constatar realmente as condições de segurança destes equipamentos culturais.

Enquanto não há respostas finais, que tal visitarem os museus, palácios e monumento e constatarem as datas de validade dos extintores, a sinalização das saídas de emergência, e as plantas de evacuação que deviam estar visíveis. Qualquer um o pode fazer durante a visita, por isso aqui fica a sugestão.



quarta-feira, agosto 15, 2018

A QUEDA DE MAIS UM MITO

A imagem de que a função pública é um paraíso, onde se ganham fortunas e tudo está garantido, começa a cair, pois por muito que se faça propaganda negativa, os factos acabam por desmentir os detractores do serviço público.

Grosso modo existem três grupos de trabalhadores na generalidade dos serviços públicos, os assistentes operacionais, os assistentes técnicos e os técnicos superiores, posicionados nesta mesma hierarquia no que diz respeito às remunerações.

Hoje mesmo ouvi alguns comentários sobre as vagas abertas em concurso na Segurança Social, em que os salários variam entre os 683 euros, para os assistentes técnicos e os 1.202 euros brutos, para os técnicos superiores. Estes salários, mesmo os mais elevados, foram considerados irrisórios e pouco competitivos pelos intervenientes na conversa.

É verdade que os salários na função pública são, e sempre foram baixos, por muito que se tente manipular a opinião pública. Quem diria que os assistentes operacionais auferem o salário mínimo nacional?

Sei que devem estar a pensar que me esqueci da segurança laboral, mas olhem que nem isso é hoje garantido, porque muitos serviços têm apenas um quadro do pessoal, e as mudanças de local de trabalho podem acontecer a qualquer momento (eu que o diga), e na maioria dos casos sem qualquer aviso prévio, sem qualquer consideração ou respeito pelos agregados familiares e pela idade dos funcionários.

Por favor não confundam os nomeados pelos diversos governos, que estão por todo o lado, mas que nunca ingressaram por concurso na função pública, com os verdadeiros funcionários públicos, admitidos em concursos públicos.