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quinta-feira, junho 13, 2019

A CRISE DOS BAIXOS SALÁRIOS


Agora fala-se muito na crise demográfica e dos efeitos nefastos que poderá vir a ter na economia nacional, mas de soluções apresentadas não se vê quase nada.

Vimos de quase uma década de empobrecimento de quem vive do seu trabalho, ao mesmo tempo que os ricos foram aumentando a sua riqueza, isto apesar da crise económica que o mundo atravessou. 

Durante este tempo, em Portugal, uma geração com formação superior e com vontade de vencer na vida, porque não encontrava emprego compatível cá dentro, resolveu partir pelo mundo procurando realizar-se profissionalmente e como pessoas.

O desemprego durante a crise económica cresceu, os salários foram esmagados, o que fez proliferar uma classe de empregadores que se aproveitaram o mais que puderam, e que agora estão aflitos para encontrar quem queira trabalhar para eles.

O discurso de se facilitar a imigração vem precisamente de quem pretende manter a política de baixos salários, mas a qualidade e o valor acrescentado que um trabalhador satisfeito é sempre mais compensador a médio ou longo prazo, ainda que as vistas curtas destes empregadores não o possam descortinar.

A economia nacional beneficia com as empresas que pagam salários justos, e só assim seremos verdadeiramente competitivos.


domingo, maio 21, 2017

O OPORTUNISMO DA MALTA DO PAPEL

Já começa a ser habitual ler-se nos jornais "os malabarismos" dos "grandes tubarões", ou melhor, dos nossos empresários de sucesso, que acompanham os governantes nas suas comitivas, que são tantas vezes elogiados e até condecorados, pelos seus feitos empresariais.

Agora ficou a saber-se que o seu patriotismo é exemplar, e que para muitos é melhor pagar poucos impostos e noutro país, do que pagar mais no próprio país. É fácil domiciliar empresas noutros países, ainda que ganhem o dinheiro cá dentro, onde pagam mal aos seus trabalhadores, sendo que estes pagam cá os seus impostos. Estes empresários não se eximem de pedir dinheiro cá dentro, por vezes pedindo ajudas do Estado, perdões fiscais e condições especiais de pagamento do que devem, sabendo que depois vão driblar o fisco e beneficiar outro país onde nem sequer têm actividade produtiva.

Sucedendo aos Panamá Papers aí estão os Malta Papers, ou melhor, a Malta do Papel que explora o país e os seus concidadãos, e anda por aí a "cagar postas de pescada", julgando que o seu oportunismo não cheira mal a léguas de distância. 


quinta-feira, maio 28, 2009

EXPLORAÇÃO HIPÓCRITA

A minha memória já não é tão fiável como acontecia há uns anos mas mesmo assim ainda não é má de todo. Enquanto lia as notícias aqui nesta máquina, os olhos saltaram para um título, por sinal gralhado, que dizia: “CIP surpreendida com perda do poder de compra do salário mínimo”.

O senhor Francisco Van Zeller, o presidente da CIP, afirmou ter ficado surpreendido com as conclusões do cálculo da TSF sobre o poder de compra do actual salário mínimo, e acrescenta que as empresas não ficaram a ganhar com o facto.

É aqui que a memória deu jeito, já que há uns meses atrás, este mesmo senhor veio dizer que os 450 euros do ordenado mínimo eram uma má notícia para os empresários e que isso ia prejudicar a competitividade das empresas nacionais. O argumento dado pelo governo na altura era precisamente o da depreciação do salário mínimo, meus caros.

Com patrões deste calibre, e falo apenas da falta de memória e de jeito para os números, o país não vai para a frente, e nesse sector específico não somos competitivos, porque as únicas soluções que sistematicamente apresentam são, a contracção dos salários e a diminuição dos impostos.

Para que conste, o próprio Eurostat demonstra nos seus dados que o salário mínimo nacional é o segundo mais baixo da zona euro, e que apesar de estar à frente da Eslováquia, há que ter em linha de conta que ficamos a perder no que diz respeito ao poder de compra, já que os preços cá são superiores.



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Nelson Santos

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