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segunda-feira, abril 26, 2021

PRODUTIVIDADE E MÉRITO EM PORTUGAL

A discussão sobre a produtividade em Portugal, é um assunto recorrente mas nunca se chega a nenhuma conclusão séria, porque dizer que os portugueses produzem pouco em Portugal, bate de frente com o que é reconhecido noutros países relativamente aos portugueses que por lá labutam.

Na primeira linha temos os meios postos à disposição pelo patronato em Portugal, que em comparação com o que se passa lá fora, deixa muito a desejar.

Os problemas de organização e do reconhecimento do mérito são menos discutidos porque dentro das empresas portuguesas há pouco diálogo, e o assunto não pode ser discutido como deve ser, fora do contexto.

Outro aspecto que passa ao lado das discussões sobre a produtividade é a fuga aos impostos, que distorce completamente os dados estatísticos.

 




 

terça-feira, novembro 05, 2019

A PRODUTIVIDADE E OS ESTÍMULOS


Em Portugal sempre que se fala em aumentos salariais o patronato vem logo com a falta de produtividade, que não permite os tais aumentos. Falar da falta de investimento, da modernização das empresas, da diminuição das disparidades salariais, das condições de trabalho, ou da sua organização, são temas que apenas decoram os discursos políticos.

Um título da nossa imprensa “Microsoft introduziu semanas de trabalho de quatro dias e produtividade aumentou 40%”, passou literalmente ao lado da opinião pública, como se fosse uma coisa que tivesse acontecido em Marte, e não no nosso planeta.

O discurso da cenoura à frente dos olhos é, por cá, reduzido aos aumentos salariais, o que é redutor. Os estímulos podem ser de diversas formas e não só de natureza salarial, e é bem verdade que trabalhadores satisfeitos são trabalhadores mais produtivos.

Há factores que motivam os trabalhadores, ou as equipas, como as boas condições de trabalho (refeitórios decentes, subsídios de alimentação razoáveis, horários e folgas compatíveis com a vida familiar), uma comunicação efectiva e um diálogo frequente entre chefias e funcionários, estabelecimento de objectivos práticos e razoáveis, formação contínua, etc.

Podia falar de prémios por desempenho para todos, e não apenas para as chefias ou administrações, mas já estava a começar a escandalizar alguns.

Enumerei alguns tipos de estímulos que estão perfeitamente ao alcance da maioria dos empregadores, e que ou já estão previstos na lei (e não são cumpridos), ou que podem ser implementados sem grandes custos, basta haver vontade e menos ganância.



sexta-feira, novembro 23, 2018

PORTUGAL VERSUS CHINA

Por vezes é curioso ver e ouvir o que dizem os nossos empresários, porque isso diz muito sobre a classe empresarial que temos neste pobre país.

O dono da Colunex, Eugénio Santos, afirmou ao Jornal de Negócios: “Andamos embebedados com esta coisa de sermos um país atractivo. Portugal é atractivo porque paga salários de terceiro mundo”. Mais afirmou ainda que na China há costureiras a ganhar mais 30% a 40% mais do que as portuguesas.

Os seus colegas da área dos têxteis, vieram logo dizer que em Portugal as costureiras ganham mais do que na China, mas não acrescentaram em que zonas da China, nem que produtos essas costureiras produzem. Só podemos comparar o que é comparável.

Eugénio Santos denunciou apenas uma parte do problema, porque além dos baixos salários que se praticam em Portugal, temos também muito maus empresários, além de ser um hábito manipularem-se os números para se pagar menos impostos, o que acaba por desvirtuar todos os dados de produtividade que constam das estatísticas oficiais.

Portugal no seu pior...


segunda-feira, dezembro 19, 2016

O FMI E A PRODUTIVIDADE

O FMI e os seus “eminentes economistas” é conhecido por dizer tudo e o seu contrário, e por ser o prestamista mais cruel a nível internacional, comportando-se como um verdadeiro agiota sem rosto.

Esta semana um jornalista do Dinheiro Vivo foi buscar um estudo dessa organização internacional, que parece concluir que os empregados mais velhos são menos produtivos.

Quem diria que o FMI que defende o aumento da idade de reforma, especialmente nos países do ajustamento, com os conhecidos maus resultados para o emprego jovem, viria a concluir isto? Curiosamente o peso dos trabalhadores com idades entre os 55 e os 64 anos, é mais baixo nos países ricos, do norte da Europa, e maior no sul, onde até os horários de trabalho são maiores em termos anuais.

Não se pode dizer que a produtividade dos mais idosos é mais baixa, e ao mesmo tempo querer que se trabalhe cada vez mais até mais tarde. Também não acho que as empresas beneficiem em ter funcionários até mais tarde, em vez de irem renovando os seus quadros, equilibrando experiência com sangue novo e novas mentalidades. O problema maior é o da Segurança Social, que pode não ter capacidade para absorver muita gente com idade (+60 anos) e tempo de descontos (+40 anos), mas daqui a uns anos será muito pior.


O FMI não tem autoridade nesta matéria, e com maior produtividade, com trabalhadores mais novos e bem preparados, com um mercado do trabalho regulado e sem incentivos a um patronato que se aproveita do desemprego jovem para os explorar sem encargos para a Segurança Social, todos ganharão a prazo.  


segunda-feira, fevereiro 15, 2016

PRODUTIVIDADE E VISTAS CURTAS

Um dos assuntos que vem sendo discutido em Portugal tem sido o regresso às 35 horas de trabalho na função pública, e tem sido notória a intenção da oposição e do patronato, em voltar os trabalhadores do privado contra os do Estado.

É sabido que os funcionários públicos já tinham tido as 35 horas semanais e que foi o governo de Passos Coelho que fez com que o regresso às 40 horas semanais fosse uma realidade, dizendo que assim se aumentaria a produtividade e se poupariam uns milhares ao erário público. Nunca o conseguiram quantificar nem foi alcançada nenhuma melhoria dos serviços, pelo contrário, mas alguns ficaram iludidos com aquela teoria.

Sempre aqui defendi a diminuição do horário de trabalho para as 25 horas e a dignificação do trabalho, com direitos e com salários decentes, porque a produtividade sempre esteve mais ligada à satisfação dos trabalhadores do que ao tempo de trabalho. Os países com mais produtividade têm menores jornadas de trabalho e melhores salários, ao contrário dos que têm menor produtividade, onde se trabalham mais horas e se praticam menores salários,

Talvez fosse útil a alguns senhores que andam por aí a dizer cobras e lagartos sobre as 35 horas de trabalho na função pública, analisarem bem o que se passa nos países do norte da Europa, sim os mesmos que nos mandam trabalhar mais tempo, antes de proferirem baboseiras.


Aqui vos deixo um link útil, curiosamente dum jornal electrónico de direita.

Emprego


Desemprego

domingo, novembro 01, 2015

QUANDO O BASTA É IMPERATIVO

A pressão exercida sobre quem trabalha, quer nos objectivos a atingir, quer no número de horas em disponibilidade absoluta, é cada vez maior, e sempre com cada vez menos recursos, é uma constante dos nossos dias, em todos os sectores de actividade.

O lucro, sempre o lucro, é o objectivo único, sempre presente em todos os serviços e actividades, como se fosse possível aumentar os proventos indefinidamente.

Há limite para tudo, seja para o esforço individual, seja para a produtividade, e ignorar esses limites leva a um retrocesso e consequente perda de produtividade, porque mesmo para a mente há limites, como para a resistência de todos os materiais.

Há muitos factores que são frequentemente esquecidos por quem gere recursos humanos, como a saúde, a realização pessoal, e ausência de preocupações com a satisfação das necessidades básicas, que impedem que se produza mais.


Em português muito simples, há quem cegue com o objectivo de obter mais produtividade, esquecendo-se de que há que saber dar para receber. O equilíbrio é difícil, mas é aí que está a ciência da produtividade! 


sexta-feira, abril 17, 2015

OS DESCARTÁVEIS



De há algum tempo a esta parte o factor trabalho passou a ser desprezado por quem a ele recorre, e pelos governantes deste país.

Começando pelos governantes, basta recordar os nossos, que não têm vergonha em afirmar que os custos do trabalho ainda pesam muito para as empresas, ainda que tenhamos dos salários mais baixos da Europa, impostos sobre os salários ao nível dos praticados nos países mais desenvolvidos, isto logo a seguir a ter aliviado o IMI das empresas, sem mexer no IRS dos trabalhadores.

Falando dos empregadores, temos uma grande quantidade deles que se aproveitam do desemprego crescente para oferecer salários cada vez mais baixos, muitos aproveitam todos os incentivos governamentais para contratar a prazo, descartando-se destes trabalhadores logo que acabam as ajudas ou benefícios fiscais, voltando a contratar outros ao abrigo das mesmas benesses.

Note-se que estes governantes e empresários são os mesmos que há pouco tempo falavam duma cultura de mérito, da falta de mão-de-obra qualificada e de falta de produtividade. Não há um só que consiga demonstrar que este tipo de política de recursos humanos é a mais eficaz para incrementar a produtividade e o aumento da qualidade do que é produzido, mas são estes empresários e gestores, que ganham chorudos prémios de gestão, quem sabe se do tipo dos conseguidos por outros Bavas deste mundo…



quarta-feira, abril 09, 2014

SATISFAÇÃO E PRODUTIVIDADE

Quando se fala em “começar a discutir” o aumento do salário mínimo nacional, num país onde as horas de trabalho aumentam, os salários baixam, os despedimentos são facilitados e os direitos são diminuídos, muitos se perguntam sobre as reais intenções de patrões e do governo.

O pretexto com que chegou a este estado de coisas, onde quem trabalha está a ser obrigado a pagar por erros de outrem, tem sido a crise e a falta de produtividade.

É óbvio que a crise só se resolve com mais trabalho, e não com mais desemprego como tem acontecido, mas não existe qualquer evidência de que o aumento de horas de trabalho ou a diminuição de salários e de direitos, resulte em mais produtividade.

Por mera curiosidade, diga-se, uma cidade sueca decidiu reduzir à experiência o horário de trabalho de sete para seis horas diárias. Também, e para que conste, houve uma conclusão da directora da Social Policy at the  New Economics Foundation que diz tudo: “menos horas de trabalho criam uma força de trabalho mais comprometida e estável”.

Para o vice-presidente da câmara da dita cidade sueca ficam duas afirmações bastante elucidativas: “poupar dinheiro, tornando os seu trabalhadores mais produtivos durante as horas de trabalho” e a esperança de que “os trabalhadores faltem menos ao trabalho e se sintam melhor – tanto mental, como fisicamente – após dias de trabalho mais curtos”.


Porque será que a produtividade em Portugal é menor que na Suécia? A resposta é tão evidente que nem me preocupo em a plasmar aqui…


segunda-feira, janeiro 16, 2012

A COERÊNCIA DO PATRONATO

O patronato português, ou pelo menos uma boa parte dele, só conhece uma receita para aumentar a produtividade que é a diminuição dos salários dos seus empregados.

Nunca percebi muito bem porque é que se estudam nas universidades as estratégias para incrementar a produtividade, se a solução dos problemas se resume a baixar salários. Eu até já os tinha ouvido falar em premiar o mérito, em incentivar a competência e em recompensar a assiduidade, mas isso são águas passadas.

Agora a última estratégia que pretendem adoptar é a de descontar as pontes nas férias, mesmo sem o acordo dos trabalhadores. Formidável!

Para quem estava preocupado com a produtividade e afirmava que existiam demasiados feriados em Portugal, vai de conceder umas pontes e descontar esses dias nas férias dos trabalhadores, e fica resolvido o problema, na óptica do patronato e do governo.

Ficamos todos a saber que afinal não é preciso produzir mais, e que os feriados mesmo sendo muitos, ainda há espaço para se fazerem umas pontes, sempre à vontade do patrão, mas descontando esses dias às férias dos funcionários. Estes tipos são uns génios!

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Foto - Margarida

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Humor Sem Rosto

terça-feira, dezembro 13, 2011

A SAÚDE E O DINHEIRO

Há quem continue a pensar que é apenas o dinheiro que faz o mundo girar, e engana-se, porque sem saúde o dinheiro não vale nada.

A riqueza resulta do trabalho de todas as actividades que se conhecem, mas para trabalhar as pessoas necessitam de ter saúde, porque senão não podem produzir o suficiente para ser suficientemente rentável o seu desempenho.

Em Portugal temos políticos e gestores que encaram a saúde apenas como um negócio e não como um investimento, demonstrando completa falta de visão.

É um dado adquirido e comprovado que trabalhadores motivados, saudáveis e confiantes no seu futuro são mais produtivos, mas a aposta dos nossos políticos actuais vai exactamente em sentido contrário.

A boa saúde dos cidadãos é do interesse de todos, Estado, patronato e restante população, e as medidas que este governo está a tomar, que não moderam o seu acesso, antes o dificultam ou mesmo impedem, são inconstitucionais e lesivas do interesse nacional.



domingo, novembro 04, 2007

PARA MEDITAR

Tornou-se comum ao abordar o tema da produtividade, focar as horas de trabalho não produtivas. É evidente que há uma razão subjacente a esta associação e prende-se sempre ao desejo de desregulamentar os horários de trabalho, e acrescentar mais umas horas de trabalho, sem um aumento de custos.
A estratégia cega de querer mais lucros alterando apenas as leis, é um grande disparate porque está provado que não é o maior número de horas trabalhadas, que conduz por si só a um aumento da produção e a melhorias de qualidade.
Na óptica patronal a estratégia parece fazer algum sentido, mas com no processo produtivo também estão envolvidos os que na prática produzem os produtos, fica uma das partes de fora nesta equação. Este é o calcanhar de Aquiles destes intentos.
Analisando bem os grandes factores ligados à produtividade, mesmo falando de empresas de 1ª linha, temos como principais fragilidades o planeamento, a competência e o conhecimento, e a motivação dos colaboradores. O planeamento ao nível de quem dirige tem de ser consistente, implica o conhecimento perfeito dos mercados e dos dos clientes, bem como das capacidades da empresa no seu todo. A competência e o conhecimento, aliados à capacidade de liderança, são factores indispensáveis às chefias intermédias, que têm que fazer a ponte entre a gestão de topo e a produção mantendo a confiança das duas partes, o que exige tacto e muita experiência. Por último temos o factor motivação, que é precisamente um equilíbrio de interesses, entre o desejo de aumentar os lucros da empresa e a satisfação natural de quem produz, vendo recompensado com mais justiça o seu empenhamento e dedicação.Este equilíbrio neste momento já não existe na maioria das empresas, e a tendência parece ser a de aprofundar ainda mais o desequilíbrio, prejudicando-se assim a produtividade e criando tensões sociais que a curto ou médio prazo terão de vir à tona.

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Fotografia
Eden I by failingjune
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Um Poster Interessante

Poster Series 2 by Jadetree1441

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Humor Pouco Divulgado

Mirror Image by Granitoon

Got Wood? by Shadyufo

Crimes in progress by Latuff2