domingo, novembro 15, 2020
quarta-feira, novembro 11, 2020
A ARTE DE GOVERNAR PARA OS GRANDES MERCEEIROS
A coberto da epidemia de Covid, e do estado de emergência estamos a assistir aos maiores disparates deste Governo, que parece alheado de bom senso nas medidas e afirmações com que nos brinda.
A medida de limitação de circulação nos próximos dois fins de semana a partir das 13 horas, e consequente fecho de lojas, cafés e restaurantes a partir dessa hora, é alvo de todas as críticas, e com bastante razão. O problema não está na necessidade de restringir movimentos, mas sim na ineficácia anunciada, pelas injustiças que cria, e até pelas excepções conhecidas.
Durante muito tempo a nossa sociedade sobreviveu com o comércio fechado aos sábados à tarde e aos domingos, em que abertos só estavam os cafés, restaurantes, e actividades ligadas à Cultura e ao lazer, bem como algumas farmácias, e ninguém morreu por causa disso.
Agora o Governo pretende, ao abrigo do estado de emergência, fechar tudo a partir das 13h aos sábados e domingos, exceptuando os supermercados, que como se sabe são quase todos das grandes cadeias alimentares. Esta excepção não se entende, até porque essas superfícies vendem muito mais do que os artigos constantes das excepções consideradas (alimentação e higiene), podendo assim praticar uma concorrência desleal com o beneplácito do Governo. Mais, os grandes merceeiros do pedaço preparam-se para alargar os seus horários.
Outro disparate que não pode passar sem ser referido prende-se com afirmações do ministro Eduardo Cabrita que veio ameaçar que “se for necessário”fecha as estradas e ferrovias” para controlar o cumprimento dos limites à circulação nos fins de semana. Este tique autoritário do senhor ministro, que das recomendações, passou às participações com carácter punitivo, e agora ao bloqueio de estradas e ferrovias, é excessivo e coloca mesmo em causa a aceitação deste estado de emergência, tal qual nos foi apresentado.
Se alguém beneficia destas medidas são os supermercados e a grande distribuição, é a conclusão a que podemos chegar, isto sem questionar a bondade de evitar contactos sociais e familiares...
sábado, novembro 07, 2020
TRUMP - A HORA DA DESPEDIDA
Tudo indica que o reinado de Trump na Casa Branca está em vias de acabar, e com ele espera-se que outros que tais também sejam varridos do poder.
O consulado de Trump foi dos piores de que há memória nas últimas décadas, não só pelas políticas seguidas, mas sobretudo pelas palavras e acções dum indivíduo que não tinha qualidades para ocupar tão alto cargo num dos países mais poderosos do planeta.
Na hora da saída nem sequer tentou mostrar alguma dignidade, preferindo manter a sua atitude truculenta, com as mentiras de que sempre abusou e os insultos que se tornaram imagem de marca.
Já vai tarde, e não vai deixar saudades às pessoas de bem...
Deixo-vos alguns cartoons, dos muitos que circulam hoje na Internet
CONSTATAR O MAU EXEMPLO
Li a notícia “Teletrabalho também será obrigatório nos serviços públicos dos concelhos de risco” e confesso que fiquei siderado.
Segundo o Público esta obrigatoriedade foi esclarecida pelo Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública, mas depois acaba por afirmar que, “porém, os funcionários públicos não são abrangidos pelos mecanismos previstos para o sector privado e que permitem ao trabalhador contestar a decisão da empresa de não adoptar o teletrabalho.”
Enfim, ou o artigo está truncado, ou então isto é muito confuso e demonstra que o Estado não respeita o que impõe ao sector privado.
Seja verdade ou engano, importa dizer que o Estado não se obriga a fornecer o computador para o funcionário trabalhar de sua casa, nem prevê qualquer pagamento compensatório pela utilização do seu material, da sua rede e da sua energia para desenvolver o seu trabalho, aliás como fez na 1ª vaga do Covid.
Enfim, nada de novo para quem conhece por dentro o Estado, que como patrão deixa muito a desejar…
terça-feira, novembro 03, 2020
OBRIGAÇÕES E INTERPRETAÇÕES
sábado, outubro 31, 2020
ISTO É UMA PÂNDEGA
sexta-feira, outubro 30, 2020
COMO SE DÁ FORÇA AOS EXTREMISTAS
A medida restritiva da deslocação dos cidadãos entre concelhos é contrária à letra da Constituição e nenhuma outra lei a ela se sobrepõe, isto é absolutamente claro, mas há quem queira iludir a questão, manifestando o seu medo relativamente ao estado de emergência.
O Presidente Marcelo fugiu à resposta quando questionado sobre a legalidade das medidas do Governo com a já muito conhecida “recomendação agravada” que em termos jurídicos não é nada. Eduardo Cabrito também iludiu a questão dizendo que “a nossa dimensão é essencialmente pedagógica”, e ambos foram contrariados pelas declarações dos responsáveis das forças de segurança que afirmaram claramente que as autoridades farão cumprir a “a lei”, que é a sua missão.
Agora o Governo veio contestar o pedido de suspensão das restrições para a época dos Finados com o argumento de que aquele partido não é “titular de nenhum dos direitos fundamentais”, e mais um outro preciosismo jurídico. É ridículo que estejamos a assistir a esta farsa, pois já se percebeu que a medida é inconstitucional.
Quando quase todos os partidos políticos e o próprio Presidente da República fogem a chamar as coisas pelos nomes, e persistem em assobiar para o ar em matéria constitucional, fazem com que os cidadãos deixem de confiar nos políticos e na política e se atirem nos braços de um qualquer populista que finja defender a Constituição e a legalidade.
Acho que fica claro a quem esta atitude incompreensível serve às mil maravilhas…
quinta-feira, outubro 29, 2020
MARCELO AOS PAPÉIS
Neste momento Portugal encontra-se em estado de calamidade e não em estado de emergência, o que limita a acção do Governo nas medidas que toma perante a epidemia que enfrentamos. Quando falo em limitações falo na “suspensão do exercício de direitos, liberdades e garantias… declarados na forma prevista na Constituição.
O Governo já pisou o risco com a proibição de deslocação entre concelhos neste próximo fim-de-semana, e as autoridades policiais foram ainda mais longe, interpretando abusivamente o que foi determinado, acrescentando que “a ordem é ficar em casa”.
Isto vem a propósito das afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa, que foi nomeado como garante da Constituição, que aliás conhece melhor do que ninguém, que enquadrou a restrição de circulação entre concelhos como “recomendação agravada”, seja lá o que isso for à luz da lei.
Esta limitação de circulação não é enquadrável em situação de estado de calamidade, e tanto Costa como Marcelo sabem-no, pelo que é um caso grave que deixem passar as declarações das autoridades policiais, que deixam em aberto actuar “com firmeza e com rigor impor a lei quando e se assistirmos a comportamentos negligentes ou dolosamente potenciadores da contaminação.”
A falta de clareza, de rigor e de audição e análise das críticas pode acarretar problemas entre cidadãos e as autoridades, problemas legais, e complicações de outra ordem, que teriam sido evitados se Costa e Marcelo tivessem actuado correcta e atempadamente.
Nota: Não se infira que sou contra as medidas, porque o que questiono é apenas o modo como elas são tomadas sem o respaldo legal. Esta é a pior forma de ganhar credibilidade e respeito dos cidadãos, abrindo espaço aos extremismos que se apresentam assim como os mais respeitadores da Lei.













