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quinta-feira, novembro 30, 2023

REAGIR OU ANTECIPAR?

Carlos Moedas o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa veio hoje, e perante os resultados do mau tempo verificado na capital, dizer textualmente " estamos um bocadinho a reagir antes dos acontecimentos...", confundindo-se nas palavras, pois reagir é sempre uma acção tomada depois dos acontecimentos, o seu contrário, a antecipação, é feita antes de acontecimentos, como os verificados nesta ocasião.


 

quinta-feira, outubro 29, 2020

MARCELO AOS PAPÉIS

Neste momento Portugal encontra-se em estado de calamidade e não em estado de emergência, o que limita a acção do Governo nas medidas que toma perante a epidemia que enfrentamos. Quando falo em limitações falo na “suspensão do exercício de direitos, liberdades e garantias… declarados na forma prevista na Constituição.

O Governo já pisou o risco com a proibição de deslocação entre concelhos neste próximo fim-de-semana, e as autoridades policiais foram ainda mais longe, interpretando abusivamente o que foi determinado, acrescentando que “a ordem é ficar em casa”.

Isto vem a propósito das afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa, que foi nomeado como garante da Constituição, que aliás conhece melhor do que ninguém, que enquadrou a restrição de circulação entre concelhos como “recomendação agravada”, seja lá o que isso for à luz da lei.

Esta limitação de circulação não é enquadrável em situação de estado de calamidade, e tanto Costa como Marcelo sabem-no, pelo que é um caso grave que deixem passar as declarações das autoridades policiais, que deixam em aberto actuar “com firmeza e com rigor impor a lei quando e se assistirmos a comportamentos negligentes ou dolosamente potenciadores da contaminação.”

A falta de clareza, de rigor e de audição e análise das críticas pode acarretar problemas entre cidadãos e as autoridades, problemas legais, e complicações de outra ordem, que teriam sido evitados se Costa e Marcelo tivessem actuado correcta e atempadamente.

Nota: Não se infira que sou contra as medidas, porque o que questiono é apenas o modo como elas são tomadas sem o respaldo legal. Esta é a pior forma de ganhar credibilidade e respeito dos cidadãos, abrindo espaço aos extremismos que se apresentam assim como os mais respeitadores da Lei.


 

terça-feira, julho 02, 2019

MAFRA - BOAS INTENÇÕES, ERROS EVITÁVEIS


Compreende-se que haja quem esteja empenhado em ver o Palácio Nacional de Mafra ser classificado como Património da Humanidade, mas há que ter atenção ao modo como se promove tão importante edifício que faz parte do Património Nacional.

Lamenta-se que o vídeo em questão, com a chancela de entidades públicas nacionais, tenha um erro tão evidente como o que se pode ver na imagem acima.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

ESTATÍSTICAS ERRADAS



Existem números que são referidos pelas autoridades nacionais e internacionais que são perfeitamente enganosos, e curiosamente são sobre esses números que essas mesmas instituições constroem a sua teoria da “austeridade virtuosa”.


Um dos “méritos” mais referidos pelo governo é a taxa de risco de pobreza em Portugal que, dizem, até desceu. Acredita quem quer nos arautos das “verdades oficiais”.


“Descascando” o modo como é calculado o risco de pobreza dum país, que é considerado apenas quando se ganha menos de 70% do rendimento médio do país, qualquer leigo se pergunta porque é que não se entra em conta com o custo de vida e com o rendimento médio do país, comparativamente aos seus parceiros, neste caso europeus.


Só por curiosidade deixo alguns números elucidativos da falta de rigor deste cálculo, como por exemplo o facto de Portugal ter em 2013 um PIB per capita de 15,8 mil euros, a Espanha de 25,7 mil euros e o Luxemburgo de 83,4 mil euros. É curioso também saber que o custo de vida em Portugal e em Espanha ser quase idêntico, ainda que ligeiramente superior por cá, e o risco de pobreza em Espanha atinge 28,2% e em Portugal temos só 25,3% de pessoas em risco de pobreza.


«Cada vez gosto mais» das “cabecinhas pensadoras” desta Europa dos ricos que nos subjuga.  


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quinta-feira, fevereiro 21, 2013

O GÉNIO NÃO ERRA



Os portugueses são, no seu conjunto, testemunhas de que Vítor Gaspar se fartou de encher a boca com a afirmação de que não iria pedir nem mais tempo nem mais dinheiro à troika, até o meio desta semana.

Todos sabiam que tal objectivo era impossível, e não foram poucos os que sempre o disseram, e que foram alvo de grandes críticas por parte do executivo e da maioria que o suporta. Como acontece sempre, a verdade acaba sempre por vir à tona e até governantes que estavam escudados na sua soberba, acabam por ter que dar o braço a torcer.

Não é uma vitória de ninguém, mas não deixa de ser uma derrota do sábio Vítor Gaspar e do seu seguidor Passos Coelho, que não conseguiram antecipar que era necessário mais tempo, e que o ritmo frenético das medidas de austeridade iriam ter como resultado um enorme desemprego, um aumento da dívida pública e uma recessão tão grande que demorará anos a ser revertida.


terça-feira, novembro 13, 2012

O QUE É DOENTIO...



É simplesmente lamentável que Passos Coelho tenha afirmado que é doentio sublinhar tudo o que pode correr mal nesta caminhada para o equilíbrio financeiro.

De Angela Merkel a maioria dos portugueses não espera nada de bom, mas também não se esperava viesse dizer, nesta altura, que na política 50% é psicologia.

É doentio ver Passos Coelho submisso à chanceler alemã, evitando a todo o custo reconhecer que os portugueses já ultrapassaram a sua capacidade de sacrifício, só para agradar à dita. É doentio pensar-se que as dificuldades económicas que os portugueses passam se resolvem com uma qualquer dose de psicologia.

Enquanto Coelho e Merkel se elogiavam um ao outro, e afirmavam acreditar na receita de austeridade que tem vindo a ser seguida, a presidente do FMI vem dizer que aquela instituição procura uma “solução real” para a Grécia, e não uma solução rápida como a que até agora foi seguida, pois não solucionou os desequilíbrios do país.

É doentio não querer ver o que está mais do que evidente aos olhos de todos. Esta receita já se mostrou errada, e insistir no erro não demonstra inteligência.



domingo, novembro 04, 2012

ERRO DA RECEITA




É público e notório que o aumento generalizado dos impostos em 2011 e 2012 conduziu a uma diminuição clara da sua colecta, que nenhum modelo utilizado pelo governo e pela troika conseguiu prever.

Não sendo novidade para quem conhece bem a nossa sociedade, parece que quem rege os destinos da nação a nível político e económico foi surpreendido pelos resultados. O razoável seria que a lição tivesse sido apreendida pelos responsáveis mas não é isso que está à vista, porque teimosamente insistem no erro na elaboração do Orçamento de Estado para 2013.

Vendo que o único imposto que realmente subiu foi o IRS, a receita apenas foi alterada com o aumento ainda maior deste imposto, desprezando o facto de haver cada vez mais desemprego e de também no IRS poder vir a aumentar uma fuga aos impostos, como aliás aconteceu com os restantes.

Governo e troika estão empenhados em sufocar ainda mais a economia cortando não só nos rendimentos do trabalho, mas também nas funções sociais do Estado, o que torna o que já era muito difícil numa tarefa impossível. A partir de um certo ponto de sacrifícios perdem-se duma assentada a esperança e a vontade de contribuir dum modo construtivo para o bem comum.

Independentemente das considerações já feitas e repetidas, o que ainda está sem resposta é a razão porque esta gente continua com a sua (má) estratégia, contra a vontade e contra os interesses dos cidadãos, que obviamente já deixaram de acreditar nesta infeliz receita.



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