segunda-feira, janeiro 25, 2021

OS SERVIÇOS ESSENCIAIS

Foi efectuado um plano de vacinação onde estavam definidas as prioridades, dividas em três grupos, e depois de conhecido este plano não se registaram protestos. O plano parecia ajustado e foi aceite pela generalidade dos cidadãos.

Os casos de suspeitas de infecção do Presidente, com testes e mais testes, dúvidas e hesitações, começou a aparecer quem dissesse que os principais representantes da nação deviam ser incluídos no primeiro grupo a aceder à vacinação. Marcelo tomou posição e disse que esperava pela sua vez, que como se sabia era no segundo grupo de prioridade.

Houve informações contraditórias sobre a vacinação de membros de órgãos de soberania (nunca definindo que ficaria incluído), e agora vemos a ministra Marta Temido anunciar que a seguir aos lares de idosos irá avançar-se para “a vacinação dos outros serviços essenciais”, onde cabem os bombeiros, forças de segurança e também titulares de órgãos de soberania.

Correndo o risco de ser chamado de populista, não concordo com a inclusão (muito indefinida) de titulares de órgãos de soberania no grupo dos serviços essenciais, onde não estão os trabalhadores das mercearias e supermercados, talhos e peixarias, bem como os da recolha de resíduos sólidos e tantos outros que permitem que a país seja abastecido, tenha as devidas condições sanitárias e funcione dentro da normalidade possível.

Estas alterações ao plano inicial deixam sempre a sensação de que alguns podem passar à frente de outros, e que somos todos iguais, mas alguns mais do que outros.




 

domingo, janeiro 24, 2021

A DIREITA QUE SE CUIDE

Quando saíram as primeiras projecções de resultados das eleições presidenciais recebi umas mensagens de amigos de diversos quadrantes políticos, e todos tinham a sua interpretação das projecções, e todos tinham a opinião de que ganhou quem se esperava e que depois havia o campeonato dos outros, onde cada um lutava pela sua sobrevivência.

Não se pode discutir a victória de Marcelo Rebelo de Sousa, que era esperada, mas os resultados das sondagens dão quase como certos os lugares, em segundo Ana Gomes, em terceiro André Ventura, em quarto Marisa Matias, em quinto João Ferreira, em sexto Tiago Mayan, e em sétimo Vitorino Silva.

Admito todas as opiniões, e os meus amigos têm diversas, mas permito-me divulgar as minhas sem medo do julgamento dos que discordam agora de mim.

Na minha análise a direita ficou refém de André Ventura e será quem mais terá a perder a médio prazo, porque o PSD não teve candidato seu (Marcelo concorreu sem pedir o apoio do PSD), o CDS desapareceu nos rankings porque o candidato do Chega obteve uma percentagem superior à do CDS, e a extrema-direita afirma-se como indispensável para qualquer governo ou maioria de direita.

A esquerda, apesar dos seus números pouco inspiradores, marcou a sua posição (à excepção do PS), e transformou esses resultados na única esperança do PS para poder governar à esquerda.

Os campos políticos ficam definidos e creio que a direita fica com a fava, porque só alcançará o poder com acordos à extrema-direita de André Ventura.  


 

quinta-feira, janeiro 21, 2021

DESCONTROLE

A teimosia de António Costa no caso do fecho das escolas, em que partiu da negação absoluta, passou pela negação suave, pela possibilidade se fosse por causa da estirpe britânica, e depois pelo fecho total sem aulas à distância, é lamentável e até condenável.

Justificando-se com o argumento de que o encerramento total é por causa da estirpe britânica, que esta semana teve um crescimento muito significativo, decretou o encerramento total das aulas presenciais, transformando estes 15 dias em férias de emergência, a compensar posteriormente. Inédito é constatar que o comunicado do Conselho de Ministros diz que os privados também têm que parar.

Pelo que se percebe ainda não foram distribuídos os computadores já comprados, e muitos ainda nem foram adquiridos, ao contrário do previsto, e o ministério não terá preparado um plano alternativo que pudesse ser usado se fosse necessário, como agora se verificou.

Esta trapalhada total é que não era prevista por ninguém, e é mais grave ainda porque acontece quando a Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia atravessa dificuldades por causa doutra trapalhada do Governo português.

 

 https://www.soescola.com/wp-content/uploads/2017/01/escola-desenho.jpg

quarta-feira, janeiro 20, 2021

INDEX - CURIOSIDADE

Isto de andar à volta com livros antigos em latim tentando relembrar as lições (poucas) a que assisti, e às quais não dava qualquer atenção, por serem obrigatórias, leva-me a encontrar coisas com as quais me cruzei no meu percurso laboral.
 
Passando pelo estudo da Inquisição, e cruzando isso com a Biblioteca de Mafra, lá fui esbarrar no Index e nos livros proibidos que lá se encontram com a classificação de "Miscelânia vária". 
 
A minha curiosidade residia nos critérios de proibição a que obedecia quem colocava os livros na tal relação, e diga-se que foi com alguma rapidez que lá cheguei, pois as 10 regras estão logo no princípio do livro.
 
Agora vou dar mais umas voltinhas por aqui, por mera curiosidade e também para exercitar a língua.
 
Uma gravura do livro

                                 Esta é a 4ª Regra, dum total de 10

 

sábado, janeiro 16, 2021

O CONFINAMENTO POUCO RESPEITADO

O confinamento fofinho que eu critiquei desde o seu início, tem consequências nefastas que derivam da falta de firmeza nas convicções de quem o decretou. Sabemos que tanto o Governo como a Presidência tentaram atirar as responsabilidades sobre os cidadãos, tentando assim ficar livres de responsabilidades, mas isso demonstra o seu divórcio com a realidade do país.
 
A responsabilidade em casos de emergência é do Governo e do Presidente e não dos cidadãos, e é a eles que compete decidir o que se pode e não pode fazer, em mensagens claras e precisas.
 
Agradar a gregos e a troianos é duma irresponsabilidade imensa, e a fuga às responsabilidades é dum cinismo inimaginável.
 
A tentativa de mandar as autoridades punir os mais fracos e deixar por punir os grandes e poderosos, como se pretende (ver as regras das grandes superfícies) é duma cegueira imensa.
 
O Presidente veio agora "meter a pata na poça" ao dizer que é obrigatório usar a máscara nos passeios higiénicos, quando devia ser o primeiro a saber que a regra não é bem essa. A clareza ficou bem ao lado, e isso vai (e aconteceu em Abril) fazer com que a polícia actue perante cidadãos que estavam a fazer o seu passeio higiénico em zonas onde não era necessário o uso da máscara.
 
O que nasce torto tarde ou nunca se endireita.  
 


Porto - Foto: Rui Oliveira/Global Imagens

 

quarta-feira, janeiro 13, 2021

CONFINAR E CRITÉRIOS

A partir da próxima sexta feira Portugal vai, mais uma vez, entrar em confinamento devido à grave situação sanitária que enfrenta devido à pandemia de Covid 19.

A decisão do Governo vem agora tentar inverter uma situação que resulta da abertura inoportuna que permitiu no Natal, que nos levou a tristes recordes de infectados, hospitalizados e mortos.

Costa defendeu-se quanto ao atraso no confinamento, com a necessidade de ouvir os especialistas, mas depois acabou por tomar medidas políticas, como aliás lhe competia.

Na generalidade as medidas são as esperadas, atendendo ao que houve no passado e aquilo que se tem dito nos últimos dias, mas existem decisões muito discutíveis e até incompreensíveis.

O não encerramento das escolas, especialmente dos níveis etários mais altos, é absolutamente incompreensível. A maioria dos especialistas indicaram claramente que quanto mais se confinar, melhores e mais rápidos seriam os resultados, mas Costa ignorou isso. Dizer que “até agora as escolas têm tido um funcionamento exemplar” carece de fundamento científico, e está em absoluta contradição com outra afirmação, também do 1º ministro “quanto mais isolados estivéssemos menos transmitimos. Se todos fizessem isso de forma espontânea não teríamos de estar aqui hoje.”

É discutível que se permitam os serviços religiosos e não se permitam espectáculos culturais, que obedecem às mesmas restrições por parte da DGS, ou que se proíbam os desportos amadores e não os profissionais.

As críticas são legítimas e muitas absolutamente fundadas,  mas como a decisão é política, a responsabilidade também é dos decisores, e não vale a pena tentar desviar as responsabilidade para os portugueses, como tem acontecido.

                                                         Regra é ficar em casa”. António Costa anuncia confinamento geral a partir  de 00h00 de sexta-feira – O Jornal Económico

terça-feira, janeiro 12, 2021

MUSEUS - GRÁTIS É BOM?

A Direcção Geral do Património Cultural veio ontem anunciar que os museus palácios e monumentos sob sua tutela passam a ser gratuitos durante todo o dia aos domingos e feriados, duplicando assim o período da gratuitidade que vigorava.

É habitual dizer-se que quanto mais coisas forem grátis, melhor, mas será que é mesmo assim? Num mundo perfeito talvez fosse assim, mas nós não vivemos num mundo perfeito, e todos pensamos de modo diferente, o que nos faz únicos.

Comecemos por considerar que os melhores museus do mundo, quase todos, têm entradas pagas, e que os palácios com entradas mais caras de Portugal, são os mais visitados. Será que isto desmente a teoria dos que acham que ser grátis é que é bom?

Recordo-me de um dia os responsáveis dum serviço destes ter decidido que o bilhete de entrada devia dar direito a um desdobrável que normalmente servia de guia aos visitantes e, ao final do dia viam-se desdobráveis pelo chão, dentro e fora do serviço. Dá-se mesmo assim tanto valor ao que é gratuito?

Sou sensível ao argumento que todos devíamos ter direito a aceder aos bens culturais, independentemente do tamanh da nossa bolsa, mas curiosamente parece que só o querem aplicar ao Património.Também acho que se devia chegar a quem menos pode, e a quem menos tem acesso ao nosso Património, mas será que para isso basta abrir as portas?

Boa parte dos nossos museus, palácios e monumentos não tem visitas guiadas grátis, a que os portugueses possam aceder, de modo a acrescentar algum conteúdo à visita. Quantos têm uma aplicação acessível através do telemóvel que quase todos temos? Custará assim tanto fornecer Cultura em vez de dar apenas a oportunidade para se tirarem uma selfies com um fundo diferente?

Por último mas não menos verdadeiro, será que já pensaram na DGPC que com esta medida só estão a pedir maiores esforços aos trabalhadores da vigilância, que além de serem escassos são muito mal pagos (pouco acima do SMN), e são discriminados pois ao contrário dos seus colegas com a mesma categoria, são obrigados a trabalhar sábados, domingos, sem receberem mais por isso?

É tão fácil decretar as gratuitidades, mas não vale vir logo de seguida dizer que não têm verbas para fazer a manutenção dos museus, palácios e monumentos, ou para contratar o pessoal necessário, ou ainda para pagar melhor aos funcionários.


 

segunda-feira, janeiro 11, 2021

FAZER E DESFAZER

Parece que vai em frente a ideia peregrina de José Sá Fernandes, no seu papel de novo Marquês, de retirar os brasões, que representam as armas das cidades capitais de distrito portuguesas e das ex-colónias, do jardim da Praça do Império, por considerar já estarem “ultrapassados" e desconfigurados devido à falta de manutenção.
 
Nunca terá passado pela cabeça deste novo tirano municipal, que há quem possa arranjar os ditos brasões, e que eles fazem parte da História de Portugal. Transformar aquilo num relvado talvez seja mais barato, e irá permitir que no Verão sejam muitos os turistas a deitar-se por ali dando uma imagem que deve agradar mais a JSF.
 
O facto dos brasões terem sido acrescentados alguns anos depois de ter sido feita a praça. não invalida que tenham sido lá colocados no V Centenário da morte do Infante D. Henrique, de algum modo ligado aos maior feitos marítimos, que afinal são a razão de ser da praça.
 
Há quem nasça para fazer, e quem nasça para desfazer...




 


quarta-feira, janeiro 06, 2021

VERGONHA

Os Estados Unidos da América foi considerada nos tempos modernos tem sido o de uma Democracia estável e, para muitos, um exemplo e um garante da estabilidade no mundo.

Desde a eleição de Donald Trump os EUA passaram a ser uma caricatura de si mesmos, com um pessoa completamente desequilibrada ao leme. Depois de muitas diatribes que nem quero descrever, eis que perdeu nas urnas nas recentes eleições presidenciais, como reconhecem todas as instituições, mas Trump recusa-se a aceitar, querendo fazer valer a sua opinião.

Hoje a situação vivida no Capitólio foi uma vergonha, com o aval de Trump, dando uma imagem dos EUA que devia envergonhar todos os democratas. 

 

Apoiante de Trump dentro do Capitólio

The Guardian  Photograph: Win McNamee/Getty Images

Seguranças do Capitólio, foto do El País

                               Apoiantes de Trump dentro do Capitólio, foto do El País