segunda-feira, dezembro 08, 2025
terça-feira, janeiro 12, 2021
MUSEUS - GRÁTIS É BOM?
A Direcção Geral do Património Cultural veio ontem anunciar que os museus palácios e monumentos sob sua tutela passam a ser gratuitos durante todo o dia aos domingos e feriados, duplicando assim o período da gratuitidade que vigorava.
É habitual dizer-se que quanto mais coisas forem grátis, melhor, mas será que é mesmo assim? Num mundo perfeito talvez fosse assim, mas nós não vivemos num mundo perfeito, e todos pensamos de modo diferente, o que nos faz únicos.
Comecemos por considerar que os melhores museus do mundo, quase todos, têm entradas pagas, e que os palácios com entradas mais caras de Portugal, são os mais visitados. Será que isto desmente a teoria dos que acham que ser grátis é que é bom?
Recordo-me de um dia os responsáveis dum serviço destes ter decidido que o bilhete de entrada devia dar direito a um desdobrável que normalmente servia de guia aos visitantes e, ao final do dia viam-se desdobráveis pelo chão, dentro e fora do serviço. Dá-se mesmo assim tanto valor ao que é gratuito?
Sou sensível ao argumento que todos devíamos ter direito a aceder aos bens culturais, independentemente do tamanh da nossa bolsa, mas curiosamente parece que só o querem aplicar ao Património.Também acho que se devia chegar a quem menos pode, e a quem menos tem acesso ao nosso Património, mas será que para isso basta abrir as portas?
Boa parte dos nossos museus, palácios e monumentos não tem visitas guiadas grátis, a que os portugueses possam aceder, de modo a acrescentar algum conteúdo à visita. Quantos têm uma aplicação acessível através do telemóvel que quase todos temos? Custará assim tanto fornecer Cultura em vez de dar apenas a oportunidade para se tirarem uma selfies com um fundo diferente?
Por último mas não menos verdadeiro, será que já pensaram na DGPC que com esta medida só estão a pedir maiores esforços aos trabalhadores da vigilância, que além de serem escassos são muito mal pagos (pouco acima do SMN), e são discriminados pois ao contrário dos seus colegas com a mesma categoria, são obrigados a trabalhar sábados, domingos, sem receberem mais por isso?
É tão fácil decretar as gratuitidades, mas não vale vir logo de seguida dizer que não têm verbas para fazer a manutenção dos museus, palácios e monumentos, ou para contratar o pessoal necessário, ou ainda para pagar melhor aos funcionários.
sexta-feira, agosto 15, 2008
CURTINHAS
Pobres ricos – Estou tremendamente desgostoso com a triste notícia da revista Exame, onde se afirma que a crise também atingiu as grandes fortunas portuguesas. Este ano, e a procissão ainda vai no adro, a riqueza dos nossos pobres milionários vale menos 6% do que no ano passado, ano esse em que tinham aumentado “apenas” 36%. É de prever que alguns destes milionários lusos tenham de recorrer ao rendimento mínimo para sobreviverem no que resta de 2008.
Turismo em quebra – Como era de prever os números referentes ao turismo em Portugal já reflectem a crise económica mundial, apesar das palavras de optimismo dos responsáveis pelo sector. Os meses de Junho e Julho foram mais fracos do que os do ano passado, e mesmo o turismo interno registou mudanças, especialmente para destinos mais baratos, e regista também uma sensível diminuição na procura.
quarta-feira, junho 25, 2008
A REALIDADE E A FICÇÃO
Se nos inquéritos internacionais Portugal aparece como o país onde os cidadãos são os mais preocupados com o futuro, é porque há razões objectivas para que este sentimento se manifeste. Claro que há outros dados que baralham as coisas, intencionalmente ou não, e que saem em simultâneo, certamente por coincidência, se é que alguém acredita nelas.
Face aos outros 26 parceiros da União Europeia nós somos os que temos piores perspectivas sobre o futuro individual e do agregado familiar nos próximos 12 meses. A confiança dos portugueses degrada-se, e as preocupações com o emprego são cada vez maiores. Para consumo interno temos os dados do IEFP que dão conta da diminuição do número de desempregados registados, e portanto dir-se-ia que “não há crise”.
Os portugueses são mesmo cépticos, a dar crédito às notícias cá do burgo, porque no Luxemburgo contribuem para o melhor nível de vida da União, mas cá dentro, só conseguem chegar a um patamar 25% abaixo da média europeia. Deve ser dos ares de cá da terra.
Sosseguem compatriotas, porque o pessimismo não nos deixa ver o que de bom se tem feito nos últimos anos. Talvez não saibam mas o número de ricos em Portugal cresceu em plena crise económica, e nunca se venderam tantos aviões particulares, carros de luxo, barcos e iates, bem como obras de arte como nos últimos tempos. Se alguém não sabia ainda o significado do liberalismo económico que nos têm estado a enfiar pelos olhos dentro, meditem um pouco sobre o que vos acabei de dizer, e vão ver que é fácil, mesmo muito fácil de entender.
quinta-feira, agosto 16, 2007
OS RICOS CADA VEZ MAIS RICOS
Enquanto o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, se afirma satisfeito com um crescimento do PIB à volta de 1,6% neste ano, é preocupante saber-se que as 100 maiores fortunas nacionais cresceram 35,8% apenas num ano.
Portugal é o país mais mal classificado em toda a Europa no respeitante à distribuição da riqueza, e esta é a função primordial de qualquer governo e de qualquer ministro das Finanças. O que se verifica, pelo menos não surgiram quaisquer desmentidos, é que para estes indivíduos terem aumentado nesta proporção a sua riqueza, muitos outros, quase todos nós para ser mais concreto, ficámos bastante mais pobres.
A economia tem destas coisas, quando se ganha na especulação, perde-se em regra nos rendimentos do trabalho. É aqui que o Estado, os governos mais exactamente, têm de intervir para que a riqueza gerada seja injectada no sector produtivo, ou então devidamente taxada, para que exista a efectiva redistribuição da riqueza.
Os portugueses estão então, cada vez mais pobres, meus senhores!













