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sexta-feira, fevereiro 16, 2024

SUPREMA HIPOCRISIA

Navalny morreu.

A liberdade de expressão é um dos temas mais esgrimido pelos que se dizem defensores das liberdades, muitas vezes para se vitimizar, ou para atacar os países onde essa liberdade é respeitada. Nunca os vejo a criticar a Rússia, a China, a Venezuela ou o Irão, o que é uma pena.

Na ordem do dia têm estado as manifestações contra os excessos de Israel na sua sanha de vingança, os países ocidentais pelo apoio à Ucrânia e os EUA só porque é esse o seu alvo preferido.

No dia da morte do dissidente russo Navalny não vi um único dos conhecidos amigos de Putin, vir a público condenar o regime de Putin ou sequer lamentar a morte de alguém que estava preso, em condições extremas, apenas por ter exercido o seu direito de expressar o seu pensamento.

Os "grandes defensores das liberdades, dos direitos humanos e da diversidade de pensamento", que se intitulam progressistas ao promoverem as manifestações e passeatas em defesa dos oprimidos, estão silenciosos perante esta morte, mostrando a sua hipocrisia e a sua agenda política. Neste pacote incluo muitos activistas (alguns até meus amigos), bem como muitos políticos nacionais e estrangeiros como o Lula da Silva.


 

segunda-feira, janeiro 11, 2021

FAZER E DESFAZER

Parece que vai em frente a ideia peregrina de José Sá Fernandes, no seu papel de novo Marquês, de retirar os brasões, que representam as armas das cidades capitais de distrito portuguesas e das ex-colónias, do jardim da Praça do Império, por considerar já estarem “ultrapassados" e desconfigurados devido à falta de manutenção.
 
Nunca terá passado pela cabeça deste novo tirano municipal, que há quem possa arranjar os ditos brasões, e que eles fazem parte da História de Portugal. Transformar aquilo num relvado talvez seja mais barato, e irá permitir que no Verão sejam muitos os turistas a deitar-se por ali dando uma imagem que deve agradar mais a JSF.
 
O facto dos brasões terem sido acrescentados alguns anos depois de ter sido feita a praça. não invalida que tenham sido lá colocados no V Centenário da morte do Infante D. Henrique, de algum modo ligado aos maior feitos marítimos, que afinal são a razão de ser da praça.
 
Há quem nasça para fazer, e quem nasça para desfazer...




 


terça-feira, setembro 17, 2019

DEMAGOGIA AOS MOLHOS


DEMAGOGIA ALIMENTAR – Quando PAN advoga que a carne de vaca seja banida das cantinas da Universidade de Coimbra, decisão que o reitor anunciou recentemente, ficamos a pensar que a criação de gado bovino está condenada à extinção, e com ela a produção de lacticínios. Será que a emergência climática e a catástrofe ambiental anunciada se esgotam com este travão à ingestão da carne bovina? A substituição por outros nutrientes deve ter efeitos no custo das refeições, mas sobre o assunto nem uma palavra.  

DEMAGOGIA E BANCA – Chegou-se à conclusão que a banca estava a trocar informações praticando uma actividade cartelizada, com o prejuízo evidente dos clientes. A consequência desta prática irregular foi a aplicação de multas avultadas à banca envolvida, com alguma benevolência para os bancos que colaboraram com a Justiça. Por acaso o banco mais penalizado foi o público, a CGD, mas não consta que algum detentor de altos cargos na administração do banco à altura dos factos tenha sido punido. Outra curiosidade é que o Novo Banco, também penalizado, foi entretanto capitalizado com verbas públicas.

DEMAGOGIA NO PARLAMENTO – Já circulavam nas redes sociais notícias que denunciavam que as cantinas dos Parlamento praticavam preços muito abaixo dos praticados no mercado, mas havia sempre quem viesse desmentir acusando de demagogia essas notícias, pois já eram antigas e não correspondiam à verdade. Afinal foi preciso vir o Polígrafo da SIC para que a verdade viesse ao de cima, e agora pode-se afirmar alto e bom som que “os deputados comem no Parlamento por tuta-e-meia”.



sábado, novembro 17, 2018

COMBUSTÍVEIS E COLETES AMARELOS


A comunicação social portuguesa tem ignorado a contestação existente em França ao aumento previsto para os combustíveis, em França, por via de impostos, e só hoje se começou a falar do caso, talvez porque já há uma vítima mortal.

É curioso que esta contestação que existe um pouco por toda a França, e que já dura há vários dias, seja desprezada dando-se grande importância ao caso de Alcochete, à polémica do IVA das touradas e outros assuntos que interessam a alguns mas que certamente não interessam à comunidade em geral.

Outra perplexidade é que mesmo ao noticiar as manifestações dos “coletes amarelos”, não se esclareceu o público sobre as razões da contestação, sobre o preço actual dos combustíveis em França, limitando-se a transmitir as razões do governo francês.

São opções editoriais, certamente, mas permitam-me que estranhe.



domingo, agosto 02, 2015

PASSOS E A CGD

O desejo de Passos Coelho de privatizar a Caixa Geral de Depósitos não é nenhuma novidade, mas as declarações recentes do 1º ministro, ao manifestar a sua preocupação com o banco público, são lamentáveis para não dizer outra coisa.

O chefe do executivo passou alegremente sobre o facto de estar a falar dum banco público, em que os gestores são nomeados pelo governo podendo portanto ser também por ele demitidos, e o facto mais relevante, que sendo o Estado o dono da CGD, é também o único que pode injectar capital no dito, para poupar dinheiro no pagamento dos juros (CoCo’s).


É lamentável que um 1º ministro esteja a colocar em causa a liderança do banco público, prejudicando a sua imagem, e colocando em risco um activo importante para a economia nacional, só porque não desistiu de o alienar, ainda que não lhe seja conveniente admiti-lo neste momento.


quarta-feira, dezembro 17, 2014

A TAP E A PRIVATIZAÇÃO



Os nossos governantes não conseguem perceber o que é a liberdade de pensamento, nem tão pouco respeitam os direitos constitucionais, nomeadamente o direito à greve.

As reacções por parte dos partidos da coligação têm sido caricatas, desde logo por parte do CDS que afirma que a greve da TAP é política, como se a decisão contra a qual lutam os trabalhadores, não fosse ela mesma uma decisão política.

O 1º ministro já não foi pelo mesmo caminho, mas veio a público dizer que “não é nenhuma greve na TAP que irá colocar em causa” a privatização. Curioso que venha agora com este argumento e não com o da impossibilidade, devido às normas comunitárias, de injectar capital na empresa.

Já agora convém recordar que a requisição civil para o pessoal da TAP é de natureza duvidosa se baseada no direito à livre circulação das pessoas, porque existem muitas companhias concorrentes no mercado dos transportes aéreos, mas já começamos a ficar habituados ao argumento do “interesse público”, que o governo se dispensa de explicar.

No caso extremo da requisição civil, o Passos privatizador invoca o direito de colocar os trabalhadores da TAP sob a tutela disciplinar do Estado, o que não deixa de ser uma idiossincrasia.


terça-feira, agosto 27, 2013

A MÁ TERAPIA



Quando o ajustamento económico em Portugal começou a ser feito, muitos foram os que disseram que o caminho seguido estava errado, mas a teimosia liberal manteve-se e continuou até aos dias de hoje.

O resultado previsível era o empobrecimento dos cidadãos, ou pelo menos da sua maioria, e um crescimento exponencial do desemprego. Com tudo isto à frente dos olhos, Passos Coelho e companhia continuaram a apertar o torniquete sobre os rendimentos do trabalho e a facilitar ainda mais os despedimentos, como se daí viesse alguma solução duradoura para a economia nacional.

O erro revelou-se colossal, pois se por um lado se conteve o consumo interno com a diminuição do poder de compra, também se destruiu muito tecido produtivo. Na realidade a despesa pública não parou de crescer, e não devido aos salários, que ficaram congelados, mas sim pelo aumento da despesa com prestações sociais e com o serviço da dívida.

Quando a Moody’s vem agora dizer que o aumento da produtividade em Portugal resultou da destruição de emprego, e que a recessão acumulada atira uma possível recuperação lá para 2016, apenas repete o que vem sendo dito por quem contesta as medidas da troika e do governo, desde 2009.

Afinal os economistas cá do burgo, e os da troika, estavam completamente errados ao colocarem todos os ovos no mesmo cesto, o que contrariava até todas as regras da economia.



sexta-feira, maio 17, 2013

A ESTRATÉGIA DE PASSOS COELHO



Passos Coelho apresentou-se ao eleitorado com promessas de não cortar salários, de defesa dos reformados e contra os despedimentos, tudo o que depois no poder, esqueceu a tolda a velocidade.

Eu penso que alguns eleitores se esqueceram da intenção demonstrada pelo líder do PSD de fazer uma revisão extraordinária da Constituição, que disse ser inadequada e até prejudicial ao crescimento do país.

Quando o PSD forçou o governo de José Sócrates a pedir ajuda externa, havia uma agenda escondida, que só se revelou completamente à medida que se começaram a conhecer as medidas negociadas pelo novo governo com a troika.

As promessas eleitorais e mesmo o programa deste governo não abarcavam a maior parte das medidas entretanto tomadas, que vão sendo justificadas por imposição da troika, o que não é compatível com as declarações públicas dos responsáveis dos organismos que compõem a troika.

Os cidadãos têm direito a conhecer o que o governo negoceia com a troika e quais as posições das partes, para que não tenhamos de ouvir da voz dos responsáveis europeus, que a austeridade que nos está a ser imposta não foi da sua autoria, como constava.
 
Se nem toda a austeridade foi imposta pela troika, então temos aqui a mão do governo, e portanto temos uma agenda escondida do seu chefe, o 1º ministro. Não é novidade, mas está cada vez mais claro para todos.

Paolo Lobato