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quinta-feira, janeiro 19, 2023

INVESTIGADOS MAS COM DIFERENÇAS...

 Marcelo Rebelo de Sousa não consegue deixar de lado o seu hábito de comentar tudo e mais alguma coisa, sempre em cima do acontecimento. Agora comentou o caso das buscas da PJ na Câmara de Lisboa sobre suspeitas de corrupção em que estaria eventualmente envolvido o actual ministro das Finanças, Fernando Medina.

Segundo a comunicação social Marcelo terá dito que "Investigação é isso apenas", e isso não implica necessariamente consequências de perda de mandato do cargo público.

Não discuto, quem sou eu para tal, os detalhes jurídicos deste caso, mas recuando uns dias apenas, recordo-me do caso da secretária de Estado da Agricultura, Clara Alves Pereira, que foi demitida com a anuência (activa?) do Presidente, porque teria umas contas conjuntas com o marido, arrestadas, e que está também a ser investigado (ela não está a ser investigada, tanto quanto se sabe), e aí Marcelo foi implacável, considerando que havia perda de autoridade política da dita.

Parece-me que o Presidente Marcelo não está a ser coerente e que está a segurar Fernando Medina por razões que só ele poderá dizer. 

quarta-feira, janeiro 13, 2021

CONFINAR E CRITÉRIOS

A partir da próxima sexta feira Portugal vai, mais uma vez, entrar em confinamento devido à grave situação sanitária que enfrenta devido à pandemia de Covid 19.

A decisão do Governo vem agora tentar inverter uma situação que resulta da abertura inoportuna que permitiu no Natal, que nos levou a tristes recordes de infectados, hospitalizados e mortos.

Costa defendeu-se quanto ao atraso no confinamento, com a necessidade de ouvir os especialistas, mas depois acabou por tomar medidas políticas, como aliás lhe competia.

Na generalidade as medidas são as esperadas, atendendo ao que houve no passado e aquilo que se tem dito nos últimos dias, mas existem decisões muito discutíveis e até incompreensíveis.

O não encerramento das escolas, especialmente dos níveis etários mais altos, é absolutamente incompreensível. A maioria dos especialistas indicaram claramente que quanto mais se confinar, melhores e mais rápidos seriam os resultados, mas Costa ignorou isso. Dizer que “até agora as escolas têm tido um funcionamento exemplar” carece de fundamento científico, e está em absoluta contradição com outra afirmação, também do 1º ministro “quanto mais isolados estivéssemos menos transmitimos. Se todos fizessem isso de forma espontânea não teríamos de estar aqui hoje.”

É discutível que se permitam os serviços religiosos e não se permitam espectáculos culturais, que obedecem às mesmas restrições por parte da DGS, ou que se proíbam os desportos amadores e não os profissionais.

As críticas são legítimas e muitas absolutamente fundadas,  mas como a decisão é política, a responsabilidade também é dos decisores, e não vale a pena tentar desviar as responsabilidade para os portugueses, como tem acontecido.

                                                         Regra é ficar em casa”. António Costa anuncia confinamento geral a partir  de 00h00 de sexta-feira – O Jornal Económico

terça-feira, dezembro 11, 2018

MENOSPREZAR A HISTÓRIA DE PORTUGAL

Está a ser cada vez mais questionada a História de Portugal, não pela descoberta de novos dados, mas apenas porque se entrou numa espiral de julgamentos da nossa História, utilizando parâmetros sociais e morais dos nossos dias.

As nossas descobertas são questionadas por quem prefere salientar os aspectos negativos, em vez dos avanços civilizacionais que originaram. O caso dos Museu das Descobertas e as polémicas associadas são apenas um pequeno exemplo desta tendência.

Para quem lida diariamente com o nosso Património e com o que se diz aos visitantes de museus e monumentos, nacionais ou estrangeiros, já nada consegue surpreender grandemente.

Uma das muitas coisas que me deixava incomodado era ouvir, diante do retrato de D. João V, que o uso de perucas era devido à falta de higiene e à proliferação de piolhos. Esta explicação que até nem é totalmente incorrecta, carece evidentemente dum enquadramento geral dos hábitos higiénicos das cortes europeias ao tempo, e isso ficava sempre por dizer.


Hoje quase não conseguimos imaginar viver sem o banho diário, mas como se percebe, não podemos fazer juízos sobre os hábitos higiénicos em Portugal, sem os enquadrar na época em que viveu o Rei Magnífico, nem segundo o critérios higiénicos de hoje. 

D. João V, o Magnífico