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terça-feira, novembro 05, 2019

A PRODUTIVIDADE E OS ESTÍMULOS


Em Portugal sempre que se fala em aumentos salariais o patronato vem logo com a falta de produtividade, que não permite os tais aumentos. Falar da falta de investimento, da modernização das empresas, da diminuição das disparidades salariais, das condições de trabalho, ou da sua organização, são temas que apenas decoram os discursos políticos.

Um título da nossa imprensa “Microsoft introduziu semanas de trabalho de quatro dias e produtividade aumentou 40%”, passou literalmente ao lado da opinião pública, como se fosse uma coisa que tivesse acontecido em Marte, e não no nosso planeta.

O discurso da cenoura à frente dos olhos é, por cá, reduzido aos aumentos salariais, o que é redutor. Os estímulos podem ser de diversas formas e não só de natureza salarial, e é bem verdade que trabalhadores satisfeitos são trabalhadores mais produtivos.

Há factores que motivam os trabalhadores, ou as equipas, como as boas condições de trabalho (refeitórios decentes, subsídios de alimentação razoáveis, horários e folgas compatíveis com a vida familiar), uma comunicação efectiva e um diálogo frequente entre chefias e funcionários, estabelecimento de objectivos práticos e razoáveis, formação contínua, etc.

Podia falar de prémios por desempenho para todos, e não apenas para as chefias ou administrações, mas já estava a começar a escandalizar alguns.

Enumerei alguns tipos de estímulos que estão perfeitamente ao alcance da maioria dos empregadores, e que ou já estão previstos na lei (e não são cumpridos), ou que podem ser implementados sem grandes custos, basta haver vontade e menos ganância.



segunda-feira, agosto 28, 2017

O MÉRITO E A MOTIVAÇÃO



Não devia ser preciso repetir que a produtividade de qualquer trabalhador, ou equipa de trabalho, depende e muito da motivação que lhes é incutida e do reconhecimento do mérito, por parte das chefias e da entidade empregadora.

Quando se ouve agora falar no descongelamento das carreiras da função pública, confesso que me dá vontade de rir, porque não passa de discurso para entreter, ou como diria Jerónimo de Sousa, encanar a perna à rã.

Na função pública existem basicamente 3 categorias profissionais, a saber os técnicos superiores, os assistentes técnicos e os assistentes operacionais. Para além destas categorias só temos as posições de chefia de cada grupo profissional, lugares a que nem todos podem aceder, como é evidente.

Deixei de lado as carreiras específicas, bem poucas como se sabe, e que têm particularidades mais difíceis de explicar.

Começo por dizer que foi uma asneira transformar o que existia no passado, simplificando de tal modo as coisas que agora é praticamente impossível premiar o mérito, criando diferenças entre quem entra na carreira e quem mostrou consistentemente a sua competência, e que não tem que, forçosamente, ter características ou perfil de liderança para chefiar grupos de trabalho.

Chegados a isto, resta como prémio de consolação, o descongelamento dos escalões, onde na realidade conta mais a antiguidade, e a graxa, do que o mérito, porque as classificações de serviço continuam a ser uma farsa.

Querem motivação? Assim não vamos lá!...



terça-feira, agosto 23, 2016

JUVENTUDE E CULTURA

Os jovens portugueses não são grandes frequentadores de museus, palácios e monumentos, se excluirmos as visitas em âmbito escolar, e isso não é um bom sinal para o futuro.

Há quem justifique que é por causa do preço das entradas, apesar dos descontos para estudantes e para o cartão jovem, há quem diga que a Cultura não é atractiva para os jovens, e ainda há quem diga que não há dinheiro para promover a Cultura junto da juventude e que isso sai muito caro.

Os italianos, que atravessam também uma grande crise, de que pouco se fala por cá, pensam de modo diverso, e parecem dispostos a conceder aos jovens que completem 18 anos em 2016, a quantia de 500 euros para gastar em Cultura.


A medida pode ser discutível, mas digam-me o que é que se faz por cá para motivar os jovens a conhecer o nosso Património?


domingo, julho 17, 2011

NEM TUDO É MAU

Os alemães são quase sempre apontados como exemplo de um povo que sabe organizar melhor que os outros, e que por isso é mais produtivo e mais rico. É uma ideia feita baseada apenas em aspectos económicos, que tem ganho adeptos.

Haverá certamente alguma explicação científica para que a Alemanha seja mais desenvolvida economicamente do que Portugal, mas não serei eu a debruçar-me agora sobre isso.

Se não somos muito organizados, e se o empreendedorismo não é o nosso forte, isso não quer dizer que por cá tudo seja mau. Podemos começar pela dieta mediterrânica que é muito mais saudável que outras, o nosso sol e as nossas praias, o nosso património e a nossa história que é quase milenar.

Mesmo na área que parece ser a nossa maior fragilidade, que é na produtividade somos pioneiros como acaba de ser reconhecido por especialistas alemães, imagine-se. Aquilo que era considerado um exemplo da nossa baixa produtividade, que era a sesta, ou uma pausa mais longa entre os dois períodos de trabalho diário, é hoje reconhecido como uma importante medida para manter o rendimento e a motivação do trabalhador.

Digam lá se não andamos muito à frente… 

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Foto - Brancas e Bravas

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Humor - Português e Empreendedor

domingo, fevereiro 24, 2008

A PROPÓSITO DO MÉRITO

Fala-se do mérito e da avaliação a propósito de tudo e de nada, e principalmente utilizam-se estas palavras para se justificarem os salários. É comum ouvir-se dizer que quem quer bons políticos tem que lhes pagar bem, ou que devido à má produtividade os portugueses recebem baixos salários e aumentos muito pequenos.

Regra geral quem usa com muita frequência o termo, mérito, é também quem está na posição de avaliador desse mesmo mérito, pelo que invariavelmente o conceito do mérito acaba quase sempre por sair desvirtuado.

Há poucos dias foi solicitado a um amigo meu, ainda funcionário público, que procedesse à sua autoavaliação, processo este que fez por via electrónica. Para quem não sabe, o funcionário, é confrontado com objectivos, que podem ir de 3 a 5, e à frente de cada objectivo tem de escolher uma das três opções referentes ao que acha que foi o seu grau de realização dos objectivos fixados. As hipóteses são – 1ª Superei claramente os objectivos, 2ª Cumpri os objectivos, e a 3ª Não cumpri todos os objectivos. Claro que não estou a falar de pessoal dirigente, neste caso.

Dizia-me o meu amigo que perante o que leu só podia mesmo ser hipócrita, e armar-se em esperto. Fiquei algo confuso com a sua tirada, mas ele explicou-me logo de seguida.
- Se eu assinalar que cumpri os objectivos, o meu avaliador tem todos os argumentos para me dar uma classificação qualquer, e mesmo que o recurso de nada valha, o avaliador tem sempre à mão o próprio julgamento emitido por mim, que não deixa margem para dúvidas a quem não me conhece nem sabe efectivamente qual é o meu desempenho. Pelo contrário, se eu disser que superei claramente os objectivos, terá de ser o avaliador a explicar porque é que não me dá a nota máxima. Claro que é sempre possível fazer as coisas melhor, e esse é o objectivo genérico dos objectivos, mas porque razão não hei-de eu ser bem classificado, se mais ninguém quer sequer fazer as minhas funções nem aceitar as mesmas responsabilidades?

Perante esta lógica, simplista para alguns, mas verdadeiramente irrefutável, fiquei ainda mais convencido de que não pode haver justiça com este método de avaliação, porque logo à partida foi dito a este meu amigo, que talvez viesse a haver uma nota máxima para ser atribuída nesse serviço, mas que essa estava reservada para o número dois da hierarquia, pelo que todos os outros se teriam de contentar com notas inferiores.

Calculo o sentimento de impotência de todos os que trabalham nesta unidade orgânica, e que estão excluídos de classificações de mérito. Se as coisas correram bem no último ano, como parece ter sido o caso, as chefias levam os louros e colhem os méritos, se por acaso as coisas tivessem corrido mal, a culpa era certamente dos subordinados, que eram incompetentes e que não tinham cumprido nenhum dos objectivos propostos.

Assim se premeia o mérito, assim se incentivam os funcionários, assim é que se pretende avaliar os funcionários públicos!

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Fotografia

Glass Apple by BioToxxx

Wave by FilleDuCiel

Neglected Industry by *luchare

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Humor ao Domingo

Coitada da Infantaria

Boleia

segunda-feira, abril 30, 2007

BONS MAUS EXEMPLOS

Num dos últimos artigos do Zé Povinho sobre a flexisegurança, o meu amigo falou sobre o exemplo da Dinamarca, salientando que eles começaram por fortalecer a segurança social e só depois partiram para a alteração das leis laborais dando-lhes mais flexibilidade necessária, mantendo a segurança social padrões decentes para os trabalhadores em situação de desemprego. Coitado, levou pancada até por parte dos que vivem do seu trabalho, pois quase todos consideraram que os modelos não podem ser importados por questões culturais e de mentalidade.
São as questões culturais e de mentalidade que me preocupam verdadeiramente. Ainda há poucos dias, os jornais e os blogues davam exemplos de empresas que demonstravam preocupações sociais e privilegiavam o bem-estar e a satisfação dos seus funcionários, fornecendo creches grátis para os filhos, postos de saúde absolutamente grátis, espaços de lazer e descontracção, etc. As empresas em causa como o Google e a Microsoft, por exemplo, são empresas onde a produtividade é muito alta e onde a motivação é também muito elevada. Os seus gestores não brincam em serviço e sabem que o retorno é proporcional ao investimento em boas condições de trabalho.
Em Portugal parece que há quem fique contente com o “fim das regalias sociais da função pública”, que fazem títulos da nossa comunicação social de hoje, e que se resumem ao fecho dos postos de saúde, do fim das creches e de pequenas comparticipações de saúde, funerais e paternidade.
Não sei se estamos perante um problema de simples inveja ou de falta de ambição dos portugueses. Sempre pensei que podíamos aprender com as boas práticas e que era desejável melhorar os padrões de segurança social. Pelos vistos enganei-me, prevalece o espírito mesquinho caracterizado pela máxima, se eu não tenho porque é que hão-de ter os outros?
Continuo a questionar-me se o ministro Teixeira dos Santos continuará a afirmar que os planos de saúde proporcionados aos gestores e outros dirigentes da função pública e até aos nossos políticos, são incentivos para captar os melhores, ou privilégios dados aos “escolhidos” e já de si bem pagos e privilegiados amigos.

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Avaliação exemplar

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Manipulação de imagem


by Nana