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domingo, maio 17, 2020

CULTURA E MITOS URBANOS


Existem muitos mitos urbanos que envolvem a História e o Património, mas é bem verdade que as pessoas gostam, e fixam melhor estes mitos do que a verdade histórica comprovada.


Durante as várias décadas de trabalho no Património aprendi um a coisa, que foi nunca me esforçar demasiado em desmistificar os mitos, embora sempre os tenha classificado como mitos ou lendas quando a eles me refiro.


No Mosteiro da Batalha ouve-se a lenda da abóbada da Sala do Capítulo e do mestre Afonso Domingues, e eu acho que é uma ume narrativa deliciosa, um pouco nacionalista, mas que trás um certo misticismo ao monumento. Quem desejar aprofundar mais o seu conhecimento, pois então que o faça, mas não desfaça o imaginário dos outros.


No Palácio da Vila de Sintra temos a Lenda das Pegas, talvez um pouco machista mas por isso mesmo interessante, ou as divagações sobre o Quarto Prisão de D. Afonso VI, seja pelas razões da sua desgraça, do desgaste do solo do seu cárcere, ou até dos sinais que trocaria com o conde de Castelo Melhor, que compõem uma narrativa melodramática. E o que dizer da hipotética leitura dos Lusíadas ao rei D. Sebastião pelo próprio Luís de Camões, no Pátio da Audiência, potenciado pelo filme de Leitão de Barros?


Também podemos ir para Mafra onde temos as ratazanas dos subterrâneos, e os exércitos de morcegos que tratam da conservação dos livros, que fazem a delícia de quem ouve estas narrativas.


Claro que as lendas e as narrativas fantasiosas apimentam o imaginário de muita gente, mas devem sempre ser antecedidas do aviso correspondente, porque nunca se sabe a quem as contamos…


quarta-feira, agosto 15, 2018

A QUEDA DE MAIS UM MITO

A imagem de que a função pública é um paraíso, onde se ganham fortunas e tudo está garantido, começa a cair, pois por muito que se faça propaganda negativa, os factos acabam por desmentir os detractores do serviço público.

Grosso modo existem três grupos de trabalhadores na generalidade dos serviços públicos, os assistentes operacionais, os assistentes técnicos e os técnicos superiores, posicionados nesta mesma hierarquia no que diz respeito às remunerações.

Hoje mesmo ouvi alguns comentários sobre as vagas abertas em concurso na Segurança Social, em que os salários variam entre os 683 euros, para os assistentes técnicos e os 1.202 euros brutos, para os técnicos superiores. Estes salários, mesmo os mais elevados, foram considerados irrisórios e pouco competitivos pelos intervenientes na conversa.

É verdade que os salários na função pública são, e sempre foram baixos, por muito que se tente manipular a opinião pública. Quem diria que os assistentes operacionais auferem o salário mínimo nacional?

Sei que devem estar a pensar que me esqueci da segurança laboral, mas olhem que nem isso é hoje garantido, porque muitos serviços têm apenas um quadro do pessoal, e as mudanças de local de trabalho podem acontecer a qualquer momento (eu que o diga), e na maioria dos casos sem qualquer aviso prévio, sem qualquer consideração ou respeito pelos agregados familiares e pela idade dos funcionários.

Por favor não confundam os nomeados pelos diversos governos, que estão por todo o lado, mas que nunca ingressaram por concurso na função pública, com os verdadeiros funcionários públicos, admitidos em concursos públicos. 


segunda-feira, janeiro 30, 2017

ESGOTOS, RATOS E MAU CHEIRO

O Palácio Nacional de Mafra e a Escola de Armas foram notícia pela abertura ao público dos subterrâneos (esgotos) do palácio na passada sexta-feira à noite, que suscitou muita procura por parte de interessados em conhecer um local que faz parte dos mitos urbanos.

Para os muitos que difundiram estórias sobre os ratos gigantes e albinos que deambulavam pelos subterrâneos do palácio, terá sido uma desilusão, e aqueles que vão construindo narrações fantásticas sobre túneis que ligam o edifício à Ericeira, também não terá sido uma grande oportunidade para desenvolver a ideia.

Deixando de parte os mitos e as divagações, deixo-vos com uma questão mais séria: alguém me pode explicar como é que construíram tão enorme edifício, onde pontua um palácio real, com um tão bem dimensionado conjunto de esgotos (túneis) e não se lembraram de fazer canalizações de água para o andar nobre, de modo a equipar a zona do palácio com água corrente?


Claro que me podem brindar com os diversos pontos de água que existiam, na zona da Basílica, no piso onde existiriam cozinhas (sob os torreões) e no Convento, mas no Palácio Real olhem que ainda não me conseguiram indicar um só, e já investiguei e indaguei bastante.

Deixem de lado o cheiro a esgotos, que esse é mais do que normal porque esses continuam a cumprir a sua função.

Foto do DN

terça-feira, junho 09, 2015

PAÍS DE MITÓMANOS

Uma coisa que perturba muito os políticos é sem dúvida a memória colectiva. Eles sabem que são escrutinados e que as suas declarações ficam registadas nos mais diversos suportes, mas mesmo assim continuam a preferir a fuga em frente, procurando distorcer a realidade.

O facto que já marcou este princípio, foi a afirmação de Passos Coelho, curiosamente no dia em que visitou o Portugal dos Pequenitos, é “mito urbano” o incentivo à emigração.

Mais valia estar calado, porque foi bem claro ao falar dos professores, como bem claro foi noutros assuntos, que depois tratou de modo contrário relativamente às afirmações anteriores.


Para o portugueses é que começa a ser “um mito urbano” que os governantes sejam reféns das promessas feitas ao eleitorado.


quarta-feira, abril 23, 2014

O MITÓMANO

Ouvir Passos Coelho a explicar as más medidas tomadas pelo seu governo é confrangedor, mais ainda quando fala de economia e da falta de alternativas aos seus métodos.

O primeiro-ministro querendo combater os "mitos" que envolvem o período de resgate português, na sua opinião, afirmou que não seria possível não cortar salários e pensões, embora tenha omitido se é possível reduzir o défice sem atacar a fundo as rendas excessivas.

Outro "mito" que Passos Coelho é o de que não seria possível ajustar a economia com crescimento mas sim com recessão. Claro que Passos Coelho andou a ler manuais obscuros e a evitar ver o que se passa no mundo, onde os Estados Unidos e o Reino Unido andaram durante esta crise a emitir moeda, só para citar dois países.


O maior cego não é aquele que não vê mas sim aquele que não quer ver, diz o ditado popular, e este aplica-se na perfeição a quem fala de mitos e os "contraria" com teorias nunca comprovadas.