Gabriela Canavilhas afirmou à Lusa que “os cortes de despesa pública nos países europeus demonstram que o Estado social encontrou o seu limite” e que “o Estado social está ameaçado”. Estas declarações vieram dar ânimo ao PSD e foi ver Miguel Relvas a aplaudir com quantas mãos tinha.
Estão enganados tanto Miguel Relvas quanto Gabriela Canavilhas, porque o Estado social está de facto em risco devido à má gestão dos nossos políticos, e evidentemente dos dois partidos que eles representam.
O que tem sido errado tem sido o modelo de crescimento apoiado pelos governos, baseado na construção, e a especulação imobiliária e financeira que nos lançaram nesta crise económica que atravessamos. Este diagnóstico está feito e é aceite mesmo nos meios financeiros. As divergências começam sobretudo na metodologia de saída da crise.
Para sair da crise o mais fácil é cortar onde é mais rápido, para depois continuar tudo na mesma, ou pelo contrário aprender com os países que melhor resistiram à crise mantendo o Estado social, apostando nas pessoas, na saúde, na educação e no bem-estar das populações, não cedendo apenas aos interesses económicos e à voragem dos números.
Os países nórdicos continuam a não abdicar dos sistemas de protecção dos seus cidadãos, mas não têm frotas automóveis de luxo ao serviço dos seus governantes, nem muitas das mordomias que os nossos auferem, para poderem ter o ensino e a saúde gratuitos. Por lá o Estado tem uma dimensão maior do que por cá, mas os governantes preocupam-se com o bem público, e ao menor sinal de escândalo demitem-se para se defenderem como qualquer outro cidadão.
O colapso do Estado social deve-se aos erros de quem nos tem gerido (mal) e desses não ouvimos nenhum “mea culpa” .
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