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quinta-feira, março 23, 2017

AS FARPAS

"Excerto de "As Farpas" de Eça de Queirós, 146 anos depois...

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»


Escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As Farpas.

Elevador do Carmo (2010) by Palaciano

Convento do Carmo (2010) by Palaciano

quarta-feira, setembro 17, 2014

ARTE E SOCIEDADE



"A arte e a sociedade são inseparáveis. A sociedade produz a arte e o produto aperfeiçoa a sociedade. Esta finalidade pode não estar imediatamente patente na espécie artística, mas é ela que a determina. Até mesmo as formas de arte declaradamente negativas ou indiferentes obedecem por caminhos ínvios a esta lei."

Natália Correia


domingo, novembro 13, 2011

CLIMA EXPLOSIVO

O governo esticou demasiado a corda com o Orçamento de Estado para 2012, que se vem juntar a muitas outras medidas tomadas e outras anunciadas.

Passos Coelho não se limitou a fazer o que estava acordado com a troika, que já era demasiado para um povo que recebe salários baixos, pensões ainda mais baixas, para não falar dos desempregados que já são demasiados.

Este sábado foi bem patente o descontentamento não só dos funcionários públicos, que já era esperado, mas também dos agentes da autoridade, dos militares e de outros trabalhadores e pensionistas que se juntaram aos protestos.

Não é com “palavras de compreensão” como as de Passos Coelho que o descontentamento diminui, mas sim com políticas razoáveis. O que se passa é que este governo não soube calcular qual era o limite do esforço razoável, nem soube distribuir os sacrifícios por todos, preferindo seguir o caminho mais fácil, que é “atacar” os rendimentos do trabalho.

O clima social é agora perigosamente explosivo, e mesmo os mais exaltados temem que de algum lado chegue a faísca que transforme uma sociedade tolerante, numa turba difícil de controlar. Esperemos que alguém aconselhe bem os nossos governantes, enquanto é tempo.

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Humor Pouco Compreensivo

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Foto - Red

terça-feira, agosto 09, 2011

RAZÕES PARA A REVOLTA

Já não dá para esconder o descontentamento que grassa no mundo ocidental, em especial na Europa. Uns falam da Grécia, onde para além das sucessivas manifestações se instalou uma anarquia quase completa, mas podiam falar na Itália, na França e em Espanha, onde igualmente as coisas se degradam a cada dia que passa.

Foi preciso chegar a Inglaterra para começarem a soar as campainhas de alarme, porque tudo descambou para a violência e a lei e a ordem começaram a perigar, para se começar a tentar descortinar as razões do mau estar social.

Há razões concretas para se chegar a esta situação, e elas estão directamente ligadas a outro problema, o que está a ocupar as mentes dos políticos, que é a economia. Enquanto for a economia a tomar toda a atenção e tempo destes senhores, a situação não tem solução.

Desemprego, instabilidade laboral, perda de direitos sociais, incerteza no futuro ou mesmo a ausência de perspectivas de um futuro melhor, são um conjunto explosivo de razões para a revolta e para a insegurança na sociedade em que vivemos, onde as pessoas foram relegadas para um lugar secundário, e onde tudo se resume a números e pouco mais.

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Foto - Beleza
By Palaciano
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Humor Desorientado

quarta-feira, setembro 15, 2010

ERROU, SENHORA MINISTRA

Gabriela Canavilhas afirmou à Lusa que “os cortes de despesa pública nos países europeus demonstram que o Estado social encontrou o seu limite” e que “o Estado social está ameaçado”. Estas declarações vieram dar ânimo ao PSD e foi ver Miguel Relvas a aplaudir com quantas mãos tinha.

Estão enganados tanto Miguel Relvas quanto Gabriela Canavilhas, porque o Estado social está de facto em risco devido à má gestão dos nossos políticos, e evidentemente dos dois partidos que eles representam.

O que tem sido errado tem sido o modelo de crescimento apoiado pelos governos, baseado na construção, e a especulação imobiliária e financeira que nos lançaram nesta crise económica que atravessamos. Este diagnóstico está feito e é aceite mesmo nos meios financeiros. As divergências começam sobretudo na metodologia de saída da crise.

Para sair da crise o mais fácil é cortar onde é mais rápido, para depois continuar tudo na mesma, ou pelo contrário aprender com os países que melhor resistiram à crise mantendo o Estado social, apostando nas pessoas, na saúde, na educação e no bem-estar das populações, não cedendo apenas aos interesses económicos e à voragem dos números.

Os países nórdicos continuam a não abdicar dos sistemas de protecção dos seus cidadãos, mas não têm frotas automóveis de luxo ao serviço dos seus governantes, nem muitas das mordomias que os nossos auferem, para poderem ter o ensino e a saúde gratuitos. Por lá o Estado tem uma dimensão maior do que por cá, mas os governantes preocupam-se com o bem público, e ao menor sinal de escândalo demitem-se para se defenderem como qualquer outro cidadão.

O colapso do Estado social deve-se aos erros de quem nos tem gerido (mal) e desses não ouvimos nenhum “mea culpa” .

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Foto Aveludada

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Humor Guerreiro
O Belicista
O Pacifista