terça-feira, fevereiro 19, 2008

A HIPOCRISIA DAS DESCULPAS

Habituei-me a respeitar o jornalista Mário Crespo pela serenidade com que comenta os mais diversos assuntos nos órgãos de comunicação social, mesmo quando não concordo com algumas das suas opiniões, como é o caso de hoje, referente a um artigo que tive a oportunidade de ler no JN, sob o título “Brutalidade da descolonização merece pedido de desculpas”.

Na história de quase todos os povos podemos encontrar episódios, ou mesmo fases, em que os factos à luz dos nossos olhos, hoje, nos suscitam condenação absoluta. Podia aqui referir as cruzadas, a inquisição, a escravatura, e muitos outros factos históricos de que os povos hoje não se orgulham de maneira nenhuma.

Pode ser que esteja na moda, ou seja politicamente correcto, nos nossos dias, pedirem-se desculpas pelos erros praticados no passado pelas instituições ou Estados que praticaram actos ou políticas condenáveis, mas não acho que isso possa servir ou ajude sequer a esquecer o que já foi feito, pelo contrário. A igreja católica já pediu desculpas por alguns excessos e não me consta que o sentimento dos povos atingidos se tenha alterado, ou que se tenha deixado de ensinar na sua História nacional, os acontecimentos em causa. A Alemanha pediu desculpas pelos desvarios de um ditador que deu origem à segunda guerra mundial, mas continuamos a falar e a condenar o nazismo.

As boas intenções que possam estar por detrás dos pedidos de desculpa, a que alude Mário Crespo no seu artigo, apenas servem para reavivar a memória dos povos para factos do passado, pelos quais esses mesmos povos já pagaram um elevado preço. No caso vertente, os portugueses que viviam em Moçambique perderam os seus bens, foram humilhados lá e à chegada a Portugal, onde não foram bem recebidos, pelo menos no princípio, e tiveram que refazer as suas vidas e cicatrizar as suas feridas. Os moçambicanos também pagaram, e de algum modo ainda estão a pagar a sua factura pela sua independência, e tem sido bem pesada. Incólumes ficaram apenas aqueles que detendo o poder nunca foram responsabilizados por nada.

Redime-se o jornalista, no final do seu artigo de opinião ao falar da situação actual, onde dentro de portas se continua a explorar os imigrantes, e não só, considerando quem trabalha como um artigo descartável, independentemente da cor, credo, ou nacionalidade, e pretendendo ignorar as Covas da Moura que ainda por aí persistem e a exclusão que nem com roteiros presidenciais, deixa de existir.

Mário Crespo sugere que depois de pedir desculpas poderíamos dizer bem alto “Aleluia, finalmente estamos livres”, mas eu pergunto de quê? Não temos agora as mesmas atitudes e os mesmos comportamentos à porta de casa?

Não sejamos hipócritas, só seremos desculpados por acções concretas, nunca por gestos simbólicos, por muito nobres que se nos afigurem.

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Humor Nacional

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Fotos Floridas

f a k e d things by *alenax

Fuji Phenomena by *Deb-e-ann

Rose by areaka1412

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Humor Internacional

Christo Komarnitski

Lailson

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

40 ANOS DEPOIS

Já quase todos ouviram falar do Maio de 68, e da geração que viveu esses anos de revolta, utopia e esperança. Nesse ano viveram-se dias de perfeita euforia popular e caiu por terra uma forma autoritária de fazer política, em França, que acabou por contagiar de algum modo toda a Europa.

Para alguns ficou mais no ouvido a afirmação de Willie Brandt de que os homens esquerdistas aos 20 anos, são sociais-democratas aos 40, porque “Sim, nós podemos”, mas não tudo nem já, porque a realidade se encarrega de nos demonstrar precisamente isso. Mas o cerne desse movimento, utópico sem dúvida, era o descontentamento real da sociedade francesa, muito em especial da juventude e das classes operárias. Essa foi a causa que uniu todos em torno de uma vontade, a de mudança.

Passados quase 40 anos sobre o Maio de 68, poucos são os políticos no activo que o viveram intensamente, e as novas gerações dos que estão na política pouca atenção devem ter dado a este facto histórico que influiu de forma determinante nas preocupações sociais da Europa em geral, a partir de então.

Diz-se que a história não se repete, mas a realidade social de contestação quase permanente devido a corte sociais e a arrogância de alguns governantes, acompanhada por uma redução do nível de vida da maioria dos cidadãos, está a transformar-se numa nova vaga de descontentamento e perda de confiança na classe política, tal como no Maio de 68, e as alternativas também agora estão fora do espectro partidário, pelo que qualquer movimento congregador do descontentamento terá de sair forçosamente da sociedade civil, e terá concerteza consequências imprevisíveis.A memória dos políticos é curta, demasiado curta mesmo, mas o descontentamento está a crescer demasiado, sendo previsível que a curto ou médio prazo tenha de se manifestar com toda a sua força.

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Fotos - Natureza Colorida
Дмитрий Федоров
Дмитрий Федоров

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Humor do Brasil

Biratan

Biratan

Biratan

domingo, fevereiro 17, 2008

JÁ NÃO É SÓ INDIGNAÇÃO

Com a abertura dos mercados internacionais a economia passou a ser a preocupação primeira da maioria dos governos, e o liberalismo económico assentou arraiais. Para alguns esta abertura dos mercados é considerada um manancial de novas oportunidades de investimento, exactamente porque têm capital financeiro para investir e porque têm um mercado mais vasto para explorar. Para outros, depara-se uma situação muito negativa, onde terão que competir com realidades sociais muito diversas que acabam por distorcer essa competição.
Num mercado globalizado e sem regras minimamente definidas, o capital trabalho é sempre o mais afectado, especialmente nos países mais desenvolvidos e onde os direitos laborais e sociais são respeitados. Como o movimento de capitais é muito mais célere do que o movimento das populações, e como a economia privilegia o grande capital, a tendência de quem realmente detém o poder é sempre a de nivelar por baixo os custos de produção, mesmo sabendo que isso não resolve a situação em muitos casos.
Na Europa tecnocrática e comandada economicamente por uma instituição cada vez mais longe da realidade vivida pelos cidadãos, as soluções preconizadas são cada vez mais padronizadas, como se as economias dos países, os sistemas de protecção social e os salários fossem em todo o lado semelhantes. Claro que esta não é a realidade, mas todos temos de enfrentar os mesmos preços das matérias primas, dos produtos aos mesmos preços do mercado internacional e das consequências que derivam dos mercados de capitais perfeitamente globalizados.
As consequências para os portugueses, pelo menos para a grande maioria, têm sido um crecimento do desemprego, a diminuição dos salários reais, o aumento do trabalho precário, o aumento da inflação sempre superior aos cálculos dos governos, o aumento dos impostos, a saúde mais cara, a educação cada vez mais cara, e uma protecção social também mais frágil. Com tudo isto, e perante a inoperância dos governos na tarefa de proceder à redistribuição dos rendimentos, temos que Portugal tem o pior índice de justiça social dos membros da União Europeia, o que não há estatística que possa desmentir.
Numa sociedade injusta não há motivação nem esperança em melhores dias, mas há com certeza muita indignação, revolta e vontade de mudar, assim apareçam alternativas ou quem mobilize vontades para alterar este estado de coisas de um modo talvez mais radical e pouco ortodoxo.

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Humor Nacional
Previsões da inflação em Portugal
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Pintura

DANCE OF THE SOUL by *Leonidafremov

Venice Morning by *Leonidafremov

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Humor Internacional

Incógnitos de Pierre Ballouhey

Energias alternativas by Igor Kodenko

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

ENTREVISTA NO PLANETA TUGUISTÃO

O ditador do Tuguistão, satisfeito com o crescimento económico desse país da Galáxia da Rosa Espinhosa, acedeu a sua primeira entrevista a um jornal desta galáxia, que aqui tornamos pública para todo o Universo.

Cyberjornalista – Excelso Pinócrates, como comenta os últimos dados económicos dados a conhecer recentemente.

Ditador PinócratesUma boa notícia para todos os tugas. A economia cresceu acima das nossas próprias previsões, e a economia está em boa recuperação.

CyberjornalistaConvenhamos no entanto que o crescimento ainda continua a ser inferior aos dos planetas deste sistema ensolarado.

Ditador PinócratesNa realidade, e contra todas as expectativas, apesar das perturbações sentidas pela economia Galáctica, crescemos bem e cresceu também o investimento.

Cyberjornalista – Que palavras gostava de deixar nesta aos seus súbditos, depois de todos os sacrifícios que lhes foram impostos?

Ditador PinócratesOs tugas devem compreender que valeu a pena apertarem o cinto nestes últimos anos.

Cyberjornalista – Quer V. Exa. dizer que a partir de agora os tugas vão ver as suas finanças familiares aumentadas depois destes anos de maior aperto?

Ditador PinócratesEu pretendo dar-lhes apenas uma palavra de confiança, mas não de triunfalismo. Estamos em aceleração económica mas não desejamos uma sociedade obesa, pelo contrário, pelo que não se deseja um aumento superior à inflação, a bem da saúde dos tugas.

Cyberjornalista – Não teme o Excelso Pinócrates que os tugas estejam já cansados de tantos sacrifícios sem resultados para os seus rendimentos familiares?

Ditador PinócratesMeu caro, as sondagens que eu encomendo mostram que estão todos exultantes com a minha governação ditatorial, basta olhar em meu redor e verá que a quantidade de gente feliz que integra o meu séquito de apoiante incondicionais. Repare só na quantidade de faces rosadinhas e saudáveis de todos os que me rodeiam.

Assim terminou este breve momento e esta entrevista concedida pela 1ª vez pelo Ditador Pinócrates a um cyberjornalista de um órgão de comunicação interplanetária, mais ou menos independente.

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Fotos de Aves

MicroBarm

Игорь Гущин

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Humor Económico

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

S. VALENTIM

Esta é mais uma brincadeira do Goraz

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Busque Amor novas artes, novo engenho

*

Busque Amor novas artes, novo engenho

Pera matar-me, e novas esquivanças,

Que não pode tirar-me as esperanças,

Que mal me tirará o que eu não tenho.

*

Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguranças!

Que não temo contrastes nem mudanças,

Andando em bravo mar, perdido o lenho.

*

Mas, enquanto não pode haver desgosto

Onde esperança falta, lá me esconde

Amor um mal, que mata e não se vê,

*

Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como e dói não sei porquê.

*

Luís de Camões


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Fotografia Colorida

АВА


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Humor Soft

A gente pensava que os Padres não podiam casar por motivos religiosos! Afinal eles não casam para não ter que levar com a sogra! Cruz credo! By Tiburcio

terça-feira, fevereiro 12, 2008

IDEOLOGIA SOCIALISTA ?

A queda das ideologias verificada nos dois maiores partidos políticos, tem vindo a baralhar os eleitores que cada vez menos lhes encontram diferenças, mas que permitem sempre aos ditos partidos terem dois discursos, o do poder e o da oposição. Será que isto basta para os diferençar?
Um dos partidos diz-se socialista, mas já meteu o socialismo na gaveta há muito tempo, como todos sabemos, e hoje nada lhe resta das ideias de Karl Marx ou de Friedisch Engels e Karl Kautsky. Duvido mesmo que a grande maioria dos seus militantes e dirigentes alguma vez se tenham debruçado sobre os seus ensinamentos e teorias. O outro ostenta a designação de Social-democrata, mas também não foi beber as estas fontes, afinal a sua matriz, nem com isso deve estar preocupado, embora faça questão de erguer essa bandeira.
Não pretendo aqui dissertar sobre o que penso acerca destes dois partidos, atendendo às suas propostas e acções enquanto partidos, no governo ou na oposição, mas gostava de deixar para reflexão uma coisa:

Os Princípios da Social-democracia

1. O combate a miséria, sendo assegurado direitos como moradia, saúde, educação, e segurança básicas. Cabendo ao estado também criar condições favoráveis a oportunidade de emprego.
2. O fortalecimento das instituições inter-governamentais, sem que, com isso, a soberania dos países seja ameaçada. Livre concorrência, desde que, no momento, tal seja proveitoso para as partes envolvidas.
3. Limites e liberdade as organizações civis como sindicatos, ongs, igrejas, imprensa.
4. Evitar a formação de monopólios e oligopólios, sem sacrificar sectores estratégicos do estado.
5. Desapropriação de terras na medida do necessário como garantia de sobrevivência.
6. Intervenção na economia quando necessário e em sectores estratégicos, evitando grandes prejuízos ao país e à população.

Estes princípios nem são da minha autoria, pelo que deixo à vossa consideração a apreciação, à luz destes princípios que são comuns à social-democracia e ao socialismo democrático, que são uma mesma coisa (para quem não saiba), da acção destes dois partidos, que usando as designações que usam, não me parece que os honrem nem de perto nem de longe.
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Fotografia
drinky by tzuntzi

Bonjour by Visionaria

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Humor e Homenagem

By Joe Heller

Christo Komarnitski

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

CURIOSIDADES PARLAMENTARES

O diário JN noticiou ontem algumas curiosidades sobre os nossos parlamentares, que só terão surpreendido algumas pessoas que não têm o hábito de consumir notícias. Partindo de um título começamos logo por ficar a saber que “abonos podem duplicar vencimento mensal”, e estamos a falar de um vencimento mensal de 3.708 euros – base. Não vou sequer falar nas pensões vitalícias, pois seria imoral dizer quantos a têm e quantos ainda as podem vir a ter.
Mas há mais, no último ano foram aumentados 77 euros, têm direito a 10% do salário para despesas de representação, algumas benesses para o presidente, para os vices, para os líderes parlamentares e os secretários da Mesa, têm todos direito a título gratuito de serviços postais, telecomunicações e redes electrónicas e a ajudas de custo, bem como a viagens pagas caso “residam” fora de Lisboa, ou ao quilómetro para quem resida nas imediações. Esquecia-me da deslocação semanal em trabalho político.
Para quem ache muita fartura tudo isto, posso acrescentar o almoço a 4,65 euros, isto já com o aumento de 0,10 euros desde 2006, cafés a 25 cêntimos águas a 66 cêntimos e sandes de queijo a 45 cêntimos.
Mais interessante ainda, outra notícia do mesmo diário tinha o sugestivo título “remuneração não é indicada como incentivo”, e referia-se a cinco jovens deputados. Um refere que o mais lhe agrada é a flexibilidade de horários, que lhe permite levar o filho ao infantário, outro refere que “a remuneração não é de todo interessante”, além disso, não toca no salário do Parlamento, porque não sabe o dia de amanhã (?). Um representante do PCP pareceu ser o único que não se queixou, mesmo tendo de entregar parte do salário ao partido. O representante do CDS afirmou que “o mais importante não é o estatuto remuneratório” mas “a satisfação política de lutar por aquilo em que se acredita”, o que também é louvável. A representante do BE declara que “não há qualquer privilégio laboral” e acrescenta que “um deputado não pode tirar férias a meio do ano … e a flexibilidade de horários é estar sempre disponível”.
Pensando bem, acho que eu também não gostaria de ser deputado. Aquilo são só inconvenientes, são mal pagos, não ajuda nada o futuro profissional futuro, tem as chatices das cerimónias oficiais, o trabalho é de levar à exaustão e os gajos como eu, ainda mandam bocas aos que se esfalfam a bem dos cidadãos. Vou aproveitar também para aconselhar os meus filhos e netos a nunca sequer equacionarem a hipótese de uma carreira política.

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Fotos - Cinderelas
Danapra

Danapra

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Humor Nacional

JOSÉ MALHOA

Já não ía às Caldas da Rainha há algum tempo, nem comia umas cavacas como se tinha transformado num hábito de cada vez que por lá passava, mas um passeio vem sempre a calhar, e lá fui eu. Não ia propriamente para visitar o Museu José Malhoa, e de facto não o fiz, mas dei uma volta pelo jardim após o almoço, e resolvi deixar aqui umas palavras sobre este homem e a sua obra.
Comecei a pesquisar e cedo cheguei à conclusão de que outros o fizeram antes, e de um modo bastante sucinto e apelativo, pelo que deixo aqui um desses textos:

José Malhoa (1855 - 1933)

Malhoa, de seu verdadeiro nome José Victal Branco Malhoa, nasceu numa família de agricultores, nas Caldas da Rainha. Cedo evidenciou qualidades artísticas; e assim, muito novo, seguiu para Lisboa para aprender o ofício de entalhador na Escola de Belas-Artes. Contudo, por indicação do artista Leandro de Sousa Braga, o irmão inscreve-o na Real Academia de Belas-Artes em Outubro de 1867. Aqui haveria de prosseguir estudos durante 8 anos, obtendo as melhores classificações.
Na Academia, foi aluno do mestre romântico Tomás da Anunciação, que o iniciou na pintura de paisagem – a grande paixão da sua vida –, de Miguel Ângelo Lupi e de José Simões de Almeida, entre outros. Ainda estudante, passava as tardes a desenhar os arredores de Lisboa, sobretudo a Tapada da Ajuda e Campolide. Assim que acaba o curso, decide concorrer a pensionista do Estado com o fim de ir estudar para fora. Mas não é admitido (só realizará a primeira viagem a Paris em 1906). Decide então empregar-se na loja de confecções do irmão, onde ficará três anos.
É desta época a obra Seara Invadida (1881), que envia a uma exposição em Madrid, onde obtém o melhor acolhimento. Entusiasmado, e apesar de ter entretanto casado, Malhoa decide deixar a loja do irmão e consagrar-se inteiramente ao ofício de pintor. Ainda antes de 1885 chegam as primeiras encomendas artísticas: um tecto para o Real Conservatório (A Fama Coroando Euterpe) e outro para o Supremo Tribunal de Justiça (A Lei) são alguns exemplos.
Nesse ano, o pintor Silva Porto regressa a Lisboa, vindo de França, onde fora aluno de Daubigny, e recebe na Academia a cadeira de Pintura de Paisagem, que entretanto tinha vagado. À sua volta, na Cervejaria do Leão, em Lisboa, reúne-se em breve um grupo de artistas dos quais Malhoa faz parte. Esta tertúlia, o Grupo do Leão, que discutia temas relativos à prática artística, influenciou decisivamente a opção de Malhoa pela pintura de ar livre. O Paul da Outra Banda, pintado ainda em 1885, é desta um bom exemplo.
Pouco tempo depois, adquire casa de Verão em Figueiró dos Vinhos. É aqui que descobre os temas populares que sempre o encantarão ao longo da vida. Procissões, cenas campestres, camponesas saudáveis e garridas, animais que pastam, pontuam uma pintura que se vai dedicar a transmitir uma imagem do Portugal sentimental e bucólico que outros tratarão na literatura. Trata-se de pintura naturalista; mas de um naturalismo sem maniqueísmo nem luta de classes, mais próximo de A Cidade e as Serras que de O Germinal – mais próximo do Portugal atrasado desse tempo que da Inglaterra ou da França já industrializadas. Diogo de Macedo, historiador que se debruçou sobre a sua obra, chama-lhe um «historiador da vida rústica de Portugal»...
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Praia das Maçãs - Pintor: José Malhoa

Outono - Pintura de José Malhoa

As promessas - Estudo José Malhoa

Clara - Pintor: José Malhoa

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Humor

Benjamin Heine - Bélgica

domingo, fevereiro 10, 2008

CURTINHAS

Socialistas não se revêem em Sócrates – Depois de Manuel Alegre, agora também Edmundo Pedro veio afirmar não se reaver em José Sócrates. Não me admira que assim seja, porque é muito difícil de engolir uma política claramente liberal que se pretende que seja encarada como socialista. Não se trata de esquerda ou de direita, conceitos que hoje em nada ajudam a clarificar políticas, mas sim de se eleger o bem estar dos cidadãos como preocupação primeira da governação, ou privilegiar os interesses económicos e a economia em geral para só depois atender ao bem estar dos cidadãos. Já se tinha assistido ao envio do socialismo para a gaveta, mas nenhum socialista imaginava sequer que também o povo para lá fosse remetido, em benefício dos interesses económicos.

Menezes e as Urgências – Compreende-se a necessidade de Menezes aparecer na comunicação social, afinal é o dirigente máximo do maior partido da oposição, e está em clara desvantagem por não estar no Parlamento. É difícil de aceitar no entanto que o mesmo dirigente que preconiza o avanço na privatização dos serviços de Saúde e da Educação, venha agora defender que o governo recue no encerramento de alguns serviços de Saúde. Afinal Correia de Campos, sem nunca o admitir publicamente abriu o caminho aos privados no campo da Saúde, mas a verdade é que estes só estão dispostos a avançar se lhes forem entregues os doentes do SNS, e se este estiver disposto a pagar pelos serviços. Chamando as coisas pelos nomes, só haverá investimento com garantia de clientes e de receitas. Não há almoços grátis, Dr. Menezes, se quer que os privados avancem, arranje dinheiro para lhes pagar, e sem qualquer garantia de que saia mais barato do que saia com o serviço público. Se pretender esclarecer as dúvidas quanto aos custos deite uma vista de olhos ao Amadora-Sintra e tire conclusões.

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Fotografia
mariar

universal_naturalist

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Humor Francófono

Damien Glez

Les handicapés en hollande par Jiho

Jiho

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

A EXPLOSÃO SOCIAL

Quando as condições sociais se deterioram num país, a paz social e a segurança de pessoas e bens correm o risco de ser postas em causa.
Em Portugal temos o desemprego num nível demasiado alto, a distribuição da riqueza é a pior da zona euro, os salários são dos mais baixos, o trabalho precário atingiu níveis dos mais elevados da Europa, os cuidados de saúde são maus, a educação não encontra rumo com as constantes alterações, os níveis de confiança nos políticos vão de mal a pior, e a confiança na economia e na melhoria do nível de vida estão no seu pior nível.
As condições com que os portugueses são confrontados são muito más, e os sacrifícios pedidos desde há alguns anos não nos levaram a melhorias nenhumas, sendo claro para todos que apenas os ricos se encontram mais ricos e que os pobres estão cada vez mais pobres e são cada vez mais.
No campo político temos os dois maiores partidos com ideias muito semelhantes, não se descortinam diferenças significativas nem no discurso nem na sua acção, estando até em curso negociações para uma maior hegemonia e marginalização dos restantes partidos, pelo que as alternativas já não estão nos partidos, incapazes de se regenerarem e de ganhar a confiança dos cidadãos. A Democracia assente neste sistema, está definitivamente em risco.
Não foi por acaso que o general Garcia Leandro, responsável pelo Observatório de Segurança lançou o alerta num artigo de opinião no semanário Expresso. A indignação existe, o desencanto também, em alguns casos já há revolta e os responsáveis políticos teimam em deitar achas para a fogueira, dando a sensação de ser insensíveis às dificuldades do povo, pretendendo fazer-nos crer que não há motivos para alarme e que o país está bem e recomenda-se.
A indignação e os sentimentos de revolta são genuínos e estão um pouco por todo o lado, pelo que não será assobiando para o lado que se resolvem assuntos desta natureza, numa altura em que o custo de vida ameaça disparar e a economia desacelerar. Cuidem-se os que pintam o país em tons rosados ou alaranjados, porque o caso é demasiado sério para se desprezarem os sinais, ou perder tempo.

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Semelhanças, ou diferenças?

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Fotografias "In Red"

Larisssa80

Larisssa80

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Caricaturas

Santana by Ismael Roldan



Dalcio

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

CREDIBILIDADE E POLÍTICA

A classe política em Portugal está muito mal vista pelos cidadãos no que respeita a credibilidade, mesmo assim assistimos com frequência a episódios que minam ainda mais a credibilidade dessa classe.
Há algum tempo o deputado Cravinho propôs legislação contra a corrupção, discutiu-se a oportunidade da proposta, levantou-se alguma celeuma, e lá foi Cravinho para Londres, e empacotou-se o caso. PS e PSD entenderam-se sobre um pacote legislativo, mas o combate à corrupção marcou passo, discutindo-se agora se se vai criar uma comissão ou um observatório, ou agora ainda uma entidade para a prevenção da corrupção, segundo Ricardo Rodrigues do PS. Ficámos todos sem saber se basta prevenir, ou é necessário punir a corrupção, mas como dizia o professor Marcelo, quantos corruptos foram condenados em Portugal?
Para ajudar à credibilidade dos nossos políticos, vieram a lume as “dezenas de pedidos” de titulares de cargos políticos para que os seus rendimentos permanecessem secretos. Se isto não é o cúmulo da transparência, não sei o que será. Também não entendo porque é que não são divulgados os nomes dos autores desses estranhos pedidos, mas o Tribunal Constitucional decidiu não divulgar os seus nomes.
Afinal parece que não é apenas o meu pessimismo a trabalhar, há muito boa gente que se questiona sobre a credibilidade dos políticos, e razões não faltam.

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Fotos com Flores
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Special Photo by Yasithecat

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Humor