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quinta-feira, setembro 26, 2019

GERIR MUSEUS É COMPLEXO


Li com bastante atenção uma entrevista da directora dos Jerónimos e da Torre de Belém ao Público de hoje, e devo dizer que em termos gerais até concordo com ela, mas como em tudo, há questões difíceis de implementar.

É sabido que os Jerónimos e a Torre de Belém são os monumentos mais visitados do país, como também se sabia que o Palácio da Pena e o Palácio Nacional de Sintra também eram os palácios mais visitados, e isso não impediu que a sua gestão fosse entregue a uma empresa de direito privado exclusivamente de capitais públicos, a PSML.

Os diferentes governos têm dado pouca atenção à Cultura, e neste caso específico, ao Património, e isso tem sido mais do que evidente quando se olha para o investimento público nesta área. Ao se ter tirado a exploração dos palácios da zona de Sintra da órbita do Ministério da Cultura, as receitas que daí provinham esfumaram-se, e não foram cobertas pelo Orçamento de Estado.

A autonomia de gestão por parte dos directores dos serviços dependentes da DGPC, não existia pura e simplesmente, e agora também não será significativa, pelo que se percebe.

A tentativa de dar um salto em frente por parte de Dalila Rodrigues, sugerindo o aumento dos bilhetes, e o pagamento das entradas na igreja dos Jerónimos é sintomática. Estas medidas são altamente controversas, bem como os descontos para os visitantes nacionais, concorde-se ou não com elas.

O problema das filas continuará a existir enquanto não houver um sistema de reservas eficaz, e se continuar a vender bilhetes no próprio dia sem haver um limite estabelecido de entradas diárias, algo do tipo do que existe em Granada, ou que se prepara para fazer no Prado.

Gostei de ouvir alguém agitar um pouco as águas, apresentar propostas, expor ideias para o futuro. Vai ser muito difícil concretizar tudo isto, mas é de pessoas com iniciativa que precisamos para evoluir…



quinta-feira, dezembro 07, 2017

PATRIMÓNIO E COMPORTAMENTOS



Nas últimas semanas muito se tem falado dos maus comportamentos de alguns visitantes nos nossos museus e monumentos, e invariavelmente as discussões são muito acesas e as propostas são muito poucas.

A segurança do nosso Património depende de vários factores, alguns que são da responsabilidade dos museus e monumentos, e outros que dependem única e exclusivamente da educação e do civismo do público.

Dentro de cada museu ou monumento é necessário muito diálogo entre as equipas técnicas responsáveis pela exposição, e os vigilantes que conhecem melhor que ninguém o tipo de público que cada serviço recebe, e quais a dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia. A consulta de especialistas em segurança e respectivos equipamentos, e a troca de experiências com pessoal de outras instituições similares de referência, também são recomendadas.

Fora de portas também há muito que pode ser feito, desde logo nas escolas, que são parceiros privilegiados na formação de públicos. O Ministério da Cultura pode também fazer mais aproveitando sinergias de outros sectores que tutela, podendo fazer, por exemplo, pequenos sketches humorísticos (sempre melhor aceites), sobre comportamentos pouco recomendáveis dentro de museus e monumentos, a exibir em separadores da televisão pública em horário nobre.

É preciso semear para depois colher…