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segunda-feira, setembro 21, 2020

MUSEUS E A FALTA DE TRABALHADORES

O problema da falta de pessoal nos museus, monumentos e palácios dependentes do Ministério da Cultura é crónica há pelo menos duas décadas.

A degradação dos serviços é notória, o fecho de salas e o afrouxamento da vigilância são realidades que o público mais atento já constatou.

Já há bastantes anos os museus deixaram de ter pessoal operário para as limpezas, recorrendo-se a empresas externas, e como se sabe os concursos são ganhos por quem oferecer preços mais baixos, o que se reflecte naturalmente na qualidade de serviço. Na vigilância os concursos têm sido muito poucos, e o recurso à mobilidade também se revelou um falhanço pois apenas serviu de ponte para a ida para outros serviços com horários melhores e outras possibilidades de progressão.

A escassez de pessoal é problemática, mas os problemas não se esgotam por aí. O nível etário é altíssimo, com todos os inconvenientes daí decorrentes. A formação profissional é uma miragem e em muitos serviços nem sequer é dada a conhecer aos vigilantes.

Podia falar da escassez de verbas e de autonomia, que serve a muitos dirigentes para disfarçar a mediocridade do seu desempenho, tanto na organização do trabalho como na investigação e divulgação do espólio dos serviços. As excepções são conhecidas, quer pelas reivindicações apresentadas, muitas públicas, quer pela actividade que os visitantes podem aferir nas suas visitas.

Esta degradação dos serviços é da responsabilidade da tutela, e não se resolve só com novas admissões (que são indispensáveis), mas também com a valorização da categoria dos assistentes técnicos com funções de vigilância, muito justa pela disponibilidade para trabalho em horários que compreendem sábados, domingos e feriados.


 

quinta-feira, novembro 15, 2018

MUSEUS E VIGILANTES

Falando de recursos humanos, um dos maiores problemas dos museus, palácios e monumentos dependentes da DGPC é sem dúvida a falta de pessoal de vigilância, que afinal são os profissionais que asseguram a abertura dos serviços.

Nos últimos dias foi notícia a entrada em funcionamento de máquinas automáticas de venda de ingressos, que entraram precisamente hoje em funcionamento, para o Mosteiro dos Jerónimos e para o Museu de Arqueologia e que se vão estender a outros monumentos muito em breve.

Entre outras vantagens citadas pelos responsáveis estará a redução de filas de espera, o que está por comprovar, e também uma melhor gestão dos recursos humanos, ao libertar funcionários das bilheteiras para outras funções.

No que diz respeito a uma melhor gestão dos recursos humanos libertar um ou dois trabalhadores para outras funções pode parecer um avanço, mas há quem o considere apenas um pequeno remendo, pois muito mais se podia fazer.

Numa pequena pesquisa feita há poucos meses, e com o auxílio dos mapas de pessoal da DGPC, e perguntando discretamente quantos vigilantes tinham alguns serviços, chegou-se à conclusão que cerca de 25% dos Assistentes Técnicos e Assistentes Operacionais admitidos para funções de vigilância, estão a desempenhar outras funções, tão diversas como a de telefonista, secretárias de direcção, serviços educativos, e outras, com o consentimento dos directores.

Com as dificuldades conhecidas para a admissão e fixação de profissionais nas funções de vigilância, não sei se a gestão de recursos humanos é a mais correcta, pois todos os trabalhadores que são desviados das suas funções de vigilância para outras, fazem imensa falta e beneficiam de um horário muito mais favorável, com o descanso aos sábados, domingos e feriados, auferindo salários absolutamente iguais aos que auferem os que trabalham nesses dias, e que são sobrecarregados pela diminuição de efectivos na função de vigilância.


Será que a senhora directora-geral da DGPC sabe disto? E a senhora ministra da Cultura?


segunda-feira, outubro 15, 2018

VIGILANTE DE MUSEUS, PROFISSÃO SIMPLESMENTE IGNORADA


Estava a ler um artigo num jornal online sobre “as profissões que provocam mais divórcios” e fiquei admirado por não encontrar entre os 21 exemplos, os vigilantes de museus.

Talvez consiga perceber isso pelo facto de não existir, de facto, uma profissão de vigilante de museus, porque nestes dias estão integrados numa carreira geral da função pública, com a categoria de assistentes técnicos, ainda que com direitos diminuídos, nomeadamente nos horários, regulados por um simples despacho que pretende sobrepor-se à legislação sobre horários da função pública para as carreiras comuns.

As explicações para as profissões referidas pelo jornal como causadoras de divórcios, são coerentes, e entre elas estão precisamente os baixos salários, a dificuldade em lidar com clientes/utentes que é difícil (muito mais quando a oferta é deficiente), e pelo trabalho ao fim-de-semana, no caso dos vigilantes de museu, sem qualquer remuneração diferenciada, ao contrário do que acontece com todos os outros assistentes técnicos, que em caso de trabalho nesses dias têm direito a remuneração diferenciada.

Vamos ver se com uma nova ministra da Cultura alguma coisa muda, e se deixam de discriminar estes trabalhadores que apenas parecem servir como saco de pancada, e bodes expiatórios de quase tudo o que corre mal nos museus.



terça-feira, setembro 11, 2018

OS VIGILANTES DOS NOSSOS MUSEUS


Uma notícia do DN, veio trazer a lume, mais uma vez, a carência destes profissionais, ainda que não abordando todas as suas razões.

Este problema começou há muitos anos (mais de duas décadas) e coincidiu com o começo dos programas de ocupação de jovens nas suas férias, e com os de ocupação de desempregados, que se tornaram um hábito, até porque significavam alguma poupança, e os governos gostavam disso.

Enquanto se recorria a estes esquemas, tantas vezes denunciados pelos trabalhadores do sector, o pessoal dos quadros ia envelhecendo, e as admissões eram adiadas, até serem congeladas. Onde estava então o senhor António Pimentel?

Neste meio tempo entre o recurso aos desempregados e o congelamento das admissões, alguém teve a ideia peregrina de transformar a carreira de vigilante de museus numa carreira comum, passando a assistentes técnicos, mas com um horário de trabalho específico, o que é no mínimo inconstitucional, por ser discriminatório, já que lhes retira a possibilidade do pagamento diferenciado dos sábados e domingos, como é devido aos restantes assistentes técnicos.

O mau resultado veio depois quando se abriram concursos para novas admissões, e logo que entravam os novos vigilantes, ficava logo claro que estavam de passagem rumo a outros ministérios onde não eram forçados a trabalhar, feriados, sábados, domingos e tolerâncias de ponto.

O director do Museu de Arte Antiga refere que recorre a tarefeiros, que tem cerca de 17 vigilantes do quadro, 17 conservadores, 8 bolseiros, uns 15 desempregados, e que gostaria de entregar boa parte da vigilância a empresas de segurança, referindo a responsabilidade civil, seja isso o que for.

António Filipe Pimentel é também um dos subdirectores-gerais da DGPC e mostra o pouco interesse que tem pelos vigilantes do seu museu, preferindo seguranças de empresas externas, como no passado fizeram com o pessoal de limpeza, e outras tarefas desempenhadas por aquilo que hoje designamos os assistentes operacionais.

Quando se reformarem os poucos e envelhecidos vigilantes (assistentes técnicos), os museus continuaram a existir, mas a sua experiência ter-se-á perdido, e os tais conservadores e outros técnicos superiores terão grandes dores de cabeça, e terão que deixar as suas cadeiras confortáveis e os seus gabinetes, para meter a mão na massa. Cá se fazem, cá se pagam…


terça-feira, maio 08, 2007

APONTAMENTOS

Vigilantes de museus – Já aqui fiz eco de notícias segundo as quais o reforço de pessoal de vigilância, pelo menos em alguns serviços, poderia ser atirado lá para o Outono, já depois da chamada época alta do turismo. Hoje mesmo tinha duas mensagens na minha caixa do correio dizendo que afinal o IMC, IP tinha enviado a todos os serviços que vão ficar sob sua tutela, um ofício para que as necessidades fossem reportadas para se poder proceder à contratação de pessoal a prazo por cerca de quatro meses, já a partir do princípio de Junho. É com prazer que coloco aqui esta informação, rectificação se assim o entenderem, e espero que tudo corra pelo melhor em todos os Museus, Palácios e Monumentos de Portugal.

Brutalidade sem desculpa – Circula na Internet, divulgado por um site espanhol, um pequeno vídeo de má qualidade onde se percebe o apedrejamento selvagem até à morte duma mulher, no norte do Iraque. Segundo as notícias disponíveis, tratar-se-ia duma jovem curda de apenas 17 anos, que abandonou a sua casa pretendendo casar com um árabe sunita. Não há tradição ou qualquer outro preceito moral ou religioso que justifique tamanha atrocidade, muito menos se compreende a passividade da família e das autoridades perante um acto brutal e criminoso como este.

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Cartoon Internacional

Nikolay Arnaudov - Bulgaria

Al-Gayeb - Bahrain
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Foto

John A. Aasen