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quinta-feira, abril 14, 2022

AUSTERIDADE NO NOVO DICIONÁRIO DE MEDINA

Alguns amigos disseram-me que devia dar o benefício da dúvida a Fernando Medina no que respeita à competência para ocupar a cadeira das Finanças, quando eu manifestei o meu enorme cepticismo pela sua escolha para a pasta.
 
Eis que hoje ele teve a oportunidade de defender o Orçamento de Estado, que assumiu como seu, e independentemente de eu considerar que se trata dum documento reciclado e muito pouco adaptado à realidade actual, mereceu algumas palavras infelizes e desadequadas a um qualquer economista.
 
Respondendo às criticas de que o OE é de austeridade, eis que ele o nega e responde que "em nenhum dicionário de política económica do mundo esta é uma política de austeridade". É óbvio que nenhum dicionário de economia pode distorcer o significado da palavra "austeridade", e esta significa "Política de redução dos gastos ou da despesa pública".
 
Medina tem à sua disposição mais verbas do IVA e de quase todos os impostos, e em proporção com o "bolo" à sua disposição, o Governo vai gastar menos do que gastou no passado, só assim se explica que apresente o mesmo crescimento que previa ainda no final do ano passado, apesar da subida da inflação que se situa agora em mais de 5%.
Política de redução de gastos ou da despesa pública.

"austeridade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/austeridade [consultado em 13-04-2022].
 


 

terça-feira, abril 10, 2018

O PRIMADO DA AUSTERIDADE


Embora a palavra austeridade esteja abolida do discurso deste Governo, aquilo a que chamam consolidação orçamental é na realidade baseada no princípio da austeridade.

Ouvir Mário Centeno mostrar-se orgulhoso por conseguir ultrapassar as metas estabelecidas faz-nos recordar um outro político que se ufanou por ter ido além da troika.

A outra face dos apertos orçamentais e das cativações, está à vista no evidente colapso dos serviços públicos e na desmotivação dos funcionários públicos, a quem Centeno diz não ir aumentar salários em 2019, quando se sabe que os últimos aumentos aconteceram em 2009.

Os portugueses começam a constatar que as mudanças têm sido sobretudo no discurso, e que infelizmente nada melhora ao nível do bolso do cidadão.



terça-feira, janeiro 02, 2018

MINISTRO EM LINHA COM A INFLAÇÃO

O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, veio justificar o aumento dos transportes públicos com a afirmação de que estes estão “absolutamente em linha com a inflação”.

Estou em crer que o senhor ministro veio provar que o Governo tem ministros a mais (o seu número está inflacionado), porque o tal aumento não está “absolutamente em linha com a inflação”, como se pode verificar comparando os preços, e o argumento da inflação foi o pior que ele podia usar, pois lembra que o executivo a que pertence não acautelou minimamente que os salários dos seus funcionários era aumentado, pelo menos tendo em conta a inflação de 2017.

Quando será que algum Governo anuncia ao que vem, com verdade, e não esconde medidas desta natureza revelando-as apenas em épocas festivas, ou de férias, para que passem mais ou menos ao lado dos noticiários? Lembram-se do que disseram sobre a austeridade e sobre os aumentos de impostos antes de se apresentarem a eleições?


Todos diferentes, todos iguais. 


quinta-feira, fevereiro 23, 2017

AUSTERIDADE E LÁGRIMAS DE CROCODILO

Depois de nos obrigarem a passar as passas do Algarve com políticas de austeridade absurdas, e que todos com dois dedos de testa criticaram, lá começam a aparecer os estudos e as conclusões de que as medidas de austeridade ainda pioraram a nossa situação, com resultados negativos na dívida, no crescimento, no desemprego e no consumo privado, aumentando assim a recessão.

Os especialistas, sempre eles, desta vez alemães do German Institute for Economic Research, o mais habitualmente conhecido como DIW Berlin, vêm agora reconhecer o falhanço das políticas de austeridade aplicadas entre 2010 e 2014, algo que qualquer nabo sabia desde o começo do martírio.


Os palermas encabeçados pela Merkel e pelo rodinhas que manda nas finanças da Alemanha, mais a sanguessuga de cabelos brancos do FMI, os burocratas engravatados do BCE e da União Europeia, juntamente com o Coelho cantor, o Gasparzinho e a Maria Luís, deviam passar a usar umas orelhas de burro para todo o sempre, já que a justiça terrena nunca os castigará devidamente.


sábado, abril 23, 2016

MAIS DO MESMO



Os tão invejados funcionários públicos, são afinal, tanto para a direita como para a esquerda, os alvos preferenciais e imediatos para se garantir a consolidação orçamental, em Portugal.
Antes de António Costa estar no governo, tanto o PS como o BE e o PCP, afirmavam à boca cheia que o funcionalismo público não podia continuar a ser o bombo da festa, quando as exigências da União Europeia, teimam em obrigar a uma maior consolidação orçamental e a um menor défice.

Está a ficar cada vez mais claro que não foi apenas um tique da direita, o ataque cerrado aos funcionários públicos, pois a esquerda que apoia este governo do PS também parece ignorar o que disse anteriormente.

Era já claro que este ataque por parte da esquerda parlamentar estava iminente, quando a comunicação social começo a publicar títulos que levaram muito boa gente a pensar, erradamente, que os funcionários iam ser aumentados 25% a partir deste ano, quando apenas havia uma redução dos cortes anteriormente efectuados. A comunicação social anda sempre um pouco à frente do poder instituído.

Agora já é possível contabilizar alguns valores que deviam fazer corar toda a esquerda, como por exemplo o facto de serem os funcionários públicos a garantir quase 40% da consolidação, que as pensões dos servidores do Estado encolheram em média 23% em dois anos, e que durante este ano terão que sair 10 mil funcionários públicos para se assegurar a poupança prevista.

Infelizmente não existe diferença nenhuma entre a direita e a esquerda no que concerne à maior incidência dos esforços da consolidação orçamental, nem da falta de palavra dos políticos, dextros ou canhotos.

Costa e os que suportam o seu governo que se cuidem, pois o descrédito vem aí…



quinta-feira, setembro 17, 2015

AJUDA RUINOSA À BANCA

Ouvimos da boca de banqueiros, economistas, jornalistas, e de políticos, que os portugueses tinham estado a viver acima das suas possibilidades, e como estes senhores são os que estão sob a luz dos holofotes, a afirmação passou a ser a verdade oficial.

A grande maioria dos portugueses tinha uma vida remediada, uma parte significativa lutava por manter a cabeça fora de água, e uns poucos viviam à grande e à francesa, isto antes da crise e do começo da austeridade imposta por este governo.

Nestes últimos 4 anos as dificuldades aumentaram substancialmente, são mais os que tentam manter a cabeça à tona de água, muitos mais os que vivem com imensas dificuldades para enfrentar as despesas essenciais, muita gente simplesmente está falida, e os que já viviam no bem bom, estão cada vez mais ricos.

O facto mais relevante destes anos de austeridade à moda de Passos Coelho e da troika, é que boa parte do dinheiro de entrou neste país foi para apoiar a banca, e naturalmente para aliviar os seus accionistas, pesando na dívida pública 11%, e ainda ficámos com o fardo do BES por resolver, e uma parte do dinheiro emprestado à banca por devolver, não contando ainda com a fragilidade da banca, que ainda existe, e umas pontas soltas do BPN que ainda não estão solucionadas.


Neste espaço de tempo tivemos muitas privatizações, e mesmo assim a dívida pública aumentou. O dinheiro recebido foi parar portanto aos bancos, e aos credores, e mesmo assim os portugueses foram espremidos com mais impostos, taxas e reduções de direitos, por um governo que se congratula com estes resultados. 

Flores By Palaciano

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

ENTENDAM-SE PORRA

Esta Europa é uma confusão de declarações sobre os mesmos assuntos, e é corrente ouvir-se um responsável político dizer uma coisa e depois ouvir um outro a dizer quase o seu contrário.

Schäuble disse ontem que os programas de ajustamento impostos aos países em dificuldades, funcionam, e que Portugal e a Irlanda são a melhor prova, já Juncker afirma sobre a troika "pecámos contra a dignidade de Portugal e da Grécia.

É óbvio que a Alemanha de Schäuble "ganhou" com a austeridade extrema imposta aos países intervencionados, já Juncker enquanto dirigente da União Europeia consegue descortinar que se foi longe demais nas imposições a países como Portugal e a Grécia. 

Nós que sofremos na pele os efeitos destas imposições não podemos deixar de concordar com Juncker e discordar frontalmente com o ministro alemão, que afinal só está a defender os interesses da Alemanha, borrifando-se para os impactos nas populações dos outros países.


sábado, janeiro 31, 2015

PASSOS COELHO E O FRACASSO



Os portugueses não fazem confusão com os resultados da austeridade nem conseguem encontrar qualquer benefício com estes anos de austeridade brutal, por muito que Passos Coelho ou Paulo Portas o repitam.

Ganhar salários inferiores, pensões mais baixas, piores serviços do Estado, e estar cada vez mais aflito para atender às necessidades básicas, não é compatível com os discursos de crescimento da economia.

Bem sei que o governo nos atira com alguns números para justificar o que reclama, mas são também oficiais os números do INE que concluem que mais de um quarto da população vive em privação material. O aumento do número de pessoas em risco de pobreza prova bem o fracasso da austeridade imposta.

Dois milhões de pessoas em risco de pobreza é a realidade com que este povo se defronta, e tem sempre aumentado nestes últimos 4 anos, e perante isto não há demagogia que nos possa tapar os olhos.



quinta-feira, junho 19, 2014

PORTUGAL E ESTA EUROPA POUCO SOLIDÁRIA

Portugal atravessa um mau momento, com uma austeridade galopante, um desemprego colossal e sem que surja qualquer luz ao fundo do túnel, pelo contrário. A Europa solidária que nos "venderam" tem demonstrado muito pouca solidariedade...

Esta Europa, que não é dos cidadãos, recebeu um cartão vermelho em quase todos os países, onde os partidos no poder viram penalizados os seus resultados. Outro factor relevante foi a enorme abstenção registada.

Um dos resultados do descontentamento e da indiferença dos eleitores foi o resultado de grupos extremistas que acabaram por conseguir lugares no Parlamento Europeu.

sexta-feira, outubro 12, 2012

RECEITA PARA A DESGRAÇA



A Grécia foi a primeira a experimentar a receita da austeridade extrema, e o falhanço das medidas foi desvalorizado pelo facto de serem pouco cumpridores das medidas de austeridade. O caso da Irlanda foi um pouco diferente porque se recusaram a aplicar algumas das medidas preconizadas pela troika.

Portugal apresentou-se com a corda na garganta e foi obrigado a aceitar o que lhe foi imposto. Como se isso fosse ainda pouco, logo apareceu um executivo que se afirmou como bom aluno, não discutindo nenhuma imposição, que até veio anunciar que queria ir para além do que lhe tinha sido exigido.

Agora estamos confrontados com uma classe dirigente que se recusou sempre a pedir um alargamento do prazo ou mais ajuda, que agora parece disposto a aceitar, mas que apesar de tudo força a austeridade para além do necessário como se o alargamento do prazo não existisse.

O FMI já veio alertar para o exagero da austeridade, o que cá dentro tem sido dito por quase toda a gente com dois dedos de testa, mas Passos Coelho e Vítor Gaspar teimam na receita da suprema austeridade. Como podem estes senhores aspirar a um crescimento da economia, ou a um decréscimo da taxa de desemprego se insistem num brutal aumento de impostos, o que significa objectivamente a uma maior contracção do consumo, a uma diminuição do emprego e a uma diminuição do PIB?

O doente não morre da doença mas arrisca-se a morrer da cura, caso este Orçamento de Estado venha a ser aprovado e implementado.

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Humor - A Queda da Máscara