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terça-feira, março 30, 2021

TELEVISÃO

Não se pode dizer que seja um grande consumidor de televisão, sobretudo dos canais portugueses onde geralmente só vejo as notícias, e um ou outro programa da RTP 2. Este facto não me impede de passar por vezes pelos canais nacionais, para ver o que vão dando.

No final da semana passada fiquei a ver um programa que eu pensava ser sobre cozinha, e que afinal tratava de quase tudo menos de culinária, à excepção de ensinar a fritar um ovo, que afinal se afigurava difícil para os aspirantes a cozinheiro.

Várias coisas neste concurso tiveram o condão de me irritar. O palavreado do chefe da cozinha é inadequado e completamente excessivo. As atitudes do chefe nada têm de didácticas, mais parecendo assédio, pois visam a humilhação dos concorrentes. A falta de qualidades de chefia é gritante, pois se alguém precisa de usar daqueles métodos para se afirmar, é um falhado.

O que considero pior nisto tudo, porque sei que quem não gosta pode sempre mudar de canal, é que se dão sinais errados a quem procura singrar em qualquer emprego, sugerindo que só serão sucedidos se se deixarem humilhar, se nunca contrariarem o chefe, e anulando-se completamente perante a chefia.

Eu já conheci atitudes do mesmo tipo mas no contexto militar, e como se sabe nos nossos dias isso tem sido alvo de muitas críticas, e da sugestão de regras, que no caso deste programa de televisão ainda não vi ou ouvi da parte de ninguém.



These Military Cartoons are copyrighted to www.gigreetings.com
 


quarta-feira, março 10, 2021

A VACINA COMO ARMA POLÍTICA

A ciência sempre foi uma arma de dois gumes para a humanidade, pois se por um lado contribui para o progresso e bem-estar, por outro, quando mal usada, pode levar à desigualdade e até à desgraça.

 Podia trazer à baila AlfredNobel e a dinamite, mas existem muitos outros exemplos de cientistas e descobertas que tanto podiam ser utilizadas para o bem como para o mal, e esta diferença foi sempre motivada pela ganância de riqueza ou por motivos políticos.

As vacinas são por definição produtos que servem para nos imunizar contra uma doença, mas são também um negócio muito lucrativo, que também pode ser usado com fins políticos, como aconteceu e está a acontecer agora com a vacina para a COVID-19.

No campo dos negócios veja-se bem o poder das grandes farmacêuticas, que mesmo com a falta de produto que preocupa os governos de boa parte do mundo, ainda est5ão protegidas por patentes, apesar de estarem a morrer milhões de pessoas.

Na política temos a rivalidade latente entre as potências dominantes, com a China, a Rússia e o chamado mundo ocidental a protegerem o que existe nos seus blocos, e a quase proibirem a importação de vacinas de outrem, sem qualquer motivo científico que o justifique.

Tudo isto é em termos globais, mas a nível interno, as vacinas também dependem da vontade política, e a sua administração é determinada consoante as conveniências ou influências dominantes. Os casos vão-se sucedendo, primeiro com os abusos de pequenos poderes que deles abusaram descaradamente, depois dos políticos, que se consideraram indispensáveis (todos eles), como se não vivêssemos numa Democracia onde os mandatos são por tempo definido, e agora temos os professores a passarem para o grupo mais prioritário, apesar de um largo conjunto de investigações que "mostrou que as escolas não são contextos relevantes de infecção e, durante o primeiro período, as medidas sanitárias em vigor nas escolas provaram que o curso da epidemia foi independente das escolas estarem abertas".

Os políticos tentam satisfazer as suas clientelas, e aproveitam-se das situações para o fazer, mas os cidadãos não estão cegos e percebem quando em vez da Justiça prevalecem os interesses, por muito disfarçados que estejam.


 

sexta-feira, outubro 18, 2019

SOCIEDADE CHICLETE


Hoje fui a uma superfície comercial para comprar o Euromilhões, que por acaso é vendido na cafetaria à saída do supermercado. A fila era dumas vinte pessoas, quando cheguei, mas passados uns cinco minutos já só tinha umas quatro pessoas à minha frente, ainda que o cliente ao balcão ser ainda o mesmo de quando cheguei.

O avanço da fila tinha ocorrido pela desistência dos clientes. Desviei a atenção para a moça que estava dentro do balcão e era evidente que estava atrapalhada com a luva que calçava para fazer as sandes, descalçava para fazer os sumos de laranja, calçava de novo para partir um croissant ao meio, e voltava a descalçar para tirar os cafés que transbordaram as chávenas.

À minha esquerda surge um outro funcionário que eu já vira antes na cafetaria, que calmamente começou a retirar louça suja das mesas. Os minutos passavam e depois de dez de espera, a moça estava a atender o segundo cliente, e o funcionário mais antigo passou para dentro do balcão e plantou-se na caixa registando os pedidos que eram feitos à colega, mas ajudar que é bom, nada.

Quinze minutos depois de chegar a fila tinha umas trinta e tal pessoas, apesar das muitas desistências e eu estava em segundo lugar, e foi quando o funcionário decidiu ir para a máquina do Euromilhões e outros jogos, e chamou quem estava na fila para comprar jogo, e lá fui eu ser atendido, mas pelos vistos para jogo eram só três clientes, pelo que a fila não melhorou muito.

Quando acabei de comprar o jogo saí e olhei para as caixas do supermercado e, apesar de ser um cliente semanal do mesmo, não vi uma única cara conhecida, o que já é normal.

Os trabalhadores destas superfícies são jovens contratados a prazo, com baixos salários, que naturalmente não chegam a aquecer o lugar. A qualidade do serviço prestado ressente-se disso, e a culpa não é dos pobres trabalhadores precários mas sim de quem usa e abusa desta precariedade e dos baixos salários.

Eu já só compro aqui uma pequena parte do que necessito, mas vou passar a evitar cá vir, não só pela baixa qualidade do serviço, mas também porque me sinto cúmplice desta situação. Vou experimentar outras lojas como já fiz para comprar o pão, a carne e o peixe.  



terça-feira, maio 28, 2019

FORTE COM OS FRACOS…


A Autoridade Tributária decidiu fiscalizar os condutores com dívidas às Finanças, e se o condutor não tivesse condições para pagar os montantes exigidos pela AT a viatura ficava penhorada.

Todos devem pagar as suas obrigações fiscais, isso decorre da lei, contudo existem processos de cobrança estabelecidos e um princípio de igualdade que as autoridades fiscais são obrigadas a respeitar.

É curioso que este tipo de acções nunca tenha sido posto em prática relativamente aos grandes devedores dos bancos, indivíduos que o Banco de Portugal se recusa a divulgar a identidade, alegando o sigilo bancário.

Os milhares de milhões de euros que nós contribuintes já cobrimos por causa das dívidas de grandes devedores, não nos dão o direito de conhecer os seus nomes e os montantes em dívida? Qual a diferença entre os grandes devedores aos bancos, e os pequenos devedores de impostos, quando os contribuintes são chamados a pagar?

O tratamento desigual desprestigia as instituições do Estado democrático.


quarta-feira, maio 01, 2019

O PODER DOS MERCEEIROS E O COMODISMO TUGA


Festeja-se hoje o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, e há que constatar que muitos que gozam este dia de feriado, a que obviamente têm direito, não reconhecem o mesmo direito a outros trabalhadores que são coagidos a trabalhar, muitas vezes sob a ameaça de despedimento, que é facilitado pela precariedade do vínculo que os liga à empresa.

Em Portugal temos duas justiças, a dos grandes e a dos pequenos, e isso ficou patente na abertura dum supermercado em Armação de Pera, que apesar do estipulado pela autarquia, decidiu abrir as portas contrariando o estipulado. A chamada da GNR apenas levou ao registo da ocorrência, mas o desrespeito pelas normas continuou.

Talvez dê para perceber aos mais distraídos a grande quantidade de trabalhadores precários, especialmente em situações de conflito laboral, que são facilmente manipuláveis, sob pena de perderem o posto de trabalho se tiverem o atrevimento de se confrontar com a entidade patronal, mesmo que apoiados pela lei e pela razão.

O que me deixa mais triste ainda é o egoísmo de muitos de nós, que aproveitam para gozar dos seus direitos, mas colaboram alegremente com quem os quer diminuir, sem sequer pensarem que estão a prejudicar outros a quem os direitos estão a ser negados.