quarta-feira, janeiro 13, 2021

CONFINAR E CRITÉRIOS

A partir da próxima sexta feira Portugal vai, mais uma vez, entrar em confinamento devido à grave situação sanitária que enfrenta devido à pandemia de Covid 19.

A decisão do Governo vem agora tentar inverter uma situação que resulta da abertura inoportuna que permitiu no Natal, que nos levou a tristes recordes de infectados, hospitalizados e mortos.

Costa defendeu-se quanto ao atraso no confinamento, com a necessidade de ouvir os especialistas, mas depois acabou por tomar medidas políticas, como aliás lhe competia.

Na generalidade as medidas são as esperadas, atendendo ao que houve no passado e aquilo que se tem dito nos últimos dias, mas existem decisões muito discutíveis e até incompreensíveis.

O não encerramento das escolas, especialmente dos níveis etários mais altos, é absolutamente incompreensível. A maioria dos especialistas indicaram claramente que quanto mais se confinar, melhores e mais rápidos seriam os resultados, mas Costa ignorou isso. Dizer que “até agora as escolas têm tido um funcionamento exemplar” carece de fundamento científico, e está em absoluta contradição com outra afirmação, também do 1º ministro “quanto mais isolados estivéssemos menos transmitimos. Se todos fizessem isso de forma espontânea não teríamos de estar aqui hoje.”

É discutível que se permitam os serviços religiosos e não se permitam espectáculos culturais, que obedecem às mesmas restrições por parte da DGS, ou que se proíbam os desportos amadores e não os profissionais.

As críticas são legítimas e muitas absolutamente fundadas,  mas como a decisão é política, a responsabilidade também é dos decisores, e não vale a pena tentar desviar as responsabilidade para os portugueses, como tem acontecido.

                                                         Regra é ficar em casa”. António Costa anuncia confinamento geral a partir  de 00h00 de sexta-feira – O Jornal Económico

terça-feira, janeiro 12, 2021

MUSEUS - GRÁTIS É BOM?

A Direcção Geral do Património Cultural veio ontem anunciar que os museus palácios e monumentos sob sua tutela passam a ser gratuitos durante todo o dia aos domingos e feriados, duplicando assim o período da gratuitidade que vigorava.

É habitual dizer-se que quanto mais coisas forem grátis, melhor, mas será que é mesmo assim? Num mundo perfeito talvez fosse assim, mas nós não vivemos num mundo perfeito, e todos pensamos de modo diferente, o que nos faz únicos.

Comecemos por considerar que os melhores museus do mundo, quase todos, têm entradas pagas, e que os palácios com entradas mais caras de Portugal, são os mais visitados. Será que isto desmente a teoria dos que acham que ser grátis é que é bom?

Recordo-me de um dia os responsáveis dum serviço destes ter decidido que o bilhete de entrada devia dar direito a um desdobrável que normalmente servia de guia aos visitantes e, ao final do dia viam-se desdobráveis pelo chão, dentro e fora do serviço. Dá-se mesmo assim tanto valor ao que é gratuito?

Sou sensível ao argumento que todos devíamos ter direito a aceder aos bens culturais, independentemente do tamanh da nossa bolsa, mas curiosamente parece que só o querem aplicar ao Património.Também acho que se devia chegar a quem menos pode, e a quem menos tem acesso ao nosso Património, mas será que para isso basta abrir as portas?

Boa parte dos nossos museus, palácios e monumentos não tem visitas guiadas grátis, a que os portugueses possam aceder, de modo a acrescentar algum conteúdo à visita. Quantos têm uma aplicação acessível através do telemóvel que quase todos temos? Custará assim tanto fornecer Cultura em vez de dar apenas a oportunidade para se tirarem uma selfies com um fundo diferente?

Por último mas não menos verdadeiro, será que já pensaram na DGPC que com esta medida só estão a pedir maiores esforços aos trabalhadores da vigilância, que além de serem escassos são muito mal pagos (pouco acima do SMN), e são discriminados pois ao contrário dos seus colegas com a mesma categoria, são obrigados a trabalhar sábados, domingos, sem receberem mais por isso?

É tão fácil decretar as gratuitidades, mas não vale vir logo de seguida dizer que não têm verbas para fazer a manutenção dos museus, palácios e monumentos, ou para contratar o pessoal necessário, ou ainda para pagar melhor aos funcionários.


 

segunda-feira, janeiro 11, 2021

FAZER E DESFAZER

Parece que vai em frente a ideia peregrina de José Sá Fernandes, no seu papel de novo Marquês, de retirar os brasões, que representam as armas das cidades capitais de distrito portuguesas e das ex-colónias, do jardim da Praça do Império, por considerar já estarem “ultrapassados" e desconfigurados devido à falta de manutenção.
 
Nunca terá passado pela cabeça deste novo tirano municipal, que há quem possa arranjar os ditos brasões, e que eles fazem parte da História de Portugal. Transformar aquilo num relvado talvez seja mais barato, e irá permitir que no Verão sejam muitos os turistas a deitar-se por ali dando uma imagem que deve agradar mais a JSF.
 
O facto dos brasões terem sido acrescentados alguns anos depois de ter sido feita a praça. não invalida que tenham sido lá colocados no V Centenário da morte do Infante D. Henrique, de algum modo ligado aos maior feitos marítimos, que afinal são a razão de ser da praça.
 
Há quem nasça para fazer, e quem nasça para desfazer...




 


quarta-feira, janeiro 06, 2021

VERGONHA

Os Estados Unidos da América foi considerada nos tempos modernos tem sido o de uma Democracia estável e, para muitos, um exemplo e um garante da estabilidade no mundo.

Desde a eleição de Donald Trump os EUA passaram a ser uma caricatura de si mesmos, com um pessoa completamente desequilibrada ao leme. Depois de muitas diatribes que nem quero descrever, eis que perdeu nas urnas nas recentes eleições presidenciais, como reconhecem todas as instituições, mas Trump recusa-se a aceitar, querendo fazer valer a sua opinião.

Hoje a situação vivida no Capitólio foi uma vergonha, com o aval de Trump, dando uma imagem dos EUA que devia envergonhar todos os democratas. 

 

Apoiante de Trump dentro do Capitólio

The Guardian  Photograph: Win McNamee/Getty Images

Seguranças do Capitólio, foto do El País

                               Apoiantes de Trump dentro do Capitólio, foto do El País

 

terça-feira, dezembro 29, 2020

BALANÇO DE 2020

 

Está prestes a terminar o ano de 2020, que para mim não terá sido dos melhores, nem tão pouco dos piores da minha vida.

A saúde teve altos e baixos, pois vinha de recuperar duma operação a uma hérnia do hiato, e logo tive que me preparar para ser operado a uma hérnia umbilical. A operação esteve marcada e os exames foram todos feitos (até o da Covid), mas quando já estava a soro e preparado para a faca, chegou a ordem de suspender a intervenção por terem uma situação demorada em mãos e não haver tempo para me operar. Cerca de 15 dias depois fui chamado à pressa, fiz novo teste à Covid e fui, finalmente, operado e com sucesso, voltando logo de seguida a casa para uma recuperação de 4 semanas.

Na frente laboral as coisas também não foram famosas. Quando estava prestes a regressar ao activo fui informado que só o podia fazer usando a máscara durante as 7 horas de serviço, mesmo sabendo-se que eu tenho, entre outros, problemas respiratórios. Podiam ter-me designado para funções onde isso não fosse obrigatório, mas essa hipótese nem esteve sobre a mesa. A médica de família passo-me a declaração respectiva, e eu encarei a hipótese de voltar ao activo, mas tive umas complicações de saúde e, inesperadamente recebo a notícia de que estava aposentado, dois meses e meio depois de o ter solicitado,

Passei à aposentação mais cedo do que esperava, mas confesso que isso veio na hora certa. Trabalhei mais de 45 anos, desenvolvi as mais variadas profissões, por necessidade nalguns casos, mas sempre com muito empenho. Nos últimos trinta e tal anos trabalhei na área do Património, uma actividade a que me entreguei de corpo e alma, mas nos últimos anos senti que já não valia a pena tentar batalhar por melhorias, porque havia quem não estivesse disposto a sair do marasmo em que alguns serviços se encontram.

Outros desafios se abrem agora para mim. Comecei por colocar as minhas leituras em dia. Pude começar a ver os meus arquivos anárquicos, que posso agora pensar em organizar.

O Natal foi o possível, sem os meus filhos e netos por perto, coisas da Covid, e a passagem de ano também será igual, só com os da casa, mas espero que o 2021 seja melhor do que o anterior, com saúde e dinheiro para os gastos.   

Texto de Luís Conceição  

sábado, dezembro 19, 2020

CARICATURAS


Florian Doru Crihana, Roménia

                                            Victor Bogorad, Rússia

 

quinta-feira, dezembro 17, 2020

OUTROS ESPAÇOS DO PALÁCIO DE MAFRA

Sabe-se que nunca estão abertas ao público todas as salas dos monumentos ou palácios, umas vezes por se tratarem de salas ocupadas pelos serviços de apoio e direcção, outras por serem utilizadas para outros fins também necessários ao monumento/palácio.

Há casos que não se enquadram dentro do que foi dito anteriormente, por exemplo porque dentro das mesmas instalações se encontram locais de culto (que também têm espaços de apoio), ou mesmo porque lá se encontram instaladas outras entidades públicas (situação que tem diminuido ao longo dos anos).

O que é estranho é que entre os espaços ocupados por outras entidades se encontrem salas cuja monumentalidade não é assim devidamente aproveitada e usufruida pelo público em geral.

As fotografias que se vêem mais abaixo são de salas do Palácio Nacional de Mafra que não fazem parte do circuito de visitas. Existem outras igualmente maravilhosas neste mesmo edifício que também não estão acessíveis ao público, e é pena porque são magníficas.

 

Casa do Capítulo

Capela dos Sete Altares (?)

                                                 Real Escola de Mafra

 

domingo, dezembro 13, 2020

DECISÕES NATALÍCIAS

A situação actual obriga-nos a tomar decisões sobre as festividades, nesta época que é de festa da família, e cabe a cada um decidir o que acha mais adequado tendo em conta o que se sabe.

Cá por casa a difícil decisão foi tomada e a noite, bem como o dia de Natal vão ser passados sem a presença de filhos e netos, por muito que isso me custe, mas a prudência aconselha-nos a evitar contactos que possam colocar a nossa saúde em causa.

As decisões são da responsabilidade de cada um, e felizmente os meus filhos entenderam e apoiaram a minha decisão, o que muito me agradou.

Cada um é livre de tomar as suas decisões, tendo sempre em conta que as consequências atingirão todos nós.


 

sexta-feira, dezembro 11, 2020

FRAQUEZAS OU MEDALHAS?

 O Governo tem dado sinais de não conseguir consensualizar o discurso dos seus membros, e de não deixar passar a imagem de opiniões contraditórias sobre assuntos importantes.
 
A diferença de opiniões não é um problema maior, contudo certas declarações públicas de auto elogio dos próprios quando postos em causa pelas diferenças de opinião mostram fraqueza de posições...
 
O primeiro sinal de ignorância é presumirmos que sabemos. 
 
Baltasar Gracián y Morales


 

quarta-feira, dezembro 02, 2020

O VÍRUS E O CONTEXTO FAMILIAR

Depois de ter sido dito e repetido inúmeras vezes que os casos mais comuns de transmissão do vírus tinha lugar no contexto familiar, foram muitos os que se indignaram e disseram que isso não tinha nenhum suporte factual.

Os contactos no exterior, no trabalho,na escola, nos transportes públicos, e no decorrer da vida normal das pessoas, é que conduz às infecções que DEPOIS provoca a contaminação dos agregados familiares e nos lares de idosos.

A doutora Graça Freitas talvez o perceba agora, depois de ter apanhado o vírus...




 

BANCO DA BEIRA - MOÇAMBIQUE

Fundado por escritura de 16 de junho de 1919, o Banco da Beira estabeleceu a sua sede social em Lisboa, inicialmente na Rua Ivens, tendo sido posteriormente transferida para a Rua da Vitória. O Banco da Beira, constituído como sociedade anónima de responsabilidade limitada, tinha o capital social autorizado de 4.500 contos. Os estatutos foram aprovados pelo Decreto de 02 de junho de 1919 e determinavam como objeto da instituição o exercício da indústria bancária dentro e fora do território sob a administração da Companhia de Moçambique, tendo em especial atenção o auxilio ao desenvolvimento da região de Moçambique.

No capital social do banco entrava o Banco Nacional Ultramarino, entidade que auxiliou a instalação da instituição na cidade da Beira, a Companhia de Moçambique, Hermogeneo António Calvo da Silva, João Emílio Raposo de Magalhães, Alexandre da Cunha Rolla Pereira, Luís Pereira Rebelo, Artur de Menezes Correia de Sá, Francisco Meira, Paulo Pizarro de Carvalho e Mello, Francisco Pinto Castelo Branco e Manuel Caroça.

Embora a sede social estivesse instalada em Lisboa, o estabelecimento principal estava situado na cidade da Beira, onde o banco tinha aberto uma delegação em 01 de outubro de 1919. É relevante a criação deste banco junto dos acionistas principais, pois o Banco da Beira passará a ser o único banqueiro da Companhia de Moçambique e o representante (único) do Banco Nacional Ultramarino no território sob a administração da Companhia de Moçambique. Chegou, pontualmente, a emitir notas e cédulas para circularem nos territórios sob a alçada dessa Companhia.

No decorrer da sua existência, o objeto primordial da sua criação concretizava-se: a maior parte das operações bancárias eram realizadas em Moçambique, por conta da filial da Beira, mas também através das agências que abriu no território de Manica e Sofala, limitando-se a sede, em Lisboa, a tratar de assuntos administrativos e a pequenas operações de reduzida importância.

O auxílio dos dois principais acionistas (Banco Nacional Ultramarino e Companhia de Moçambique) foi primordial para a implementação do banco no território moçambicano; os primeiros anos foram bastante complicados face à concorrência da banca inglesa, aí existente, à situação cambial e à crise comercial qua grassava à época.

Com a publicação do Decreto nº 10474, de 17 de janeiro de 1925 e do Decreto nº 10634, de 20 de março de 1925 procura-se enquadrar e regularizar a atividade bancária nacional. Contudo, a especificidade do Banco da Beira não é atendida e as dificuldades já antes surgidas irão aumentar; o regime de excecionalidade da instituição e o desejo, por parte dos seus responsáveis, de poderem realizar operações como qualquer outro banco, inclusive na sede, em Lisboa, não ficava esclarecido, pois tratava-se de um banco emissor das colónias, onde a moeda emitida e circulante era a Libra, e que necessitava de autorização para a realização de operações cambiais, estando impossibilitado de converter a sua própria moeda sem autorizações prévias da metrópole.

Uma vez que a situação nunca foi definida e o seu regime de exceção nunca foi esclarecido, a Assembleia Geral de 22 de outubro de 1929 votou a liquidação do Banco, tendo o ativo e passivo sido transferidos para a Companhia de Moçambique e para o Banco Nacional Ultramarino, únicos acionistas e principais credores. Para levar a efeito a liquidação do banco, foi celebrado o acordo, em 29 de outubro.

Como resultado da liquidação da instituição, o Decreto nº 17669, de 26 de novembro de 1929, determina que a faculdade da emissão de notas no território moçambicano, que antes tinha sido da competência do Banco da Beira, passasse para a Companhia de Moçambique, com a obrigação de, no prazo de seis meses, conseguir o regresso da convertibilidade da circulação fiduciária. Para dar resposta a esta nova situação, surge a Caixa de Emissão, instituição da Companhia de Moçambique, com organização autónoma e que abriu ao público em 26 de maio de 1930. 

Artigo do Arquivo Histórico do Banco de Portugal 

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