quarta-feira, junho 15, 2022

CONJUNTURAL OU ESTRUTURAL

A falta de soluções para os problemas do país, que já vêem de longe, não se encontram porque os diversos governos, nunca mostraram verdadeiramente a vontade de actuar contra os interesses instalados.

Na saúde existiam dois interesses divergentes, o dos privados e os do Serviço Nacional de Saúde, e aí a fractura política foi e é evidente. Com a teoria de que os dois sectores podiam e deviam ser complementares, o investimento na Saúde foi sendo deixado para mais tarde, fazendo primeiro que os equipamentos não fossem substituídos segundo as necessidades, tornando-os obsoletos em muitos casos, e no campo dos recursos humanos o recurso ao trabalho extraordinário passou a ser uma situação normal, e não extraordinária. O trabalho extraordinário veio a ser a única maneira de se alcançarem rendimentos justos.

Podia falar doutros sectores do Estado onde isto também aconteceu, e onde por falta de recursos humanos e materiais se teve que recorrer ao sector privado, e para isso existem sempre verbas.

Uma maneira de nada fazer para encontrar soluções é considerar que os problemas são pontuais, e que se vai constituir um grupo de trabalho ou uma comissão para se encontrarem soluções. Os discursos começam a incluir as palavras “estrutural” e “conjuntural” a cada parágrafo, e encomendam-se estudos aqui e acolá. Tudo fica na mesma, os políticos passam do governo para as empresas, os membros das comissões passam a secretários de Estado, os técnicos que elaboram os estudos passam a ser os técnicos do regime e das televisões.

Enfim, isto é um problema estrutural de Portugal… viram como isto se pega!


 

segunda-feira, junho 13, 2022

A SAÚDE E AS DECLARAÇÕES DA MINISTRA

Marta Temido reuniu-se com sindicatos, ordem dos médicos e com estruturas da saúde de Lisboa e Vale do Tejo por causa do encerramentos de urgências em diversos hospitais, facto que está no centro das atenções dos portugueses e de toda a comunicação social.

Os problemas do SNS são graves e já se vêm a evidenciar há vários anos, e segundo os médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde vão piorando por inação do Governo.

A senhora ministra da saúde veio fazer umas declarações breves à comunicação social, mas apesar de ter falado bastante não apresentou nenhuma resolução para melhorar a situação.


 

sábado, junho 11, 2022

RETRATO DA ACTUALIDADE

Nestes tempos em que um país (Rússia) decidiu invadir outro (Ucrânia) ocupando partes do seu território, que se apressa a tentar anexar, e que bloqueia os portos do ocupado impedindo a saída dos cereais já armazenados, eu escolhi duas imagens que exemplificam magistralmente a situação.


 

quinta-feira, junho 09, 2022

PUTIN E OS TIROS NO PÉ

Uma razões alegada pela Rússia de Putin para justificar a invasão da Ucrânia, era precisamente estar contra a expansão da NATO para o Leste Europeu e a possibilidade da entrada da Ucrânia na aliança, querendo manter o seu espaço vital (espaço de influência).
 
A realidade veio demonstrar que o tal receio de ter as fronteiras da NATO junto às suas fronteiras não era justificado, uma vez que a Rússia tem vindo a anexar, directa ou indirectamente, territórios vizinhos das fronteiras da aliança, mostrando que na verdade Putin tinha um projecto imperialista para a zona.
 
Em resultado desta postura agressiva e ameaçadora, de que Putin e seus representantes fazem gala e repetem com demasiada frequência, cada vez são mais os países da zona que estão a pedir para entrar na NATO, e cada vez mais a Rússia fica isolada e enfraquecida.   


 

sexta-feira, junho 03, 2022

REBANHO IDEOLÓGICO

A invasão da Ucrânia pela Rússia de Putin, os seus desenvolvimentos, as suas consequências e as declarações dos responsáveis dos dois países têm dividido as opiniões mesmo aqui em Portugal.
As causas da invasão podem ser discutidas, mas a invasão é um facto adquirido, como é adquirido que a Rússia é o agressor e a Ucrânia o país agredido. As mortes e a destruição de alvos civis são evidentes em imagens e testemunhos, e as intenções de Putin são agora muito claras, a integração de territórios "conquistados" na Rússia, quer pela imposição da moeda, como pela imposição dos poderes desses territórios.
 
As mentiras anteriores à invasão são absolutamente claras para todos. Os exercícios militares na Bielorrússia eram uma preparação para o que se seguiu, a retirada com que tentaram enganar a opinião pública foi apenas uma pantomina, a "operação militar" era afinal uma invasão, os "viciados em drogas e nazis" eram afinal os governantes eleitos dum país soberano, e a "libertação" do Donbass traduz-se na destruição de todas as infraestruturas produtivas da região.
 
É difícil perceber que haja quem tenha dúvidas sobre os factos, e que venha falar numa Paz conseguida com o desarmamento da Ucrânia, como se fosse ela a agressora. Mais estranho ainda é que digam que quem condena explicitamente Putin e a Rússia tenha o espírito de rebanho e siga a opinião "imposta" pela imprensa ocidental.
 
No Ocidente existe a Liberdade de opinião e de expressão, pelo que todos podemos aceder ao conhecimento (mesmo da imprensa russa), e podemos pensar pela própria cabeça e emitir a opinião, sem o medo de ser reprimido, bem ao contrário do que acontece na Rússia onde ter opinião discordante é fortemente reprimido e condenado.
 
Aqui chegados temos que pensar pela própria cabeça é um privilégio das Democracias e que o pensamento único (rebanho) é a única opção de quem vive em Estados totalitários. Pelos vistos também por cá temos quem prefira não pensar pela sua cabeça (que atrevimento), e deixar-se embalar pela ideologia, mesmo contra todas as evidências. Dispenso-me dos classificar, respeitando o seu direito... 
 


 

quinta-feira, junho 02, 2022

O NOVO MUSEU DO TESOURO REAL

Com a inauguração do Museu do Tesouro Real muita gente sentiu vontade de o visitar, sobretudo pela curiosidade em ver as jóias que a realeza portuguesa foi ostentando ao longo dos tempos, mesmo sabendo-se que em certas alturas os cofres estavam vazios.
 
Como sempre acontecerá uns vão gostar, outros nem tanto, e alguns vão simplesmente criticar, que é um desporto nacional.
 
Ainda não visitei o novo museu, aguardo uma oportunidade de o fazer em breve, mas já fui consultar algumas opiniões que se podem ler um pouco por todo o lado, e houve uma que me deixou de queixo caído, por ter tido origem um cidadão que se auto-intitula de guia local (?) que diz: "Um museu novo, mas que já nasceu antigo. Mais um ponto de celebração do colonialismo, como se já não houvesse o suficiente em Lisboa."
 
Eu não me fio demasiado nas opiniões dos outros, prefiro sempre fazer a minha apreciação, mas não ignorei várias opiniões sobre a segurança do museu, que espero seja boa. A imagem abaixo é apenas um cartoon divertido que decidi partilhar.
 

Cartoon de Aidarbek Gazizov

 

domingo, maio 29, 2022

António Costa foi à Alemanha para, na Feira de Hanover, oferecer Portugal como um país alternativo para a deslocalização da indústria alemã.

Com a instabilidade política na Europa central e de Leste, e com as dificuldades que se preveem para a zona asiática, Costa não hesitou em vir posicionar Portugal como um destino da indústria e dos serviços que a Alemanha tem deslocalizado para esses destinos.

Pode parecer muito racional a nível empresarial, e como um processo de aumentar o investimento industrial em Portugal, mas não deixa de se constatar que António Costa acena evidentemente com o baixo custo da mão-de-obra portuguesa, demonstrando que não tem qualquer ambição de elevar o nível de vida dos portugueses, privilegiando a competência e a preparação dos cidadãos, em vez de acenar com o baixo preço da mão-de-obra.


 

OS SERVOS DE PUTIN

Depois do colapso da União Soviética, a influência da Rússia tem-se mantido apesar da declaração de independência de diversas repúblicas como é o caso da Tchetchénia.
 
Sob o comando de Putin e com o suporte do exército russo começaram a aparecer outras repúblicas que mais não são do que anexações de territórios como acontece na Crimeia ou no Donbass.
 
De volta ao ridículo destas chamadas repúblicas populares, que não passam de satélites da Rússia, que efectivamente põe e dispõe à sua vontade dos seus destinos, saliento o papel do líder da Tchetchénia, Ramzan Kadirov, que "governa" essa república, está há meses com os seus soldados a participar na invasão da Ucrânia, e cada vez mais parece ser um porta-voz de Putin, anunciando conquista e ameaçando países vizinhos, como a Polónia, dizendo que apenas espera as ordens de Putin.
 
Noutros tempos muitos diriam que existe uma política imperialista por parte da Rússia de Putin, mas parece que "é proibido" usar esse termo contra o "sol da terra", que está reservado para os países capitalistas...   


 

sexta-feira, maio 27, 2022

VITÓRIA DE PIRRO

A Rússia pode vir a conseguir anexar alguns territórios da Ucrânia, devido à evidente superioridade de armamento e do número de soldados, mas isso nunca poderá ser considerado como uma verdadeira vitória.

Os territórios que a Rússia afirmava vir “libertar”, estão quase que completamente destruídos, as populações que se consideram ucranianas e tiveram a oportunidade de lá sair, não voltará e odiará profundamente aqueles que eventualmente por lá continuem. A indústria não mais será a mesma e com a mesma pujança que teve até ao início deste ano, e os territórios ocupados serão sempre considerados Estados satélites de Moscovo.

O ódio entre os dois povos vai perdurar durante várias gerações, e todos os vizinhos da Rússia e seus satélites ficarão para sempre com o receio fundado de serem invadidos a qualquer momento, e procurarão a protecção da NATO e da União Europeia. A corrida aos armamentos vai aumentar, e a Rússia ficará cada vez mais isolada dos países ocidentais.

Para o mundo ficará absolutamente claro que Putin mentiu desde o início, dizendo que a NATO começava a ficar demasiado perto das fronteiras russas (e agora fica mais perto ainda), que se sentia ameaçada (não foi feita nenhuma ameaça), e que não pretendia conquistar ou anexar nenhuma parte da Ucrânia. Os factos estão aí...

Qualquer que seja a extensão do domínio russo no terreno, o custo será sempre muito mais importante do que o benefício.


 

sexta-feira, maio 13, 2022

MILAGRES DA OPOSIÇÃO

A política portuguesa caracteriza-se pelas duas faces dos políticos consoante estejam no governo ou na oposição, no governo dizem sempre que a situação obriga a cautelas e que não se podem satisfazer as expectativas dos cidadãos, já quando estão na oposição prometem satisfazer todos...


 

terça-feira, maio 10, 2022

Uma das razões que levaram Putin a empreender a invasão da Ucrânia prendia-se com a eventualidade desta se poder aliar à NATO, o que na sua opinião colocava em causa a segurança da Rússia. Ao mesmo tempo não se cansava de afirmar que a Ucrânia não era um país pois sempre fizera parte da Rússia.

Não quero agora rebater esses conceitos simplesmente ridículos, mas sim chamar a atenção para aquilo a que se chamou conceito de espaço vital, em geografia política, concebido por Friedrich Ratzelque em termos simples dizia:

Toda a sociedade, num determinado grau de desenvolvimento deve conquistar territórios menos desenvolvidos, e que um Estado deve assumir o tamanho da sua capacidade de organização.

A invasão da Rússia pela Alemanha nazi foi motivada pelo conceito de espaço vital (Lebensraum) e pelo anticomunismo, mas Hitler justificou-se dizendo: “ A segurança da Europa não estará assegurada até levarmos a Ásia para trás dos Urais. Nenhum estado russo organizado poderá existir a oeste dessa fronteira”.

As semelhanças no discurso e na ordem de invasão são mais evidentes do que se podia esperar…