segunda-feira, março 19, 2007

A SAÚDE, O TRABALHO E A GANÂNCIA

É muito frequente ouvirmos falar da necessidade de aumentar a produtividade, da mudança das relações laborais, da exigência de resultados, da flexibilidade e polivalência dos trabalhadores. No fundo, e por outras palavras é a apologia do lucro rápido para as empresas obtido com o menor custo possível.
Sei que posso ser considerado cínico ou esquerdista dos sete costados, o que não me incomoda minimamente já que os factos parecem dar-me razão.
É consensual que temos de trabalhar e que temos que desempenhar bem as nossas tarefas, mas o processo laboral não se resume apenas neste princípio básico de profissionalismo. A montante, e absolutamente indispensáveis temos as condições de trabalho que têm um papel preponderante na qualidade e quantidade do trabalho produzido.
Há muito que se discute a higiene e segurança no trabalho, mas outros aspectos relacionados com as condições de trabalho têm ficado apenas por relatórios extensos que os governos têm evitado discutir. A saúde é um dos factores até aqui negligenciado.
O stress continuado resulta a médio prazo na perda de produtividade, de dias de trabalho e potencia o risco de acidentes e doenças profissionais. A falta de meios e a deficiente organização do trabalho resultam em desperdício, baixa de produtividade, desmotivação e tensão desnecessária com as hierarquias. O trabalho precário é desmotivador, atrai o risco de acidentes e tem um grau de produtividade menor pela falta de incentivo.A aposta destes últimos anos tem sido errada, apesar de tudo isto ser conhecido e estar à disposição de todos, em relatórios da Comissão Europeia. Algumas das grandes empresas já abandonaram estes métodos e, não é por acaso, que são hoje das mais desejadas e das que obtêm um grau maior de retorno do investimento que fazem em boas condições de trabalho para os seus colaboradores.

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O passado e o presente
Cortesia do Palaciano

Cortesia do Palaciano


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Cartoon

Armas desiguais

4 comentários:

Idoso disse...

As armas são muito desiguais quando se fala de capital e trabalho, o que é evidente é que o país fica mais pobre e só os poderosos lucram com tudo isto.
Boa.

Rui Dinis disse...

O único incentivo conhecido pelos empresários portugueses, e já agora dos políticos também, é o lucro que possam obter sem investimento e no menor espaço de tempo. Ganância em suma.

Aninhas disse...

Esse MG verde é mesmo fofo, bora dar uma voltinha?

Rita disse...

Gestão de recursos humanos é um campo que nada interessa aos patrões portugueses, a ganância ofusca-lhes o discernimento.