domingo, dezembro 01, 2013

PROMESSAS E SENSIBILIDADE SOCIAL



Nestas coisas de dificuldades económicas a nível nacional temos abordagens diferentes em diferentes países, e Portugal não sai propriamente bem na fotografia.

Em geral só se ouve falar da Grécia como o pior exemplo e da Irlanda como o melhor exemplo, dum país que sabe para onde quer ir, e que soube sacudir com o jugo da troika que asfixiava a economia do seu país.

Menos mediático tem sido o caso da Islândia, não só porque bateu o pé aos credores, afirmando que primeiro havia que tratar da economia a nível interno, e depois de a ter feito funcionar então se começaria a pagar aos credores, que também tinham responsabilidades na crise Islandesa.

Na Islândia, onde os políticos foram confrontados com a sua responsabilidade na crise, os políticos tiveram que mostrar a sua sensibilidade social nos programas eleitorais, e agora os eleitos, já no governo, honram a sua promessa de cortar até 24.000 euros nos empréstimos das famílias, usando dinheiros dos impostos sobre os fundos de gestão e dos bancos, que faliram durante a crise de 2008.

Traduzindo por miúdos temos que serão os credores a pagar uma parte da crise, e não só os cidadãos que já foram chamados a pagar o seu quinhão.



quinta-feira, novembro 28, 2013

POESIA - SINTRA



Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra 

«Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio quase devagar, e um pouco
Me parece, ou me esforço um pouco para que me pareça.
Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter.
Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, nem consequência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma.
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida…»



Fernando Pessoa (1888-1935)
Poesia de Álvaro de Campos

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À Noite por Sintra
 
By Palaciano 

By Palaciano

quarta-feira, novembro 27, 2013

SEM TENTO NA LÍNGUA



A arrogância deste governo tem-se traduzido em declarações infelizes, que em vez de resolverem problemas, os agravam criando novos.

Quando a manifestação de polícias ultrapassou as barreiras e subiu as escadas fronteiras ao Parlamento, o ministro da respectiva pasta pediu a cabeça do responsável das polícias e desdobrou-se em declarações escusadas, dizendo que nunca mais aconteceria e que a acção já era do passado. Não satisfeitos, ainda veio alguém dizer que o caso estava em investigação e que poderiam haver sanções.

Uma manifestação civilizada, que recorreu a uma acção espectacular para chamar verdadeiramente a atenção do governo, foi condenada pelo executivo que falou em respeito pela lei, que o próprio não quer cumprir acenando sempre com a emergência nacional.

Agora foi Paulo Portas que perante a invasão pacífica da entrada de quatro ministérios, feita por sindicalistas, veio dizer que “uns dedicam-se às exportações e outros a manifestarem-se”. Já pela manhã se tinha sabido que a segurança dos ministérios ia ser reforçada com mais 20 polícias em cada ministério.

O governo não percebe, ou não quer perceber, que as pessoas se manifestam porque têm razões para isso, e em vez de procurar resolver os problemas dos cidadãos, aposta em continuar o mesmo caminho aumentando a sua própria segurança. Enquanto persistir no erro  só pode esperar acções cada vez mais espectaculares, podendo assim a situação sair do controlo, quer dos organizadores das manifestações, quer das forças de segurança. E isso será da única responsabilidade do governo.


Um filme de culto

segunda-feira, novembro 25, 2013

PERGUNTEM AO CEGO…



Na minha terra costuma dizer-se, quando estamos a falar de uma evidência, que é como perguntar a um cego se quer ver, pois a pergunta só tem uma resposta possível.

Vem isto a propósito das declarações do dirigente da CIP depois de ser recebido por Paulo Portas, a propósito da chamada “reforma do Estado”. Considerou António Saraiva que o “guião da reforma do Estado é uma proposta bem desenhada”.

Convém não deixar passar em claro que A. Saraiva também acrescentou que “o Estado deve sair de determinadas áreas onde está provado (?) que não é eficiente ou eficaz, deve concessionar, deve privatizar (…) o guião fala da saúde e educação, são exemplos, mas há outras áreas.”

Para que dúvidas não restassem sobre o esvaziamento das funções do Estado, basta juntar as declarações dePassos Coelho, hoje em Borba, que sobre a partilha ou entrega de funções hoje da responsabilidade do Estado: “À excepção de, por exemplo, a justiça penal e as áreas de defesa da soberania nacional, todas as outras são partilháveis.”

Se este governo não é neoliberal, então não sei o que será…



sábado, novembro 23, 2013

AS REGRAS NUM ESTADO DE DIREITO



Depois da manifestação das forças policiais que culminou na subida da escadaria da Assembleia da República, sem originar qualquer violência e sem colocar em risco fosse quem fosse, foi interessante ouvir os representantes dos partidos da maioria e o ministro das polícias.

A condenação do gesto simbólico dos polícias que se manifestaram foi em todos os casos baseada na necessidade de serem cumpridas as regras dum Estado de direito, que os polícias não teriam cumprido ao ultrapassarem as barreiras.

Os representantes do PSD, do CDS e o senhor ministro falam nas regras do Estado de direito, mas curiosamente não respeitam a Lei Fundamental do país, a Constituição Portuguesa, como tem acontecido sucessivamente com os Orçamentos de Estado e outras medidas que o Tribunal Constitucional teve de chumbar nos últimos tempos.