sexta-feira, maio 27, 2022

VITÓRIA DE PIRRO

A Rússia pode vir a conseguir anexar alguns territórios da Ucrânia, devido à evidente superioridade de armamento e do número de soldados, mas isso nunca poderá ser considerado como uma verdadeira vitória.

Os territórios que a Rússia afirmava vir “libertar”, estão quase que completamente destruídos, as populações que se consideram ucranianas e tiveram a oportunidade de lá sair, não voltará e odiará profundamente aqueles que eventualmente por lá continuem. A indústria não mais será a mesma e com a mesma pujança que teve até ao início deste ano, e os territórios ocupados serão sempre considerados Estados satélites de Moscovo.

O ódio entre os dois povos vai perdurar durante várias gerações, e todos os vizinhos da Rússia e seus satélites ficarão para sempre com o receio fundado de serem invadidos a qualquer momento, e procurarão a protecção da NATO e da União Europeia. A corrida aos armamentos vai aumentar, e a Rússia ficará cada vez mais isolada dos países ocidentais.

Para o mundo ficará absolutamente claro que Putin mentiu desde o início, dizendo que a NATO começava a ficar demasiado perto das fronteiras russas (e agora fica mais perto ainda), que se sentia ameaçada (não foi feita nenhuma ameaça), e que não pretendia conquistar ou anexar nenhuma parte da Ucrânia. Os factos estão aí...

Qualquer que seja a extensão do domínio russo no terreno, o custo será sempre muito mais importante do que o benefício.


 

sexta-feira, maio 13, 2022

MILAGRES DA OPOSIÇÃO

A política portuguesa caracteriza-se pelas duas faces dos políticos consoante estejam no governo ou na oposição, no governo dizem sempre que a situação obriga a cautelas e que não se podem satisfazer as expectativas dos cidadãos, já quando estão na oposição prometem satisfazer todos...


 

terça-feira, maio 10, 2022

Uma das razões que levaram Putin a empreender a invasão da Ucrânia prendia-se com a eventualidade desta se poder aliar à NATO, o que na sua opinião colocava em causa a segurança da Rússia. Ao mesmo tempo não se cansava de afirmar que a Ucrânia não era um país pois sempre fizera parte da Rússia.

Não quero agora rebater esses conceitos simplesmente ridículos, mas sim chamar a atenção para aquilo a que se chamou conceito de espaço vital, em geografia política, concebido por Friedrich Ratzelque em termos simples dizia:

Toda a sociedade, num determinado grau de desenvolvimento deve conquistar territórios menos desenvolvidos, e que um Estado deve assumir o tamanho da sua capacidade de organização.

A invasão da Rússia pela Alemanha nazi foi motivada pelo conceito de espaço vital (Lebensraum) e pelo anticomunismo, mas Hitler justificou-se dizendo: “ A segurança da Europa não estará assegurada até levarmos a Ásia para trás dos Urais. Nenhum estado russo organizado poderá existir a oeste dessa fronteira”.

As semelhanças no discurso e na ordem de invasão são mais evidentes do que se podia esperar…


 

segunda-feira, maio 09, 2022

AS MENTIRAS DA RÚSSIA DE PUTIN

 

Putin tem estado a mentir desde que a Rússia começou a fazer “exercícios militares conjuntos” na Bielorrússia em Fevereiro deste ano. Aquilo que foi anunciado como “exercícios” e “inspecção das forças” eram já os preparativos duma invasão. Estes foram prolongados, foi anunciado e encenado um regresso às bases de origem, mas no dia 24 a invasão começou. (1)

As tropas russa entraram em território da Ucrânia a partir da Bielorrússia e Putin anuncia que era apenas uma “operação militar” na Ucrânia para defender os separatistas no Donbass, garantindo ao mesmo tempo que o objectivo não era a “ocupação” mas sim a “desmilitarização” da Ucrânia, pedindo mesmo aos militares ucranianos que depusessem as armas. (2)

Logo no segundo dia da invasão, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Lavrov, afirmou: "Ninguém vai atacar o povo ucraniano", disse ele durante uma inflamada conferência de imprensa, afirmando à CNN que não tinha havido "ataques a infraestruturas civis", este discurso manteve-se e mesmo com todas as evidências (imagens e testemunhos) as autoridades russas mantiveram sempre estas afirmações. (3)

Nota: Hoje só me detive sobre o princípio da invasão.


sábado, maio 07, 2022

DIFERENTES OPINIÕES E ALGUNS MIMOS

Portugal ainda é um país democrático onde cada um pode exprimir as suas opiniões, felizmente, mas este caso da invasão da Ucrânia pelos russos, está a causar bastantes divergências entre os apoiantes do lado ucraniano e os que sendo contra a Ucrânia não querem admitir que isso é, de facto, a favor da Rússia.
 
O desejo de paz, é comum a quase todos (pelo menos afirmam-no) mas a maior divergência é nos meios advogados para atingir essa paz.
 
Como acontece em todas as guerras existe sempre um agressor e um agredido, e neste caso isso é bastante claro, como clara é a superioridade de forças do agressor relativamente ao agredido. Sendo evidentes estes dois factos os países ocidentais só tinham duas opções, ou ajudar a Ucrânia, ou deixar que fossem completamente esmagados. É precisamente a segunda opção que alguns condenam, mas nunca por nunca mostram alguma alternativa equilibrada.
  


 

sexta-feira, abril 29, 2022

O TRISTE CASO DA CÂMARA DE SETÚBAL

O Governo aceitou, e bem, receber em Portugal refugiados da guerra na Ucrânia mas ficou com a responsabilidade efectiva de que tudo corra com correcção e que a segurança dos refugiados não possa ser colocada em perigo de modo nenhum.

Este caso da Câmara de Setúbal, e parece que há mais casos idênticos, é simplesmente lamentável e demonstra, no mínimo muito amadorismo e falta de rigor que devia ser exigido em situações desta natureza.

O problema da extinção prevista do SEF pode ser uma razão para que muitos procedimentos tenham tido como intermediários associações de emigrantes, que não foram analisadas quanto à sua credibilidade e implantação entre os ucranianos que já estão em Portugal há muitos anos. Devido aos acontecimentos na Ucrânia dois povos que se consideravam irmãos estão agora desavindos, existindo mesmo já algum ódio entre eles.

Verificou-se que o Estado “despachou” responsabilidades para as autarquias, estas por sua vez recorreram a associações que não foram devidamente escrutinadas e o resultado foi este: desconfianças, acusações e sabe-se lá que mais, pois ficou no ar muita coisa que caberá às autoridades apurar o mais depressa possível.

Mesmo que tudo não passe de desconfianças, o assunto é grave e o Estado português não sai bem disto…

Leituras recomendadas AQUI e AQUI

 


 

segunda-feira, abril 18, 2022

PUTIN ASSUME A RESPONSABILIDADE PELOS CRIMES PRATICADOS...

Depois do que já é público e verificado, que as tropas russas cometeram crimes de guerra e que se sabe quais foram as tropas que estiveram envolvidas em alguns destes episódios, saber-se que Putin condecorou a brigada que esteve em Bucha demonstra duas coisas: em primeiro lugar que as ordens de Putin eram para que fossem utilizados todos os meios para conseguir os seus propósitos, em segundo lugar que vão continuar na mesma senda enquanto durar esta guerra.
 
Não sei se Putin e os seus generais pagarão em vida por todos os seus crimes, mas que estes actos não serão esquecidos e que os seus culpados serão recordados na História como criminosos de guerra. 


 

domingo, abril 17, 2022

PREVISÕES BASEADAS EM FALSIDADES

Quando será que os nossos políticos deixarão de tentar fazer dos portugueses tolos, mostrando dados absolutamente fantásticos tentando mostrar um país encantado e maravilhoso onde todos estão felizes e contentes com a sua governação?
 
Depois de ter decretado um aumento de 0,9% mensais para os funcionários públicos, e de afirmar com toda a convicção que não os iria aumentar mais este ano para não aumentar a inflação, que na opinião do governo é passageira, agora lança umas previsões com o OE que são simplesmente irreais.
 
António Costa e Fernando Medina, responsáveis por este OE, não podem falar em aumentos de 3,1%, que não são reais, não podem falar numa perda do poder de compra na ordem dos 0,9%, nem sequer podem falar numa inflação de 4% porque não será real, nem sequer a inflação será passageira.



 

quinta-feira, abril 14, 2022

AUSTERIDADE NO NOVO DICIONÁRIO DE MEDINA

Alguns amigos disseram-me que devia dar o benefício da dúvida a Fernando Medina no que respeita à competência para ocupar a cadeira das Finanças, quando eu manifestei o meu enorme cepticismo pela sua escolha para a pasta.
 
Eis que hoje ele teve a oportunidade de defender o Orçamento de Estado, que assumiu como seu, e independentemente de eu considerar que se trata dum documento reciclado e muito pouco adaptado à realidade actual, mereceu algumas palavras infelizes e desadequadas a um qualquer economista.
 
Respondendo às criticas de que o OE é de austeridade, eis que ele o nega e responde que "em nenhum dicionário de política económica do mundo esta é uma política de austeridade". É óbvio que nenhum dicionário de economia pode distorcer o significado da palavra "austeridade", e esta significa "Política de redução dos gastos ou da despesa pública".
 
Medina tem à sua disposição mais verbas do IVA e de quase todos os impostos, e em proporção com o "bolo" à sua disposição, o Governo vai gastar menos do que gastou no passado, só assim se explica que apresente o mesmo crescimento que previa ainda no final do ano passado, apesar da subida da inflação que se situa agora em mais de 5%.
Política de redução de gastos ou da despesa pública.

"austeridade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/austeridade [consultado em 13-04-2022].
 


 

segunda-feira, abril 11, 2022

A RAZÃO DO AUMENTO DOS PARTIDOS POPULISTAS

As eleições na França demonstram que os partidos populistas aproveitam bem os problemas sociais se isso lhes for conveniente, e se os partidos envolvidos na governação forem insensíveis para esses problemas.
 
O aumento da inflação que é transversal aos países europeus, obriga a que os políticos tenham a devida sensibilidade aos problemas dos cidadãos, e não venham com discursos do tipo " não embarcar na ilusão", ao recusar aumentar salários. 
 
Também não é com medidas para certos nichos de população (com rendimentos abaixo dos 415€), que não passam de esmolas. Os salários em Portugal são, há muitos anos, insuficientes para proporcionar um nível de vida decente de quem trabalha, e as pensões são ainda mais miseráveis. Combater as grandes diferenças salariais é um dever de qualquer governo, ainda por cima socialista. 
 


 

sexta-feira, abril 08, 2022

LUCROS ALEATÓRIOS E INESPERADOS?

Uma das coisas que é fácil é fazer promessas, mas todos sabemos que é mais difícil cumprir aquilo que se prometeu. Na política a mentira tem sido uma arma usada com demasiada frequência, mas chega sempre a altura em que isso ficaà vista de todos.
 
Hoje o ministro da Economia e do Mar admitiu via a avançar com um imposto sobre os lucros "aleatórios e inesperados", sem hostilizar as empresas. Muitos poderão pensar que com esse imposto (absolutamente inexequível) o Governo vá cobrar dinheiro sobre os lucros obtidos pelas "empresas gulosas" que aumentaram os preços apesar de estarem ainda a usar matérias primas e produtos comprados a preços muito baixos, como se já as tivessem comprado as novos preços.
 
O senhor ministro ou é ingénuo, ou então quer fazer de nós parvos. O que tinha sido possível fazer, e não foi feito, era fiscalizar os aumentos logo que aconteceram (foi público) exigindo as facturas de compra. Claro que isso não foi feito e os grandes merceeiros ganharam rios de dinheiro, e nem as gasolineiras baixaram os preços na medida que deviam (a gasolina não desceua semana passad em muitos postos).
 
Já agora, aquilo não são lucros "aleatórios e inesperados", aquilo é especulação descarada com o beneplácito de quem devia fiscalizar e não o fez...
 
 
 


 

terça-feira, abril 05, 2022

O SOCIALISMO DO GÁS ENGARRAFADO

António Costa e o seu governo, bem como o PS. parecem pensar que quem ganha mais de 5.808€ anuais já é rico, e portanto pode pagar o gás de garrafa taxado com a taxa máxima de IRS, tal como as jóias os iates e os carros de luxo.
 
Na realidade só recorre ao gás de garrafa quem não tem acesso ao gás natural, e quem mora em casas com instalações eléctricas antigas e não pode aumentar a potência sem substituir toda a instalação da casa.
 
É confrangedor ver que um Governo que se diz socialista sugira (este exemplo é demonstrativo) que alguém que aufira mais de 414,86€ mensais já não necessita de ajudas, nem sequer quando a inflação é galopante e os salários e pensões não a acompanham, nem de longe.