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quarta-feira, setembro 02, 2015

OS REFUGIADOS



Todo e qualquer humano na condição de refugiado merece-me o maior respeito, e não me passaria pela cabeça escorraçar quem passa por essa terrível situação, que em determinada altura da vida também eu me encontrei, pelo que conheço bem o desespero que se sente nessas alturas.

Há quem faça a distinção entre refugiados de guerra e refugiados económicos, ainda que eu pense que não faz grande sentido, porque se a vida é um valor maior, a miséria e o desespero são igualmente motivos para qualquer pessoa migrar para um local onde possa viver decentemente como devia acontecer com todos os seres humanos.

No meio desta crise de refugiados que a Europa atravessa por estes dias, tenho assistido a muita hipocrisia, muito oportunismo e ainda uma boa dose de ingenuidade, em doses desiguais.

Na política reina a hipocrisia e o oportunismo, especialmente porque receber refugiados é feito a troco de ajudas monetárias, e é usado como propaganda política. As coisas ficam mais claras quando se discutem quotas de refugiados a aceitar, enquanto que se constroem mais uns muros e umas vedações que impeçam a sua entrada em solo europeu.

Também falo de ingenuidade de alguns, que aplaudem a senhora Merkel pela sua posição favorável, mas que é baseada na concertação com os parceiros europeus, querendo que estes respondam na mesma medida. Todos sabem que a Alemanha e a Inglaterra são os destinos mais ambicionados por esta onda de refugiados, facto que não é alheio a factores económicos, transformando o sucesso económico destes países numa maldição que os pode afectar, daí quererem partilhar o fardo, ainda que os outros parceiros não tenham condições materiais para o fazer.
 



domingo, janeiro 18, 2015

HOJE VOU SER POLITICAMENTE INCORRECTO



Nestes últimos dias li uma notícia cujo título me chamou a atenção, e o quanto ao texto que se seguia, revelava a dificuldade de entender a mistura de sentimentos que atravessa a cabeça de muitas pessoas que tiveram que deixar as chamadas colónias nos anos 70 do século passado.

Começando pelo título “ para a maioria dos colonos, a possibilidade de abandonar África era nula”, diria que o termo “colonos” é uma simplificação que pode distorcer a compreensão do que se quer perceber.

Talvez fosse importante perguntar aos alvos do estudo se alguma vez se sentiram como colonos, ou se pelo contrário sentiam aquelas terras como as suas terras. Talvez tivessem uma surpresa, pois ignoraram desde o princípio que muitos dos que fugiram para Portugal, eram já naturais daquelas terras, ou nelas tinham as suas vidas há décadas.

Quanto aos traumas e à integração dos que fugiram daqueles territórios africanos, é verdade que existem alguns traumas, outros fugiram deles concentrando-se em refazer as vidas, colocando uma pedra sobre o passado, ainda que nunca tenham conseguido esquecer os territórios que amavam.