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segunda-feira, agosto 04, 2025
terça-feira, junho 25, 2019
A TRADIÇÃO E OS SANTOS
Nem sou muito de arraiais, mas
nesta época costumo passar por lá uma vez, para comer umas sardinhas e beber
uma sangria, o que já faz parte da minha própria tradição.
As tradições dos Santos Populares
já não são o que eram, e não se julgue que mudaram para melhor, porque não é
verdade.
As barraquinhas dos tiros ou não
existem ou estão às moscas, as de argolas sumiram, as rifas também já eram, os
carroceis às vezes nem lá estão, e os carrinhos de choques escasseiam. Eu sei
que para alguns contam mais as procissões e as sardinhas assadas, mas isso
parece-me pouco.
A nova realidade tem mais
cerveja, ginjinha e gin, mais hamburguers e pizas, e em vez dos nossos ranchos
populares, das bandas filarmónicas, e dos nossos cantores pimbas, oferecem-nos
dj’s, música sertaneja e outras coisas semelhantes.
Cada vez mais oferecemos aquilo
que se pode encontrar em todos os destinos turísticos de baixo preço, e é com
esses que alguns querem competir, porque é essa a essência do turismo de
massas. É pena, porque nesse campo só podemos competir empobrecendo o país, e
ganhava-se muito mais oferecendo o que é genuinamente nosso.
domingo, junho 24, 2018
O EMPAREDADO DE MAFRA
“Numa certa noite de 1759, o Almoxarife do Paço Real
dirigiu-se a Mafra com dois operários de sua confiança (habituados já a
trabalhar no convento) depois de prestarem juramento que nada divulgassem do
que iriam ver e fazer.
Ao carpinteiro, foi dada a incumbência de executar, um caixão
com as dimensões indispensáveis para recolher um corpo humano.
Ao pedreiro, coube o trabalho de abrir numa das paredes do
corredor das aulas a cavidade necessária, para receber na posição vertical o
tosco caixão.
Já noite avançada, alguém abriu as portas do convento para
dar passagem a uma caleça. Do interior desta, saíram 2 homens mascarados,
transportando um comprido saco, dentro, dentro do qual se encontrava “gemendo
aflitivamente” um ser humano.
O saco foi colocado no caixão, o carpinteiro fechou-o e
colocou-o na parede ficando o ser humano emparedado.
Anos depois, já morto o Marquês de Pombal, o pedreiro sentiu
chegar os seus últimos momentos e pediu a um padre para que fossem ouvidas as
suas declarações.
Por intermédio da confissão, que foi pública, se tomou
conhecimento do que se passara no convento de Mafra.
Os religiosos franciscanos retiraram o esqueleto da parede
(que se julga ser duma mulher) e enterraram-no no cemitério dos frades.”
Texto antigo do Palácio de Mafra, fornecido por um amigo
Sala dos Actos
quarta-feira, novembro 01, 2017
A TRADIÇÃO
"Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos."
Albert Einstein
quarta-feira, janeiro 18, 2017
PÁTIO DA AUDIÊNCIA DO PAÇO DE SINTRA
Esta é uma foto do Pátio da Audiência do Palácio Nacional de Sintra, de 2000, onde se sabe que D. João I recebeu os espiões que mandara a Ceuta para verem as defesas e as fraquezas das suas muralhas, antes de seguir para a sua conquista como relata Azurara.
Esta cena do filme Camões, de 1946, é responsável pela tradição que foi passando de pais para filhos, segundo a qual o poeta teria lido a sua obra maior ao rei D. Sebastião neste local. Não existe qualquer prova documental de tal acontecimento, mas a tradição, tal como as lendas, dão sempre um toque de interesse que perdura nas lembranças, muito mais do que a História contada de forma enfadonha.
Postal antigo com a referência tradicional
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
CARNAVAL
Os Bonecos de Olinda
No Carnaval de Pernambuco, sobretudo na cidade de Olinda, existe um grupo que difere das tradicionais troças, dos Blocos e dos Clubes de Frevo, sem prejuízo na sua função alegre e animadora. São os Clubes de alegorias e críticas ou "Clubes de Bonecos", como popularmente são conhecidos. Suas origens confundem-se com as influências das diversas manifestações culturais que provocaram o aparecimento do Entrudo lusitano, aportado aqui através do colonizador europeu, e, mais tarde, transformado no Carnaval que hoje se apresenta colorido, animado, contagiante.
As alegorias presentes nos clubes de bonecos de Olinda apresentam duas particularidades etnológicas na sua formação: a máscara e o gigante. A
história registra, em quase todas as culturas conhecidas, o emprego de máscaras durante cerimónias religiosas, folguedos de plantio e colheita e na representação das artes cénicas. Na Africa ela tinha função mística e terrífica. No Brasil era generalizado o seu uso entre indígenas, embora não tenha alcançado popularidade entre os colonizadores.
Em Olinda aconteceu a identificação dessas influências culturais com o espírito carnavalesco do povo. Em 1932 foliões liderados por Benedito Bernardino da Silva fundaram o Clube de Alegoria e Crítica, "Homem da Meia-noite", onde a principal figura é um boneco com 3,5 metros de altura, confeccionado pelo milenar processo do "papier maché." Por sair à zero hora do sábado gordo, a agremiação alcançou a tradicionalidade de abrir oficialmente o Carnaval Olindense, onde uma multidão aguarda ansiosamente pelo início do desfile que percorre as ruas e ladeiras seculares da cidade. Ao contrário dos outros grupos, os clubes de bonecos não possuem bandeira ou estandarte. A única e principal alegoria é o boneco transformado na identidade inconfundível do grupo, que também se caracteriza pela ausência de fantasias, paetês, missangas e lantejoulas. Outra particularidade do Homem da Meia-noite é a indumentária dos componentes das agremiações, apenas uma camisa de fibra de algodão com o nome do clube e o ano do desfile estampados no peito. O ponto alto desses grupos são as orquestras com que se apresentam. Logo observa-se que não se trata de um folguedo para se ver mas, principalmente, e, por excelência, para se acompanhar, dançar o frevo, participar de uma alegria incomparável. No entanto, não é só durante o período carnavalesco que os bonecos vão as ruas. Nos movimentos políticos, nas comemorações de aniversário da cidade e, eventualmente, em solenidades especiais há a oportunidade de se conviver com a alegria transbordante dos clubes de alegorias e críticas ou os bonecos de Olinda.
As alegorias presentes nos clubes de bonecos de Olinda apresentam duas particularidades etnológicas na sua formação: a máscara e o gigante. A
história registra, em quase todas as culturas conhecidas, o emprego de máscaras durante cerimónias religiosas, folguedos de plantio e colheita e na representação das artes cénicas. Na Africa ela tinha função mística e terrífica. No Brasil era generalizado o seu uso entre indígenas, embora não tenha alcançado popularidade entre os colonizadores.Em Olinda aconteceu a identificação dessas influências culturais com o espírito carnavalesco do povo. Em 1932 foliões liderados por Benedito Bernardino da Silva fundaram o Clube de Alegoria e Crítica, "Homem da Meia-noite", onde a principal figura é um boneco com 3,5 metros de altura, confeccionado pelo milenar processo do "papier maché." Por sair à zero hora do sábado gordo, a agremiação alcançou a tradicionalidade de abrir oficialmente o Carnaval Olindense, onde uma multidão aguarda ansiosamente pelo início do desfile que percorre as ruas e ladeiras seculares da cidade. Ao contrário dos outros grupos, os clubes de bonecos não possuem bandeira ou estandarte. A única e principal alegoria é o boneco transformado na identidade inconfundível do grupo, que também se caracteriza pela ausência de fantasias, paetês, missangas e lantejoulas. Outra particularidade do Homem da Meia-noite é a indumentária dos componentes das agremiações, apenas uma camisa de fibra de algodão com o nome do clube e o ano do desfile estampados no peito. O ponto alto desses grupos são as orquestras com que se apresentam. Logo observa-se que não se trata de um folguedo para se ver mas, principalmente, e, por excelência, para se acompanhar, dançar o frevo, participar de uma alegria incomparável. No entanto, não é só durante o período carnavalesco que os bonecos vão as ruas. Nos movimentos políticos, nas comemorações de aniversário da cidade e, eventualmente, em solenidades especiais há a oportunidade de se conviver com a alegria transbordante dos clubes de alegorias e críticas ou os bonecos de Olinda.
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Fotografia - Seca e Molhada
sexta-feira, dezembro 14, 2007
CURIOSIDADES EUROPEIAS
A União Europeia legislou e está a impor regras, que já foram vertidas para a legislação laboral portuguesa, que alteram profundamente o acto de cozinhar nos nossos restaurantes e estabelecimentos afins.
O caso mais conhecido pelo público em geral é o da colher de pau que foi proibida por ser considerada pouco higiénica e portanto, uma verdadeira ameaça à saúde pública. Mas as regras são muitas mais e vão até à obrigatoriedade de ter os produtos embalados, mesmo os de produção própria.
Curiosamente, ontem mesmo, os representantes dos países que integram a União Europeia, beberam um Porto de 1957, um verdadeiro néctar segundo desabafo de um dos convivas. Aqueles senhores e senhoras, a elite da Europa moderna, sábios e diligentes na governança deste espaço territorial que vão uniformizando apesar das diferenças com que pontuam os seus discursos, não se lembraram, e também ninguém lhes disse, como é que se fazia o vinho em Portugal, nos idos da década de 50 do século passado. Não que isso tivesse prejudicado a qualidade do vinho, ou que a sua saúde tivesse sido beliscada pelo processo de produção do vinho, mas porque com toda a certeza teriam de alterar substancialmente as suas teorias sobre a gastronomia e outras formas de obtenção de produtos tradicionais, que agora estão ameaçadas, correndo mesmo o risco de extinção, devido aos seus excessos legislativos.
O caso mais conhecido pelo público em geral é o da colher de pau que foi proibida por ser considerada pouco higiénica e portanto, uma verdadeira ameaça à saúde pública. Mas as regras são muitas mais e vão até à obrigatoriedade de ter os produtos embalados, mesmo os de produção própria.
Curiosamente, ontem mesmo, os representantes dos países que integram a União Europeia, beberam um Porto de 1957, um verdadeiro néctar segundo desabafo de um dos convivas. Aqueles senhores e senhoras, a elite da Europa moderna, sábios e diligentes na governança deste espaço territorial que vão uniformizando apesar das diferenças com que pontuam os seus discursos, não se lembraram, e também ninguém lhes disse, como é que se fazia o vinho em Portugal, nos idos da década de 50 do século passado. Não que isso tivesse prejudicado a qualidade do vinho, ou que a sua saúde tivesse sido beliscada pelo processo de produção do vinho, mas porque com toda a certeza teriam de alterar substancialmente as suas teorias sobre a gastronomia e outras formas de obtenção de produtos tradicionais, que agora estão ameaçadas, correndo mesmo o risco de extinção, devido aos seus excessos legislativos.
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