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domingo, maio 17, 2020

CULTURA E MITOS URBANOS


Existem muitos mitos urbanos que envolvem a História e o Património, mas é bem verdade que as pessoas gostam, e fixam melhor estes mitos do que a verdade histórica comprovada.


Durante as várias décadas de trabalho no Património aprendi um a coisa, que foi nunca me esforçar demasiado em desmistificar os mitos, embora sempre os tenha classificado como mitos ou lendas quando a eles me refiro.


No Mosteiro da Batalha ouve-se a lenda da abóbada da Sala do Capítulo e do mestre Afonso Domingues, e eu acho que é uma ume narrativa deliciosa, um pouco nacionalista, mas que trás um certo misticismo ao monumento. Quem desejar aprofundar mais o seu conhecimento, pois então que o faça, mas não desfaça o imaginário dos outros.


No Palácio da Vila de Sintra temos a Lenda das Pegas, talvez um pouco machista mas por isso mesmo interessante, ou as divagações sobre o Quarto Prisão de D. Afonso VI, seja pelas razões da sua desgraça, do desgaste do solo do seu cárcere, ou até dos sinais que trocaria com o conde de Castelo Melhor, que compõem uma narrativa melodramática. E o que dizer da hipotética leitura dos Lusíadas ao rei D. Sebastião pelo próprio Luís de Camões, no Pátio da Audiência, potenciado pelo filme de Leitão de Barros?


Também podemos ir para Mafra onde temos as ratazanas dos subterrâneos, e os exércitos de morcegos que tratam da conservação dos livros, que fazem a delícia de quem ouve estas narrativas.


Claro que as lendas e as narrativas fantasiosas apimentam o imaginário de muita gente, mas devem sempre ser antecedidas do aviso correspondente, porque nunca se sabe a quem as contamos…


domingo, junho 24, 2018

O EMPAREDADO DE MAFRA

“Numa certa noite de 1759, o Almoxarife do Paço Real dirigiu-se a Mafra com dois operários de sua confiança (habituados já a trabalhar no convento) depois de prestarem juramento que nada divulgassem do que iriam ver e fazer.

Ao carpinteiro, foi dada a incumbência de executar, um caixão com as dimensões indispensáveis para recolher um corpo humano.

Ao pedreiro, coube o trabalho de abrir numa das paredes do corredor das aulas a cavidade necessária, para receber na posição vertical o tosco caixão.

Já noite avançada, alguém abriu as portas do convento para dar passagem a uma caleça. Do interior desta, saíram 2 homens mascarados, transportando um comprido saco, dentro, dentro do qual se encontrava “gemendo aflitivamente” um ser humano.

O saco foi colocado no caixão, o carpinteiro fechou-o e colocou-o na parede ficando o ser humano emparedado.

Anos depois, já morto o Marquês de Pombal, o pedreiro sentiu chegar os seus últimos momentos e pediu a um padre para que fossem ouvidas as suas declarações.

Por intermédio da confissão, que foi pública, se tomou conhecimento do que se passara no convento de Mafra.

Os religiosos franciscanos retiraram o esqueleto da parede (que se julga ser duma mulher) e enterraram-no no cemitério dos frades.”


Texto antigo do Palácio de Mafra, fornecido por um amigo 

Sala dos Actos