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terça-feira, setembro 28, 2021

PROBLEMAS DE FALTA DE MÃO-DE-OBRA

A economia europeia tem usado e abusado da deslocalização da produção e da precariedade e baixos salários dos trabalhadores, e os resultados começam a ver-se um pouco por todo o lado.

Quase todas as semanas lemos e ouvimos empresários a queixar-se da falta de mão-de-obra para as suas empresas, curiosamente quase sempre nas funções mais mal pagas dessas mesmas empresas.

Sabe-se que são muitas as empresas que recorrem a empresas de trabalho temporário para ocuparem postos de trabalho de que necessitam em permanência. No LinkedIn encontram-se muitas ofertas de emprego, para diversas funções, em que um dos requisitos é o da elegibilidade para programas do IEFP, o que mostra bem o descaramento que existe por parte das empresas na exploração que praticam.

A situação tem tendências para piorar apesar do recurso à imigração que está a ser facilitada pelo governo. Cada vez vai ser mais difícil contratar para funções cujo salário não garante uma vida decente, e os nossos jovens bem como os mais qualificados continuarão a fugir para o exterior.

Quando um qualquer empresário se vier queixar da dificuldade em recrutar, eu acho que lhe deviam perguntar se conseguiria viver com decência com um salário de 700 euros brutos, antes de lhe darem mais tempo de antena ou espaço nos jornais.    


 

terça-feira, junho 25, 2019

A TRADIÇÃO E OS SANTOS


Nem sou muito de arraiais, mas nesta época costumo passar por lá uma vez, para comer umas sardinhas e beber uma sangria, o que já faz parte da minha própria tradição.

As tradições dos Santos Populares já não são o que eram, e não se julgue que mudaram para melhor, porque não é verdade.

As barraquinhas dos tiros ou não existem ou estão às moscas, as de argolas sumiram, as rifas também já eram, os carroceis às vezes nem lá estão, e os carrinhos de choques escasseiam. Eu sei que para alguns contam mais as procissões e as sardinhas assadas, mas isso parece-me pouco.

A nova realidade tem mais cerveja, ginjinha e gin, mais hamburguers e pizas, e em vez dos nossos ranchos populares, das bandas filarmónicas, e dos nossos cantores pimbas, oferecem-nos dj’s, música sertaneja e outras coisas semelhantes.

Cada vez mais oferecemos aquilo que se pode encontrar em todos os destinos turísticos de baixo preço, e é com esses que alguns querem competir, porque é essa a essência do turismo de massas. É pena, porque nesse campo só podemos competir empobrecendo o país, e ganhava-se muito mais oferecendo o que é genuinamente nosso.    




sexta-feira, dezembro 28, 2018

PORTUGAL ESTÁ A TORNAR-SE NUM PARQUE TEMÁTICO


A crescente dependência de Portugal relativamente à actividade turística começa a preocupar muita gente e pelas mais variadas razões.

Sabe-se que o que atrai mais turistas a Portugal são factores bem identificados como sejam: a segurança, a qualidade do acolhimento e simpatia dos portugueses, o Património, a gastronomia, e o custo de vida. Resumindo pode dizer-se que o que atrai os turistas é o nosso povo, a nossa identidade e o nosso país.

Tudo isto está a ser posto em causa começando pelo abandono das cidades por parte dos nacionais, motivado pela especulação imobiliária. O fim do mercado tradicional e dos restaurantes genuinamente portugueses, substituídos pelas lojas de bugigangas e pelos restaurantes com ementas tiradas a papel químico de qualquer centro turístico.

No turismo cultural temos as principais atracções sobrelotadas, filas de espera, e dificuldades no trânsito. A par disto temos locais preciosos quase às moscas, por falta de divulgação, outros mostrando alguma decadência, por falta de investimento, e pouco trabalho conjunto entre as entidades envolvidas, Estado, Turismo e Agentes de Viagens, que andam quase de costas voltadas.

Experimentem entrar em igrejas em monumentos, ou mesmo em igrejas monumentos, e garanto-vos uns quantos palermas que sem se importarem com nada nem ninguém, se passeiam de chinelos, a comer castanhas ou outra coisa qualquer, a falar alto, miúdos a correr como se estivessem num parque, e gente a fazer poses frente ao altar, aos beijos diante de pinturas, estátuas ou túmulos, e uns quantos pedintes nas redondezas das entradas.

Quando falo de parques temáticos é a isto que eu me refiro, e infelizmente começa a tornar-se demasiado frequente, o que coloca em risco a tal chamada galinha dos ovos de ouro, o Turismo.



sexta-feira, dezembro 29, 2017

MERCADO LIVRE OU REGULADO?



O episódio triste dos aumentos previstos na EDP Comercial, que se seguiram ao anúncio governamental da baixa de preços da energia no mercado regulado, volta a trazer à baila o assunto da regulação, que para muitos é necessária, mas para alguns é desnecessária e indesejada.

Recordemos os argumentos apresentados pela EDP, que foram o preço do carvão, dos outros combustíveis, e a baixa pluviosidade que fez baixar a produção hidroeléctrica.

Esta empresa sofre de amnésia, muito conveniente, diga-se, e não refere que nos outros anos em que choveu bastante, em que os combustíveis fósseis atingiram valores mínimos no mercado internacional, e que não se traduziram em reduções de preços ao consumidor, o que seria normal para uma empresa séria.

Infelizmente não são apenas problemas como este que nos fazem recuar no tempo, e lembrar que muitos políticos e economistas há alguns anos falavam da virtualidade das privatizações, que infelizmente aconteceram. Todas as empresas públicas que davam lucro, (EDP, ANA, GALP, PT, CTT, etc.) foram vendidas a pataco, e agora continuam a dar lucro mas quase que só a interesses estrangeiros.

Aqueles políticos e economistas que participaram nas privatizações onde estão? Será que alguns não passaram uns tempos depois para os quadros das novas empresas, como gestores, altos quadros ou mesmo administradores das mesmas?

Quem é que me demonstra que os portugueses e o país ganharam com as tais privatizações? E quem é que ainda pretende convencer-me de que o mercado liberalizado é bom e justo, e que se regula a si próprio por causa da concorrência?   


terça-feira, março 07, 2017

ALERTAS NO TURISMO

Sei que muitos já deixaram alertas sobre os perigos que o turismo nacional enfrenta, especialmente nas grandes urbes como Lisboa e Porto, onde a autenticidade do que oferecemos se vai perdendo, porque a oferta começa a ser igual à que se encontra noutras capitais europeias.

Fala-se do arrendamento de curta duração, que afasta os nacionais dos bairros típicos, que assim deixam de o ser pois o que mais se vê são turistas, lojas de souvenirs, restaurantes de fast food, menus estrangeiros e os tão tipicamente portugueses tuk-tuks.

O triângulo formado pelos habitantes, a oferta gastronómica e o Património histórico e paisagístico, fica imensamente reduzido, mas não é tudo.


O perigo mais recente, que quem trabalha com estrangeiros já começa a ouvir com demasiada frequência, é o aumento dos preços da hotelaria, sobretudo do alojamento, que começa a afastar mais uma das vantagens do Turismo nacional.  


segunda-feira, novembro 16, 2015

MAIS UMA TRAPALHADA DOS BANCOS



O caso do BES, e depois do Novo Banco, como veio a chamar-se o “banco bom”, está a mostrar a face mais sinistra das entidades bancárias, que quando são chamadas a assumir as suas responsabilidades,” fogem sempre com o rabo à seringa”, deixando os maus resultados da sua actividade para os contribuintes.

Já se tinha visto que “quando estão com as calças nas mãos”, lá vem o Estado (contribuintes), assumir encargos e a sua responsabilidade, para poderem recapitalizar os bancos, e invariavelmente não se vê ninguém ser condenado, mesmo quando é claro que houve má gestão e até gestão danosa do dinheiro dos depositantes.

Para tapar os olhos aos contribuintes são criados instrumentos de salvaguarda para situações de dificuldades nos bancos, como o Fundo de Resolução, ou o Fundo de Garantia dos Depósitos, que responsabilizam os bancos no seu conjunto a assumir responsabilidades perante os depositantes, mas isso é apenas na teoria, porque na realidade os bancos acabam sempre por escapar entre as malhas da lei, e são sempre os contribuintes a pagar os prejuízos, como vai acontecer, de novo, com o Novo Banco.