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quinta-feira, outubro 21, 2021

OS NEGACIONISTAS

O negacionismo é, grosso modo, a escolha de negar a realidade fugindo assim a uma verdade desconfortável ou inconveniente. Temos negacionistas que se recusam a aceitar aquilo que é empiricamente verificável, e outros que rejeitam aquilo que reúne o consenso científico, criando e difundindo ideias controversas e radicais.

O caso das vacinas contra a Covid é um exemplo bastante actual, mas não nos podemos esquecer também das mudanças climáticas, também estas na ordem do dia.

É curioso verificar que a maioria dos negacionistas rejeita tanto os benefícios das vacinas como as mudanças climáticas, parecendo viver noutra realidade diferente. Olhem que não estamos apenas a falar de Bolsonaro ou Trump.

 

Dois cartoons de Patrick Chappatte


 

domingo, maio 02, 2021

A ESCRAVATURA E A INDIGNAÇÃO

Enquanto alguns de nós escolhem autoflagelar-se com o nosso passado, a exploração, o tráfico de pessoas e a escravatura moderna estão aí bem em frente dos nossos olhos, como ficou bem claro com os problemas em Odemira no final da semana passada.
 
Claro que os que levantaram objecções ao discurso de Marcelo, sobre a nossa História, agora nem sequer se pronunciam sobre estes aspectos, preferindo falar dos inconvenientes para os negócios, nos direitos dos moradores no complexo requisitado pelo Estado, e na inocência dos moradores da região.
 
Os mais desprotegidos não mereceram ser defendidos nem sequer pela Ordem dos Advogados, que nem deram pela sua infeliz situação, com a qual muitos ganham muito dinheiro.
 
 
 



 

sexta-feira, janeiro 25, 2019

ABAIXO O RUÍDO

O discurso político anda inquinado por acusações de racismo, de vitimização e de culpas que nos desviam do essencial dos problemas que está em primeiro lugar nas desigualdades.

Infelizmente anda tudo de dedo erguido apontando erros aos outros, em vez de se concentrarem os esforços no combate às desigualdades, que devia ser a prioridade.  

Duas imagens elucidativas do que devíamos ter em conta...


quinta-feira, janeiro 03, 2019

MORDER A LÍNGUA…


Há quem tenha estado em todas na representação do patronato português, se tenha eclipsado e depois tenha reaparecido numa organização manhosa com o nome de Fórum para a competitividade, que é o caso de Pedro Ferraz da Costa.

Não se pede a um ferrenho defensor e representante do patronato que seja imparcial, muito menos em questões de competitividade, pois é óbvio que estará sempre do lado dos empregadores, o que é natural.

Quando este senhor vem dizer que “a semana das 35 horas é uma raridade na União Europeia e no mundo, sendo claramente um luxo de país rico, com actividades muito concentradas nos serviços”, apetece perguntar se a competitividade só se alcança com horários com mais alargados, e já agora, com salários muito baixos, como os que se praticam em Portugal.

Talvez fosse de perguntar a este “especialista” o que diria a um gestor que ganha 160 vezes mais do que os seus trabalhadores, e a todos os gestores que durante os anos de crise se aumentaram, enquanto pediam sacrifícios aos seus subordinados.

Será que Marcelo Rebelo de Sousa ao falar de mais justiça social estava a pensar em Pedro Ferraz da Costa?  



segunda-feira, março 13, 2017

ERROS DE PALMATÓRIA

O conflito entre países europeus e a Turquia, derivado da campanha para as eleições neste país, tem sido notícia nos últimos dias.

Se impedir a campanha de um país em território de outro pode ser aceitável, impedir ministros estrangeiros de entrar no país para contactar os seus cidadãos, não me parece que seja muito correcto.

Países como a Holanda, a Alemanha, a Suécia e a Áustria decidiram suspender os comícios nos seus países, e a Turquia acabou por ameaçar retaliar politicamente e economicamente.

Depois de ter recusado a entrada da Turquia na União Europeia, ainda que economicamente existam muitas empresas europeias a produzir os seus produtos em solo turco, só faltava mesmo à Europa atirar a Turquia para os braços de Moscovo, por pura inabilidade diplomática.

As restrições à imigração e agora estas atitudes que podem ser confundidas com sentimentos islamofóbicos, isolam cada vez mais a Europa do resto do mundo.  

Como diria Don Vito Corleone: mantenha os amigos por perto; e os inimigos mais perto ainda. 
  


terça-feira, fevereiro 17, 2015

DEITAR GASOLINA NA FOGUEIRA

A linha dura da Europa mais abastada, liderada pela senhora Merkel, continua a esticar a corda relativamente à Grécia, insistindo sobretudo na extensão do actual programa e das suas políticas, apesar do insucesso de tais medidas.

Não sei qual vai ser o resultado deste braço-de-ferro, o que sei é que a saída forçada da Grécia do euro, será o pontapé de saída para o desmoronar desta Europa onde imperam os egoísmos dos mais fortes.

Depois da saída da Grécia, Portugal fica na 1ª posição para ser o país que se segue, porque a dívida não tem como ser paga, e os mercados ficarão com a certeza de que a ajuda dos credores nunca acontecerá, bem à semelhança do que se passar agora com a Grécia.


A nível internacional a Europa vai perdendo a Grécia, a Turquia, e também a Ucrânia, e não poderá queixar-se dos outros, mas sim das suas próprias políticas e do seu egoísmo.


segunda-feira, abril 14, 2014

A CEGUEIRA DA GOVERNAÇÃO



Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ruína dos vossos Reinos, vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso dos costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta da doutrina sã, vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou não o vedes. Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustiças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. 

Padre António Vieira, in "Sermões"


segunda-feira, dezembro 02, 2013

CONCERTAÇÃO DEMOCRATICAMENTE FECHADA



Já vai sendo um hábito saber-se de decisões deste governo tomadas sem a auscultação dos trabalhadores, das suas organizações, do patronato e das suas organizações. Claro que tudo isto acontece na maior normalidade democrática, como diria Cavaco Silva.

O aumento para as 40 horas semanais, com todos os erros na elaboração da lei, que mesmo dizendo uma coisa, foi aprovada pelo Tribunal Constitucional na presunção de que a intenção não era a expressa pela sua real formulação, também não mereceu qualquer discussão real, pois era uma questão fechada à partida.

Agora temos o aumento da idade da reforma para os 66 anos, que foi levada à discussão na Concertação Social, mesmo sabendo-se que o governo tem o modelo fechado e sem margem para mudanças.

Este tipo de democracia (com letra muito pequena), onde se discutem coisas havendo já uma decisão tomada, não será muito curial num país que se diz democrático, e nesta questão nem se pode dizer que houve uma imposição da troika, pois na Europa somos dos que se aposentam com mais idade, como dizem todas as estatísticas.



quinta-feira, novembro 07, 2013

A TENTAÇÃO DE ESTADO TOTALITÁRIO



Já se ouviram os mais diversos argumentos para se pedir uma revisão da Constituição Portuguesa, desde a sua falta de actualidade, a existência de conceitos ultrapassados, etc, mas nunca ninguém tinha ido tão longe como o actual ministro da Defesa Nacional.

Segundo Pedro Aguiar-Branco, existe em Portugal a “tentação de um Estado totalitário” provocado por um “Estado social absorvente” que cria “promiscuidades”, “clientelas” e dependências”.

Não sei se o ministro está cego com a obsessão da revisão da Constituição, mas só ele é que não vê, ou não quer ver, que já existem muitas “clientelas”, muitas “dependências” e muitas “promiscuidades”, que nada têm que ver com o Estado social, mas sim com a corrupção existente no poder. Olhando em redor podemos ver quem é que é poupado aos sacrifícios, quem prospera à custa dos dinheiros públicos, das isenções fiscais, dos benefícios fiscais e das ajudas concedidas pelos governos.

Um governante que acha que a Lei Fundamental é perigosa e que pode aliciar desejos totalitários, renega aquilo que prometeu defender, que é o Estado de direito. 
 

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Humor Cristão