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quarta-feira, dezembro 08, 2021

PEQUENOS AUMENTOS VERSUS BAIXOS SALÁRIOS

É de lamentar que um ministro da Economia diga com alguma displicência que o crescimento do índice de preços no consumidor no último mês, este foi “moderado, comparando com o resto da União Europeia”, não havendo, também aí, “razões para preocupação”, quando todos sabemos que o nível de vida da grande maioria dos portugueses é extremamente baixo.
 
Ao afirmar que em Portugal não vai faltar o bacalhau no Natal, mas que os "preços podem subir", deu de barato que todos os portugueses a ele terão fácil acesso, o que não é verdade.
 
Para o senhor ministro da Economia, e também para o 1º ministro, ministra do Trabalho, e ministro das finanças fica apenas uma nota a que deviam dar a sua melhor atenção: o salário mínimo alemão sobe para 12 € hora, e que o nosso está em 4,16€ hora, por isso falar de "pequenos aumentos" de preços é sempre muito relativo.
 


 

domingo, outubro 23, 2016

DOUTRINA M.S.T.

Portugal é um dos países onde as desigualdades são mais gritantes, e onde os impostos são mais injustos, mas há pessoas que preferem ter uma visão mais centrada no próprio umbigo, do que tentar perceber que existem muitos outros que estão em situação bem pior, e desesperam por falta de esperança num futuro melhor.

A leitura dos escritos de Miguel Sousa Tavares revolta as entranhas de qualquer cidadão com um pingo de sensibilidade social, porque na sua defesa usa argumentos simplesmente vergonhosos.

Perante críticas de um leitor, MST não hesita em afirmar que o seu crítico devia fazer parte dos 53% de portugueses que pagam zero de IRS, e que apesar de pagarem IRS cerca de 47% dos contribuintes, são os 10% dos que mais recebem que contribuem com 70% de todo o imposto.

A bravata de MST, que se julga um injustiçado relativamente à maioria dos portugueses, é tão ignóbil que até mete dó. Para além da ignorância demonstrada, porque a maioria do dinheiro recolhido pela via fiscal advém dos impostos indirectos, onde contribuem todos, independentemente dos rendimentos, também parece ignorar que os tais 53% dos que não pagam IRS, gostariam de o pagar, mas infelizmente não auferem o suficiente para serem taxados.


Só por óbvia boçalidade pode um indivíduo sentir-se prejudicado por haver quem não pague os mesmos impostos por ter muito menos rendimentos, e é ainda mais revoltante que quem tem tribuna em mais do que um meio de comunicação social, a use para difundir ideias tão desprovidas de razoabilidade.

domingo, janeiro 25, 2015

NEM UM PEDIDO DE DESCULPAS...



Quem está em lugares de decisão, espera-se que as pessoas decidam, As decisões podem ser boas, más ou nem boas nem más, e isso mede-se na análise dos resultados.

Em Portugal e em situação de austeridade imposta pela troika e apoiada pelo governo em funções, temos um ministro da Saúde que não se inibiu de encerrar serviços, cortar no orçamento e diminuir despesas.

Como sempre acontece em qualquer situação, as medidas executadas tiveram consequências, e neste caso foi evidente que os hospitais perderam capacidade para enfrentar situações críticas, bem evidentes nos aumentos do tempo de espera nas urgências, nas consultas de especialidade e nas intervenções cirúrgicas e nos exames complementares de diagnóstico.

O lado mais visível destes cortes na saúde, foram os originados pela demora nas urgências hospitalares, que podem ter resultado, sozinhas ou em acumulação com outras carências, na morte de utentes.

Um ministro com alguma sensibilidade e responsabilidade política nunca proferiria uma frase como a que Paulo Macedo proferiu sobre o facto de terem morrido 700 pessoas nas urgências no mês de janeiro, em que disse “nada tem de assustador”. Mesmo salvaguardando o facto de ainda não ter terminado o mês de Janeiro, e de que não podemos ainda apontar que o atraso na prestação de cuidados seja a causa directa de algumas destas mortes, a frase é brutal.

Quem decide pode falhar, há sempre esse risco, mas esta falta de sensibilidade por parte de quem não quer admitir o erro, que é evidente para a generalidade dos portugueses, e que devia antes ter equacionado essa hipótese, ou mesmo ter pedido desculpas, mostra que a saúde não pode estar entregue a uma pessoa com este tipo de abordagem a situações desta natureza.  



terça-feira, julho 03, 2012

A VERDADEIRA FACE DA SAÚDE

A saúde, tal como os restantes sectores, passou a ser considerada, por este governo, como um negócio e nada mais do que isso. O liberalismo apregoado e nunca desmentido, tem consequências que em certos sectores podem ser preocupantes. 

Já se estava a assistir a atrasos nas intervenções cirúrgicas, a protestos dos profissionais de saúde, e a uma degradação de serviços visível aos olhos dos utentes mais frequentes. O acesso aos serviços de saúde está cada vez mais difícil e mais caro. 

O critério utilizado no corte de despesas diz tudo sobre a preocupação deste governo com os aspectos essenciais do serviço de saúde: as adjudicações de bens e serviços são pelo valor mais baixo. 

Transformar hospitais e centros de saúde em mercearias só com produtos de marca branca, é um erro crasso, e uma idiotice que a nossa sociedade pagará a um preço muito caro. Dirigir um sector desta importância com espírito de contabilista é uma atitude assassina! 

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segunda-feira, abril 09, 2012

PREOCUPAÇÕES SOCIAIS

O actual governo mostra ser um executivo completamente de direita, ultraliberal e completamente alheio às dificuldades dos mais desfavorecidos.

O saldo da Segurança Social, o menor dos últimos 30 anos, é apenas mais um resultado das políticas dum executivo para quem as finanças são mais importantes do que as pessoas.

Imagine-se só como estariam as contas da Segurança Social se o Estado em vez de enterrar diversos milhares de milhões no BPN, os tivesse investido no financiamento da Segurança Social. Se a Caixa Geral de Depósitos não tivesse emprestado dinheiro a diversos investidores para lançarem uma OPA sobre outro banco que agora tem acções que valem pouco mais de 10 cêntimos.

Também vale a pena equacionar a possibilidade de investir em políticas activas de emprego em vez de ficar como garante do financiamento da banca privada. Quanto se pouparia ao erário público se o argumento de emergência nacional fosse utilizado para renegociar as parcerias público privadas em vez do corte dos subsídios dos funcionários públicos e pensionistas, que têm reflexos imediatos na actividade económica e no arrecadar de impostos.

Não é necessário ser-se um grande economista para encontrar alternativas às políticas deste governo, e o exemplo do garoto que indicou uma forma prática para a Grécia sair do euro sem grandes convulsões, está aí para o demonstrar.

As preocupações sociais não se anunciam, demonstram-se quando é mais necessário, e os tempos são de necessidade.

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Imagem - A Fome

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Humor - Coelhos da Cartola