quinta-feira, maio 21, 2015
DESIGUALDADE E CRESCIMENTO
segunda-feira, abril 16, 2012
ATÉ O NYT AVISA
A economia europeia vai por maus caminhos e ameaça contaminar outras economias mundiais, e por isso tem merecido bastante atenção do outro lado do Atlântico de onde têm surgido muito alertas nos últimos tempos.
Quando os problemas começaram na Grécia, a Europa não soube reagir, e assim continuou com a Irlanda e com Portugal. A receita aplicada aos três países foi sempre a mesma, resumindo-se a austeridade sobre austeridade, e os maus resultados obtidos pela Grécia não levaram a que a receita fosse alterada, e consequentemente os mercados começaram a explorar esta ineficácia e os ataques selectivos multiplicaram-se, ameaçando agora Espanha, Itália e mesmo a França, que têm outra dimensão económica.
O caso da Espanha, que está agora na mira dos especuladores, fez soar o alarme em diversos mercados que temem que a Europa do euro se desmorone e arraste consigo a economia mundial.
O New York Times avisa que Espanha pode ser a próxima a cair e que está a ser empurrada pela Alemanha para o abismo, com a teimosia que levou à recusa da flexibilização das metas orçamentais deste ano.
Os mercados reagiram à nega da senhora Merkel e de maneira adversa, exigindo taxas de juro demasiado altas para uma economia que ficou sujeita a ainda maior austeridade.
Todos os analistas de fora da Europa e mesmo muitos europeus já alertaram para o facto mais do que óbvio, de que sem crescimento económico e mais investimento será irrealista esperar que os países em dificuldades possam pagar a sua dívida, mas a Europa tarda em acertar com a receita para ultrapassar as dificuldades económicas.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
O ESFORÇO E A RAZOABILIDADE
A austeridade que significa cortes nos rendimentos do trabalho e prestações sociais e na perda de direitos laborais e sociais que todos julgavam adquiridos há muito. O que muitos se preguntam é se os esforços estão bem distribuídos, e se este é o caminho correcto para dar saúde à nossa economia.
A propósito da justa distribuição dos esforços pedidos, talvez seja oportuno recordar algumas notícias recentes como aquela em se concluiu que a maioria dos carros de luxo foi paga a pronto pagamento, a outra sobre as reformas de Cavaco Silva que não dão para pagar as despesas (e ele diz-se poupado), ou a deslocalização fiscal da holding da Jerónimo Martins.
A equidade nos esforços é uma miragem e as desigualdades são cada vez maiores. Sobre este tema talvez se deva ter em atenção o recente discurso de Barak Obama.
Falando do caminho correcto para a saída da crise, já nem o FMI acredita que este seja o caminho, pois é por demais evidente que sem crescimento só se agravará a crise. Já são conhecidas posições internacionais de condenação do valor do ordenado mínimo nacional, e nem o Nobel, Stiglitz , se eximiu de criticar a diminuição dos salários nesta ocasião.
quarta-feira, dezembro 21, 2011
FALAR DE BARRIGA CHEIA
Depois de um secretário de Estado, e do primeiro-ministro, eis que vem um deputado ao Parlamento Europeu, de peso e com peso no PSD, exaltar a solução da emigração para quem não encontra trabalho em Portugal.
Aquilo que podia ter sido um mero lapso comunicacional, afinal é uma ideia arreigada neste partido instalado no poder, o que dá um sinal muito negativo deste tipo de governação.
Já se sabia que o ministério da Economia tem sido inoperante, mas faltava ainda ouvir da boca de governantes que não existe qualquer estratégia de crescimento para o país.
Quanto a Paulo Rangel, para quem este tipo de declarações não são “motivo para escândalo”, convém recordar que é um emigrante privilegiado que pouco ou nada sabe das dificuldades ligadas ao desemprego e à emigração forçada. Apetece dizer que para o seu lugar, senhor deputado há mais de 700 mil candidatos.

terça-feira, setembro 27, 2011
EMPREGO E PROTECÇÃO SOCIAL
Enquanto por cá ouvimos um Secretário de Estado da Administração Pública falar na redução de 50 mil funcionários públicos até ao fim da legislatura, ou um ministro das Finanças admitir que em 2012 o desemprego vai aumentar, em Paris reuniram-se os ministros do Trabalho dos países do G20, que defendem que a criação de emprego é uma prioridade.
A desaceleração económica pode criar um crescimento do desemprego, mas é absolutamente consensual que a menos que seja conseguido investimento e crescimento económico, a situação pode ficar socialmente insustentável.
A prioridade dos países do G20 vai ser para reverter a desaceleração do crescimento do desemprego, contrariando a perda de postos de trabalho, investindo-se na economia real.
De acordo com a OIT e a OCDE o emprego deverá subir a uma taxa anual de pelo menos 1,3% para se chegar a 2015 nos níveis anteriores à crise.
Lê-se no comunicado conjunto da OIT e da OCDE que “precisamos de investimentos destinados ao crescimento das empresas na economia real e a criação de trabalho decente”, alertando-se ainda para a crescente dualidade entre os trabalhadores com um emprego estável e os que têm trabalhos temporários.
Penso que os membros do governo português deviam ser obrigados a ler este comunicado com atenção antes de se lançarem em aventuras tendentes a facilitar os despedimentos e a aumentar a precariedade laboral, que parecem ser os seus objectivos primordiais.





