domingo, julho 23, 2017

ALEXANDRE E TALÉSTRIS (TAPEÇARIA)



Existe uma lenda sobre Alexandre, o Grande, inventada por Onesícrito, que escreveu sobre uma contenda entre Alexandre e Taléstris, a rainha das míticas amazonas, que viria a ter diversas versões, mais ou menos fantasiosas.

Sobre este tema existe pelo menos uma tapeçaria em Portugal, onde estaria representado o próprio Alexandre a receber a tal rainha das amazonas.



Como é habitual estive a admirar a magnífica tapeçaria, flamenga como seria de esperar, e deparei com um pormenor delicioso que registei na segunda fotografia que aqui vos deixo...

 

sexta-feira, julho 21, 2017

AINDA O GALPGATE



Hoje li pela manhã um artigo de opinião, no DN, assinado por Vítor Bento, que me indignou por tentar confundir as coisas usando comparações perfeitamente desajustadas da realidade, para sugerir que a solução mais justa para os secretários de Estado que aceitaram viajar à conta da GALP, era o arquivamento do processo.

Afirma VB que, há 10 anos, o surpreendera a generalizada indiferença perante a extrema facilidade com que, entre nós (portugueses), governantes e funcionários do Estado aceitavam prendas e convites de fornecedores ou beneficiários de decisões do Estado.

O autor do artigo finge desconhecer a legislação produzida nos últimos anos abrangendo precisamente essas práticas, e cometeu a injustiça de generalizar, o que não é ético pois pretendeu com isso desculpabilizar comportamentos que cabe ao Ministério Público julgar e punir, de acordo com a lei.

Vítor Bento devia saber que, foi feita pelos políticos legislação que pune os funcionários públicos que recebam vantagens indevidas pelo exercício das suas funções, e que se esqueceram na altura de que os governantes deviam ser os primeiros a dar o exemplo, e tiveram depois de emendar a mão, mas mesmo assim acabaram por ficar com um estatuto diferente, vá lá saber-se porquê. Mesmo assim os senhores secretários de Estado lá meteram a pata na poça.

Outro esquecimento do senhor VB, foi o de mencionar quais seriam os funcionários públicos a quem eram oferecidas viagens e estadias no estrangeiro, ou “outras formas de considerável valor económico”, porque não creio que o senhor Eustácio, calceteiro, a dona Maria J., administrativa num ministério, o Hugo, electricista, ou o Adalberto , das Finanças, alguma vez tenham sido aliciados com vantagens desse tipo. Bem sei que eu não circulo nos mesmos meios que o senhor Vítor Bento, e por isso gostava que ele fosse mais específico, porque seria interessante… 



quarta-feira, julho 19, 2017

COMO DESVALORIZAR UMA FUNÇÃO



A solução encontrada para a segurança no Museu Nacional de Arte Antiga, com a contratação externa de cinco elementos para a vigilância das suas salas e colecções, foi uma medida in extremis, que nunca deveria ter acontecido, e que não se deverá repetir em instituições desta natureza.

Um vigilante de museu não pode ser equiparado a um provérbio como “atar e pôr ao fumeiro, como o chouriço da preta”, a menos que se esteja a brincar aos museus.

Existem exigências para a função, é certo, mas a formação será sempre um requisito essencial que não se pode descurar. O conhecimento do edifício e de procedimentos em caso de emergência, o conhecimento das colecções e a sua localização, as noções de técnicas de atendimento ao público, conhecimentos sobre outras instituições do mesmo tipo existentes nas redondezas (ou na mesma cidade) e seus horários, etc, são apenas algumas das ferramentas que é necessário dar a estes profissionais para poderem desempenhar as suas funções com a devida eficiência.

Um vigilante de museus não é uma estátua, ou um segurança que se limita a proibir procedimentos incorrectos do público, mas sim alguém que possa ajudar os visitantes a fruir devidamente tudo o que estas instituições têm para oferecer a quem as procura, assim exista a vontade de os formar como deve ser.



segunda-feira, julho 17, 2017

DEFORMAÇÃO PROFISSIONAL

É curioso o facto dos meus amigos julgarem que eu não desligo das minhas actividades, mas isso não é verdade, e como tenho interesses muito diversos, nem sempre falo sobre Património, arte, museus, história e assuntos afins, ainda que as influências venham daí.

Hoje partilho uma foto manipulada (cujo autor está identificado) que me atraiu a atenção, e espero que gostem dela, como eu gostei.

By Norrit

sábado, julho 15, 2017

PONTOS DE VISTA

Há quem ache que aceitar um convite  de uma empresa para viajar e assistir a um jogo de futebol, nada tem de condenável, e que é um absurdo que alguém classifique isso como um crime.

Ferro Rodrigues tem direito a ter uma opinião pessoal, mas acontece que é o presidente da Assembleia da República, e isso não é indiferente, como indiferente não era o caso de a oferta de viagens tivesse sido feita por uma empresa que estava em litígio com o Estado por causa do fisco.

Creio que tudo seria muito mais pacífico se fosse um infeliz funcionário do fisco a aceitar o mesmo convite, porque ele sim, estaria a obter uma vantagem indevida no desempenho das suas funções...

2.412

quinta-feira, julho 13, 2017

MUSEUS, VISITANTES E COMPORTAMENTOS



Há pouco mais de uma semana fui surpreendido pela opinião de um amigo, que dizia que os turistas nos museus se comportavam cordatamente e que a presença de vigilantes era quase desnecessária, podendo ser substituída por câmaras e algum cuidado na exposição das peças.

Fiquei atordoado, até porque ele é um frequentador de museus e monumentos, e resolvi indagar opiniões junto de outros amigos que também são viajados e conhecem bastantes monumentos.

Depois de ouvir as suas opiniões, concordantes quanto ao comportamento dos turistas, resolvi questionar estes amigos com a sua percepção sobre comportamentos de risco.

A abordagem foi feita a meu jeito, e as perguntas feitas foram por eles consideradas estranhas:

- Se as mochilas deviam ser proibidas de entrar, mesmo as de pequena dimensão.
- Se os carrinhos de bebé e as malas trolley deviam ficar cá fora.
- Se os selfie sticks deviam ser proibidos.
- Qual o procedimento aceitável a ter com visitantes que tocam em pinturas, objectos, ou
ultrapassam barreiras delimitadoras.

Foi curioso ver as suas respostas, porque acharam (todos) que as mochilas, os carrinhos de bebé, as malas e os selfie sticks eram inofensivos, e que as pessoas pura e simplesmente não mexem nos objectos expostos nem desrespeitam as barreiras existentes, e que os comportamentos desviantes devem ser tão raros que as probabilidades de acontecerem são praticamente nulas. Quanto às transgressões, quase inexistentes, basta uma repreensão (afinal sempre faz falta o vigilante).

Fiquei ciente que quem aprecia museus o faz verdadeiramente, e aproveita as suas visitas para desfrutar do que lhe é oferecido, sem se deter sobre o que se passa ao seu lado, o que compreendo perfeitamente. O mesmo fazem uns quantos senhores com responsabilidades nestes equipamentos culturais, que não cuidam de expor as peças de modo a estarem o mais protegidas que seja possível, dos comportamentos descuidados ou inconscientes.

Infelizmente a realidade é outra, os comportamentos irregulares são muitos, a exposição das peças é muitas vezes descuidada e torna-se um convite para a asneira, e é impossível ter um vigilante atrás de cada visitante. Os visitantes são como os transeuntes de uma qualquer cidade, e têm em geral bons comportamentos, mas as excepções existem, e todos gostavam de ter um polícia por perto quando os maus comportamentos acontecem…


terça-feira, julho 11, 2017

O PADRE INVENTOR



 A sua primeira proeza terá sido a adução de água para o seminário onde estudou antes de vir para Portugal, onde ficou em casa do Marquês de Fontes, que se sentiu impressionado pela inteligência do jovem, então com 16 anos.

De regresso ao Brasil em 1702, onde foi ordenado, viria alguns anos depois a requerer a patente do seu invento para fazer subir a água, que veio a ser reconhecida por D. João V, sendo essa a primeira patente conseguida por um brasileiro.

Existem registos de que o padre Bartolomeu de Gusmão terá ido à Bolívia em 1705, e conta-se que terá sido lá que conheceu certos “segredos” do Império Inca, quem sabe se algo relativo à sua descoberta seguinte, o aeróstato.

Chegado a Lisboa em 1708, o padre inventor vê ser-lhe concedida pelo rei D. João V uma pensão para desenvolver um projecto secreto.

Em Agosto de 1709, na Sala dos Embaixadores da Casa da Índia, Bartolomeu de Gusmão faz voar um balão de ar aquecido até ao tecto, na presença do rei, da rainha e do núncio apostólico, futuro Papa Inocêncio XIII.

Depois de viajar pela Europa o padre Bartolomeu de Gusmão viria a ser vítima da Inquisição…


Bartolomeu Lourenço de Gusmão, um sacerdote cientista e inventor, nascido no Brasil em 1685, ficou famoso por ter inventado o primeiro aeróstato.