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sexta-feira, setembro 25, 2015

A PROSPERIDADE NACIONAL

Os dados do INE confirmam que a poupança dos portugueses atingiu um dos níveis mais baixos de sempre, o que fez soar alarmes no ministério das Finanças.

Neste momento gastam-se 96% do rendimento disponível, e o consumo sobe com recurso ao crédito bancário, o que torna a balança de pagamentos deficitária, porque se importa mais do que se exporta.

Quem ouvisse o inefável Montenegro na televisão poderia julgar que agora o país está melhor, e que os portugueses também já o sentem.

Os números isolados podem ser ilusórios, mas em conjunto não dão aso a enganos. O consumo aumentou, e a economia avançou, mas isto aconteceu à custa de endividamento, porque os portugueses não têm dinheiro disponível, exactamente porque auferem ordenados demasiado baixos.

O consumo aumentou porque existem bens que têm o seu tempo de vida relativamente curtos, como electrodomésticos, viaturas automóveis, maquinaria, e têm que ser substituídos. Outro factor do aumento do consumo foi o aumento do turismo, que naturalmente aumenta o consumo, ainda que não seja feito por nacionais.


Como poupar se não há rendimento disponível depois de serem satisfeitas as necessidades prementes duma vida digna? Como haverá poupança por parte dos grandes grupos se os seus domicílios fiscais são em paraísos fiscais, ou noutras praças que não se importam de cobrar menos a empresas que têm os seus negócios noutras paragens? 


quarta-feira, agosto 19, 2015

REALIDADES DO TURISMO

Já ouvi enaltecer muitas razões para o crescimento do turismo em Portugal, já li muitos inquéritos feitos a turistas onde se questionam as razões da sua satisfação, mas tenho constatado que todos os inquéritos, entrevistas e análises têm sempre na origem uma encomenda de um player nesta matéria.

Os políticos puxam a brasa à sua sardinha, e enaltecem as suas acções, a classe hoteleira realça os seus investimentos e o seu sector, o governo fala do factor segurança e divulgação, e todos ficam muito contentes com os seus feitos.

É evidente que existe sempre um conjunto de factores que dão uma boa ajuda ao crescimento do turismo e à satisfação de quem nos visita, mas mesmo em todas as abordagens que consultei, existem impressões muito elogiosas que se repetem e que não são propriedade de nenhum sector em particular.


O tempo é um factor que é quase sempre referido, as paisagens também, e os espaços culturais idem, mas a simpatia dos portugueses faz o pleno, bem como a gastronomia, e isso é algo que tem sido pouco valorizado, mesmo sabendo-se que o turismo cada vez mais massificado prejudica, e muito, bem como encarece, a vida dos residentes em muitos locais deste país.


sexta-feira, julho 27, 2012

PAÍS POBRE OU POBRE PAÍS?

A mim sempre me ensinaram que a maior riqueza dum país eram os seus cidadãos, mas isso foi num tempo em que as pessoas eram consideradas como seres humanos e não meros números que adornam as estatísticas. 

Dizem por aí que o país evoluiu e que temos que nos adaptar ao progresso e que as estatísticas ajudam os governos nas suas decisões, que também estão sujeitas às regras da economia do mundo globalizado onde nos movimentamos. 

Talvez seja eu que esteja desactualizado e que não creia que se possa governar ligando apenas a números, que me parecem demasiado abstractos quando desligados da realidade. A situação que vivemos é o exemplo perfeito do desajuste entre a realidade vivida e a realidade dos números esgrimidos pelo governo. 

Conforme disse o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza na Europa, com “umas contas um bocadinho diferentes, poderíamos verificar que uma parte substancial da população portuguesa, mais de 50% provavelmente, está em risco de pobreza devido ao impacto da crise a partir de 2009”. 

Passos Coelho bem pode gritar que não está a exigir demais aos portugueses, porque a realidade desmente-o, e infelizmente já há fome em Portugal, e muita gente que já não consegue aceder aos cuidados de saúde, à educação e até a uma vida digna por ter rendimentos demasiado baixos ou não ter mesmo quaisquer rendimentos. 

As pessoas não são números, e por mais dados económicos favoráveis que o governo possa apresentar, o que conta é a realidade que todos podemos ver ao nosso redor, às portas dos centros de emprego e junto às entidades que fornecem ajuda social a cada vez mais portugueses, que vão subsistindo com a ajuda da solidariedade dos que ainda podem contribuir apesar das dificuldades.

Humor e Pobreza

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

EUROPA – DECADÊNCIA SOCIAL

A Europa social que se foi construindo depois da II Guerra Mundial, que era vista pelo mundo como um projecto a seguir pelo resto do mundo, está a desmoronar-se devido aos maus políticos que nos últimos anos a têm dirigido.

A especulação em crescendo e o desvio do capital para operações não produtivas, juntamente com a deslocalização de boa parte da produção para o oriente, acabaram por tornar as economias menos competitivas e aumentaram a dependência à produção exterior.

Os países com economias mais frágeis e mais dependentes do que vem do exterior ficaram em má situação, e a Europa que se dizia solidária, acabou por obrigar esses países a aumentar o desemprego e a diminuir os salários, a troco do empréstimo de dinheiro, a que convencionaram chamar de “ajuda”.

Por cá o panorama é deprimente, bastando para tal existir um ministro das Finanças que diz que o cumprimento das metas orçamentais é o mais importante, que é o objectivo mais importante, e a maior prioridade do governo.

Políticos desta natureza, e para quem as pessoas têm tão pouca importância, não prestigiam a política, e não merecem o respeito dos seus concidadãos.

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Foto - Flor Branca

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Humor - O Poder e o Povo

quarta-feira, novembro 23, 2011

A FLEXIBILIDADE DO GASPAR

O ministro das Finanças personaliza na sua pessoa o governo de que é membro, e o que ele diz é o que o colectivo decide. Sempre que ouvimos o ministro Vítor Gaspar, já sabemos que vem aí mais algum ataque aos contribuintes.

Não causou grande admiração ouvir há dias o ministro das Finanças dizer que não podia recuar nos cortes dos subsídios dos funcionários públicos e dos pensionistas. Os motivos alegados foram a falta de almofadas ou de alternativas, o facto de só poder ser substituído por outros cortes na despesa pública, e o acordo feito com a troika.

Diferente é o caso da recapitalização da banca, não que me cause grande admiração, que pode vir a ser alterada, nas palavras do mesmo ministro. Agora não fala dos prazos impostos pela troika, mas admite alargar os prazos de reembolso por parte da banca. Curiosamente fica-me também na memória o facto de Vítor Gaspar já ter dito que o Estado, apesar de passar a ser investidor nos bancos, vai ser um actor passivo, o que não lembra nem ao careca.

A flexibilidade do ministro Gaspar só existe para a banca, porque no que respeita aos que vivem dos rendimentos do trabalho, pensionistas e desempregados, a flexibilidade é nula.

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Foto - Asno

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Humor Inflexível

domingo, novembro 07, 2010

ACHO TÃO NATURAL QUE NÃO SE PENSE

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

Pessoa

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Foto - Cores de Outono

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Humor e Rabiscos
Mihai Ignat

sábado, agosto 08, 2009

DESATENTOS...

Bóiam leves, desatentos...

Bóiam leves, desatentos
Meus pensamentos de mágoa,
Como no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos

Do corpo morto das águas.
Bóiam como folhas mortas,
A tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,

Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remédio,

Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.

Pessoa



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Fotos - Variações em Branco


F.L.

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Humor e Investimento
O sr do Investimento in IdeiasproÓscar

domingo, outubro 05, 2008

PESSOA

Os Meus Pensamentos são Todos Sensações

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Suculant by Thom-B-Foto

The Feeling by Anjaloo

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Humor
Como envelhecer melhor por Gilmar

Bandeira

domingo, janeiro 20, 2008

PARA ALÉM DOS NÚMEROS

Em Portugal todos os governos fazem questão em fornecer catadupas de números, sempre com o intuito de justificar medidas ou valorizar a sua acção. Valorizar excessivamente os números, muitas vezes isoladamente ou de forma parcial, invariavelmente conduz a conclusões erradas.
Os números têm sempre diversas leituras, vejam-se as enormes discussões no parlamento e na comunicação social, mas a bolsa do cidadão comum é sempre um óptimo indicador, apesar da ausência de critérios científicos.
Qualquer português pode facilmente verificar que os preços na nossa vizinha Espanha estão ao nível dos praticados no nosso país, e falo na alimentação, vestuário, calçado, e despesas relativas à habitação, e que em alguns casos, como sejam os automóveis e os combustíveis até são mais baratos do que deste lado da fronteira. A isto podemos juntar alguns serviços de grande importância, como a Saúde e a Educação, onde também os preços e a qualidade são bastante mais acessíveis. Mesmo sendo benevolentes, e considerando uma relativa igualdade de preços, a maioria dos portugueses está em enorme desvantagem relativamente aos nossos vizinhos, devido à disparidade entre os salários praticados cá, especialmente quando falamos de pessoal operário, administrativo e auxiliar, e os praticados em Espanha.
Os últimos governos, conseguiram a proeza de errar as suas previsões relativas à inflação durante os últimos 10 anos, e com isso fizeram com que os salários durante estes anos todos crescessem abaixo da inflação, diminuindo o poder de compra de grande parte da população que trabalha por contra de outrem.
Este sábado vi no Expresso o quanto terão perdido diversos grupos profissionais, mas curiosamente também se dá mais ênfase aos montantes perdidos por níveis salariais, passando-se ao largo de aspectos importantes, como a injustiça dos aumentos percentuais que cavam um fosso cada vez maior entre os grupos profissionais e ao facto de 50 ou 60 euros mensais significarem em muitos casos uma perda muito maior do que 500 ou 600 euros noutros casos, em que a subsistência ou o equilíbrio do orçamento familiar não ficou verdadeiramente em causa, apesar da efectiva perda de poder de compra.
Como sempre, jogando-se apenas com números, ignora-se convenientemente a má distribuição da riqueza, como se não existissem já muitos portugueses que trabalham, mas que com os salários tão miseráveis que auferem estão já em situação, ou risco de pobreza. Não estou aqui sequer a falar dos que abusaram do crédito fácil, como devem perceber.

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Caricaturas Excelentes

Rushdie by Ismael Roldan

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