sexta-feira, setembro 25, 2015
A PROSPERIDADE NACIONAL
sexta-feira, abril 13, 2012
O LOGRO DOS NÚMEROS
Não sou muito crédulo em relação às estatísticas, e são muitas as vezes que considero mesmo que os números fornecidos não batem certo com o que eu sinto na carteira, e no que eu observo ao meu redor.
Quando li hoje que a inflação homóloga baixou 0,5% relativamente à de Fevereiro fico deveras desconfiado. Prestei atenção às variações positivas e não vi onde estava a do preço dos combustíveis e do gás, e fiquei espantado pelas variações negativas do calçado e do vestuário, considerando que os saldos já tinham terminado.
Claro que as variações reais de Fevereiro para Março são de 1,2%, e isso é o que nós sentimos realmente no bolso, atendendo ao facto de que auferimos salários cada vez mais baixos.
Também a propósito de números ficámos todos a saber que os portugueses são os que mais gastam em comida, só ultrapassados pelos espanhóis. Isto não é novidade, e talvez nem estejamos em 2º lugar como dizem, mas sim em primeiro.
O que realmente quer dizer o facto de sermos os que mais gastamos em alimentação, é que relativamente aos rendimentos somos os que despendemos a maior percentagem em comida, exactamente por ter-mos salários muito baixos. Não sei se alguém informou a ministra Assunção Cristas, porque parece que ela não sabe e até pretende aumentar a nossa factura alimentar com mais uma taxa.
domingo, setembro 14, 2008
FANTASIA E ESTATÍSTICA
Começa a ser penosa a tarefa dos políticos ao tentarem mascarar a realidade, e nada mais eficaz para os seus intentos do que os índices e as estatísticas, sempre seguindo fórmulas e indicadores ditados pelo poder, para confundir os cidadãos.
Pode-se constatar, por exemplo o aumento absurdo das massa alimentares, algumas estavam a 79 cêntimos há alguns meses e agora, as mesmas massas estão com preços superiores a 1 euro. Claro que podia estar aqui a desfiar um rol de produtos onde os aumentos são enormes, mas mesmo citando apenas a estatística nacional, temos a água, electricidade e gás a subirem 3,6%, e os produtos alimentares acima dos 5%.
O espanto geral é ouvir o ministro das Finanças referir-se à queda de 0,5% dos preços entre Julho e Agosto passado, e acrescentar «penso que esse é um sinal da capacidade da economia portuguesa em resistir a estes choques». Não sei como é que Teixeira dos Santos nos quer convencer de que a economia tem “capacidade” para resistir, a menos que não esteja a falar dos portugueses
Bem pode o senhor ministro repetir até à exaustão o seu discurso sobre a baixa inflação, mesmo sem dizer que também temos dos salários mais baixos, que ainda assim são cada vez mais os que vêem o salário acabar-se antes do final do mês. Essa realidade não deixa de ser sentida, só porque Teixeira dos Santos repete o mesmo discurso sempre que lhe dão a palavra.


domingo, janeiro 20, 2008
PARA ALÉM DOS NÚMEROS
Os números têm sempre diversas leituras, vejam-se as enormes discussões no parlamento e na comunicação social, mas a bolsa do cidadão comum é sempre um óptimo indicador, apesar da ausência de critérios científicos.
Qualquer português pode facilmente verificar que os preços na nossa vizinha Espanha estão ao nível dos praticados no nosso país, e falo na alimentação, vestuário, calçado, e despesas relativas à habitação, e que em alguns casos, como sejam os automóveis e os combustíveis até são mais baratos do que deste lado da fronteira. A isto podemos juntar alguns serviços de grande importância, como a Saúde e a Educação, onde também os preços e a qualidade são bastante mais acessíveis. Mesmo sendo benevolentes, e considerando uma relativa igualdade de preços, a maioria dos portugueses está em enorme desvantagem relativamente aos nossos vizinhos, devido à disparidade entre os salários praticados cá, especialmente quando falamos de pessoal operário, administrativo e auxiliar, e os praticados em Espanha.
Os últimos governos, conseguiram a proeza de errar as suas previsões relativas à inflação durante os últimos 10 anos, e com isso fizeram com que os salários durante estes anos todos crescessem abaixo da inflação, diminuindo o poder de compra de grande parte da população que trabalha por contra de outrem.
Este sábado vi no Expresso o quanto terão perdido diversos grupos profissionais, mas curiosamente também se dá mais ênfase aos montantes perdidos por níveis salariais, passando-se ao largo de aspectos importantes, como a injustiça dos aumentos percentuais que cavam um fosso cada vez maior entre os grupos profissionais e ao facto de 50 ou 60 euros mensais significarem em muitos casos uma perda muito maior do que 500 ou 600 euros noutros casos, em que a subsistência ou o equilíbrio do orçamento familiar não ficou verdadeiramente em causa, apesar da efectiva perda de poder de compra.
Como sempre, jogando-se apenas com números, ignora-se convenientemente a má distribuição da riqueza, como se não existissem já muitos portugueses que trabalham, mas que com os salários tão miseráveis que auferem estão já em situação, ou risco de pobreza. Não estou aqui sequer a falar dos que abusaram do crédito fácil, como devem perceber.








