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sexta-feira, outubro 08, 2021

A INFLAÇÃO EM PORTUGAL

A propósito da proposta de aumento salarial dos funcionários públicos para 2022, o governo acenou a com a inflação prevista para 2021 no valor de 0,9%.

Em Portugal os estudos demoram sempre uma eternidade, mas o Instituto Nacional de Estatística tem sempre valores actualizados para a inflação, o que é muito conveniente para os governos, pois isso dá-lhes sempre uma almofada para as negociações dos Orçamentos de Estado.

Não quero colocar em causa os valores do INE, nem sequer depois duma pandemia como a que vivemos, mas é difícil de acreditar que a inflação do ano de 2021 fique nos anunciados 0,9%.

Alguns números conhecidos desmentem os 0,9%. Os custos da construção civil aumentaram imenso em 2020 e 2021, sendo que só neste ano aumentaram quase 7%, o mesmo se pode dizer das rendas, que não se compadeceram com  a pandemia e subiram mais de 11%, também os preços do imobiliaram estão a subir bastante mais de 6,5%. A produção industrial viu os preços subirem 11%, e nem vale a pena fazer as contas aos aumentos dos combustíveis e da energia porque não param de subir.

Falar em inflação anual e atirar com 0,9% como valor previsto para o ano de 2021, é estar a enganar os cidadãos, descaradamente.

Sites a consultar AQUI e AQUI


 

terça-feira, outubro 05, 2021

À PROCURA DO SOCIALISMO

António Costa encheu a boca de promessas durante a campanha eleitoral para as autarquias, e disse que o Partido Socialista pode e deve dizer o que fez e pretende fazer.

O comum cidadão procura nas afirmações dos membros do Governo as ideias e as promessas de cariz socialista já que são os socialistas que estão no Governo.

Começando pelos salários da função pública as declarações da ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública veio afirmar que não há condições para uma actualização geral da remunerações, embora mencione aumentos só para os salários mais baixos e alguns técnicos superiores, exactamente a base e o topo das carreiras comuns da função pública. Não se consegue encontrar qualquer vestígio de conteúdo socialista nas afirmações, quando se esperaria que em caso de carência orçamental se fizesse um aumento do mesmo montante para todos, isso sim dentro do espírito socialista.

É curioso que apesar do que disse a ministra Alexandra Leitão, António Costa vem dizer que quer beneficiar a classe média, seja isso o que for.

Do Presidente da República vem, neste 5 de Outubro, um apelo para se construir um país mais justo e inclusivo, isso sim um ideal socialista (ainda que ele não seja desse partido).

Para quem não tenha percebido o que eu, que não sou socialista, pretendi mostrar, deixo-vos uns dados da Pordata que mostram bem o panorama que temos no país:

-Taxa de risco de pobreza em 2019 – 37%

- Taxa de intensidade da pobreza em 2019 – 24,4%

Acrescente-se que um quinto da população portuguesa é pobre e um em cada três pobres tem emprego estável.   


 

quinta-feira, outubro 16, 2014

NÃO ME ENGANEM QUE EU NÃO GOSTO



A palavra de boa parte dos políticos não vale mesmo nada, mas ao menos podiam evitar fazer figuras ridículas dizendo enormidades que só poderão enganar os mais fracos e menos informados da nossa sociedade.

Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, veio a público afirmar que “muitas famílias vão ter mais poder de compra”, mas não precisou quais, nem porquê.

Não sei se a ministra se estava a referir apenas à carga fiscal, já constante da proposta de Orçamento de Estado para 2015, mas tenho a certeza de que não levou em linha de conta muitas coisas que afectam grandemente o orçamento das famílias.

A ministra pretendeu ignorar a subida das tarifas da electricidade, já a partir de Janeiro, o aumento da carga fiscal sobre os combustíveis, que afecta os preços das mercadorias e dos serviços, e outros impostos (verdes ou de outra qualquer cor), já para não falar do aumento do imposto sobre o tabaco e sobre as bebidas alcoólicas que também estão previstos.

Colocando tudo na balança é insensato vir dizer que “muitas” famílias vão ter maior poder de compra, porque não é isso que o OE apresentado nos diz.


A bela quarentona vestida à moda da Renascença

sábado, junho 30, 2012

DEIXA O QUE SEDUZ A MULTIDÃO

Se nós nada fizermos senão de acordo com os ditames da razão, também nada evitaremos senão de acordo com os ditames da razão. Se quiseres escutar a razão, eis o que ela te dirá: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multidão! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do espírito, que só servem para amolecer as energias; deixa a ambição que não passa de uma coisa artificialmente empolada, inútil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, tão interessada em não ter superiores como em evitar até os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. Vê como de facto é infeliz quem, objecto de inveja ele próprio, tem inveja por outros. 

Não estás a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para lá entrares, teria de sujeitar-te a inúmeras injúrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente às escadarias dos ricos senhores, aos seus átrios suspensos como terraços: se lá puseres os pés será como estares à beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige ante os teus passos na via da sapiência, procura os seus domínios cheios de tranquilidade, mas também de horizontes ilimitados. Tudo quanto entre os homens é tomado como coisa eminente, muito embora de valor reduzido e só notável em comparação com as coisas mais rasteiras, mesmo assim só é acessível através de difíceis e duros atalhos. A via que conduz ao cume da dignidade é extremamente árdua; mas se te dispuseres a trepar até estas alturas sobre as quais a fortuna não tem poder, então poderás ver a teus pés tudo quanto a opinião vulgar considera eminentíssimo, e desse ponto em diante o teu caminho será plano até ao supremo bem. 

Séneca

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Foto - Apontando o Céu
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Humor - Dúvida e Certeza

quinta-feira, dezembro 27, 2007

OUTROS RESULTADOS

José Sócrates brindou-nos com um discurso optimista e confiante onde refere que que está ultrapassada a crise orçamental dos últimos anos, mostrando-se confiante para enfrentar os desafios e incertezas da economia global.
O sentido geral do discurso estava dado, seguiram-se os números, encabeçados pelo do crescimento perto dos 2%, o emprego onde afirma ter criado 106 mil novos empregos, em termos líquidos, mais 17% de alunos no ensino superior e 360 mil adultos inscritos nas novas oportunidades.
Apesar de toda a boa vontade que nos caracteriza a todos nesta quadra festiva, dá vontade de dizer que o senhor 1º ministro canta bem, mas não nos alegra.
Talvez por causa dos meus óculos novos, a minha visão mostra-me uma outra realidade, em que o crescimento do meu salário não acompanhou os valores do crescimento da economia nacional e nem sequer a inflação real, pelo que de há sete anos a esta parte estou a perder constantemente poder de compra. Também nos números da criação de emprego, José Sócrates não criou nem um sequer, pelo contrário extinguiu alguns na Função Pública, e o número de 106 mil “empregos líquidos” é uma balela, pois nem com os dados do INE isso confere, porque a taxa de desemprego não baixou dos números que eram conhecidos quando tomou posse, pelo contrário aumentou.
Falar do êxitos na educação também não me convence, porque continuamos a formar jovens para o desemprego por manifesta falta de planeamento, e continuamos a ter um défice enorme nos cursos profissionais que não formam gente em quantidade suficiente, e qualidade refira-se, para as necessidades reais do país.
Falou ainda José Sócrates em “promover políticas sociais” e referiu-se em particular aos idosos, e também aqui eu vejo algo de diferente, pois são inúmeros os idosos que vivem em péssimas condições económicas e não só, e que quando recorrem a lares, particularmente nos grandes centros urbanos, os seus rendimentos não são suficientes para a maioria das mensalidades cobradas.
Não sei se a minha visão decorre da cor das lentes, que garanto não são rosadas, ou se as do senhor 1º ministro são tão optimistas pela simples razão de não saber o que se passa no mundo real que eu frequento.
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Aguarelas


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Humor Russo