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terça-feira, março 16, 2021

CAMILO CASTELO BRANCO

Camilo Ferreira Botelho Castello Branco nasceu a 16 de Março de 1825, foi e é um dos mais conhecidos escritores portugueses do século XIX, e terá sido o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente daquilo que escrevia.

Visto por Bordalo Pinheiro Camilo era “Picado do génio e das bexigas”, já ao olhar de Pinheiro Chagas “Nunca a língua portuguesa se mostrou no nosso tempo mais nervosa, mais rica, mais maleável, mais apropriada para nela se tratarem todos os géneros, para dela se arrancarem todos os defeitos”, já na óptica de Fialho d’Almeida “Camilo foi bom – o génio é uma das formas da bondade – bom até onde pôde sê-lo um nevropata; e nessa bondade houve sinceridade, até onde pode mantê-la um romancista” e para Agustina Bessa-Luís “quando o coração me falha neste dialecto de escrever livros, volto-me para Camilo, que é sempre rei mesmo em terra de ciclopes”.


 

quarta-feira, janeiro 15, 2020

EFEMÉRIDE

D. Afonso V nasce a 15 de Janeiro de 1432 em Sintra, mais propriamente no Paço Real de Sintra. A vida deste rei está para sempre ligada a este monumento, não apenas por aqui ter nascido, mas também porque aqui viria a morrer a 28 de Agosto de 1481.



Retrato de D. Afonso V com cerca de 25 anos, por Georg von Ehingen

segunda-feira, dezembro 04, 2017

FANATISMO RELIGIOSO

Na sequência da expulsão dos judeus de Portugal, por decreto de 5 de Dezembro de 1496, só lhes restavam duas opções, sendo a mais óbvia a fuga, e depois a conversão proposta por D. Manuel para se evitar a fuga de capitais do país.

A opção da conversão, em muito facilitada por D. Manuel que tentou proteger ao máximo os cristãos-novos, tentando a sua integração na sociedade portuguesa, encontrou dois obstáculos, o primeiro a resistência natural dos judeus, e outro mais perigoso, que era a intolerância religiosa.

A 19 de Abril de 1506, domingo de Pascoela, e segundo Damião de Góis, os cristãos-velhos reunidos na Igreja de S. Domingos, à espera de um milagre anunciado, terão visto uma luz a brilhar no cruxifixo da igreja, mas houve uma pessoa que terá dito tratar-se dum reflexo das candeias acesas na igreja. Tratava-se de um cristão-novo, o que para a populaça significava que era um judeu, pelo que foi arrastado pela rua e queimado no Rossio, bem como o irmão que teria vindo em seu socorro.

Um frade dominicano fez um discurso contra os judeus, logo secundado por dois frades, Frei João Mocho e Frei Bernardo, que gritaram “Heresia! Heresia! Destruam o povo abominável!” e incendiaram os ânimos da populaça.


A isto seguiu-se um massacre, e a turba arrombava as portas, em busca de cristãos-novos, violando e matando milhares de pessoas (António Borges Coelho), e carregaram mortos e vivos para fogueiras ateadas no Rossio e na zona ribeirinha. A matança e a pilhagem duraram 3 dias seguidos. 



Uma das duas únicas gravuras sobreviventes ao Terramoto de Lisboa 1755 e ao incêndio da Torre do Tombo: “Da Contenda Cristã, que recentemente teve lugar em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou judeus, por causa do Deus Crucificado”

quinta-feira, novembro 30, 2017

PARTIDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL



Passados 210 anos sobre a partida para o Brasil, da realeza portuguesa, importa referir uma exposição que decorre no Museu dos Coches sobre o acontecimento histórico.

Muito se disse sobre o assunto, uns dizendo que foium acto de cobardia, outros preferem recordar que sem esta fuga Portugal deixaria de ser uma nação independente. Nunca saberemos porque a vida não se faz de “ses”.

Talvez seja uma boa oportunidade para citar Oliveira Martins que dizia:

“A onda da invasão varria diante de si o enxame dos parasitas imundos, desembargadores e repentistas, peraltas e sécias, frades e freiras, monsenhores e cadastrados.

Tudo isso, a monte, embarcava, ao romper do dia, no cais de Belém.
Parecia o levantar de uma feira e a mobília de uma barraca suja de saltimbancos falidos: porque o príncipe, para abarrotar o bolso com louras peças de ouro, seu enlevo, ficara a dever a todos os credores, deixando a tropa, os empregos, os criados, por pagar.

Desabava tudo a pedaços; e só agora, finalmente, o terramoto começado pela natureza, continuado pelo marquês de Pombal, se tornava um facto consumado. Os cortesãos corriam pela meia-noite as ruas, ofegantes, batendo às lojas, para comprarem o necessário; as mulheres entrouxavam a roupa e os pós, as banhas, o gesso com que caiavam a cara, o carmim com que pintavam os beiços, as perucas e rabichos, os sapatos e fivelas, toda a frandulagem do vestuário.

(…) O príncipe regente e o infante de Espanha chegaram ao cais na carruagem, sós: ninguém dava por eles; cada qual cuidava de si, e tratava de escapar.

Dois soldados da polícia levaram-nos ao colo para o escaler.

Depois veio noutro coche a princesa Carlota Joaquina, com os filhos.

E por fim a rainha (D. Maria I), de Queluz, a galope. Parecia que o juízo lhe voltava com a crise. Mais devagar!, gritava ao cocheiro; diria que fugimos!

A sua loucura proferia com juízo brados de desespero, altos gritos de raiva, estorcendo-se, debatendo-se às punhadas, com os olhos vermelhos de sangue, a boca cheia de espuma.
O protesto da louca era o único vislumbre de vida. O brio, a força, a dignidade portuguesa acabavam assim nos lábios ardentes de uma rainha doida!
.
Tudo o mais era vergonha calada, passiva inépcia, confessada fraqueza.

O príncipe decidira que o embarque se fizesse de noite, por ter a consciência da vergonha da sua fuga; mas a notícia transpirou, e o cais de Belém encheu-se de povo, que apupava os ministros, os desembargadores, toda essa ralé de ineptos figurões de lodo.

E – tanto podem as ideias! – chorava ainda pelo príncipe, que nada lho merecia. D. João também soluçava, e tremiam-lhe muito as pernas que o povo de rastos abraçava.

A esquadra recebera 15 000 pessoas, e valores consideráveis, em dinheiro e alfaias.

Levantou ferro na manhã de 29, pairando em frente da barra até o dia seguinte, às sete horas, que foi quando Junot entrou em Lisboa. Os navios largaram o pano, na volta do mar, e fizeram proa a sudoeste, caminho do Brasil.”



sexta-feira, maio 12, 2017

FLORENCE NIGHTINGALE

Florence Nightingale foi uma enfermeira britânica, nascida em Florença a 12 de Maio de 1820, que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos durante a Guerra da Crimeia. O título de dama da lâmpada, como muitos a conheceram, deriva de se ter servido desse instrumento como meio auxiliar para executar tratamentos durante a noite.


Terá sido responsável por ter lançado as bases da enfermagem profissional, tendo criado a sua escola de enfermagem no Hospital St Thomas, em Londres, no ano de 1860. O Dia Internacional da Enfermagem é comemorado na data do seu aniversário.


quinta-feira, fevereiro 23, 2012

ESOJ OSNOFA

Partiu em 1987, precisamente nesta data, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, também conhecido por Zeca Afonso, cantor e compositor português que ficará para sempre ligado à história do fado de Coimbra e à música revolucionária do final da ditadura e da revolução que se seguiu.

Atravessamos tempos difíceis e há quem nos queira fazer crer que não temos direito a nenhuma das conquistas conseguidas depois de Abril de 1974. Creio que esta é uma boa ocasião para recordar o Zeca, um lutador que usou a canção como arma, em tempos igualmente difíceis.



domingo, julho 19, 2009

FOI HÁ 40 ANOS



A Apollo 11 foi a 5ª missão tripulada do Programa Apollo, e a 1ª a pousar na superfície da Lua, no dia 20 de Julho de 1969.

Neil Armstrong (comandante), Edwin Aldrin (piloto do módulo lunar) e Michael Collins (piloto do módulo de comando), constituiram a tripulação desta missão que ficará para sempre na memória dos que assistiram pela televisão à 1ª alunagem.

As palavras de Neil Armstrong ao pousar na Lua, "Este é um pequeno passo para um homem, mas um enorme salto para a humanidade", ficaram na História das viagens viagens espaciais.

terça-feira, janeiro 13, 2009

ARY DOS SANTOS

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Ary dos Santos



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