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sexta-feira, junho 25, 2021

A MINISTRA IRRELEVANTE

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, demitiu com efeitos imediatos o director-geral do Património Cultural, Bernardo Alabaça, por considerar que a DGPC está "inoperacional".
 
Não sei onde tem estado a senhora ministra durante este tempo todo, porque a DGPC já está paralisada há muito tempo, sobretudo por falta de meios para sair da decadência e do marasmo que se tem prolongado pelas últimas décadas.
 
Uma ministra sem peso político, como Graça Fonseca, não consegue com que o todo poderoso ministro das Finanças abra os cordões à bolsa para se garantir sequer a manutenção dos edifícios e o pessoal que garanta um funcionamento minimamente aceitável dos serviços dependentes da DGPC. 
 
Casa onde não há pão...
 
Mais uma vez se percebe que os problemas deste Governo se resolvem com as demissões de pessoal inferior, porque os ministros se consideram a última bolachinha do pacote.

 


quinta-feira, novembro 30, 2017

PARTIDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL



Passados 210 anos sobre a partida para o Brasil, da realeza portuguesa, importa referir uma exposição que decorre no Museu dos Coches sobre o acontecimento histórico.

Muito se disse sobre o assunto, uns dizendo que foium acto de cobardia, outros preferem recordar que sem esta fuga Portugal deixaria de ser uma nação independente. Nunca saberemos porque a vida não se faz de “ses”.

Talvez seja uma boa oportunidade para citar Oliveira Martins que dizia:

“A onda da invasão varria diante de si o enxame dos parasitas imundos, desembargadores e repentistas, peraltas e sécias, frades e freiras, monsenhores e cadastrados.

Tudo isso, a monte, embarcava, ao romper do dia, no cais de Belém.
Parecia o levantar de uma feira e a mobília de uma barraca suja de saltimbancos falidos: porque o príncipe, para abarrotar o bolso com louras peças de ouro, seu enlevo, ficara a dever a todos os credores, deixando a tropa, os empregos, os criados, por pagar.

Desabava tudo a pedaços; e só agora, finalmente, o terramoto começado pela natureza, continuado pelo marquês de Pombal, se tornava um facto consumado. Os cortesãos corriam pela meia-noite as ruas, ofegantes, batendo às lojas, para comprarem o necessário; as mulheres entrouxavam a roupa e os pós, as banhas, o gesso com que caiavam a cara, o carmim com que pintavam os beiços, as perucas e rabichos, os sapatos e fivelas, toda a frandulagem do vestuário.

(…) O príncipe regente e o infante de Espanha chegaram ao cais na carruagem, sós: ninguém dava por eles; cada qual cuidava de si, e tratava de escapar.

Dois soldados da polícia levaram-nos ao colo para o escaler.

Depois veio noutro coche a princesa Carlota Joaquina, com os filhos.

E por fim a rainha (D. Maria I), de Queluz, a galope. Parecia que o juízo lhe voltava com a crise. Mais devagar!, gritava ao cocheiro; diria que fugimos!

A sua loucura proferia com juízo brados de desespero, altos gritos de raiva, estorcendo-se, debatendo-se às punhadas, com os olhos vermelhos de sangue, a boca cheia de espuma.
O protesto da louca era o único vislumbre de vida. O brio, a força, a dignidade portuguesa acabavam assim nos lábios ardentes de uma rainha doida!
.
Tudo o mais era vergonha calada, passiva inépcia, confessada fraqueza.

O príncipe decidira que o embarque se fizesse de noite, por ter a consciência da vergonha da sua fuga; mas a notícia transpirou, e o cais de Belém encheu-se de povo, que apupava os ministros, os desembargadores, toda essa ralé de ineptos figurões de lodo.

E – tanto podem as ideias! – chorava ainda pelo príncipe, que nada lho merecia. D. João também soluçava, e tremiam-lhe muito as pernas que o povo de rastos abraçava.

A esquadra recebera 15 000 pessoas, e valores consideráveis, em dinheiro e alfaias.

Levantou ferro na manhã de 29, pairando em frente da barra até o dia seguinte, às sete horas, que foi quando Junot entrou em Lisboa. Os navios largaram o pano, na volta do mar, e fizeram proa a sudoeste, caminho do Brasil.”